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Quarta-feira, 8 de Agosto de 2007

RCTV, ou como fechar uma porta fechada?

O leitor que não viva no planeta Marte e que leia a imprensa, já há dois meses que ouve falar do “encerramento” da “única” cadeia de televisão de oposição na Venezuela.


Todo o mundo se comoveu, prova da força (e da unanimidade) dos media. O parlamento europeu votou uma resolução. A União Europeia publicou um comunicado. Robert Ménard, o patrão (vitalício) dos RSF [Repórteres Sem Fronteiras], apressou-se a 28 de Maio a dar uma conferência de imprensa no hotel Hilton de Caracas, depois na sede da RCTV para mostrar a sua indignação.

Algumas vozes pouco mediatizadas (salvo nos sítios na internet como este) afirmaram que a licença hertziana da televisão golpista chegou ao fim da concessão depois de 20 anos, o governo não a renovou com a finalidade de atribuir o espaço a uma nova televisão educativa e social. Mas a RCTV poderia emitir por cabo, satélite e internet.

Chávez nunca “fechou” a RCTV.

A verdade é que a RCTV, advertida da chegada ao fim da sua concessão em Dezembro de 2006, encerrou durante apenas algumas semanas para poder clamar a censura. Ela voltou discretamente aos ecrãs 50 dias mais tarde.

A RCTV emite hoje em dia por cabo com a mesma programação, através de uma das suas filiais de Miami (EUA) que comercializa as suas produções no mundo inteiro.

Sabiam isto? Disseram-vos esta verdade com a mesma força ensurdecedora com que se manifestaram com o seu “encerramento”? Claro que não, pois isso seria contradizer e revelar as patranhas passadas. Encerrada, dizem-vos! Morta! Assassinada por um aprendiz de ditador!

Passado algum tempo comunicam-nos que “Chávez volta a encerrar a RCTV”. Falta um capítulo, observará algum espírito cartesiano.

Eis o que o grande público não saberá: Marcel Granier, o riquíssimo dono da RCTV, escolheu Miami como sede oficial da RCTV por cabo. A partir daí irão ser retransmitidos os mesmos programas da via hertziana mas com uma novidade: acabou com a submissão à lei do país receptor das emissões. As ‘cadeias nacionais’, por exemplo, têm o dever de conceder a palavra ao chefe de Estado a seu pedido (disposição também imposta em França a todas as televisões), e a RCTV deixará de ser afectada por isso. Assim, a RCTV por cabo será parecida com a hertziana mas para pior. O governo, fustigado anteriormente com uma inusitada violência, ficará agora 100% excluído. Fim ao direito de resposta. Bombardeamentos sem risco a partir de território dos EUA.

Imaginemos que uma cadeia francesa de televisão tenta emitir a partir de um país inimigo para iludir a carta do CSA [Conselho Superior do Audiovisual] e preconizar a violência política em França. Sarkozy não usaria o seu Kärcher [1]?

Para justificar este caminho de negação das leis do seu país, Marcel Granier, o dono da RCTV, alega que a RCTV por cabo é uma televisão internacional, como a CNN, Telesur, etc. Só que as suas emissões (as mesmas de ontem) estão destinadas essencialmente a um público venezuelano. Ao que se juntam, como álibi, as ilhas Aruba, Curaçao, Bonaire, Trinidade e Tobago.

O Conatel [Conselho Nacional de Telecomunicações] pediu a 45 televisões venezuelanas que operam por cabo que se registem como nacionais e se submetam à legislação do país ao qual se dirigem as suas emissões. A mesma exigência foi feita a Marcel Granier.

Se ele recusar, poderá ser suspenso o direito de emitir por cabo, aplicando-se leis que podemos encontrar semelhantes no nosso país.

Será nessa altura que a imprensa nos deixará pasmados ao nos anunciar que Chávez quer fechar uma televisão que, pelos vistos, não estava aberta desde Maio.


Robert Ménard sairá disparado outra vez para a sede da RCTV.


Mas agora em Miami.


Parece que tem amizades por lá.


[1] Máquina de limpeza com a qual ameaçou limpar os bairros periféricos franceses dos jovens delinquentes de origem imigrante em 2005. As suas declarações provocaram um mês de motins em Novembro de 2005 [nota do tradutor]

 

 

Texto de Maxime Vivas, publicado na Tlaxcala e em Tirem As Mãos Da Venezuela a 6 de Agosto de 2007. Tradução de Alexandre Leite.

publicado por Alexandre Leite às 08:21
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