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Domingo, 18 de Fevereiro de 2007

Do vosso, “descontente” de Londres

Aqui no Reino Unido somos, de acordo com as estatísticas, a quarta ou quinta nação mais rica do planeta, pelo menos em termo materiais, mas de acordo com o último relatório da UNICEF nós somos o último da lista dos vinte e um países mais desenvolvidos, no que toca ao tratamento das nossas crianças. Os nossos desafortunados descendentes têm uma fraca educação, são suicidas, drogados, violentos, têm a taxa mais alta de infecções sexualmente transmissíveis da Europa, mais adolescentes grávidas e acima de tudo, estão alienados (podem ver o relatório completo em ‘State of the World’s Children’).

Previsivelmente, as elites dominantes estão a culpar os pais, especialmente as famílias mono-parentais, a ausência de “orientação moral”, o que quer que isso seja, e uma perda de fé nos “valores tradicionais”, quaisquer que eles sejam. Claro, a última coisa a ser culpada é o capitalismo, mas isso não é nada de novo.

Quando me vi pela primeira vez exausto nesta sombria e infeliz terra depois de uma ausência de trinta anos, pensei que era a minha reacção ao “exílio” daqui, pelo menos era isso que me diziam. Por isso eu tentei, pelos vistos sem sucesso, pensar positivamente sobre a minha estada aqui, argumentando que não importa muito o sítio onde vivemos, a vida vai andando, como se costuma dizer, tinha era de aproveitar o melhor que podia.

No entanto, já passaram quase cinco anos desde que me senti aprisionado aqui e apesar de eu ter tentado aproveitar ao máximo, este país repugna-me! OK, provavelmente não é melhor noutros sítios do chamado mundo desenvolvido, mas mesmo assim, há algo de profundamente doentio e fundamentalmente apodrecido na Grã-Bretanha de Blair, acima de tudo a sua hipocrisia, mediocridade e uma atitude de superioridade e contentamento totalmente infundada, baseada sem dúvida num profundo sentimento de insegurança, temo mesmo que nada é o que parece ser.

O grosso da população dá o litro para pagar as dívidas do cartão de crédito e do pagamento da casa, trabalham mais horas do que em qualquer outro país da UE, no entanto têm a produtividade mais baixa da UE. Ricos dizem vocês? Mas quem é que é rico e como é medida essa alegada riqueza e que tipo de preço está realmente a ser pago, aquém e além libras e cêntimos?

A riqueza, no capitalismo, é medida de acordo com o PIB, ou seja, a sua produção interna bruta (com a palavra ‘bruta’ a ser a mais relevante) que inclui não apenas a sua real produção física de produtos materiais, mas também a “riqueza” gerada pelas transacções financeiras e acima de tudo, pelo consumo, que constitui mais de 60% dos rendimentos da economia. Tudo isto financiado por um estrondoso nível de endividamento pessoal, algo como 1,5 triliões de libras [2,2 triliões de euros] (isto excluindo o pagamento dos empréstimos da habitação). Milhões de famílias vivem junto ao precipício da falência, sobrevivendo apenas com a acumulação de uma enorme dívida. Não admira que sejam infelizes.

Muito importante, grande parte da “riqueza” gerada não vem de uma real produção mas de juros sobre a dívida e de especulação financeira sobre bens e moeda e no circuito global do capital. Londres é um ponto importante nesta extorsão global com triliões de dólares a passarem diariamente pelas casas financeiras. E a disparidade entre ricos e pobres cresce a cada dia que passa.

Durante mais ou menos cinquenta anos, o grosso da população pôde ser persuadido a apoiar o capitalismo na sua “guerra ao Comunismo”, a propaganda era extremamente persuasiva; nós tínhamos liberdade (uma espécie de), democracia (uma espécie de), e um nível de vida crescente, bem, a maioria de nós. Que isto era financiado pela massiva exploração das nossas colónias e assuntos das antigas colónias e aquilo que era uma efectiva economia de guerra, era uma realidade convenientemente esquecida, escondida de facto da vista. E de qualquer forma, a alternativa era apresentada como um comunismo autoritário, sob o qual nos seria negada a “liberdade de escolha” da avalanche de produtos que enchiam as nossas ruas principais.

