WTC7

.posts recentes

. Trabalho com precariedade

. Saindo da UE

. A rapina de Timor-Leste: ...

. Empresa de limpeza em Tel...

. De quem é o vírus Zika?

. Bem-vindos ao apartheid d...

. Adolescente americana ame...

. Perante o caos, o saque e...

. A canalhice final contra ...

. Atirá-los ao mar

. Pensar a violência

. O que queremos dizer quan...

. “Je Suis CIA”

. A Rússia invade a Ucrânia...

. Marx fala sobre os 25 ano...


Tecnologia de FreeFind

.Arquivos


eXTReMe Tracker

.subscrever feeds

blogs SAPO
Quarta-feira, 7 de Fevereiro de 2007

Quem financia o aquecimento global?

Com chapéus em forma de chaminés e empunhando cartazes que diziam, “Investimentos no Carvão Cozinham o Clima”, um grupo conhecido por Bilionários do Carvão, divulgou na semana passada, planos da TXU, uma companhia com sede em Dallas, de construir 11 novas centrais de energia alimentadas a carvão no Texas.

Os activistas entregaram malas com carvão, mas quem recebeu o seu presente não foi a TXU e eles estavam bem longe do Texas. Em vez disso, a sua acção decorreu na zona financeira de Nova Iorque, onde visitaram a sede da Merrill Lynch – uma companhia que está a colocar o carvão e os lucros à frente da saúde humana e da mudança climática.

A Merrill Lynch é uma de três grandes instituições financeiras, em conjunto com a Morgan Stanley e o Citigroup, que concordaram disponibilizar os 11 mil milhões de dólares [8,5 mil milhões de euros] necessários para financiar as centrais da TXU.

 

Retirado de www.alternet.org

É do conhecimento comum entre os cientistas e os reguladores que as centrais eléctricas alimentadas a carvão são a forma de electricidade mais poluidora, e neste momento o mundo precisa de aproveitar todas as oportunidades possíveis para fugir da produção de mais emissão de gases com efeito de estufa (GEE).

Há quem diga que é o governo que deve regular as emissões de GEE; outros colocam a responsabilidade nas companhias que os produzem. Mas organizações como a Rainforest Action Network (RAN) acreditam que os bancos que financiam projectos poluidores como os da TXU, também precisam de ser responsabilizados.

Esta acção recente dos Bilionários do Carvão em Nova Iorque coloca a questão: Qual é o papel da indústria financeira global no que toca à mudança climática? Também sublinha os efeitos em cascata do aquecimento global – mais centrais a carvão no Texas serão um problema de todos – incluindo da Wall Street.

Banca com dinheiro sujo

Se a TXU assegurar a quantidade de dinheiro necessária e as licenças, as suas 11 centrais irão produzir 78 milhões de toneladas de CO2, cada ano, durante uns 50 anos, tempo de vida espectável das centrais.

Vamos colocar este número em perspectiva. De acordo com a Environmental Defense, a libertação calculada de 78 milhões de toneladas de CO2 por ano é mais do que produzem alguns países, tais como a Suécia, Dinamarca, e Portugal. É também o equivalente a colocar 10 milhões de automóveis Cadillac Escalades na estrada ou então cortar e queimar todas as árvores numa secção da Amazónia com um tamanho superior a 9 milhões de campos de futebol – maior do que o estado da Califórnia.

“Isto é os EUA e a sua insanidade no seu melhor. Estamos a enfrentar uma crise climática,” disse Brianna Cayo Cotter da RAN. “Estamos à beira de um precipício e este tipo de projectos só nos empurra ainda mais para a frente.”

A TXU parece estar a esforçar-se para ser conhecida como a maior corporação emissora de gases nos EUA. Com uma crescente pressão política nos Estados Unidos e com um aumento da acção internacional, que tipo de instituição quer estar associada a eles?

Até agora, as únicas três oficialmente ligadas ao projecto são o Citigroup, a Merrill Lynch, e a Morgan Stanley, e eles são conhecidas como ‘lead arrangers’, encarregadas de ajudar a TXU a conseguir os 11 mil milhões de financiamento.

A RAN enviou cartas a 56 bancos globais – desde os Estados Unidos, Canadá, Europa, e até Japão e Brasil – pedindo aos bancos que rejeitassem pedidos de financiamento do projecto.

