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Quarta-feira, 6 de Dezembro de 2006

O silêncio intoxica

Bioarmas: Um crime do governo americano digno de Nuremberga

 

Antes de começar a rever esta 'arma de informação crítica', insto-o não só a comprar o livro como também, quando acabar a sua leitura (é realmente breve, de modo que não deverá onerar a nossa cultura com défice de atenção), a escrever ao seu deputado, senador, a ONU, o seu vigário/padre/iman/homem sagrado/rabi; dar ao seu vizinho, professor, colega, irmão, irmã, mãe e pai. Em suma, gritar do topo dos telhados que o governo dos EUA é um criminoso internacional de proporções estarrecedoras e que toda a administração Bush deveria ser indiciada como criminosos de guerra e até o último deles deveria ser preso e a chave jogada fora.

Bem, do que estamos a tratar aqui? O livro curto e apaixonado de Boyle
— Biowarfare and Terrorism — trata do programa ilegal do governo americano de armas biológicas, de muitos milhares de milhões de dólares. Um programa que, como Boyle torna muitíssimo claro, apresenta-se como "defensivo" mas naturalmente, a fim de produzir uma 'defesa', exige o desenvolvimento de bioarmas ofensivas.

De facto, as penalidades capituladas na lei interna americana só pelo empenho em investigar armas biológicas são prisão perpétua e, sob certas circunstâncias, até a pena de morte bem como o impedimento (impeachment) para o presidente (seguido rapidamente, espera-se, pela prisão perpétua).

Mas o livro não só trata do programa ilegal de bioarmas iniciado sob o governo Reagan, continuado sob Clinton e amplamente expandido sob o actual regime, ele revela a ligação entre o ataque de antrax ao Congresso e o 11 de Setembro;

Através desta pequena charada, o maior crime político na história dos Estados Unidos da América desde a sua fundação em 4 de Julho de 1776 — os ataques com antrax ao Congresso, os quais serviram não só para entregar uma ameaça terrorista aos seus membros como realmente para encerrá-lo durante um período — pode permanecer oficialmente sem solução para sempre. Poderia verdadeiramente ser coincidência que duas das vítimas primárias pretendidas pelos ataques terroristas com antrax - os senadores Daschle e Leahe - estivessem a dificultar a aprovação rápida do pré planeada Lei Patriota (USA Patriot Act) após a terrível tragédia do 11 de Setembro - uma lei que proporcionou ao governo federal poderes sem precedentes em relação a cidadãos e instituições americanas? (p. 49)

Boyle continua

Será que o que realmente aconteceu no fim de 2001 foi o proverbial "ataque duplo" ("one-two punch") contra a República Americana e a Constituição dos EUA pelo Pentágono, CIA, Conselho de Segurança Nacional, FBI e o resto daquilo que na antiga União Soviética costumava-se chamar os seus "poderes ministeriais" ("power ministries"): NSA, DIA, NRO, etc. Por outras palavras, poderia a América ter sofrido - mesmo sem notar - um golpe de estado? (p.50)

 

Não é de admirar que os media corporativos hajam ignorado este pequena mas devastadora acusação à máquina de guerra americana (investiguei longa e arduamente por uma revisão do livro nos media principais, mas em vão). Isto também é, por sinal, uma grossa acusação aos media que ignoraram inteiramente a questão, desde as verdadeiras causas da Síndrome da Guerra do Golfo até o desenvolvimento em grande escala de armas biológicas por parte do governo americano, incluindo o seu fornecimento a Saddam Hussein (directamente de Fort Detrick).

Grande parte do livro trata de aspectos específicos dos tratados e leis relevantes sobre bioarmas e de como os EUA tanto os ignoraram como tentaram contorná-los e Boyle põe os pontos no 'i' e corta os 't' uma vez que é o responsável por grande parte do conteúdo destes tratados. Assim, quem melhor do que ele para entender como os EUA agiram irresponsavelmente em relação a eles!

