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Quinta-feira, 12 de Julho de 2007

A Crise do Imperialismo

Lucrando com a miséria


A ocupação norte-americana do Iraque fez reemergir o imperialismo mundial no léxico da linguagem do dia-a-dia, depois de uma ausência de cinco décadas, desde o final da Segunda Guerra Mundial. As aventuras militares dos Estados Unidos desde essa altura – particularmente na Coreia, Vietname, e América Central – foram disfarçadas de operações defensivas, contra o crescimento e a ameaça representada pelo Comunismo e todas as suas manifestações maléficas, nomeadamente, a libertação nacional, a autodeterminação, e a justiça económica e social.


A verdade, no entanto, é que o imperialismo se manteve uma constante sempre presente tal como as mudanças das estações do ano. A única coisa que se modificou foi o embrulho, o que se poderia descrever, parafraseando James Connolly, como um vinho velho numa garrafa nova.


A classe dominante nos EUA emergiu da Segunda Guerra Mundial como os novos donos do mundo. Como tal, eles perceberam rapidamente que a pletora de movimentos de libertação nacional que brotavam por todo o globo depois da guerra, determinava um abanão no jugo imperialista, e exigia novos métodos de controlo, diferentes dos utilizados anteriormente pelas potências europeias.


O objectivo declarado do Banco Mundial (BM) e do Fundo Monetário Internacional (FMI), quando fundados por um pequeno núcleo de financeiros internacionais e banqueiros (principalmente britânicos e americanos, com os britânicos a aceitarem por esta altura o seu papel de parceiro inferior na nova ordem das coisas) em Bretton Woods, New Hampshire em 1944, era reconstruir a Europa e estabilizar os mercados financeiros mundiais, depois do turbilhão da Segunda Guerra Mundial.


Em linha com este objectivos, as ex-colónias, recém-independentes, no Terceiro Mundo, que gradualmente tinham ganham a sua liberdade, tinham de ser disciplinadas e controladas – pois elas possuíam os recursos humanos e naturais necessários à expansão neste novo império global.


Depois de sofrer a pilhagem do colonialismo, e depois da dura luta pela libertação, as nações do continente africano em particular, ficaram com as economias devastadas e moribundas, o que as colocava à mercê dos abutres, sob a forma dos grandes bancos internacionais e de instituições financeiras.


Estes bancos e instituições emprestaram grandes somas de dinheiro com taxas de juro predatórias, impossibilitando que o Terceiro Mundo se reconstruísse, desenvolvesse, e pagasse os seus empréstimos ao mesmo tempo.


Tinha de ser uma coisa ou outra.


As coisas entraram em crise em meados dos anos 1980 quando, para afastar a possibilidade de uma depressão mundial devido ao crédito mal parado por falta de pagamento dos países do Terceiro Mundo, o FMI e o BM entraram em cena e assumiram a responsabilidade dessas dívidas perante os grandes bancos mundiais como o Barclays, Crédit Lyonnais, Chase Manhattan, etc., que estavam sob a ameaça de colapso.

Foi um passo que colocou o FMI e o BM numa posição de poder inatacável, posição essa que eles nunca desdenhado.


Desde essa altura, 70 países no mundo foram forçados a adoptar Programas Estruturais de Ajustamento (PEA), desenhados e desenvolvidos pelo FMI e pelo BM. Estes PEA pretendiam reestruturar as economias dos ditos países, de forma a melhor poderem pagar as ajudas e os empréstimos dados pelo Primeiro Mundo, representado pelo FMI e pelo BM.


Isto exige que imponham programas de severa austeridade às suas já cambaleantes economias, que se traduzem na erradicação do tão necessário investimento público em programas sociais de saúde, educação, transportes, agricultura, e por aí fora.


Estes programas de austeridade abrem portas às corporações multinacionais, sempre à espreita de reduzir custos e de ter acesso a fontes baratas de matérias-primas, para entrarem e instalarem a sua produção, trazendo as pessoas, incluindo crianças em muitos casos, da terra para as fábricas, onde são forçadas a trabalhar muitas horas, em condições horríveis, e com salários de miséria.


Isto serve dois propósitos: destrói as agro-economias do Terceiro Mundo, que agora são obrigadas a importar os seus alimentos do Primeiro Mundo, e assegura o fluxo de riqueza para as corporações multinacionais do Primeiro Mundo e para os seus investidores internacionais.


O caso da Nigéria é típico. Hoje, a esperança de vida neste país rico em petróleo, dependente de ajudas, é de 47 anos para os homens e 52 para as mulheres. De uma população de 120 milhões de pessoas, 89 milhões vivem com menos de um dólar por dia, isto apesar do facto de o Delta do Níger conter grandes reservas de petróleo.


Um empréstimo do FMI de 12 mil milhões de dólares [8,7 mil milhões de euros] transformou-se numa dívida continuamente por pagar de 27 mil milhões de dólares [19,6 mil milhões de euros].


O povo da Nigéria não chega a ver um único dólar da riqueza produzida pelo seu petróleo, que sai do seu país, sem controlo, para os bolsos de um consórcio de companhias petrolíferas britânicas, holandesas, e norte-americanas. As suas estão reduzidas a uma luta diária pela sobrevivência.


No Terceiro Mundo, morrem por ano, seis milhões de crianças com idade inferior a 5 anos, devido à fome e a doenças tratáveis.


Este genocídio ano após ano contra as crianças dos pobres é o resultado líquido da rapina e do roubo que o FMI e o BM fazem aos recursos naturais e humanos do Terceiro Mundo, em nome das classes dominantes do Primeiro Mundo.


É um imperialismo com outro nome, um imperialismo suave que aparece disfarçado de ajuda, mas cujos verdadeiros objectivos são indistinguíveis do imperialismo duro que podemos ver agora na ocupação militar do Iraque.


Ambos se combinam de forma a alimentar o apetite insaciável dos poderes capitalistas do mercado livre.


Ambos condenam milhões à morte e à miséria.


Ambos constituem uma maldade que é inimiga do progresso humano.



 

Texto de John Wight publicado em http://www.counterpunch.org/wright07052007.html a 5 de Julho de 2007. Traduzido por Alexandre Leite para a Tlaxcala (rede de tradutores pela diversidade linguística).

 

publicado por Alexandre Leite às 14:19
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