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Segunda-feira, 11 de Dezembro de 2006

A guerra da comunicação em Oaxaca

O Governador Ulises Ruiz Ortiz Perdeu a Guerra dos Media

(Relato a partir de Oaxaca)

O governador de Oaxaca, Ulises Ruiz Ortiz (URO) e os seus amigalhaços do PRI estão a trabalhar para evitar que a informação correcta chegue ao público. E a “Narco News” está a fazer o melhor que pode para que toda a informação seja conhecida pelos seus leitores em todo o mundo. Já não estamos no tempo em que URO podia dizer “No pasa nada”, não se passa nada. Agora ele diz, “há apenas uma pequena área bloqueada”. Diz também, “este é um grupo minoritário”, ignorando os relatos diários de confrontos e bloqueios em todas as regiões do estado.

 

De facto, a emissora controlada pelas forças do PRI oposicionistas ao movimento da assembleia popular (ironicamente, é uma estação pirata, sem licença), mencionou o nome “Narco News”. O formato de programa com chamadas telefónicas, uma imitação do formato da Rádio Universidade apoiante do movimento, encoraja as pessoas – “cidadãos” – a ligarem com as suas denúncias e comentários. Um desses programas foi dominado por uma pessoa que se queixava da “Narco News” estar a… relatar as notícias. Os mesmos cidadãos ligam diariamente com queixas sobre como a Assembleia Popular do Povo de Oaxaca (APPO) está a bloquear o trânsito e a incomodá-los de diversas formas, incluindo o cancelamento de meses de escola e impedindo a recolha de lixo.

 

A batalha a decorrer na televisão e na rádio incluiu a tomada de estações de rádio pelo movimento da assembleia popular, a criação de barricadas, a perda de estações de estudantes e de professores, várias recapturas, a tomada e subsequente perda da única estação televisiva de Oaxaca, o Canal 9, por um grupo de mulheres “cacerolas” da APPO – uma saga nos meios de comunicação que ainda continua actualmente.

 

         Neste momento uma rádio apoia a APPO, a Rádio Universidade, continua no ar – ou antes, voltou a estar no ar, depois de ter sido atacada a 22 de Julho por bandidos contratados pelo governador. De volta ao ar, no entanto, enfrentou duas tentativas de silenciamento. Uma delas foi um ataque directo, pela Polícia Federal Preventiva a 4 de Novembro, acontecimento agora conhecido como a Batalha de Oaxaca, quando a população apareceu a defender a universidade autónoma, numa luta de sete horas contra gás lacrimogéneo, água química e polícia armada. A população, com as suas armas de pedra e bravura física, repeliu-os.

 

O silenciamento da rádio não foi conseguido pela força: nem a invasão das instalações da universidade nem os disparos contra a antena em Fortin Hill. Isso funcionou uma vez para calar a estação, mas de alguma maneira os estudantes conseguiram reconstruí-la. Outro ataque aconteceu a 4 de Novembro. Este recente ataque conseguiu algum dano, actualmente a ser reparado por técnicos, como foi feito anteriormente. No entanto, o alcance da transmissão foi prejudicado; já não chega a toda a cidade.

 

Quando a invasão da universidade falhou, os apoiantes do PRI lançaram mais uma campanha de interferência estática no degradado sinal da rádio. Esse tipo de ruído foi anteriormente usado contra as outras estações de rádio, quando estavam nas mãos da APPO. Agora está a ser usado contra a Rádio Universidade. O movimento depende da rádio para pedidos de ajuda (como aconteceu quando a universidade estava a ser atacada), para chamamentos às barricadas, para anunciar manifestações, encontros e marchas – resumindo, para as comunicações necessárias para continuar a luta. Mais uma vez, na segunda-feira, soou o alarme.

 

O apoio, no entanto, é que a “Noticias La Voz de Oaxaca” também emite notícias numa estação de rádio comercial apoiante, todas as tardes.

 

URO, há cinco meses, perdeu de vez a guerra dos jornais iniciada pelo seu antecessor, José Murat, que tentou rudemente esmagar o “Noticias” num conflito que originalmente tinha mais a ver com hostilidades privadas entre homens endinheirados do que com interesses políticos. Murat desferiu uma série de ataques, tais como uma falsa greve de trabalhadores que nem trabalhavam no “Noticias” e um assalto ao armazém do jornal. Depois URO, que sucedeu a Murat, tomou conta com disparos contra o novo escritório do jornal – o antigo ainda está ocupado pelos “grevistas”, uma situação que já se arrasta há um par de anos sem nenhuma resolução legal, porque não é do interesse de URO permitir uma solução. Também se diz que ele tentou um segundo ataque ao armazém do jornal.

