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Segunda-feira, 9 de Julho de 2007

Terceiro Aniversário da Sentença do Tribunal Internacional de Justiça condenando o Muro do Apartheid

Hoje, 9 de Julho de 2007, comemora-se o terceiro aniversário da sentença do Tribunal Internacional de Justiça de Haia, que declarou ilegal o Muro do Apartheid que o estado de Israel está a construir nos territórios ocupados. O tribunal exortou Israel a “parar imediatamente os trabalhos de construção do muro que está nos Territórios Ocupados, incluindo Jerusalém Oriental e os seus arredores, a desmantelar imediatamente a estrutura que foi erguida…” e a fazer compensações por todos e cada um dos danos causados pela construção do muro… Para além disso, relembra que o acordo com o Direito Internacional, “todos os estados estão obrigados a não reconhecer a situação ilegal resultante da construção do muro, e a não dar ajuda ou assistência à manutenção da situação criada por esta construção”.


 

Mapa da Cisjordânia


O muro que o estado de Israel está a construir há mais de 5 anos, com a desculpa de se proteger de hipotéticos ataques terroristas palestinianos, vai oprimindo cada vez mais a vida dos palestinianos. Para a construção deste muro, confiscaram-se milhares de quilómetros quadrados que pertencem a comunidades palestinianas, demoliram-se centenas de casas, destruíram-se dezenas de quilómetros de canais de água e arrancaram-se milhares de oliveiras e árvores de fruta. Em muitas zonas, os palestinianos e as palestinianas têm de passar por controlos de segurança militares para poder ir trabalhar para as suas terras, ir à escola ou a um médico. No fim da sua construção, 41% da Cisjordânia ficará anexada a Israel, incluindo as zonas férteis e os principais aquíferos, enquanto os restantes 59% se converterão irremediavelmente num conjunto de guetos desconexos entre si, rodeados por instalações israelitas e perpetuar-se-á desta forma, a situação actual em que a comunicação entre povoações palestinianas está restringida por 450 barreiras nas estradas e 70 postos de controlo israelitas.


A ideia do muro não é nova.
Desde 1994, Gaza, com uma população de 1,3 milhões de habitantes e uma extensão de 365 km2, que fazem dela uma das zonas mais povoadas do planeta, está completamente envolvida por uma barreira que isola os palestinianos que aí vivem, do resto do mundo. O isolamento de Gaza, longe de parar a violência, intensificou-a e agravou terrivelmente as condições de vida da população civil. Os confrontos, especialmente os episódios de violência interna, são resultado da expropriação e do aprisionamento criados pelas, nas palavras do professor Ilan Pappe, “políticas genocidas israelitas dos últimos seis anos”.


A situação no terreno contrasta com a absoluta passividade dos estados membros da UE, que continuam a manter relações diplomáticas e comerciais com o Estado de Israel. Também com o investimento de milhões de euros no comércio de armas com Israel por parte do governo espanhol, violando o código de conduta sobre o comércio de armas da UE de 1998, no qual se apela ao não comércio com países onde haja situações de conflito ou tensão, onde se violem os Direitos Humanos, ou não se cumpra o Direito Internacional Humanitário, situações todas elas que acontecem diariamente nos territórios palestinianos ocupados por Israel.


 



Texto publicado em http://www.nodo50.org/palestinalliure. Traduzido por Alexandre Leite para a Tlaxcala.


publicado por Alexandre Leite às 08:22
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