Ao explorar a natureza do programa de bioarmas americano Boyle também revela a cumplicidade das universidades e dos cientistas empregados no desenvolvimento de bioarmas com milhares de milhões de dólares de financiamento a serem canalizados para os campus não só por todos os EUA como também além mar. Ele adverte-os mesmo de que também são passíveis de prisão perpétua pelo seu trabalho com bioarmas.

O que torna o livro de Boyle tão importante é que o homem, quase sem assistência, foi responsável por toda a legislação principal, tanto interna como internacional, que cobre a proscrição legal das armas biológicas, em particular a Convenção das armas biológicas (Biological Weapons Convention) e a Lei anti-terrorista das armas biológicas (Biological Weapons Anti-Terrorism Act) de 1989.

Os Estados Unidos têm tido um programa extremamente agressivo de guerra biológica ofensiva que remonta à Segunda Guerra Mundial, mas por um certo número de razões, em 1969 Nixon interrompeu o seu programa de bioarmas.

A primeira, porque considerava as bioarmas "contra-producentes devido ao 'blowback' ". A segunda, porque "[a] Ao proibir as "bios", a Convenção das armas biológicas (BWC) permitiria que os estados com armas nucleares do mundo mantivessem, consolidassem e estendessem ainda mais o seu quase monopólio sobre as WMD (armas de destruição maciça) que haviam acabado de ser codificadas pelo Tratado sobre a não-proliferação de armas nucleares de 1968".

Além disso, os EUA consideravam as bioarmas como "as armas nucleares dos pobres" e estavam ansiosos para que os países do Terceiro Mundo não as adquirissem.

Finalmente, em 1972 os EUA ratificaram a BWC mas isto não impediu a CIA de continuar a sua investigação e desenvolvimento de bioarmas. Além disso, a BWC tinha um grande alçapão: não impedia a "investigação" para "protecção profilática ou outras finalidades pacíficas".

Nem tão pouco a BWC proibia a sua "utilização" na guerra.

E, como declara Boyle

"desgraçadamente, escondidos ali nas entranhas do Pentágono, os remanescentes da velha Unidade de Guerra Química e Biológica (Chemical and Biological Warfare, CBW) esperavam, desejavam, ansiavam, planeavam e tramavam retornarem à vida". (p. 21)

E quando Reagan foi eleito em 1981, eles conseguiram o que queriam e a administração Reagan começou a despejar quantias maciças de dinheiro na investigação e no desenvolvimento de agentes biológicos para o que eles alegavam serem finalidades "defensivas".

De facto, em dólares constantes, sob Reagan os EUA

"gastaram tanto dinheiro na investigação das bioarmas alegadamente defensivas quanto haviam gasto quando o governo americano tinha um programa abertamente ofensivo e agressivo de guerra biológica". (p. 22)

Mas o pior estava para vir.

A BWC NÃO cobre investigação em engenharia genética, esta ciência não existia quando o BWC foi promulgada, e esta mesma investigação em engenharia genética pode ser aplicada tanto para usos defensivos como ofensivos.

A linha entre 'investigação' e desenvolvimento é extremamente difusa mas, de acordo com o Artigo 1 da BWC, o desenvolvimento de bioarmas é proibido. Uma maneira de determinar se a linha foi cruzada é verificar se o bio-agentes foram aerosolizados para entrega, pois a maior parte das bioarmas são concebidas para serem 'entregues' através do ar.

E foi aqui que o papel das universidades e institutos de investigação por todo os EUA entrou em cheio, com milhares de milhões de dólares de contratos de engenharia genética distribuídos, tudo sob o disfarce do uso dual, "investigação" defensiva-ofensiva. O programa foi chamado "Biological Defense Research Programme, BDRP".

Sob Bush Junior, o programa tornou-se no Chemical and Biological Defense Program.

Boyle destaca que no fim da década de 1980 muitos "cientistas da vida" estavam a tornar-se "cientistas da morte" utilizando engenharia genética para desenvolver agentes biológicos seguidos da produção das vacinas alegadamente "defensivas"; a testarem aquelas coisas danadas sobre animais, e a seguir transferindo a sua "investigação e desenvolvimento" para o Pentágono.

