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Segunda-feira, 11 de Junho de 2007

Cresce a revolta em Faluja com reforço das medidas de segurança

A cidade que foi mais destruída pela operação militar dos EUA apelidada “Fúria Fantasma”, em Novembro de 2004, tem estado sob recolher obrigatório nas últimas duas semanas, sem ver sinais de alívio.

 

Localizada a 70 Km a oeste de Bagdade, a cidade foi notícia quando quatro seguranças mercenários ‘Blackwater’dos EUA, foram mortos e os seus corpos horrivelmente mutilados a 31 de Março de 20004.

 

Nesse Abril, a cidade foi atacada pelos militares norte-americanos, mas os combatentes resistentes repeliram as forças de ocupação. Isto definiu o cenário para o cerco de Novembro que deixou aproximadamente 70% da cidade destruída e transformou um quarto de milhão de residentes em refugiados.

 

Um recente recrudescer dos ataques contra as forças iraquianas e dos EUA, dentro e fora da cidade, despoletou duras medidas por parte dos militares norte-americanos, incluindo recolheres obrigatórios, limitação de movimentos dentro e fora de Faluja, e a instalação de mais postos de controlo espalhados pela cidade – acções que enfureceram os residentes.

 

A 19 de Maio, a maior parte destas medidas, vistas por muitas pessoas aqui como uma forma de castigo colectivo, começaram a ser aplicadas mais rigorosamente.

 

“Os americanos e os seus colaboradores iraquianos estão a culpar-nos por não conseguirem controlar a cidade e o país inteiro”, disse à IPS Ahmed Alwan do grupo religioso “Associação Académica Muçulmana”. “Este tipo de castigo colectivo apenas significa uma morte lenta para as pessoas da cidade e está a aumentar a sua agonia que já vem desde Abril de 2003”.

 

Referindo-se aos cercos a Faluja bem como aos actuais postos de controlo, recolheres obrigatórios, restrições e confrontos, Alwan acrescentou, “Os americanos provaram que são os seres humanos mais cruéis de sempre com tão vergonhosos crimes contra a humanidade.”

 

Com a continuação da ocupação norte-americana sem um fim à vista e com o nível de violência e caos a aumentar diariamente, tornou-se mais preponderante a desconcertante tendência de cada vez mais pessoas acreditarem que a violência contra a ocupação é a solução.

 

“Dia após dia encontramos mais pessoas que acreditam que a violência é a melhor solução perante os crimes de guerra norte-americanos”, disse à IPS um activista dos direitos humanos em Faluja, falando sob anonimato. “Impor um recolher obrigatório numa cidade que já foi destruída mais de uma vez é, sem dúvida, um grande crime de guerra contra a humanidade”.

 

Muitas pessoas em Faluja acreditam que estas tácticas cruéis são tácticas de vingança das tropas dos EUA e da administração de George W. Bush pela atitude da cidade contra a ocupação.

 

“Nós sabemos o que eles estão a fazer e porque o estão a fazer”, afirmou à IPS um líder da comunidade local, também falando sob anonimato por recear represálias norte-americanas. “Eles odeiam esta cidade sagrada porque foi a primeira a fazer frente à sua ocupação suja desde que ela começou”.

 

Numa rua secundária de Faluja, um homem com a cara coberta por um ‘kaffyeh’ [lenço tradicional], normalmente usado pelos combatentes da resistência para esconder a sua identidade, chamou um repórter da IPS e disse que queria entregar “uma mensagem ao mundo adormecido”.

 

“A cidade de Faluja tornou-se um símbolo para todos os iraquianos e todas as boas pessoas do mundo que decidiram combater esta monstruosa ocupação americana, e não é um cerco que vai impedir a grande resistência vitoriosa que representa a voz de todos os iraquianos que acreditam em Alá e na dignidade do Iraque”, disse ele. “Nós vemos que o mundo está a dormir enquanto a América implementa um plano sujo de escravizar todos os seres humanos do planeta”.

