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Quarta-feira, 31 de Outubro de 2007

A ameaça às vossas liberdades civis – e às vossas calças

As acções da polícia nos últimos dias são difíceis de explicar – até nos darmos conta de que estão desesperadamente a subir a parada, depois de terem perdido o primeiro embate na 'Operation Eight’ [Operação Oito].

 

Na Nova Zelândia, a pressão da administração Bush nas semanas que se seguiram ao 11 de Setembro assegurou a aprovação de uma lei que deu novos poderes à polícia para investigar, deter e processar qualquer pessoa que possa sequer pensar vagamente em cometer “actos terroristas”.

 

Durante os últimos anos, e especialmente nos últimos dezoito meses, a polícia e os mirones do SIS [Serviços de Informação e Segurança da Nova Zelândia] parecem ter usado a “Guerra ao Terrorismo” como uma desculpa para se vingarem de alguns dos seus velhos inimigos. Maoris chatos, ‘hippies’ amantes de árvores, pacifistas irritantes, e sindicalistas ‘revolucionários’, todos foram vigiados, numa operação que custou à polícia perto de 8 milhões de dólares [cerca de 4,26 milhões de euros] – até agora. (O orçamento do SIS tem vindo a crescer nos últimos anos e, indubitavelmente, depois da última gafe de John Key, uma parte desse bolo foi gasto na 'Operação Oito'.)

 

Os polícias fizeram uma grande barafunda na ‘Operação Oito’, na última semana e meia. Com esses 8 milhões de dólares em jogo, entraram todos à ninja em território tuhoe, abriram caminho por entre manifestações de activistas nas grandes cidades, e convidaram os meios de comunicação para filmarem a festa. Artigos cuidadosamente divulgados nos jornais de domingo, falavam de uma “guerra estilo IRA” feita por uma grande coligação de maoris tatuados, pacifistas vegetarianos, e activistas Salvem os Caracóis.

 

Em poucos dias, no entanto, ficou claro que os oito milhões de dólares não tinham conseguido comprar um bom caso. No máximo, a polícia tinha uma mão cheia de armas sem licença e algumas escutas de Tame [Tame Iti – um dos 17 detidos] e uns companheiros a dizerem mal de Goerge Bush.


Muito francamente, eu teria ficado mais surpreendido se os polícias tivessem conseguido encontrar algumas armas licenciadas na região de Ureweras. E se eles pretendem encontrar pessoas que expressam o desejo de ver a prematura partida do Comandante em Chefe tão amado pela América, tudo o que os polícias precisam de fazer é entrarem nalgumas dezenas de fóruns de discussão na internet num dia chuvoso, ou sintonizar os fóruns radiofónicos sempre que um moderador de direita, como Leighton Smith ou Michael Laws, não esta a comandar o debate.

 

Muitas das alegações passadas por fontes ‘anónimas’ para os jornais, faziam menos sentido do que Graham Henry depois daquele jogo em Cardiff Arms. Foi-nos dito que células terroristas ‘se preparavam para atacar’ nos principais centros – mas as buscas policiais e inquéritos em Auckland, Wellington, e Christchurch não conseguiram apanhar nada mais mortífero do que computadores portáteis.

 

Disseram-nos que Tame Iti tinha decidido, há seis meses atrás, abandonar todos os seus outros projectos para “se dedicar totalmente” à construção de células Tecaida [nome pelo qual estão a ser apelidados os detidos maori, em referência à Alcaida] em Ureweras – no entanto Tame fez uma viagem, bem publicitada, a Fiji apenas há três meses.

 Tame Iti

Tame Iti. Imagem retirada de http://www.nzherald.co.nz/

Foi-nos dito que o Gabinete Trabalhista foi consultado sobre a seriedade da ameaça terrorista antes de começar a ‘Operação Oito’ – no entanto o Ministro dos Assuntos Maori declarou claramente que ele não considera que Tame seja um terrorista, e Helen Clark [Primeira-Ministra da Nova Zelândia] recusa-se a aprovar as acções policiais. Ross Meurant, o polícia veterano que encontrou regularmente terroristas vermelhos e castanhos debaixo da sua cama, nos anos 80 e 90, fez pouco da ‘Operação Oito’ e declarou que a polícia padece de ‘lavagem cerebral’ por racismo. Vindo do homem famoso por ser um dos mais ‘brancos’ na Northlan, é uma grande crítica.

 

Disseram-nos que Clark era o alvo de um plano de assassinato – no entanto, não foram tomadas nenhumas medidas especiais para a proteger, nem antes nem depois das detenções, e é sabido na comunidade activista que um dos detidos é membro do braço Princess Street, do Partido Trabalhista, apoiante de Helen. Alguns dias antes da eleição de 2005, eu tive uma longa conversa com um outro detido, durante a qual ele me tentou convencer para eu usar o meu voto de forma a eleger um governo trabalhista. A Tecaida funciona claramente de uma forma misteriosa.