Na Holanda, havia quatro bancos que tinham sido sondados para o financiamento, apesar do facto do projecto da TXU vir a produzir seis vezes a quantidade da prometida redução de CO2 desse país – contrariando os esforços (seis vezes mais) dos holandeses em limitar as suas contribuições para a mudança climática.

De acordo com Cotter, pelo menos 18 bancos já responderam que não têm interesse em financiar o plano, e nenhum afirmou que o irá fazer. Até agora, há também três grandes bancos a dizerem publicamente que não estão interessados – Goldman Sachs, JP Morgan Chase e o Bank of Montreal. O Wachovia e o Scotiabank são daqueles que ainda estão na corda bamba.

Há muitos bancos que têm a política de não fazer comentários sobre os seus clientes e por isso não responderam. No entanto, alguma leitura nas entrelinhas pode dar algum sentido às suas posições.

O HSBC, com sede em Londres, tornou-se o primeiro banco no mundo, em 2005, a comprometer-se em se tornar carbono-neutral.

Apesar de terem dito que não podiam falar sobre a TXU, afiramaram, “Nós olhamos para a mudança climática como a maior ameaça ambiental para o mundo neste século, e tomámos várias iniciativas de forma a assegurar que assumimos o nosso papel no seu combate”, escreveu Michael Goeghegan, Director Executivo no HSBC.

O HSBC diz que está empenhado em cumprir o Protocolo de Quioto e o Esquema de Comércio de Emissões da EU. Também tem uma Estratégia Financeira para o Carbono para apoiar a “transição para o financiamento de projectos energeticamente eficientes e com baixos valores de carbono,” escreveu Goeghegan. “Nós acreditamos que as instituições financeiras irão ter um papel importante na mudança para uma energia mais limpa e desejamos estar na liderança das instituições financeiras de uma economia pobre em carbono.”

O Bank of America foi ainda mais longe ao reduzir as emissões dos projectos que financia. De acordo com Dana Clark, que dirige a campanha da RAN sobre o financiamento global, “Nesta altura, o Bank of America mostrou o maior empenho em combater a mudança climática.” O banco afirma que conseguiu “alcançar uma redução de 7% de emissões indirectas… dentro da nossa carteira de energia e serviços.”

O Merrill Lynch está na ponta oposta do espectro, sem nenhuma política ambiental, e o Citigroup passou de um líder na indústria a ter que dar da perna, disse Clark.

Em 2004, afirmou Clark, o Citigroup tinha uma política ambiental pioneira que cobria florestas, biodiversidade, e assuntos do clima, mas hoje em dia o seu empenhamento é mínimo.

“Estão empenhados em reduzir a sua próprio pegada”, disse Clark. “Isso quer dizer as emissões directas dos seus edifícios – desligar luzes, reciclar – tudo muito bem, mas não estão interessados em olhar para os impacto climáticos dos seus investimentos, empréstimos, e serviços de consultadoria.”

O Citigroup não considera que ajudar a financiar o projecto da TXU seja uma contradição com as políticas ambientais do banco, desde que a empresa obtenha do estado todas as licenças necessárias.

“A sua perspectiva é muito restritiva”, declarou Clark. “Eles comprometeram-se a reduzir as emissões de GEE nas suas operações, e no entanto deram a volta e vão financiar um projecto que vai emitir 78 milhões de toneladas de CO2 todos os anos, nos próximos 50 anos – isto arrasa todas as coisas boas que estejam a tentar fazer.”

Nos últimos anos, muitos bancos da indústria financeira mundial começaram a desenvolver melhores políticas ambientais e sociais. “No início, as políticas de ambiente baseavam-se em prevenir que os bancos financiassem pipelines “sujos” de petróleo ou não permitir que investissem em madeira ilegal na Indonésia, o que não deixa de serem boas coisas”, disse Cotter. “Mas mudou a noção evoluída do que é uma política ambiental forte.”

Essa mudança tem resultado do aparecimento de uma consciência pública sobre os perigos das mudanças climáticas em conjunto com relatórios de especialistas de renome, tais como Jim Hansen da NASA e Sir Nicholas Stern do Reino Unido, que concluíram ambos que a acção decisiva necessária tem de ser feita imediatamente, de forma a mudar o nosso consumo de carbono durante a próxima década.