"A partir dali, o Pentágono podia facilmente produzir, acumular, instalar e utilizar armas biológicas em nova ruptura do Artigo 1 da BWC". (p. 25)

Em 1988 o Conselho para a Genética Responsável (Council for Responsible Genetics, CRG) pediu a Boyle que preparasse uma análise do BDRP de Reagan como um Memorando Pormenorizado da Lei (o qual está incluído no livro).

Ficou claro para Boyle que a universidade onde trabalhava, a Universidade de Illinois, campus Urbana-Champaign, "estava empenhada no desenvolvimento de armas ofensivas de guerra biológica, apesar dos seus protestos públicos em contrário" e Boyle destaca que "as universidades americanas têm um longo historial de voluntariamente permitirem que as suas agendas de investigação, investigadores, institutos e laboratórios sejam cooptados, corrompidos e pervertidos pelo Pentágono e pela CIA. (p. 26)

A escala do programa americano de bioarmas é estarrecedora, com US$ 5,6 mil milhões a serem gastos no "Project Bioshield", ao longo dos próximos dez anos, e isto é apenas uma faceta do desenvolvimento das bioarmas americanas. Globalmente, a quantia a ser gasta no desenvolvimento de bioarmas é de pelo menos US$ 22 mil milhões !

Boyle revela um aspecto particularmente relevante deste programa de desenvolvimento de bioarmas: a utilização de países tais como o Iraque para "transformar em armas" ("weaponize") estes novos agentes biológicos. Por outras palavras, consiga que o Iraque teste estas coisas danadas sobre as tropas iranianas! Foi isto precisamente o que aconteceu quando o governo Reagan forneceu-as ao Iraque, através do American Type Culture Collection (ATCC) e dos US Centers for Disease Control and Prevention (CDC).

"A ATCC é um grande instituto científico do sector privado que cultiva e armazena todo o tipo de doenças conhecidas que ocorram na natureza para finalidades supostamente científicas. É portanto impressionante notar que tanto a ATCC como o CDC cooperaram com a aberrante ruptura pela administração Reagan da BWC ao enviar estas armas com bioagentes específicos para o Iraque". (p. 32)

Estes envios violaram o Artigo III da BWC.

Cada estado parte desta convenção compromete-se a não transferir para qualquer receptador seja o que for, directamente ou indirectamente, e não assistir, encorajar ou induzir de qualquer modo qualquer estado, grupo de estados ou organizações internacionais a fabricarem ou de outra forma adquirirem quaisquer dos agentes, toxinas, armas, equipamento ou meios de entrega especificados no artigo 1 da Convenção.

Sob a legislação proposta pelo CRG "estas transferências de armamento de guerra biológica teriam sujeitos os seus perpetradores reaganistas à prisão perpétua, de modo que eles combateram a minuta do CRG implementando legislação exactamente no momento do seu afastamento político (temporário), o qual verificou-se quando Bush pai foi eleito presidente em Novembro de 1988". (pgs. 32-33)

E, não surpreendentemente, é a mesma gang da ultra-direita anti-comunista que acompanhou os anos de Reagan, que tal como o programa de bioarmas tinha estado a aguardar o seu momento, que é ressuscitada sob Bush Senior, bem a tempo para a 'Operação tempestade no deserto' ('Operation Desert Storm') e a forçada inoculação de tropas americanas (e britânicas) com vacinas tanto para o antrax como para a botulina.