 

Nos meses que se seguiram à invasão do Iraque, os marretas da administração Bush disseram repetidamente aos críticos para esperarem pacientemente por provas das armas de destruição em massa de Saddam, e que iriam ser tornadas públicas as ligações à Alcaida. Dêem-nos tempo para completarmos as investigações, diziam eles. Todas as provas serão eventualmente reveladas, insistiam eles. Claro, não houve nenhumas provas – se tivessem existido, seriam divulgadas pela Fox News mais depressa do que um texano consegue puxar por uma pistola. Os pedidos de espera eram tácticas para empatar tempo, pensadas para retirar a pressão sobre Bush.

 

O mesmo se passa com as repetidas lamúrias de “nós precisamos de mais tempo”, que ouvimos agora da polícia Kiwi. Os polícias e os da secreta gastaram dezoito meses e milhões de dólares a tentar apanhar um exército terrorista na região de Ureweras, e não conseguiram – não por não terem tido o tempo e os recursos necessários, mas porque não houve nem há um exército terrorista em Ureweras. À medida que os maori protestam contra as palhaçadas ninjas da polícia em Tuhoe, e que activistas e advogados de alto nível apoiam os detidos nas grandes cidades, a polícia está sob uma pressão crescente.

 

Em vez de admitir que se enganou redondamente, a polícia está a apostar no tudo ou nada. Excluindo a imprensa do tribunal, não concedendo uma fiança por triviais acusações de posse de arma, divulgando invenções vagas mas chocantes aos jornais mais excitáveis, e atacando aqueles que os criticam como apoiantes de terroristas – e bizarro – drogados, os polícias estão a tentar ganhar tempo e adiar o terrível dia em que vão ter de voltar à realidade e admitir que Tame Iti não é um Osama Thuoe.

A polícia está também a fustigar, cegamente e em vão, cada vez mais contra comuns neozelandeses, numa tentativa desesperada de encontrar provas do que não existe. Na semana passada prosseguiram com os seus raides na região thuoe e em encontros de activistas nos principais centros, com um conjunto de buscas domiciliárias a ameaças tão sérias à segurança nacional como um bancário, um grupo de músicos maori, um idoso, apolítico, que calhou de ter um sobrinho thuoe, um casal de meia-idade que faz criação de galinhas em Taupo. Foram partidas mais janelas, foram confiscados mais computadores, e mais cuecas foram cheiradas, mas os mísseis terra-ar e as bombas de napalm, de forma frustrante, ainda não foram avistados.

 

A polícia parece estar a responder a estes contratempos com uma pequena manobra inteligente. Já que não conseguem encontrar nada que encaixe na definição de “arma” do Dicionário de Inglês de Oxford, eles criaram a sua própria definição, e colocaram-na em prática. Pelo menos é assim que eu interpreto o raide que a polícia fez hoje ao já veterano sindicalista e socialista Jimmy O'Dea. Jimmy O'Dea é conhecido por ter ajudado a organizar o apoio dos sindicatos à campanha épica, e por fim vitoriosa, para reconquistar o Bastion Point. O'Dea foi fundamental para que os trabalhadores de Auckland fizessem greve, em protesto pela decisão do governo Muldoon de usar o exército para acabar com a ocupação em 1978. Presumivelmente basta isso para que ele seja considerado membro honorário da Tecaida.


O'Dea, que tem agora 70 anos e uma saúde débil, viu-se confrontado com oito – isso mesmo, ele contou oito – carros de polícia que exigiram ver as suas ‘facas de mato e cuecas’. Ainda não ficou claro se o Jimmy consegui manter as calças vestidas, ou se os polícias levaram a arma por segurança, em conjunto com a ‘prova’ que retiraram da roupa interior na semana passada.

 

Eu acredito que a opinião pública se está a virar contra a polícia, e que a ‘Operação Oito’ será eventualmente exposta como um exercício muito dispendioso de política da teoria da conspiração. A polícia aposta no tudo ou nada, e vão ficar com nada. Quando isso acontecer, vou-me rir daqui da nossa polícia.

 

Ainda não me posso rir, porque ainda estão 16 detidos em celas prisionais. Como muitos de vocês, suspeito eu, eu conheço algumas das vítimas da ‘Operação Oito’. Vou participar no Dia Global de Acção contra isto no próximo Sábado. Se estiverem em Auckland, o evento começa ao meio-dia, na Praça Aotea. Se não puderem vir no sábado, então enviem algum dinheiro para o Comité de Defesa dos Direitos Humanos, que está a fazer um óptimo trabalho, defendendo-nos da polícia.

Manifestação em Auckland

Imagem da manifestção entretanto realizada (retirada de http://indymedia.org.nz/)

 

 

Texto publicado em ReadingTheMaps a 25 de Outubro de 2007. Traduzido por Alexandre Leite.

publicado por Alexandre Leite às 20:00
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