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Sábado, 14 de Abril de 2007

Verdade e consequências

Num espaço de mais ou menos 25 anos, a combinação do computador e da rede global de telefone transformou as comunicações. Logo desde os seus primórdios no início dos anos 1980, quando, exceptuando uma mão cheia de corporações transnacionais de meios de comunicação, as comunicações com base no computador apenas existiam em academias ligadas à defesa (a ARPANET, por exemplo) ou no estranho mundo dos ‘hackers’ (que foi o modo como eu cheguei a este meio, não que eu seja um ‘hacker’ mas eu tinha um computador Commodore de 200 dólares [cerca de 150 euros] e um modem, e o resto é história).

 

No entanto, até chegar o ‘website’, disponibilizar informação electronicamente era uma ‘arte arcana’, para não mencionar que era muito dispendiosa em tempo e dinheiro, bem como era pouco fiável. A ‘web’, claro, alterou tudo isso, e conseguiu eventualmente alavancar as aplicações de publicação, fazendo pela ‘web’ o que a paginação electrónica tinha feito pela impressão.

Mas para além de tudo mais que a ‘Web’ possa ser ‘responsablizada’, ela libertou um rio de escrita criativa, de um modo como provavelmente não tinha sido visto desde a introdução da máquina de imprensa.

Previsivelmente, as reacções iniciais dos ‘profissionais’ foi ignorar este jorrar de vozes independentes. Basta lermos o que os jornais diziam sobre os ‘Blogues’ (como eu odeio esta palavra!) e a sua fúria contra ‘amadores’ estarem a introduzir-se no ‘seu’ domínio!

Isto foi seguido por um período de desdém paternalista e condescendente, focando-se em grande parte nos erros sintácticos, ou no não seguimento de ‘regras’ (como as definidas pelos grandes meios de comunicação) e nenhuma delas pode ser considerada ciência aeroespacial. De facto, eu nunca deixei de me espantar com a total ignorância de muitos dos ‘ensinados’ na universidade, jornalistas profissionais, especialmente sobre história, nomeadamente assuntos internacionais, mas só que eu tive uma ampla educação comuna, e foi isso que me poupou de uma des-educação universitária (em vez disso, pude vageuar durante 5 anos numa escola de arte).

Claro que há coisas mal escritas na web, mas o jornalismo vigente também é puro lixo e nem merece o rótulo de jornalismo.

Depois, veio relutantemente uma espécie de aceitação, especialmente quando escritores independentes baseados na web começaram mostrar-se ‘melhores’ revelando histórias e mostrando que o jornalismo ‘de papel’ estava totalmente a leste (Google? O que é isso?). Quase sempre, no entanto, os jornalistas dos grandes meios de comunicação usaram-nos como uma fonte (gratuita) de informação sobre o que eles não sabiam ou eram preguiçosos demais para procurar por eles próprios, não que muito tenha sido usado, pelo menos de uma forma reconhecível.

Ah! Mas ‘toda a informação é gratuita, certo? ‘ Errado. Eu acabo de receber uma carta de advogados da empresa de comunicação Gannett, pedindo que eu deixe de ter disponíveis artigos publicados em seis edições do ‘GI Special’ que parece que contêm material protegido por direitos de autor em poder da Gannett (‘Uso Não-Comercial’? O que é isso?).

Mas tendo finalmente compreendido que não havia nada que pudessem fazer em relação à explosão de jornalismo baseado na web, os seus chefes corporativos decidiram juntar-se ao barulho e claro, com os vastos recursos à sua disposição, não demorou muito até que cada um dos grandes meios de comunicação tivesse o seu próprio ‘blogue’.

Mas para o diferenciar do ‘verdadeiro jornalismo’, vimos aparecer o rótulo de ‘jornalismo do cidadão’, com a resultante depreciação do seu conteúdo, implicando que, ‘está bem, toda a gente tem direito a uma opinião e a liberdade de dizer o que bem lhe apetecer, mas não confundam isso com o ‘verdadeiro’ jornalismo, deixei ISSO para os profissionais’.

E mesmo no domínio do chamado jornalismo do cidadão, nós vemos que a maior parte é aquilo que esperaríamos encontrar em qualquer secção de ‘comentários’ de um ‘website’. Não se compara com o tipo de jornalismo independente de que estou a falar. De facto, pode dizer-se que apenas junta mais ‘ruído’ ao que já existe na web.

Mas em conjunto com a visão de que nós não tínhamos nada que nos meter no território ‘deles’, está subjacente nas suas reacções o simples facto de que muita da explosão da escrita na web era da ‘esquerda’, ou pelo menos questionava a lama jorrada pelos grandes meios de comunicação e o que realmente os incomodou foi que nós estávamos a divulgar histórias importantes muito antes deles e ao fazê-lo, transformando literalmente a natureza do jornalismo tradicional, dominado que está pelas necessidades corporativas/do estado.

Mas qualquer que seja a opinião de cada um sobre a qualidade da escrita encontrada na web, a razão fundamental para a oposição dos grandes meios de comunicação é de natureza ideológica. Eles têm apenas dois objectivos: preservar as receitas de publicidade e o status quo.