 

         Tornar um editor de jornal, num inimigo, não é a coisa mais inteligente a fazer, e claro, o “Noticias”, que não era especialmente inclinado a apoiar movimentos sociais, está agora um grande amigo da Assembleia Popular do Povo de Oaxaca. Relata constantemente informações correctas – o que é uma desvantagem para URO.

 

         Para além disso, o “Noticias” está a vender jornais, pois milhares de professores pretendem ler o que se diz sobre eles e ver as fotos das suas acções. URO fez um grande favor financeiro ao seu inimigo noticioso.

 

         Logo a seguir ao acampamento de professores de 14 de Junho, nascia um novo jornal: Toucan, que se baseia em foto-jornalismo, com impressionantes fotografias do ataque, do contra-ataque, das dúzias de marchas e dos vários assassinatos, incluindo o de Bradley Will. Cada foto é uma homenagem ao movimento da assembleia popular.

 

         Melhor ainda, o “La Jornada”, prestigiado jornal populista da Cidade do México, cobre constantemente, recorrendo a boletins electrónicos que são publicados na sua página da internet durante a noite. As notícias, não totalmente imparciais, são factualmente correctas, ao contrário das dos grandes jornais quer do México quer dos Estados Unidos, que apresentam relatos enganosos e falsos, tais como os feitos pela Associated Press.

 

         Para além disso, brigadas de fotografia e vídeo, de jornalistas estrangeiros e nacionais, chegaram em força. Tudo é mostrado, deixando o PRI e o URO sem lugar onde se esconderem. As pessoas locais do movimento também andam com câmaras e quando há ameaça de um ataque, a Rádio Universidade lança um apelo para que as pessoas acorram com câmaras, para documentar o que se está a passar – como fizeram no ataque de 14 de Junho, no zócalo [centro da cidade]. Cada sobrevoo de helicóptero aparece nas fotografias. A capacidade de URO para mentir sobre quem tinha as armas e quem disparou contra quem, foi destruída. Cada vídeo e cada fotografia, para além disso, aparecem na internet, nas notícias internacionais, nas notícias nacionais, nas notícias locais, até às ruas, onde esses vídeos são passados em ecrãs postos em cima de caixas, nos passeios, para que os transeuntes os possam ver.

 

         Na segunda-feira, o dia a seguir à Sexta Megamarcha, os vídeos estavam a ser mostrados na “Andador Turística”, outrora uma zona comercial com lojas caras, que vai desde a igreja de Santo Domingo até ao zócalo. Os vídeos do movimento são actualizados a cada marcha e a cada batalha, mas o favorito continua a ser o do ataque governamental de 14 de Junho.

 

         A zona para peões, agora ocupada por cerca de três milhares de professores e apoiantes, exibe arte de rua, pinturas de parede, graffiti, e mesmo as tradicionais carpetes de areia do Dia dos Mortos. Cartazes e slogans adornam a fachada de cada loja, e na praça de Santo Domingo está um grupo de fantasmas, em honra dos elementos assassinados do movimento, com uma pistola a jorrar sangue (fitas vermelhas), e o nome de URO. URO é normalmente apelidado de assassino.

 

Se gostar de música, também há: centenas de CDs de produção caseira com a música do movimento e das lutas populares dos últimos anos, incluindo tudo, desde a greve dos professores até às greves dos trabalhadores do Peru. As velhas canções incluem “Casas de Carton”, “De Donde Son?” sobre as barricadas, e “Venceremos”. As novas canções narram sob a forma de baladas, o ataque aos professores no zócalo, e “Estamos hartos” [Estamos fartos] deste governador. Os músicos de Oaxaca continuam a escrevê-las e a cantá-las. Uma aparentemente infinita onda de criatividade e organização mostra o movimento no seu melhor, e enegrece o URO, uma homem desprezado que não pode governar.

 

         URO perdeu a guerra dos media, e as sondagens revelam que até os seus apoiantes do PRI querem que ele saia.

 

 

Texto de Nancy Davies publicado em http://narconews.com/Issue43/article2312.html a 7 de Novembro de 2006, e traduzido por Alexandre Leite.

publicado por Alexandre Leite às 08:23
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