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Terça-feira, 9 de Outubro de 2007

Che volta a ganhar outro combate

Leiam bem este nome: Mario Terán. Amanhã ninguém se lembrará dele, como já aconteceu há quatro décadas, quando o converteram em notícia. Mas agora só lhes peço que, pelo menos por um instante, gravem bem este nome nas suas memórias, para que ninguém esqueça e todos julguemos.

O filho deste senhor apresentou-se no jornal “El Deber”, de Santa Cruz, na Bolívia, pedindo que publicassem uma nota de agradecimento aos médicos cubanos que tinham devolvido a visão ao seu velho pai, depois da intervenção cirúrgica às cataratas, através da Operação Milagro, um verdadeiro milagre.

O pai deste boliviano agradecido é Mario Terán. Os que têm mais idade, pode ser que se lembrem de já ter ouvido antes o seu nome. Os jovens talvez nunca tenham ouvido falar nele. Mario Terán foi o militar que assassinou o Comandante Ernesto Che Guevara, a 9 de Outubro de 1967, na pequena escola de La Higuera.

Ao receber a ordem dos seus chefes, teve de se socorrer do álcool para a conseguir cumprir. Ele mesmo contou depois à imprensa que tremia como varas verdes, perante aquele homem a quem naquele momento viu como “grande, muito grande, enorme”.

Che, ferido e desarmado, sentado no chão de terra da humilde escola, observou-o vacilante e temeroso, e teve a coragem, que faltava ao seu assassino, para abrir a camisa rasgada de cor verde oliva, descobrir o peito e gritar-lhe: “Não tremas mais e dispara para aqui, que vais matar um homem…”

O militar Mario Terán, cumprindo ordens dos generais René Barrientos e Alfredo Ovando, da Casa Branca e da CIA, disparou sem saber que as feridas mortais abriam buracos junto daquele coração para que continuasse a marcar a hora dos fornos [*].


Che nem sequer fechou os seus olhos depois de morto, para continuar a acusar o seu assassino.

Mario Terán, agora, não teve de pagar nem um cêntimo por ter sido operado às cataratas por médicos cubanos, num hospital doado por Cuba e inaugurado pelo presidente Evo Morales, em Santa Cruz.

Já idoso, poderá voltar a apreciar as cores dos céu e da selva, desfrutar do sorriso dos seus netos e presenciar partidas de futebol. Mas seguramente nunca será capaz de ver a diferença entre as ideias que o levaram a assassinar um homem a sangue frio e as de esse homem, que ordenava aos médicos da sua guerrilha que cuidassem por igual os seus companheiros de armas e os soldados inimigos feridos, como sempre o fizeram na Bolívia, como antes o tinham feito nas montanhas de Sierra Maestra, por ordens estritas do Comandente Em Chefe Fidel Castro.


Lembrem-se bem deste nome: Mario Terán, um homem, educado na ideia de matar, que volta a ver graças aos médicos seguidores das ideias da sua vítima.


A quatro décadas da tentativa de Mario Terán de, com o seu crime, destruir um sonho e uma ideia, Che volta a ganhar outro combate. E continua em campanha…


 

[*] N.T.  – Referência a uma frase do poeta cubano José Martí, citada por Che Guevara em 1967, na sua Mensagem à Tricontinental (o seu 'testamento político'): "Está na hora dos fornos e não se há-de ver mais do que a luz."


Che Guevara

Texto de Hector Arturo publicado no jornal Granma a 29 de Setembro de 2007. Tradução de Alexandre Leite.

publicado por Alexandre Leite às 01:01
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