Também há outros problemas fundamentais que confrontam as notícias baseadas na web e as fontes de informação que são, pelo menos em parte, produto da própria natureza da web. Em primeiro lugar, o enorme volume é em si mesmo uma barreira, pois implica que ao contrário das notícias corporativas que têm penetração através da exposição-cruzada, as fontes independentes de notícias mesmo quando colectivamente grandes, são fragmentadas através de muitos títulos. É quase como um jornal local tentar atingir uma audiência nacional.

Para além disso, as notícias corporativas apresentam uma interpretação consistente, independentemente do meio de comunicação ou mesmo da fonte, para que, permitindo diferenças estilísticas e um público-alvo, a mesma mensagem seja transmitida, reforçando o mito da ‘opinião consensual’.

Para além disso, a natureza da web tende ela própria para o monopólio simplesmente porque as notícias corporativas com base na web são braços de um leque de meios de comunicação; imprensa, televisão, rádio, com cada um a ter acesso aos outros através de marketing-cruzado e publicidade. Sendo assim, tal como nos media tradicionais, são as grandes marcas que dominam; BBC, MSNBC, ABC ou outros do género, em virtude da grande exposição que conseguem obter.

O outro perigo é a tentativa de afastar as notícias independentes para fora do ambiente web cobrando pela colocação de informação ou pela quantidade de largura de banda consumida. Por outras palavras, privatizando o acesso através do preço, mais uma vez porque uma mão cheia de corporações é dona ou controla os acessos à Internet (de facto, o grosso do acesso em banda larga é detido e controlado por uma corporação!).

Penso, portanto, que é uma verdade dizer que apesar de chegarmos a uma audiência mundial, mas de uma forma fragmentada e inconsistente, nunca podemos rivalizar com os media corporativos.

Então qual é a solução? Um importante componente do nosso alcance é seguramente desabituar as pessoas de verem as notícias corporativas como uma fonte de notícias e informação. Mas significa isto passarmos uma mensagem uniforme? De certa forma, sim. Mas quem somos ‘nós’? Ah, aqui é que a porca torce o rabo.

O que isto mostra é o problema fundamental que enfrentamos, nomeadamente que sem uma base política coerente que configure as notícias e informação independentes, iremos permanecer fragmentados e marginalizados.

O jornalismo independente e progressista tem de ter raízes na acção, pois ao contrário dos grandes meios de comunicação que procuram preservar o status quo, o nosso pretende alterá-lo, por isso as comparações entre os dois são um bocado inúteis. Isto pode parecer óbvio mas para um público apoiado na ilusão de que as ‘notícias’ são objectivas e apresentam uma fictícia visão imparcial dos acontecimentos, esta diferença é crucial. É tanto assim que isto forma a base de virtualmente todas as críticas colocadas aos media independentes pelos grandes meios de comunicação.

Estes dois aspectos são o centro da situação que defrontamos, pois como é que se distingue a verdade da ficção?

Em grande medida isto deveria balizar a forma como nós apresentamos as notícias e a informação, mas, por outro lado, levanta outro factor crítico, pois ao contrário dos media tradicionais, o jornalismo independente baseado na web necessita de uma participação activa do leitor. Para sermos lidos é necessária uma procura activa de uma interpretação alternativa da realidade. De certa forma, isto impõe uma responsabilidade acrescida ao jornalismo independente, que os grandes meios de comunicação não procuram nem desejam.

Mas é suficiente apenas expor e, se não, como é que podemos ligar melhor a informação às acções?

O facto é que a maioria do jornalismo independente se origina com escritores NÃO ligados a qualquer tipo de estrutura política (assinalando mais uma vez o falhanço da esquerda em se organizar, ‘que porra’!)

E infelizmente podemos ir mais longe e dizer que em grande medida o jornalismo independente que tem origem em organizações de esquerda, é consistido principalmente por exortações e muito pouco por um pensamento criativo (os zapatitas são uma excepção a isto e merecem ser observados [1]. Ver também ‘Sobre Marxismo e Magia’.

Também não deixa de ser irónico que quando nós possuímos finalmente as ferramentas e a perícia para desafiar o status quo no seu próprio terreno, nos faltem os meios para traduzir as ideias para a acção.

Esta ideia é apoiada pela quantidade de correspondência que eu recebo de leitores frustrados que se sentem impotentes quando confrontados com a realidade, que querem realmente fazer alguma coisa mas procuram em vão por uma solução para aquilo que nos aflige.

Dando um ar positivo à situação, podemos dizer que pelo menos estamos colectivamente a construir bases para uma futura transformação. Fazer a mudança cabe a si, caro leitor.

Nota

[1] - Um para de recursos zapatistas:

Chiapas Media Project

Frente Zapatista de Liberación National

 

 

Texto da autoria de William Bowles, pubilcado a 5 de Abril, em http://williambowles.info/ini/2007/0407/ini-0481.html. Tradução de Alexandre Leite.

publicado por Alexandre Leite às 20:38
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