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Sexta-feira, 30 de Março de 2007

Caos Organizado em Oaxaca

PFP [Polícia Federal Preventiva] expulsa agricultores para se construir um parque eólico no Istmo de Tehuantepec

Por Nancy Davies

Em Oaxaca

28 de Março de 2007

Na segunda-feira, 26 de Março, os taxistas de Oaxaca – não só da cidade mas de todo o estado – convocaram uma greve e corte de estradas para protestar contra a venda indiscriminada de licenças de táxi que tem acontecido desde que o último governador descobriu que esta era uma maneira fácil de juntar dinheiro.


Dez mil táxis bloquearam o principal acesso à cidade de Oaxaca, e 250 ‘companhias’ de frotas de táxi participaram no protesto em todo o estado. Eu perguntei a uma amiga que estava para chegar a minha casa às 5:15, e que chegou de facto às 5:15, como é que ela tinha conseguido. Ela tinha saído do autocarro e caminhado.

Quando eu cheguei à cidade de Oaxaca, há cerca de 10 anos, achei piada à frase “Oaxaca es muy tranquilo” (Oaxaca é muito tranquilo), dita com grande sinceridade por todos os oaxaquenhos que se sentavam perto de mim em qualquer banco de jardim. Aos meus olhos, era tudo menos tranquila – uma manifestação diária, um protesto, uma reunião, acampamentos, fogo de artifício à noite, cães a ladrar, barulho e tráfego sem fim. Era um caos contínuo. A diferença agora: o caos é organizado.


Na terça-feira, o jornal Las Noticias trazia um artigo onde se lia:


“Taxistas paralisam o estado; Não aos piratas.” Ok, esta entendi. “STEUABJO paralisa a universidade.” Este é o sindicato dos trabalhadores e empregados da Universidade Autónoma Benito Juarez de Oaxaca, que tomaram os escritórios da universidade para exigir a demissão do director da Faculdade de Medicina Veterinária, do coordenador administrativo desta instituição e do coordenador académico; tudo com base em ameaças que eles terão feito aos trabalhadores.

Continuando ainda na mesma página, “Secção 22 (do sindicato de professores) hoje em greve, acompanhada pela APPO (Assembleia Popular dos Povos de Oaxaca).” O sindicato nacional dos professores, conhecido como CNTE, e o UNT, que é sindicato nacional de trabalhadores, estão a protestar em conjunto na capital e nas principais cidades do estado de Oaxaca, bem como na cidade do México, contra a aprovação legislativa de alterações na lei da Segurança Social, que à maneira neoliberal vai reduzir o acesso dos mexicanos à saúde e bem estar.


Passando às páginas interiores (tudo isto no jornal do mesmo dia) há algum dejá vú. Lembro-me de comentar no passado Maio de 2006 sobre o protesto de residentes da Rua Crespo que se queixavam que o mau cheiro dos escapes do trânsito estava intolerável. Ainda estão a protestar, apesar da uma interrupção entre Maio e Novembro por causa da revolução.


E finalmente, aqui está um artigo que eu já previa: “Professores e APPO e os donos de terras comunais anunciam o boicote ao Venta II”, numa acção acompanhada por outras organizações incluindo a Frente de Povo do Istmo em Defesa da Terra. O Presidente Felipe Calderon e o governador Ulises Ruiz vão inaugurar a construção do novo parque eólico para geração de electricidade, de uma transnacional espanhola, na quarta-feira, 28 de Março (vejam o vídeo em Os Moinhos de Vento do Capitalismo). Estão em disputa cerca de duzentos hectares de terra comunal e perto de oito freguesias de Juchitán. O parque eólico é visto como uma parte essencial do desenvolvimento do Plano Puebla Panama, e infringe a autonomia dos indígenas residentes na área. A área está protegida, segundo o Noticias, por militares.


