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Quinta-feira, 26 de Julho de 2007

É tempo de um Novo Movimento de Libertação da Palestina

Sejamos francos, os palestinianos estão numa altura de grandes decisões e a realidade hoje não é o que era há um mês atrás. As forças unidas contra eles estão a preparar um forte empurrão na liquidação dos direitos dos palestinianos, de uma vez por todas. Não há nada de novo quando vemos os EUA, a União Europeia, a ONU, e os regimes fantoches árabes, conspirando para uma solução final. A novidade é a formação de um “governo” colaboracionista como em Vichy, que trabalha abertamente com o ocupante para formalizar a sua liquidação dos direitos palestinianos. É verdade que os principais colaboracionistas nesta aberta colaboração são velhas caras que já se estão a preparar para estes dias há algum tempo. A novidade é a sua aparição pública como arma da ocupação, sem desculpas nem vergonhas. Alguma da colaboração costumava acontecer silenciosamente, à porta fechada, e se descoberta, normalmente era negada; agora não. Quando o “velhinho” Arafat andava por perto, estes vermes não arriscavam ir tão longe na sua colaboração e traição, e foi por isso que conspiraram com a Mossad para o envenenar.

 

O que deve ser observado é que as forças de Abbas e Fayyad, à moda de Vichy, não estão apenas a colaborar com os EUA/Israel na Palestina ocupada. Eles fazem agora solidamente parte do hegemónico eixo norte-americano na região, que primeiramente se resumia à Jordânia, Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos, o chamado quarteto árabe. Depois de Siniora no Líbano, Abbas é a última adição a esta cambada.

 

Portanto, não foi nenhuma surpresa ler na semana passada que o representante da Fatah no Líbano estava a incentivar os palestinianos que estavam em campos de refugiados nesse país, para lutarem pelo exército de Siniora, o mesmo exército que ainda estava a bombardear e destruir o seu campo de refugiados em Nahr El-Bared, depois de expulsar 35 mil refugiados palestinianos. Se virmos os acontecimentos de Nahr El-Bared em perspectiva, nós apercebemo-nos que o objectivo dos EUA/Israel é juntar forças no Líbano para combater o Hezbollah e “iraquizar” o Líbano, espalhando a mesma destruição criativa que o Iraque tem hoje em dia, para o Líbano. O papel definido para Abbas é estar do lado de Siniora a juntar-se à luta contra o Hezbollah. No fundo, o quarteto árabe estava a puxar por Israel no verão passado, esperando que Israel destruísse o Hezbollah. Não é segredo nenhum que o objectivo de eliminar o Hezbollah, como a força de combate árabe mais eficaz, não foi abandonado, e desta vez Abbas quer juntar-se à luta contra a resistência libanesa, tal como está a combater a resistência palestiniana.

 

Contempla-se um plano maior para instalar os refugiados palestinianos nos países vizinhos, usando o dinheiro árabe do petróleo, já que o direito de regresso será eliminado por Abbas e pelo seu “governo”. Parte do preço da estada no Líbano é que os palestinianos lutem ao lado da marioneta dos EUA, Siniora. Notícias credíveis do Líbano indicam que Nahr El-Bared não será para reconstruir; será o protótipo de outros campos de refugiados palestinianos no Líbano? Estará a Fath Al-Islam ou outro grupo “islâmico” criado por Siniora e Hariri a preparar-se para repetir o mesmo cenário de Nahr El-Bared noutros campos, como prelúdio da sua destruição na próxima guerra civil? Todas estas são possibilidades prováveis. O que é importante é ter em mente que Abbas e o que se está a passar no Líbano são elementos de um quadro muito maior para engendrar um “novo” Médio Oriente.

 

Neste contexto e dada a seriedade da condição palestiniana, não é adequado às organizações palestinianas (principalmente o Hamas) que estão determinadas a se oporem a esta liquidação dos direitos palestinianos e a continuar a resistência, que continuem apenas a repetir os pedidos de diálogo com Abbas. Qual diálogo, e com que propósito? Não é prestar um bom serviço aos palestinianos, fingir que nada mudou. Eu fui um dos que escreveram contra o chamado governo de unidade. Eu opus-me a ele e disse que não duraria muito. Claro que eu não tinha uma bola de cristal, mas as contradições envolvidas eram muitas e impossíveis de ultrapassar.

 

O problema que o Hamas enfrenta é que chegou ao poder usando eleições livres, mas num veículo que tencionava terminar com a resistência e liquidar os direitos, nomeadamente Oslo. A Autoridade Palestiniana (AP) e as suas estruturas, como o Conselho Legislativo, não foram pensadas para liderar um movimento de libertação, serviam para abençoar o fim da resistência e assinar por baixo a formalização da liquidação final da causa. De facto, um dos primeiros actos do Conselho Legislativo Palestiniano (CLP) foi votar a alteração dos estatutos originais palestinianos, reconhecendo a Israel o “direito a existir”, antes que o nosso direito a existir, e o nosso direito a regressar, fossem reconhecidos.

 

Isto, resumidamente, é o que está a acontecer em Gaza e na Cisjordânia: em Gaza as forças de resistência estão determinadas a continuar a resistência, enquanto que na Cisjordânia, o Karzai palestiniano continua com a sua a sua perfídia. Se o CLP não der a Karzai o que ele quer, então ele irá usar os velhos amigos geriátricos do conselho central da OLP [Organização de Libertação da Palestina] para dar à perfídia um ar de “legitimidade”.

 

É tempo de acabar com a charada da AP; agora fica tudo às claras. Oslo e a sua filha AP provocaram enormes danos aos palestinianos, e deixaram-nos agora na iminência de um maior e final Nakba. O que é necessário é que o Hamas e outros grupos de resistência apelem à formação de um novo movimento de libertação que substitua a defunta OLP. Esta abordagem é imperativa agora e deve substituir a conversa sobre a “reforma” da velha OLP. Não se podem reformar traidores que mostraram as suas cartas em cima da mesa.

 

Este novo movimento de libertação deve descartar-se de todas as réstias da AP e da velha OLP. Deve isolar o governo Vichy na Zona Verde em Ramallah e mantê-lo sob pressão, até mesmo combatê-lo. Qualquer conversa sobre novas eleições deve ser ignorada. Se forem anunciadas eleições pelos traidores em Ramallah, então a resistência a estas eleições ilegais deve ser rápida e firme. A resistência à ocupação do Iraque é um melhor modelo a ser seguido pela resistência palestiniana, com a liderança do Hamas.

 

Havendo um novo e amplo movimento de libertação, este deve permitir que todas as forças patrióticas possam fazer parte dele, em particular os elementos patrióticos e honestos dentro da Fatah, que se encontram agora órfãos, depois do seu movimento ter sido neutralizado pelos seus traidores internos.

 

Uma tarefa importante para este novo movimento é abranger e dar voz aos milhões de palestinianos na diáspora. A fragmentação e o sentimento de descrença e de perda que muitos destes palestinianos têm sentido desde a formação da AP têm de acabar. A AP estava ligada aos palestinianos sob ocupação, mas os palestinianos necessitam de algo maior e mais envolvente. O plano é acabar com o direito de regresso e transformar a questão palestiniana numa questão de instalação “dos refugiados”. Nós precisamos de uma estrutura para representar todos os palestinianos e de continuar a luta pelo direito a regressar.


Texto publicado por Tony Sayegh no seu blogue “Palestinian Pundit” a 22 de Julho de 2007. Traduzido por Alexandre Leite para a Tlaxcala.

publicado por Alexandre Leite às 11:48
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