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Quinta-feira, 11 de Janeiro de 2007

Guincha, incha e desincha

“O crescimento da China está a substituir os EUA como motor da economia mundial. A China é o maior consumidor mundial de aço, cimento, cobre, alumínio e zinco e o segundo maior consumidor de petróleo. Segundo Robin Bahr da UBS, ‘O facto do crescimento dos países em desenvolvimento vir compensar o declínio da procura por parte dos EUA, representa um ponto de viragem para o mercado de ‘commodities’ [mercadorias], que têm estado historicamente ligados à expansão e contracção da economia norte-americana.’”

Variando conforme a data em começamos a contar, mas em qualquer dos casos, o “império” dos EUA é o mais curto de sempre. Cinquenta anos se contarmos a partir de 1945, ou perto de 100 anos se começarmos em 1918, que assinala o momento em que superaram o Reino Unido como “bandito imperialista numero uno”.

“Pela primeira vez, o euro superou o dólar em termos do valor das notas em circulação, grosseiramente 787 mil milhões de dólares [perto de 608,38 mil milhões de euros]. Cerca de 10 a 20% dos euros estão fora de zona euro.”

Em parte, o crescimento da China e do euro, explicam porque é que a classe capitalista dos EUA se está a comportar com tanto desespero, ainda mal começou a conquistar o planeta e já parece que o jogo está a acabar.

Outra coisa interessante, parece também que não está a ser derrotado pelo Socialismo mas por capitalismos rivais, ora aqui está uma revelação para os livros! No entanto, antes de começar o burburinho dos fãs do “fim da História”, vale a pena considerar o que está exactamente em causa

“Longe de ser varrida para baixo do tapete do Muro de Berlim, Marx pode estar apenas agora a emergir no seu verdadeiro significado. Pode ainda tornar-se o pensador mais influente do século XXI.” — ‘Marx’s Das Kapital A Biography’ Francis Wheen.

Ao contrário de muitos compatriotas meus, que falam insistentemente sobre “o falhanço no Iraque”, sobre o aquecimento global e alegadas iminentes invasões ao Irão e outros pontos do Oriente, eu julgo que as coisas estão realmente a ficar boas. Podem perguntar, em que é que eu me baseio para ter esta visão tão optimista dos acontecimentos?

Na realidade, em várias coisas: em primeiro lugar, os acontecimentos dos últimos duzentos anos revelam que as coisas estão a acelerar; o que levava dois séculos a atingir a maturidade, está agora a consegui-lo em apenas décadas ou mesmo numa mão cheia de anos. Em segundo, é óbvio para qualquer um que tenha pelo menos uma vaga ideia do funcionamento do capitalismo, que ele está a sair da estrada. A China, por exemplo, não é nenhuma Europa a envelhecer, o enorme tamanho da sua economia está a ser impressionante, mesmo comparando com os EUA, mas tenham em consideração que também ela, e provavelmente num período mais curto, irá bater na parede de tijolo que é a diminuição dos mercados (como também baterá o seu rival local, a Índia).

E, como sublinhou o Subcomandante Marcos, “neoliberalismo é… a caótica teoria do caos económico, a estúpida exultação da estupidez social e a catastrófica orientação política da catástrofe,” uma profunda e reveladora observação da natureza do actual capitalismo.

Longe de serem omnipotentes, as suas acções revelam uma assustada classe dominante profundamente insegura, levada a tomar medidas desesperadas. Acções que apesar de extremamente perigosas, pois roçam a beira dum abismo, estão destinadas a falhar porque não se podem ignorar os fundamentos da economia do capitalismo, independentemente da tentativa dos grandes meios de comunicação, de nos convencerem que está tudo sob controlo. Mas sabemos que a realidade é a de um sistema que para além de não compreender as implicações de uma economia global interligada, não tem um plano, a não ser, como assinala o Subcomandante, reacções histéricas e cada vez mais desesperadas.

De forma a avaliarmos o significado disto, temos de voltar ao nosso velho amigo Marx, que passou a maior parte da sua vida e estudar não o socialismo, mas sim o capitalismo. De facto, como Francis Wheen diz no seu excelente estudo sobre o “Das Kapital”

“Não houve nada remotamente parecido, nem antes nem depois – e é provavelmente por isso que tem sido consistentemente negligenciado ou mal interpretado.” — Marx’s Das Kapital A Biography por Francis Wheen.

O capitalismo

“qualquer que seja o seu destino, quer dure um século ou um milénio … depende da exploração.”— Das Kapital, pág. 12

Vale a pena relembrar algumas coisas básicas, fundamentos que nem os entusiastas nem os pessimistas de entre nós, parecem nunca ter entendido, ou na sua ânsia de julgar, ignoraram,

“Nós podemos ler numa página que o trabalhador tem uma dívida de gratidão ao capital por ter desenvolvido a sua produtividade, pois o tempo de trabalho necessário é deste modo encurtado, e na página seguinte vemos que ele tem de provar a sua gratidão passando a trabalhar 15 horas em vez de 10.”

No entanto a realidade não é a redução do tamanho do dia de trabalho mas a redução do tempo de trabalho necessário para produzir uma mercadoria.