"não só anterior à aprovação da vacina pelo Food and Drug Administration (FDA) mas sem o seu consentimento informado e portanto em clara violação do Código de Nuremberg sobre Experimentação Médica". (pgs. 39-40)

E não é de admirar, pois ninguém sabia que a

"administração Reagan havia subrepticiamente enviado estas armas com agentes biológicos específicos para o Iraque, e imaginavam que Saddam Hussein havia transformado em armamento o antrax e a toxina botulínica". (p. 40)

Boyle torna a criminalidade das acções americanas perfeitamente clara

"Como sempre, o primeiro passo errado obrigou ao segundo, o qual era criminoso. Consequentemente, aquilo que eram então apenas vacinas experimentais foi injectado nos 500 mil homens das forças armadas americanas deslocados para a I Guerra do Golfo pela administração Bush Sr., bem como nas tropas britânicas para ali enviadas, tornando todo o projecto um experimento vivo maciço. Os seus resultados - devido à sua irregularidade e na verdade ilegalidade - nem a comunidade de investigação científica nem o Pentágono foram capazes de controlar uma vez que os registos dos efeitos das vacinas foram sistematicamente NÃO mantidos... Até o dia de hoje, mais de 11 mil soldados americanos morreram — mas não devido ao combate — e a maior parte dos restantes sofre da Síndrome da Guerra do Golfo (Gulf War Syndrome, GWS)". (p.41)

A escala deste crime contra a humanidade ultrapassa aquela dos experimentos dos médicos nazis efectuados sobre os infelizes ocupantes dos campos de concentração. Estamos a falar aqui de quase 600 mil seres humanos experimentados pelo governo americanos, sem o seu conhecimento ou consentimento. E não estamos mesmo a considerar o crime dos efeitos do urânio empobrecido tanto sobre as forças da 'coligação' como da população iraquiana.

Boyle resume isto assim:

"Bush Sr., Cheny, General Colin Powell … General "Stormin'" Norman Schwarzkopf, e o resto do Alto Comando dos EUA infligiu um Crime de Nuremberg às forças armadas dos Estados Unidos ao forçá-las a tomar estas vacinas médicas experimentais em violação do Código de Nuremberg sobre Experimentação Médica". (p.41)

E se pensa que os actos criminosos cometidos sob Reagan, Bush Sr. e Bush Jr. excluem Clinton, pense outra vez:

"Os pretensos neoliberais da administração Clinton decidiram reactivar o maciço financiamento do Pentágono para armamento de uso duplo (dual-use), contratos de bioguerra de engenharia genética do DNA simultaneamente ofensiva-defensiva, apesar do facto de que o neo-cons reaganistas e os seus cientistas BDRP cúmplices já haviam "investigado" bio-agentes mortais que ocorriam mais naturalmente quase uma década antes ... Estes programas de bioguerra dos pretensos neoliberais clintonistas violaram tanto a Convenção das Armas Biológicas como a Lei Anti-Terrorista das Armas Biológicas, iniciada pelo Comité para a Genética Responsável".

Boyle trata extensamente do ataque com antrax ao Congresso a seguir ao 11 de Setembro a que me referi acima. Compre o livro para ter os pormenores.

Os crimes cometidos pelos EUA tal como expostos no pequeno livro de Boyle são estarrecedores e são ainda mais pelo facto de que os media principais (mainstream) ignoraram-nos quase sem excepção. E não é de admirar pois se os media principais denunciassem os monstruosos crimes cometidos pelo capitalismo americano, quase todo o governo dos Estados Unidos, sem mencionar as dezenas de milhares de "cientistas da vida" que estão envolvidos no desenvolvimento destas Armas de Aniquilação em Massa, teriam de enfrentar a realidade de que no mínimo teriam de cumprir prisão perpétua pelos seus crimes.

Francis A. Boyle foi o principal professor de Direito Internacional que redigiu o Biological Weapons AntiTerrorism Act de 1989. É professor na Universidade de Illinois. Tem um grau LLD, magna cum laude, e um PhD em Ciência Política, ambos da Universidade de Harvard. O seu livro é editado pela Clarity Press Inc., de Atlanta, Georgia, EUA, 139 pgs., ISBN 0932863469, 11,38 Euros.   Clique o título para adquiri-lo através da Amazon.fr: Biowarfare and Terrorism



O original encontra-se em www.williambowles.info//ini/2006/0306/ini-0398.html .
Tradução de JF.


Este artigo encontra-se em http://resistir.info/

publicado por Alexandre Leite às 23:06
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