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Sexta-feira, 20 de Abril de 2007

Chicoteando os Blogueres, acorrentando os Hip-Hoperes

Tenho vindo a escrever a actual série destes textos durante mais de quatro anos e até há pouco tempo e um ritmo frenético, quase quinhentos destes pirralhos no total. Durante este tempo vimos a emergência do maldito ‘Blogue’. Uma maldição porque, como de costume, o meio passou a ser a mensagem. Como com todas as outras coisas no capitalismo, até a nobre e redescoberta arte de nos expressarmos se transformou em mais um bem.

Mas apesar de tudo, o grau até ao qual nós tivemos impacto nos acontecimento é evidenciado pelo nível de acidez e de medo revelados pelos ideólogos do império, por isso devemos estar a fazer algo de bom, mas também o medo é o tema dos nossos tempos. (Para mais sobre o medo e sobre a nossa patética elite intelectual, ver o último texto de Joe Bageant, ‘Um Cão Feroz Uiva no Pátio de Harvard[em inglês]’ sobre pesado e decadente Império.)

O que raramente é comentado é porque é que os supra mencionados ideólogos se dão a tanto trabalho se nós somos assim tão maus escritores, mal informados e pior de tudo, imitadores? Porque é que se importam com a nossa existência? Até a estabelecida ‘esquerda’ teve de meter a colher. Vejam este comentário editorial do antigo marxista (será que alguma vez o foi?) e agora editor do ‘blogue’ Sp!ked:

“Os blogueres foram notícia nesta semana em vez de simplesmente a divulgarem. Fala-se sobre um ‘código de conduta’, ‘sinais de aviso’ se os blogue tiverem conteúdo inapropriado. Mas os blogues não são um local a visitar se procuram um debate erudito; eles são o equivalente ‘online’ a um barulhento bar de estudantes. Porque é que se haveria de impor códigos numa coisa como essa?

Os blogueres quase sempre têm pouco a dizer digno de nota, mas eu defenderei até à morte o seu direito a dizê-lo aos seus três leitores.” — Sp!ked, 13 de Abril, 2007.

Acreditam que estas palavras sejam de um apelidado esquerdista? Três leitores? E mesmo defendendo os nossos ‘direitos’ ele não consegue deixar de espetar a faca mais um bocado. Com ‘amigos’ como este, quem precisa de inimigos? Eu desespero com estes arrogantes e privilegiados juízes da palavra escrita (gostava de saber quantos leitores tem a Sp!ked). O que se passa é que a máfia intelectual tem tido o monopólio do pensamento há tanto tempo que quando um bando de ‘desconhecidos’ aparece para mostrar como são as coisas, eles realmente não gostam quando a sua relva é pisada por botas sujas e, mais importante ainda, não oficiais.

O que realmente os assusta é o simples facto de uma vez desafiados, os ‘guardiões’ das nossas mentes nunca poderão reaver as suas posições de privilégio, pois está muito mais em jogo do que egos ou mesmo do que as patéticas queixinhas da nossa alegada elite intelectual. O facto é que pela primeira vez desde que os monopólios mediáticos tomaram o (que sobra do) espaço público, nós temos as ferramentas para alcançar esses milhões (e alcançamos) de pessoas que, apesar de tudo, ainda desejam saber que diabo é que se está REALMENTE a passar neste nosso tão estragado mundo.

Temos de recuar literalmente um par de séculos para encontrarmos um equivalente ao ‘blogue’. De facto, até aos ‘Broadsheets’ [folhas de grande formato impressas normalmente com notícias ou sátira política] e às ‘Penny Dreadfuls’ [revistas baratas publicadas no séc. XIX], todos publicados pelos próprios autores, por pessoas como Tom Paine que se aperceberam rapidamente do poder que a máquina de impressão poderia ter e que, apesar de todos os obstáculos colocados pelo estado incluindo a prisão por insurreição e por outros ‘crimes’, fizeram-se ouvir alto e bom som. Sem dúvida que Brendan O’Neill [editor da Sp!ked] iria olhar com o mesmo desdém para os ‘rascunhos’ de Paine e companhia.

Thomas Paine

É interessante como o palavreado usado pelas leis da insurreição do tempo de Paine é similar à maior parte do palavreado usado hoje em dias nas leis anti-terrorismo e, tal como agora, também houve algumas leis que ficaram mais e mais draconianas com o tempo e com o efeito de centenas de imprensas a terem impacto nas ‘grandes massas’.

O aspecto mais importante do impacto da Internet e da publicação própria é o simples facto de que nós rompemos o monopólio dos escribas do status quo nomeados pelas corporações. Por isso, apesar do que pensarmos sobre a qualidade ou mesmo a exactidão da escrita, o mais importante é que começámos a reclamar o que nos pertence por direito, o direito à livre e descomprometida expressão. Não admira que os guardiões estejam receosos.

Também me ocorreu que há paralelos entre os ‘blogues’ e o Hip-Hop, que também atiçou a raiva dos nomeados juízes da livre expressão e, é de assinalar, o Hip-Hop também esteve sob fogo quer da ‘esquerda’ quer da direita. [1]

O Hip-Hop é a forma de música mais popular no mundo e, tal com o ‘blogue’, tem uma audiência global e que atravessa todas as fronteiras imagináveis. E apesar do abastardar corporativo de alguns aspectos do Hip-Hop, ele é, em grande parte, de natureza profundamente política e uma garantida expressão da classe trabalhadora.


Tal como o ‘blogue’, o Hip-Hop libertou os sucos criativos de dezenas de milhares de pessoas. Claro que a qualidade varia grandemente, desde o banal até ao arrebatador, mas aqui o aspecto importante é que ambos são expressões espontâneas, livres de restrições formais impostas pelo sistema de educação do estado ou de exigências corporativas de obtenção de lucros.

O ódio e medo expressados por aqueles que dizem mal dos ‘blogueres’ e, da mesma forma, dos hip-hoperes, revela a base fundamental de classe, já em si uma fidalguia intelectual, da crítica feita a ambos os casos.

Olhem, eu sou uma pessoa da classe trabalhadora, pelo menos as minhas raízes são (o meu pai foi um sindicalista a tempo inteiro do Sindicato dos Músicos), e numa Grã-Bretanha guiada por classes, o estigma de ser da classe trabalhadora é sentido de forma mais profunda no sistema de educação, que é onde está a raiz. Ou escondemos e abafamos as nossas raízes (sotaque incluído) e nos juntamos à máfia intelectual, ou então permanecemos para sempre do lado de fora, olhando lá para dentro. Felizmente, e apesar de ter pago um preço, eu ainda estou do lado de fora, olhando para os tolos e não me arrependendo nem um bocado do facto de eu ter rejeitado o condicionamento e os “benefícios” que acompanham a entrada para o clube.

Em última análise, o que estamos a ver são as primeiras movimentações que reclamam o que por direito nos pertence, as nossas vozes, por isso que se foda o Brendan O’Neill e o resto da elite, eles que olhem cheios de medo e ódio, é indiferente.


Nota

1. A fotografia foi tirada no estúdio da rádio Yfm em ‘Joberg’ [Joanesburgo] aqui pelo vosso amigo no programa semanal Rap Activity Jam, um concurso ao vivo de jovens “raperes” de Joanesburgo.


 


Texto de William Bowles, publicado a 17 de Abril de 2007 em http://williambowles.info/ini/2007/0407/ini-0482.html. Traduzido por Alexandre Leite

 

publicado por Alexandre Leite às 12:09
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