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Segunda-feira, 17 de Novembro de 2014

O Paradoxo de Chomsky

Uma noite…, Alexander Cockburn contou-me uma história sobre os dentes de Noam Chomsky. Um dia, esse grande cérebro foi ao dentista ver se estava tudo bem com os seus dentes, depois de vários anos de negligência. Durante o exame, o dentista verificou um grande desgaste do esmalte dos molares de Chomsky.

“Noam, você range os dentes?”

“Que eu saiba, não.”

“Bem, o esmalte está bastante desgastado. Talvez ranja os dente de noite. Pode perguntar à sua mulher se ela tem reparado nisso?”

Chomsky regressa à sua casa de Lexington, perto do campus universitário do MIT e conta à sua mulher Carol a conversa com o dentista. Nessa noite e na seguinte, Carol ficou acordada depois de Noam ter adormecido, tentando verificar algum ranger noturno, mas não se apercebe de nada de anormal.

No entanto, Carol reparou num furioso cerrar de dentes durante a manhã, à mesa do pequeno almoço, enquanto Noam lê o jornal New York Times.

Chomsky ensinou duas gerações a lerem os jornais oficiais, a detetarem as farpas metidas nas histórias, os subtis desvios e falsas construções, as decisivas omissões do contexto, e o servilismo perante o poder. O que Chomsky não conseguiu fazer foi ensinar-nos como deixar de ler o New York Times. Como consequência, milhares de ativistas em todo o mundo pegam no Times (ou no Guardian ou no Washington Post) todas as manhãs, com marcadores vermelhos na mão, e começam a sublinhar e a desgastar o esmalte dos seus dentes.

Noam_Chomsky_flickr_march_04.jpg

Sendo luditas, Cockburn e eu chegamos tarde à internet. O nosso jornal CounterPunch só entrou em linha no final da década de 1990, quando o sol se punha sobre o governo de Clinton. Mas não demorou muito até nos apercebermos que a internet disponibilizava uma solução para aquilo a que chamávamos o Paradoxo de Chomsky, um dilema existencial que frequentemente deixa a Esquerda num ambiente hostil a lutar contra fantasmas — nomeadamente, uma realidade política construída pelos editores dos meios de comunicação de elite.

Depois de alguns anos a publicar na internet para uma audiência de mais de um milhão de leitores por mês, tornou-se claro que a velha luta 'David conta Golias' dos panfletários de esquerda batalhando contra os barões unidos da imprensa, começava a equilibrar-se. Num ecrã de 12 polegadas o CounterPunch é tão grande como o New York Times ou Rupert Murdoch, que despejou 580 milhões de dólares no Myspace.com em 2006 quando tardiamente se apercebeu que o mundo tinha mudado.

Jeff Bezos, o titã da Amazon, rebentou com 250 milhões de dólares no decrépito Washington Post. Porquê? Vaidade? O que é um oligarca sem o seu próprio jornal? O velhos impérios dos jornais estão mortos ou moribundos.

Há vinte anos atrás o Los Angeles Times era um super poder. Hoje cambaleia entre um corte selvagem de custos e um despedimento forçado. Será que as grandes primeiras páginas e os tabloides irão desaparecer? Não, num futuro previsível, tal como os comboio não desapareceram com o advento das grandes auto-estradas. Uma indústria madura trará retorno económico e atrairá investidores interessados em dinheiro ou poder, muito antes dos seus dias de glória terminarem. Mas é um mundo em decadência e o sistema de propaganda está a deteriorar-se.

 A esquerda está tão habituada a ser tratada abaixo de cão que nem é capaz de agradecer a sorte quando ela lhe bate à porta. Há trina anos atrás, muitos dos artigos que publicamos diariamente no CounterPunch desafiando a insanidade oficial divulgada pela imprensa de massas, seriam condenados a aparecer em revistas de pequena circulação ou a resumos de 30 segundos na rádio Pacífica. Há trinta anos atrás, para saber o que realmente se passava em Gaza, seria preciso ter um rádio de onda curta decente um um fax. Agora não. Agora podemos ter relatos a partir de Gaza ou Ramallah ou Oaxaca ou Vidharba e disponibilizá-los a uma audiência mundial numa questão de minutos.

Naturalmente, o Estado não gosta de perder o controlo. Claro, poderá começar a policiar mais a internet  e a encerrar sítios mais frequentemente. O custo de acesso pode disparar. Tudo isso pode acontecer e, na ausência de resistência, provavelmente acontecerá. Mas neste momento há novas oportunidades para serem exploradas e usadas, finalmente, em benefício dos radicais.

 

 

Texto de Jeffrey St. Clair publicado na PessTV a 26 de Setembro de 2014. Tradução de Alexandre Leite.

publicado por Alexandre Leite às 19:00
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