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Sábado, 24 de Março de 2007

Abatem as últimas árvores do “Chaco” paraguaio

Depois de um grande negócio com as árvores tropicais, cada vez mais comunidades indígenas são exploradas irracionalmente e ilegalmente. No fim-de-semana, a fiscalização apreendeu um camião de três eixos, com 350 troncos de “quebracho” vermelho, extraídos do Campo Loa, destinados a exportação para o Uruguai.

 

As autoridades paraguaias confiscaram um camião na zona de cruzamento de Toledo, no km 480 da rota Transchaco, carregado de troncos de “quebracho” vermelho. A autorização para a deslocação da madeira estava vencida e os dados não coincidiam com a carga. O condutor do camião admitiu que os troncos foram extraídos da comunidade Campo Loa para a sua deslocação à capital para exportar para o Uruguai.

 

“Fazem uma exportação legal para o Uruguai, mas aqui compram a matéria-prima de forma irregular aos indígenas”, disse o fiscal José Luis Brusquetti.

 

Segundo Brusquetti, a autorização da deslocação é emitida e renovada de forma irregular no Serviço Florestal Nacional, e como não existe nenhum controlo, com uma autorização para mil troncos pode-se deslocar qualquer quantidade de madeira. “É toda uma rede que se dedica ao tráfico de madeira “chaquenha”, e o Ministério do Ambiente deve intervir”, advertiu Brusquetti.

 

A extracção de “quebracho” vermelho das comunidades indígenas é uma nova forma de desflorestação, que funciona graças à cumplicidade dos próprios indígenas. Cobram apenas 35000 guaranies [perto de 7 euros] por dia, para cortar e carregar a valiosa madeira das suas propriedades a comerciantes sem escrúpulos. Por lei, nenhuma comunidade indígena pode comercializar produtos florestais, disse o representante do Ministério Publico.

 

A desflorestação da selva paraguaia acentuou-se notavelmente a partir do golpe de estado. Por estes dias existe um vazio legal em matéria de protecção florestal que contribui para a eliminação dos bosques.

 

A expropriação foi facilitada ao se considerar o território “inculto” e “inexplorado” pelos proprietários. Os latifundiários iniciaram a partir de 1989 a desflorestação maciça e delimitação de todos os latifúndios considerados improdutivos, para que pudessem ser catalogados como “explorados racionalmente” e por outro lado não factíveis de expropriação.

 

Esta situação duplicou, em menos de um ano, a desflorestação média anual, contabilizando-se hoje em dia um recorde no qual menos de 10 por cento da terra total do país ainda mantém uma cobertura florestal e estimando-se que o último resto de bosque subtropical estaria a desaparecer no ano 2010.

 

 

 

Notícia publicada pela 'Agencia Periodística del Mercosur' a 4 de Março de 2007. Traduzido por Márcio Leite.

publicado por Alexandre Leite às 21:17
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