Estivesse ele vivo hoje e estou certo que não se espantaria com o grande poder produtivo do capitalismo moderno, mas creio que a sua vida de estudo e as suas conclusões, reconhecem completamente a suas análises. E de facto, a chegada da divisão internacional do trabalho, ou globalização, como é chamada, criou uma crise de sobre-produção sem paralelo na história, mesmo à escala vitoriana. Tanto que as observações de Marx sobre esta paradoxo básico do capitalismo, parecem ser ainda pouco para os dias de hoje,

“As crises comerciais no seu retorno periódico põem em questão, cada vez de forma mais ameaçadora, a verdadeira existência da sociedade burguesa. Nestas crises, são periodicamente destruídas, não só uma grande parte dos produtos existentes, mas também as forças produtivas previamente criadas. Nestas crises rebenta uma epidemia - que noutras épocas teria parecido um absurdo – a epidemia da sobre-produção.”

Entendia que o Capitalismo tinha apenas duas “soluções” para estas crises periódicas,

“Por um lado, pela destruição forçada de uma grande quantidade de forças produtivas [o mesmo que dizer guerra]; por outro lado, pela conquista de novos mercados, e pela exploração mais exaustiva dos antigos. Isto é, abrindo caminho para crises mais extensas e destrutivas, e pela diminuição de meios através dos quais se possam prevenir crises. [meu sublinhado – W.Bowles]” — Marx, O Manifesto Comunista

O que no mundo de hoje podemos confundir com uma descrição da “Guerra ao Terrorismo”. Marx descreveu-a no “Das Kapital” como

“A barreira real para a produção capitalista… é o próprio capital. A causa última de todas as verdadeiras crises está sempre na pobreza e no baixo consumo das massas, quando comparado com a tendência da produção capitalista de desenvolver as forças produtivas, de tal forma que apenas o absoluto poder de consumo de toda a sociedade seria o seu limite.

Assim, enquanto uma pequena fracção da população mundial tem uma riqueza incomparável, pela destruição do carácter nacional da produção capitalista, a verdadeira pobreza do consumo das massas está escondido do olhar, pelo menos do nosso, no chamado mundo desenvolvido. Em vez disso, mostram-nos pessoas que são alegadamente vítimas da sua incapacidade em consumir, aquilo que erradamente chamamos, sub-desenvolvimento!

“Os 2% mais ricos da população adulta do mundo, têm mais de 50% das riquezas mundiais, enquanto que os 50% mais pobres apenas têm 1%.” – Relatório da ONU sobre a Distribuição da Riqueza.

Esta realidade explica muito sobre a inviabilidade da esquerda do mundo desenvolvido em enfrentar a verdadeira natureza do capitalismo, o que faz com que seja necessário um Subcomandante ou um Hugo Chávez, ou mesmo um Fidel Castro, para nos fazer lembrar.

Assim, enquanto andamos atarefados como o “pico petrolífero”, “guerra de recursos” e outros que tais, o verdadeiro assunto é a crise periódica de sobre-produção! Crises agora complicadas pela compreensão de que a sobre-produção teve como resultado uma desastrosa mudança climatérica, para juntar aos nossos males. E como que reforçando as brilhantes visões de Marx, não mencionando a soma do insulto à injúria, nós do mundo desenvolvido estamos agora a ser pressionados a reduzir o consumo, em nome da redução do aquecimento global!

Penso que não será um exagero olhar para a crise da globalização como o “canto do cisne” do capital, nem que seja apenas pelos simples facto de que já não há nenhum sito para onde o capital possa ir. Deve ser claro, mesmo para o mais míope dos observadores, que ao exportar a produção para a China e Índia, por exemplo, de forma a, como diz Marx, reduzir “o tempo-trabalho necessário para produzir a mercadoria”, criou mais uma crise de sobre-produção. Uma crise que só pode ser resolvida “pela destruição forçada de uma grande quantidade de forças produtivas” ou pela destruição do próprio capitalismo.

Isto representa, tenho pena de o dizer, um mau sinal para a pletora de “blogues” que alegadamente oferecem análises ao imperialismo, que poucos, se alguns, tenham alguma coisa a dizer sobre estas premissas. Soam a uma voz vinda da “barriga do monstro”, dizendo as coisas como elas são.

“Quanto mais tempo passo em Wall Street … mais convencido fico de que Marx estava certo. Há um Prémio Nobel aí à espera para um economista que ressuscite Marx e o apresente numa teoria coerente. Estou absolutamente convencido que a visão de Marx é a melhor forma de ver o capitalismo.” — Citado por John Cassidy, correspondente de economia da revista “New Yorker”, de uma conversa com um investidor bancário britânico a trabalhar em Wall Street.

Cassidy, que nunca tinha lido Marx anteriormente, descobriu

“passagens fascinantes sobre a globalização, monopólio, progresso técnico, o declínio da alta cultura, e sobre e enervante natureza da existência moderna – assuntos que economistas começam agora a abraçar, por vezes sem perceberem que estão a caminhar sobre as pegadas de Marx.” — Citado em ‘Marx’s Das Kapital A Biography’ por Francis Wheen.

E que ironia é, que seja necessário um investidor bancário para redescobrir o génio de Marx! Mas dada a falência da esquerda e a sua pobreza teórica e uma ainda pior acção, isto não deveria soar a surpresa.

Postscript: Estou em dívida como Francis Wheen pelas citações que tenho usado da sua soberba biografia de Marx, um livro muito de muito fácil (e merecida) leitura sobre Marx o artista. Podem comprar na Amazon (Reino Unido) (parece não estar disponível na Amazon EUA).

 

Texto da autoria de William Bowles, publicado em http://www.williambowles.info/ini/2007/0107/ini-0467.html a 9 de Janeiro de 2007. Traduzido por Alexandre Leite.

publicado por Alexandre Leite às 22:48
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