Noventa e oito geradores eólicos estão já a operar com uma capacidade prevista de 88,3 megawatts. Na segunda fase, a companhia transnacional Iberdrola, investiu 100 milhões de dólares [perto de 75 milhões de euros]. O Banco Mundial emprestou recentemente 20 milhões de dólares [perto de 15 milhões de euros] para o desenvolvimento da La Venta III, o que confirma que independentemente de quem proteste, o projecto é para avançar.


A 3 de Março, trezentos e sessenta homens da Polícia Federal Preventiva, deslocando-se em veículos com janelas escurecidas e trazendo potentes armas, expulsaram os proprietários das terras comunais das vizinhanças de Tres de Abril, dentro do polígono da Venta II, porque eles eram um “obstáculo ao projecto”. Muitos acreditam que os protestos contra os geradores eólicos têm mais a ver com a renda escandalosamente baixa sendo um grito de protesto das pessoas que viram as suas terras alugadas por trinta anos. A renda foi alegadamente definida por agentes que ignoraram o processo da assembleia comunitária e alega-se que foram bem pagos pelo governo e/ou pela Iberdrola.


Tem-se dito que já não se pratica tanto a agricultura como no passado, mas o processo de aquisição em si mesmo é um uma ofensa criminosa a decorrer nas terras indígenas. Também é relatado que os danos às aves migratórias foram ignorados. De qualquer forma, na minha opinião o que estamos a ver é o último fosso defensivo contra a neoliberalização do Istmo. Aparentemente, Felipe Calderon também chamou a Universidade de Harvard para ajudar a “desenvolver” Oaxaca (ver apontamento de George Salzman).


Isto deve ser justaposto com o conteúdo dos acordos ratificados pela assembleia estadual extraordinária da APPO neste mês, e divulgados a 23 de Março. O grosso da reunião da APPO foi dedicado ao estabelecimento de regras para a participação da APPO – ou ao que parece, a não participação – no processo eleitoral. Ao mesmo tempo, os acordos reforçam a unidade nacional, que inclui o Diálogo Nacional (El Dialago Nacional), A Outra Campanha, e a Assembleia Popular dos Povos do México, para “parar as políticas neoliberais, a Ultra-Direita, e o Fascismo.”


Um amigo que assistiu à assembleia, disse-me que ele sente uma profunda tensão interna provocada na APPO pela extrema-esquerda militante: comunistas, trotskistas, e aqueles que querem o poder para eles próprios e/ou a APPO. Ele disse que a assembleia reuniu durante literalmente vinte e quatro horas sem parar, para resolver os desacordos tais como se a APPO deve escolher candidatos para cargos políticos. Por isso eu leio a declaração dos acordos a esta luz (disponível na OSAG em espanhol), para ver se sinto um tom de extrema-esquerda. E sinto, mas… o “mas” são as declarações reiteradas de várias posições da APPO, tais como “a tomada de decisões deve ser feita de um modo colectivo, o povo deve construir a democracia do povo através de assembleias, que têm de as implementar.” Isto significa que as assembleias têm de implementar as decisões. Não me sinto tão à vontade com isso como estaria se dissesse, o povo tem de as implementar, como de facto tem. As assembleias não são uma abstracção. Confesso que as minhas antenas estão a sentir sarilhos. O meu informador diz que a APPO terá de se esforçar bastante para impedir que a extrema-esquerda assuma o controlo.


Apesar de tudo, não estou tão pessimista como este meu amigo porque o caos disseminado é multi-dirigido e é tudo menos manobrável por um pequeno grupo, mesmo que esse grupo seja a Polícia Federal. Se certos membros da APPO se venderam ao governo como dizem alguns, ou assumem um linha dura de topo-base, eles são poucos. A maioria dos oaxaquenhos continua no padrão que rodeou a APPO desde os primeiros meses da sua existência: tratar dos seus próprios assuntos. Eles concordam com os objectivos desejados: fora com Ulises, fora com a corrupção, fora com o neoliberalismo. Estas lutas são todos os dias visíveis.

 


Texto da autoria de Nancy Davies, publicado a 28 de Março em http://narconews.com/Issue45/article2611.html. Tradução de Alexandre Leite.

publicado por Alexandre Leite às 23:32
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