 

Residentes relataram à IPS como as suas vidas estão a ser afectadas pelo aperto na segurança feito pelo governo EUA-Iraque.

 

“Eles [as forças iraquianas] estão a dividir a cidade em secções de uma maneira que não permite às pessoas movimentarem-se e fazer a sua vida”, disse Jabbar Amir, um lojista da principal zona comercial. “Tenho de passar por quatro postos de controlo para chegar à minha loja e durante a maior parte da semana nem consigo vir para cá. Esta nova força de segurança é pior do que os americanos e dão-lhes apoio total independentemente do que eles façam às pessoas”.

 

O exército dos EUA trouxe membros da milícia xiita ‘Badr’ e da milícia curda ‘Peshmerga’ para patrulhar e controlar a cidade depois do devastador cerco de Novembro de 2004. Muitos residentes acreditam que isso foi um acto de provocação e uma tentativa de fomentar o conflito sectário.

 

Foram construídos muros de cimento pelo exército dos EUA, para dividir a cidade em pequenas áreas, possivelmente prevendo uma nova onda de ataques das forças de ocupação.

 

Os militares norte-americanos são agora apoiados por uma força de segurança iraquiana conhecida por “Força Revolucionária Anbar”, que é acusada de ter levado a cabo dezenas de execuções durante os recentes meses, bem como de ter detido centenas de jovens sem nenhuma razão aparente.

 

“Actualmente a vida humana não vale nada em Faluja”, disse Jameel Nassir, um estudante universitário de 21 anos. “Os soldados do governo executaram muitos jovens, tal como aconteceu em Hadita, e a nova força de segurança provocou aqui mortes em série enquanto os americanos pagam aos dois exércitos milhões de dólares para fazerem o trabalho sujo por eles”.

 

Este é um sentimento comum em Faluja.

 

“Todos as forças militares e de segurança em Faluja são monstros”, disse à IPS, Bilal Ibrahim, um jornalista a estagiar em Faluja. “Eu assisti hoje a uma das suas acções desumanas e percebi como são brutais. Um jovem rapaz mergulhou no rio para nadar, perto do hospital, mas foi arrastado pela corrente e estava a gritar por ajuda. Nós estávamos prontos a salvar-lhe a vida, mas os soldados começaram a disparar contra nós e a rirem-se do que se estava a afogar, até que ele afogou mesmo”.

 

A IPS conseguiu saber que o nome do jovem era Mohammed Hikmet e que era membro de uma família conhecida na cidade.

 

“Eles sabem que isto não vai permitir o fim dos ataques armados contra eles tal como todos os seus outros ‘erros’, mas eles querem deixar a semente da divisão entre as pessoas da cidade e da província de Anbar”, disse à IPS um conselheiro municipal, sob anonimato. “Agora os nossos filhos estão a matar-se uns aos outros em vão, enquanto os americanos sonham com momentos de paz que nunca irão ter enquanto não mostrarem sinais claros da intenção em deixar o país ao nosso povo”.

 

Ele referia-se aos numerosos ataques contra as forças norte-americanas e iraquianas durante o recolher obrigatório. Muitos soldados do Iraque e dos EUA foram mortos por carros bomba, bombistas suicidas e morteiros que parecem sublinhar o falhanço da imposição de medidas de segurança mais drásticas.

 

A 31 de Maio, um bombista suicida atacou um centro de recrutamento da polícia em Faluja, matando pelo menos 25 pessoas e ferindo 50.

 

Como se tornou norma em Faluja, os civis continuam a pagar o preço mais alto apesar das medidas de segurança que supostamente iriam protegê-los.

 

 

 

 

Ali al-Fadhily, autor da notícia, é correspondente da IPS em Bagdade, trabalha numa relação estreita com Dahr Jamail, um especialista norte-americano sobre o Iraque e que viaja bastante para a região.

 


Texto publicado pela Agência de Notícias IPS a 4 de Junho de 2007. Tradução de Alexandre Leite
publicado por Alexandre Leite às 14:00
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