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Domingo, 22 de Julho de 2007

Os media sobre o 'terrorismo global'

 

Sim eu sei, é mesmo impressionante, tendo em conta o facto de durante séculos os europeus terem andado a invadir outros países, escravizando os seus povos, arrancando os seus recursos e durante o processo, empobrecendo grande parte do planeta. E o que é ainda mais importante, mudando-se para lá e passando a lá residir, sem sequer pedir licença, muito menos sendo sujeitos a uma intensa examinação à sua chegada.

Inevitavelmente, portanto, viria um tempo em que pela força das circunstâncias, os descendentes das nossas antigas colónia ultramarinas, fariam a acidentada e corajosa viagem em direcção às nossas praias, em busca de uma vida melhor ou mesmo para salvar as suas vidas, em grande parte como resultado das políticas económicas seguidas pelo Ocidente.

Naquilo que é visto como os bons tempos, os nossos antigos colonizados até eram “bem-vindos” – isto é, os seus corpos. A recepção que obtinham era, digamos assim para não exagerar, menos do que cordial, relativamente aos antigos “leiais súbditos do Domínio [ver “Domínio” (na Wikipedia) ]”.

Cinco séculos de colonialismo e imperialismo, deixaram um legado de racismo profundamente entranhado, que se expressa em todos os níveis da sociedade, mas que é mais insidiosamente expresso pelo estado e pelos seus ‘porta-vozes’, os media estatais e os corporativos.

Vistos como expressões individuais, elas são aparentemente inócuas, ou pelo menos não directamente ofensivas, mas vistas num contexto, isto é, como articulações visíveis da política oficial, o seu impacto ao longo do tempo reforça os preconceitos que as pessoas já absorveram entretanto.

Vejam por exemplo esta citação do noticiário da televisão Channel 4 (10/07/2007) sobre o cerco à Mesquita Vermelha em Islamabad, no Paquistão, de Jon Snow, quando alegadamente relatava os acontecimentos de lá. Snow diz-nos que o Paquistão é,

“um terreno fértil para o terrorismo global”

Há tantas afirmações implicadas nestas seis palavras que é preciso que sejam expostas por aquilo que são: inflamatórias e racistas, e simplesmente mentirosas.

Em que é que Snow se baseou para a inequívoca declaração de que o Paquistão é “um terreno fértil para o terrorismo global”? Bem, nós não aprendemos nada com “as notícias”, pois Snow esqueceu-se de dizer que a ditadura paquistanesa de Musharaf é cliente quer dos EUA quer do Reino Unido, que é financiada por esses dois estados e recebe também armas e outros apoios estratégicos. Num negócio avaliado em 5 mil milhões de dólares [3,6 mil milhões de euros],

“A 28 de Junho [2006], o Pentágono pormenorizou planos para equipar o Paquistão com 36 aviões de combate F-16C/D, um lote de motores de F-16 e equipamento para actualizações, e milhares de bombas e mísseis, incluindo 500 mísseis ar-ar avançados. Descrevendo o Paquistão como um “aliado vital”, o Pentágono afirmou que as armas seriam usadas na luta contra terroristas, tal como os da Alcaida.” — ‘Pakistan, Saudi Arabia Cleared for U.S. Arms Buys’, Página da Internet da Associação pelo Controlo das Armas, Setembro 2006

Assim sendo, se o Paquistão for de facto “um terreno fértil para o terrorismo global”, então os EUA e o Reino Unido é que são directamente responsáveis por isso. O terrorismo, no entanto, é o de estado, que tortura e “faz desaparecer” os seus opositores e, está directamente implicado no apoio aos separatistas da Caxemira para não mencionar o envolvimento com os Taliban e a CIA e o M16 em todo o tipo de negócios escuros.

“Pouco tempo depois do Novo Partido Trabalhista ter chegado ao poder em 1997, o Ministro dos Negócios Estrangeiros, Robin Cook, anunciou uma “dimensão ética” para a política externa. Ele disse que o governo “não irá emitir uma licença para exportação [de armas] se existir um risco claramente identificável de que o comprador as vá usar de forma agressiva contra outro país” ou se existir uma ameaça à “estabilidade regional”” — ‘How Britain's Armaments Fuel War And Poverty’ por John Pilger

Mas a conversa é fiada. Em 2002, Jack Straw, que na altura em era o Ministro dos Negócios Estrangeiros, defendeu a decisão de retomar a venda de armas à ditadura de Musharraf (e que irónica é essa declaração, tendo em vista os acontecimentos actuais!)

“…nós não somos uma nação pacífica e eu não acredito que conseguíssemos tornar o mundo num lugar mais seguro, com o não envolvimento da Grã-Bretanha nos gastos militares aqui, nem nas exportações de armamento responsáveis”, Sitio na Internet da BBC News, 9 Julho, 2002.

De facto, as leis britânicas baniram a venda de armas a países onde pudessem ser usadas para repressão interna ou agressão externa, mas como disse Straw,

“Nós temos critérios claros e com base neles nós só exportaremos armas quando os critérios forem cumpridos.”

Mas Straw acrescentou que os critérios necessitavam de ser alterados porque eles

“não levavam em total consideração uma situação em rápida mudança”.

Tão depressa é uma coisa como a seguir já é outra...

Mas há também a questão de Snow usar a expressão “terrorismo global”. Isso existe? A expressão “terrorismo global” evoca a visão de uma rede organizada de terroristas internacionais, capaz de coordenar ataques em qualquer ponto do planeta, mas há alguma prova da existência dessa rede? Que eu ou qualquer pessoa saiba, não.

E onde estão as evidências de que o Paquistão é um “terreno fértil” para a inexistente rede do “terrorismo global”? Snow não foi muito esclarecedor, em vez disso, o grosso da sua reportagem foi sobre a preocupação de saber se a ditadura de Musharraff poderia sobreviver à última crise, não estando, obviamente, Snow a referir-se ao contínuo apoio dos EUA e do Reino Unido a Musharraff como fonte do problema, pois isso não foi referido, só podemos assumir que Snow estava a fazer a ligação entre as lutas internas do Paquistão e a ilusória “rede de terrorismo global”.

A frase também revela uma série de presunções sobre o Paquistão, ele próprio resultado das maquinações imperialistas no sub-continente indiano.

Dado o facto de haver uma substancial população de cidadãos britânicos de descendência britânica, a ‘atoarda’ de Snow contém sérias ramificações, especialmente se tivermos em consideração a diabolização dos muçulmanos no Reino Unido quer pelo governo quer pelos media, que ecoa directamente de cinco séculos de domínio imperial que assume a superioridade da ‘civilização’ ocidental e a ‘inferioridade’ de uma cultura que tem uma existência contínua de mais de 5000 anos.

 

O comentário contém em si, todo um universo de preconceitos e de presunções e como tal é um elemento essencial da guerra de propaganda que reforça atitudes sobre ‘eles’ – o ‘outro’ – e contribui directamente para criar um clima de medo ao fazer a ligação entre a última tentativa amadora de atentados em Londres e Glasgow, por um grupo de pessoas (10 ou 12 no total), a maioria deles de descendência indiana, não paquistanesa, mas porquê ser picuinhas, ‘eles parecem todos iguais, não é?’.

 

 

Texto de William Bowles publicado em http://www.creative-i.info/?p=19#respond a 12 de Julho de 2007. Traduzido por Alexandre Leite.

publicado por Alexandre Leite às 18:16
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