Agora no entanto, o verdadeiro custo da “liberdade” é revelado a todos, pois não apenas resultou numa ecologia planetária totalmente destroçada que ameaça toda a população mundial, ruas principais e centros comerciais cheios de produtos que nem precisamos nem podemos realmente pagar, mas deixou-nos um sentimento de vazio e de frustração, não muito distante do de um drogado à procura da sua dose, cada vez menos para ficar nas alturas mas apenas para criar uma ilusão de normalidade.

O sonho transformou-se num pesadelo de proporções literalmente globais. Pior ainda, o compromisso de uma alternativa socialista, uma onde partilhássemos uma visão colectiva de solidariedade e de um completo desenvolvimento do potencial individual de cada um, baseado não na aquisição pessoal de riqueza mas em primeiro lugar numa garantia de todos os meios de sobrevivência básicos, saúde, habitação, educação e por aí fora, o que nos permitiria buscar as coisas realmente importantes da vida, tais como o desenvolvimento das nossas relações pessoais, uma sociedade em harmonia com o nosso belo planeta, foi despedaçado por uma mão cheia de psicopatas sociais e pelos seus servos leais.

Em vez disso, nós vivemos agora num mundo de medo e sem esperança. E de facto não nos é PROMETIDO mais nada, um futuro composto por mais do mesmo! Incrivelmente, estão a vender-nos um futuro baseado em nada mais do que a continuação da actual situação. Os direitos que nós ganhámos através de gerações de luta, inexoravelmente removidos, um bocadinho de cada vez, tudo feito em nome da preservação de um louco paraíso capitalista.

Não é para admirar que a juventude de hoje tenha uma atitude de “fuck you”, quem pode censurá-los. A geração dos seus pais, na busca de um engrandecimento pessoal e de um ilusório ganho a curto prazo, deitou fora o futuro dos filhos. Acho quase impossível perceber que a Grã-Bretanha de Blair tenha conseguido criminalizar os jovens como uma CLASSE! Isto revela não apenas o ódio e desdém que Blair e os seus cúmplices têm pelos jovens, mas revela também uma classe dominante desesperada para se preservar a ela mesma a qualquer custo, incluindo descartar o nosso futuro.

Isto pode parecer um grito no deserto, mas só uma coisa nos pode salvar de nós mesmos, e é um regresso a essa visão inicial de um socialismo baseado na partilha, na modéstia e no respeito pelos outros e pela nossa casa, o Planeta Terra. A alternativa é muito horrível para considerar. Já temos um aperitivo do futuro que as nossas classes dominantes planearam para nós; espiados da maternidade até ao cemitério, todos os nossos actos escrutinados até ao mais pequeno pormenor, até os nossos pensamentos! É isto que nós queremos, e se não, o que pretendemos fazer sobre isso?

Eu vejo a ironia do paradoxo da actual situação, pois ao contemplarmos a porcaria que fizemos e à medida que sabemos mais sobre os verdadeiros efeitos devastadores que o capitalismo teve sobre as nossas vidas e sobre todas as formas de vida com as quais partilhamos a nossa casa, viramo-nos mais para dentro, ajudados, no fundo ajudados e encorajados, por uma classe parasita de apologistas nos media, na legislação e na educação por exemplo, que transformaram os nossos desejos e gritos de socorro em auto-ódio e medo dos nossos caros humanos.

Resta-nos muito pouco tempo, mas nós temos o poder para nos livrarmos destas vis pessoas, para acabarmos com a sua classe e o seu género de uma vez por todas. Eles são uma nódoa na humanidade, nada mais do que assassinos em massa e ‘gangsteres’ grotescos mascarados de homens civilizados.

E aqueles de vós que respondem dizendo que nós não temos poder, ninguém que represente as nossas aspirações, olhem então para os milhões de pessoas que DERAM voz à sua oposição às políticas dos nossos líderes genocidas, quer aqui quer lá fora. De maneira crescente, países inteiros estão a perceber que os líderes do império estão com mais medo de nós do que nós deles. Exceptuando declarar guerra ao planeta inteiro (já pouco falta), eles sabem que já não têm estrada para andar. Depende mesmo de nós dizer que já basta e dar um beijo de despedida a estes filhos da puta.

 

 

Texto da autoria de William Bowles publicado a 18 de Fevereiro em http://williambowles.info/ini/2007/0207/ini-0470.html. Traduzido por Alexandre Leite.

publicado por Alexandre Leite às 20:31
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