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Quinta-feira, 31 de Maio de 2007

Então o que é que mudou?

É hora de uma conversa séria sobre o assunto das alterações climáticas, do capitalismo, e da forma como os movimentos progressistas abordam o tema, pelo menos no chamado mundo desenvolvido. (Os progressistas do mundo desenvolvido têm agora necessidades mais prementes e é por isso que temos de nos juntar.)

Muito bem, um bando de cientistas 'eminentes' colaram oficialmente o selo de aprovação à mudança climática mas também é obvio que as maiores nações industriais não estão preparadas para arregaçar as mangas e fazer o que é necessário para parar a escorregadela quanto mais para revertê-la.

Em vez disso, a indústria publicitária já criou o seu conceito 'verde' e com o hábil apoio do governo, está a montar um enorme campanha de propaganda cujo único objectivo é transferir a responsabilidade das alterações climáticas para o consumidor.

A questão que os socialistas têm de fazer é simples: O que é que mudou? O capitalismo pré-alterações-climáticas é idêntico em todos os aspectos ao de hoje. Aquilo que se passou é que o nosso passado nos apanhou, o que não deveria ser uma surpresa para quem saiba um mínimo sobre a forma de funcionamento do capitalismo.

O caso é que pode ser já tarde demais para parar as mudanças que estão a acontecer no nosso clima, nada modificando a nossa abordagem excepto que aumentou a urgência da situação.

Historicamente, a esquerda olhou para os 'verdes' com desconfiança e nalguns casos, pelas razões certas. Não tendo uma perspectiva de classe, o movimento ambientalista (ou será melhor, os movimentos?) não conseguiu identificar as reais causas da crise que enfrentamos. Pior do que isso, tendo agora encontrado um 'aliado' no governo e como não tem uma perspectiva de classe, está agora a pedalar no trilho do governo, especialmente na passagem da batata quente para o 'consumidor'.

De facto, o movimento ambientalista corre o risco de se tornar totalmente cúmplice no processo da passagem da responsabilidade daqueles que governam para os trabalhadores. O que acontece é que como em todas as crises que enfrentamos, o tema da mudança climática está inextricavelmente ligado ao modo de funcionamento do capitalismo, não apenas porque ele é estruturalmente incapaz de fazer as mudanças necessárias mas também porque os interesses instalados do estado e dos negócios estão unidos, por isso, esperar que eles façam as mudanças necessárias voluntariamente é uma fantasia. Ter engaiolado o movimento ambientalista deu ao estado uma fina camada verde, mas raspem um bocadinho e o verdadeiro núcleo de ferro fica à mostra para todos verem.

E talvez ainda mais importante, pelo menos nas circunstâncias actuais, é a forma como a elite dominante está a explorar a devastação que o nosso sistema político-económico causou no planeta e nos seus habitantes. Importante porque o estado está a explorar os medos, quer reais quer imaginários, que muitas pessoas sentem em relação ao futuro (esqueçam o terrível presente), e é um medo que o estado foi lesto a explorar, por exemplo, usando o eufemismo da 'segurança energética'.

Torna-se claro que, apesar de tudo, a maioria das pessoas no mundo desenvolvido sabem muito bem que a sua riqueza relativa depende da (crescente) pobreza da grande maioria das pessoas do planeta. Daí um aspecto da campanha de propaganda ser o de ligar o medo de perder uma posição de (relativo) privilégio, por exemplo, ligando a 'guerra ao terrorismo' à 'segurança energética'.

Deveria ficar claro, deste modo, que seleccionar os 'muçulmanos fanáticos' como foco de atenção, não foi uma escolha à toa, dado o facto de o grosso das reservas conhecidas de petróleo estarem em países que são muçulmanos.

Independentemente do que dizem os propagandistas, o petróleo é fulcral para as economias ocidentais e tem sido assim pelo menos desde há um século. Petróleo, não apenas para alimentar o seu insaciável apetite de fabricar produtos mas também, é claro, para alimentar o poderio militar para obter aquilo que não é seu. [1]

Entretanto, a BBC está a produzir abundantemente programas 'verdes' mostrando principalmente uma mão cheia de pessoas da classe média bem arrumadinhas em grandes casas com paisagens rurais. Os 'menos afortunados' de nós, ficam com o tratamento dos 'cálculos da poupança energética' ou com algumas inúteis turbinas eólicas aparafusadas aos telhados.