“Este é um tempo em que é imperativo para o sector financeiro global, tomar uma decisão – vão financiar o futuro ou vão apoiar e lucrar de actividades destrutivas do clima?”, questionou Clark. “É altura de eles implementarem políticas de redução da intensidade de carbono nos seus investimentos e aplicar os seus recursos em fontes de energia mais sustentáveis.”

O Problema do Texas é um Problema do Mundo

De acordo com o Departamento de Energia, existem 154 novas centrais a carvão projectadas para estarem em funcionamento em 2030, nos EUA. Não surpreendentemente, o Texas lidera, com 19 propostas actualmente.

Se a TXU conseguir construir as suas 11 centrais no Texas, eles esperam exportar o seu modelo e construir mais 13 centrais alimentadas a carvão noutros estados, elevando as suas emissões para 92 milhões de toneladas de CO2 por ano, e tornando-se a maior corporação emissora de GEE nos EUA – não é nada pouco num país que lidera as emissões mundiais.

“Este é um assunto sério – os ursos polares estão a ficar sem as suas casas, as mulheres Inuit não conseguem amamentar, e por todo o mundo os efeitos das mudanças climáticas estão a fazer-se sentir de modo bastante sério, e existirem bancos que consideram um projecto que nos vai dar 78 milhões de toneladas de GEE todos os anos, é de loucos”, disse Cotter.

A construção de novas centrais eléctricas alimentadas a carvão, neste momento, iria prender os residentes a mais 50 anos de energia suja, numa altura em que o mundo concorda que nós necessitamos de escolher energias mais limpas, mais sustentáveis.

“Se impedirmos que estas centrais sejam construídas, ficará ainda mais difícil construir outras centrais sob o plano energético ‘carvão limpo’de Bush e Cheney”, afirmou Cotter. “Se pudermos parar um projecto de alto nível logo no início do jogo, isso terá uma influência na direcção que este país vai tomar, ou por um caminho sem retorno de alteração climática, construindo mais centrais, ou então começamos e agir com sensibilidade e aumentamos a nossa eficiência e reduzimos as nossas emissões.”

O verdadeiro custo das centrais não será apenas carregado pelos bancos globais. Estima-se que haja 6 mil milhões de dólares [4,6 mil milhões de euros] de custos de externalidades associadas ao projecto da TXU. As emissões de GEE irão afectar mais do que apenas o Texas, já que a mudança climática é um problema partilhado globalmente, com as pessoas pobres a serem os primeiros a correr mais riscos. Os custos de externalidades também têm em consideração os impactos da queima do carvão na saúde, incluindo taxas aumentadas de asma e de mortes prematuras.

O Stern Review sobre a Economia da Mudança Climática, divulgado neste Outono, chegou a conclusões decisivas sobre os custos financeiros que o aquecimento global pode ter. O Guardian, do Reino Unido, resumiu os seus achados:

  • Não abrandando, a alteração climática pode custar ao mundo pelo menos 5% do PIB em cada ano; se se confirmarem as previsões mais pessimistas, o custo seria de mais de 20% do PIB.
  • O custo da redução de emissões pode ser limitado a cerca de 1% do PIB global; as pessoas podem ver mais taxados os bens com grandes níveis de carbono.
  • Cada tonelada de CO2 que nós emitimos causa danos no valor de pelo menos 85 dólares [65 euros], mas as emissões podem ser reduzidas com um custo inferior a 25 dólares [19 euros] por tonelada.
  • Mudar o mundo para um caminho de baixos níveis de carbono, poderia eventualmente beneficiar a economia em 2 500 000 000 000 de dólares por ano [cerca de 1,924,900,000,000 de euros].
  • Em 2050, os mercados de tecnologias pobres em carbono podem valer pelo menos 500 mil milhões de dólares [perto de 385 mil milhões de euros].
  • Aquilo que fizermos agora pode ter um efeito limitado no clima nos próximos 40 ou 50 anos, mas o que for feito nos próximos 10-20 anos pode ter profundos efeitos sobre o clima na segunda metade deste século.

O jornal “The Guardian” concluiu que “Os benefícios de uma acção rápida e forte, ultrapassam grandemente os seus custos.” Numa perspectiva económica, a única forma de evitar o desastre é agir imediatamente – algo que aparentemente as instituições financeiras mundiais estariam interessadas em fazer.

