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Sexta-feira, 3 de Agosto de 2007

O funeral do casamento civil em Israel

Os cidadãos de Israel estão divididos por lei em 12 grupos religiosos. Cada pessoa nasce no seu próprio grupo: os Judeus, cuja mãe é judia, são sujeitos à tirania dos rabis, os Muçulmanos à dos kadis, e os Druze têm os seus próprios líderes religiosos, tal como os Cristãos, os Arménios e todos os outros. E não podem casar-se entre si, já que em Israel não há casamento civil. Todo o esquema de não haver casamento civil, num país que se diz democrático, veio ao mundo apenas para preservar a pureza dos judeus.


É verdade, de acordo com fontes religiosas, que na altura em que a nossa nação viveu na sua terra, quando se tornou assimilada, assimilou-se, e não se questionou, e alguém que invalidasse qualquer outra, estava na realidade a acusar-se do seu próprio defeito. Mas isso foi quando havia sabedoria e a liderança percebia que uma minoria é assimilada numa maioria – na sua língua, na sua cultura.


Por outro lado, aqui temos de satisfazer as inclinações dos partidos religiosos. Por isso, em 1970, Golda Meir, a primeira-ministra na altura, e o ministro da justiça Yaakov Shimshon Shapira, adicionaram à lei uma adenda estipulando que apesar do direito a regressar também se estender aos filhos e netos de um judeu e/ou da sua esposa (aparentemente por razões demográficas), um “judeu” de acordo com a sua definição era “alguém nascido de uma mãe judia, ou que se tenha convertido e que não seja membro de outra religião.”


Em Israel há mais de 300,000 homens e mulheres cujas mães não são judias e que não estão dispostos a “renascer”, com um novo nome, através de um processo de conversão que os força a aceitar as leis do culto que lhes são estranhas, mandar as suas crianças para instituições ultra-ortodoxas, e viver sob supervisão dos rabis.


Agora apareceu o ministro da justiça e, em conjunto com o seu rabi superior, decidiu estabelecer um grupo novo, de gentios, que podem casar entre eles desde que não se casem com uma mulher ou homem judeus, que Deus perdoará. É esta a salvação que lhes é oferecida.

É assim que a pureza do judaísmo, que é preservada debaixo do olhar atento da igreja estabelecida e do ministro da justiça, está a evitar que alguns dos cidadãos do seu país e as suas crianças se assimilem com os cidadãos do estado que tenham mães judias. É verdade que frequentarão as mesmas instituições educativas, irão estudar hebreu, a Bíblia, e História – mas não poderão casar com judeus “kosher”, pois nós somos o Povo Escolhido, a santa semente.


Efectivamente, a proposta do ministro da justiça, que considera que é liberal, pretende por um fim ao acordo alcançado sobre o tema do "rishum hazugiyut" (registo de pessoas que vivem como casais), como forma de ultrapassar a incapacidade de dar o direito de casar num casamento civil. Este processo permitia que as pessoas que se amam e que não são membros do mesmo grupo religioso, bem como pessoas seculares, pudessem iniciar uma família cujos direitos sejam reconhecidos pelo governo e pela sociedade. Agora o ministro e o seu amigo rabi estão a estabelecer um grupo separado de pessoas sem religião, e isto é dirigido primordialmente aos imigrantes da antiga União Soviética; não admira que as pessoas estejam a organizar-se para se oporem. E, de facto, chegou a altura para os cidadãos, a imprensa, e todos os media, acordarem e fazerem algo para salvar a democracia e evitar o racismo, que tem de ser eliminado do mundo.


Eu fiquei espantado ao ler que algumas pessoas viram o estabelecimento de um “grupo de pessoas seculares”, cujos membros só podem casar entre eles e não com alguém de fora do grupo, como um primeiro passo para o casamento civil para todos: Não é disso que se trata. Aqui enterraram o casamento civil bem como a ideia dos casais registados. Aparentemente, esta proposta serve a uma sociedade de messiânicos, que anseiam por regressar aos dias de Yehoshua bin Nun, no que toca à ocupação da terra, e um regresso aos tempos do Templo e dos sacrifícios. Todas estas pessoas irão provavelmente conseguir o que querem. Afinal, foram os seus rabis que ordenaram que não nos devemos assimilar com outras nações: “…então as votarás ao interdito; não farás pacto algum com elas, nem as tratarás com misericórdia.” (em alternativa: “nem permitas que vivam contigo” (Deuteronómio 7:2)

 


Texto de Shulamit Aloni publicado a 30 de Julho de 2007 no jornal israelita Haaretz. Tradução de Alexandre Leite para a Tlaxcala, rede de tradutores pela diversidade linguística.

publicado por Alexandre Leite às 08:14
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