Tendo gasto décadas a inculcar a cultura de consumo, as desafortunadas pessoas estão agora a ser conduzidas à culpa por fazerem precisamente isso – consumir alegremente como se não houvesse amanhã.

E é claro que a culpa é expiada pelo consumo de produtos e serviços 'verdes'. “A poupar o ambiente” foi comercializado como tudo o resto.

A verdadeira natureza do capitalismo é a de um caos quase controlado, sempre balançando na margem da crise e muitas vezes caindo na calamidade, guiado pelos seus imperativos de expandir (isto é, de reproduzir o capital) sem olhar a consequências, como a ocupação do Iraque demonstra.

Para os socialistas, o tema da desestabilização do clima apenas reforça a visão de que o capitalismo é mau para nós, por isso, o objectivo tem de ser o de ligar a natureza arbitrária da produção capitalista à sua incapacidade de produzir uma solução que implique uma reorganização completa da economia de base, não apenas desta sociedade como também de todo o planeta.

O caso é simples: o capitalismo é capaz de o fazer? A julgar não apenas pela sua resposta à actual situação mas também pelo seu passado, a resposta é um estrondoso não.

Em última análise, o tema do aquecimento global é irrelevante para a crise que enfrentamos pois nada mudou. Para o capitalismo, continua o 'business as usual' [o negócio a rolar], a forma como nos são vendidos os produtos é que mudou. Assim, o desafio do aquecimento global é transformado numa maquina de marketing que serve para os automóveis 'verdes' como para qualquer outro produto que tenha o rótulo 'verde' colado nele.

Ao contrário dos filmes do Armaguedão que Hollywood produz a jorros, nos quais a humanidade se junta para derrotar uma ameaça extra-terrestre, quando confrontado com um cenário comparável no mundo real, fazer o que está certo pela humanidade escapa a estes campeões da 'democracia' e dos 'direitos humanos'.

Eu sei que isto soa naif e provavelmente é, mas fazer uma conferência global de nações na qual os países ricos concordem em colocar os seus vastos recursos à disposição das pessoas do planeta, parece-me ser, dada a gravidade da situação, o óbvio a fazer.

O facto de eles não fazerem isso, ou algo do género, é prova suficiente de que eles são incapazes de agir racionalmente, muito menos responsavelmente. Um facto que deve dar um arrepio na espinha a qualquer pessoa pensante é perceber que temos este tipo de pessoas no poder! Pior ainda, que permitimos que continuem a destruir o nosso outrora belo planeta.

Colectivamente, o planeta tem os recursos necessários para iniciar a mudança na forma como nós vivemos, e por 'nós' eu quero dizer aqueles de nós que fazem parte dos 10% ricos e privilegiados do mundo, e nesse processo ajudar os países desenvolvidos a implementar programas de desenvolvimento económico sustentável. Que Diabo! Não é assim tão complicado!

Não posso explanar muito este ponto, mas é imperativo que as pessoas reconheçam que as nossas elites políticas e económicas são patologicamente incapazes de iniciar este tipo de mudanças que precisam de ser feitas, ou agora ou numa outra altura do passado. Eles têm de ir embora, e só nós é que nos podemos livrar deles. E isto refere-se a todos os partidos políticos existentes, não apenas aos 'governos'.

Se não fizeram mais nada, as alterações climáticas fizeram-nos, pelo menos, perceber que vivemos num planeta indivisível e as mudanças que estão a acontecer são globais, por isso, só uma resposta colectiva global irá ser suficiente.



Nota
1. Ver a minha
análise [em inglês] ao excelente livro de William Engdahl, ‘A Century of War – Anglo-American Oil Politics and the New World Order’, Pluto Books, 2004.


 


Texto de William Bowles publicado a 30 de Maio de 2007 em http://williambowles.info/ini/2007/0507/ini-0485.html . Tradução de Alexandre Leite.

publicado por Alexandre Leite às 23:23
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