Mas até agora, a maioria dos bancos tem tido vistas curtas.

“O problema que eu tenho com as pessoas que dizem que temos abundância de carvão e ele é barato, por isso devemos queimá-lo – é que ele não é assim tão barato”, disse Clark. “Há enormes custos que estão a ser externalizados para o resto da sociedade e para o ambiente global e que não estão a ser tidos em conta na análise.”

Os texanos parecem bem cientes das repercussões das 11 novas centrais, tanto que virtualmente toda a gente, excepto a TXU e o governador, se está a opor.

Os presidentes de Dallas, Fort Worth, e Houston estão contra o projecto, bem como mais de 30 municípios, representando perto de 7 milhões de pessoas. Até a comunidade empresarial está preocupada. Mais de 20 líderes empresariais proeminentes na zona de Dallas criaram a associação “Empresas do Texas por Um Ar Limpo”.

O processo de licenciamento do projecto da TXU foi acelerado pelo executivo por ordem do governador Perry, que recebeu contribuições avultadas da indústria do carvão, incluindo da TXU, na sua recente campanha para a re-eleição. “O processo de licenciamento foi encurtado de 1 ano e meio para 6 meses, e limita drasticamente a possibilidade do público em ter uma voz no processo”, relatou Clark.

“Não há uma regulação do carbono no Texas nem a nível federal”, acrescentou ela. “Por isso estamos condenado a um sim, que estas centrais possam emitir 78 milhões de CO2 por ano. Toda a gente sabe que os esboços de nova legislação estão feitos e assim que haja uma nova administração as coisas vão mudar. Vendo isso, esta pressa é um empurrão para construir estas centrais antes que haja legislação significativa para reduzir as emissões de GEE.”

A TXU pode ter a habilidade política de conseguir do estado as necessárias licenças, mas sem o suporte dos bancos globais eles não conseguem avançar com o seu projecto poluidor. Por isso, grupos como os Bilionários pelo Carvão, Environmental Defense, RAN, e dezenas de comunidades e de organizações regionais irão continuar a exigir que as instituições financeiras sejam responsabilizadas por toda a destruição que financiem. E o resto de nós também deveria começar a ter uma voz. No fundo, também vamos ser nós a pagar.

“O nosso clima global afecta cada um de nós. Se não for hoje, vai ser amanhã de certeza. Há um movimento crescente por todo o mundo para parar o aquecimento global, e os EUA têm dado apoio ao gang e têm mantido as coisas como estão”, disse Cotter.

“Temos andado a empatar e a fazer regulamentos globais próximos do impossível e esta é uma oportunidade para os cidadãos dos EUA se levantarem e dizerem que não estão de acordo com o rumo que o nosso país está a tomar, em termos de energia suja, e vamos tomar acções para parar a mudança climática e as contribuições do Estados Unidos para isso.

Para saber mais sobre a TXU ou para agir, visite RAN ou Environmental Defense.

 

 

Texto da autoria de Tara Lohan, publicado em http://www.alternet.org/envirohealth/47615/ a 5 de Fevereiro de 2007. Traduzido por Alexandre Leite.

publicado por Alexandre Leite às 21:02
link do post | comentar | favorito
|

Todos os textos aqui publicados são traduções para português de originais noutras línguas. Deve ser consultado o texto original para confirmar a correcta tradução. Todos os artigos incluem a indicação da localização do texto original.

Creative Commons License
Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons.

Crise Alimentar

A maior demonstração do falhanço histórico do modelo capitalista



Em solidariedade com a ACVC

Camponeses perseguidos na Colômbia

"Com a prosperidade dos agrocombustíveis, a terra e o trabalho do Sul estão outra vez a ser explorados para perpetuar os padrões de consumo injusto e insustentável do Norte"



Investigando o novo Imperialismo

↑ Grab this Headline Animator


.Vejam também:

Associação de Solidariedade com Euskal HerriaManifesto 74
Sara Ocidental Passa Palavra
XatooPimenta NegraO ComuneiroODiárioResistir.InfoPelo SocialismoPrimeira Linha
Menos Um CarroJornal Mudar de Vida
Blogue OndasBioterra





InI Facebook

.Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.