WTC7

.posts recentes

. Entre a espada e a parede

. Trabalho com precariedade

. Saindo da UE

. A rapina de Timor-Leste: ...

. Empresa de limpeza em Tel...

. De quem é o vírus Zika?

. Bem-vindos ao apartheid d...

. Adolescente americana ame...

. Perante o caos, o saque e...

. A canalhice final contra ...

. Atirá-los ao mar

. Pensar a violência

. O que queremos dizer quan...

. “Je Suis CIA”

. A Rússia invade a Ucrânia...


Tecnologia de FreeFind

.Arquivos


eXTReMe Tracker

.subscrever feeds

blogs SAPO
Quarta-feira, 14 de Novembro de 2007

Salário mínimo no Dubai

Greve de trabalhadores asiáticos leva os Emirados a começarem a considerar um salário mínimo

 

 

Uma greve de cerca de 40 000 trabalhadores asiáticos da construção no Dubai – na segunda-feira será o seu quinto dia – levou o governo a ordenar aos ministros e às firmas de construção a reverem os salários e possivelmente a definirem um salário mínimo, num esforço para diminuir a agitação no mercado de trabalho.

 

Os trabalhadores recusaram trabalhar nas obras de um hotel que faz parte do maior arranha-céus do mundo, em construção nesta próspera cidade do Golfo, queixando-se de salários baixos, aumento do custo de vida e fracas condições de trabalho.

 

A greve, uma das que mais afectou o frenesim da construção no Dubai, despoletou uma espécie de crise laboral nesta cidade-estado situado no deserto e que se anuncia como um alto centro de negócios e de luxo no Médio Oriente.

 

Levou o governo a anunciar a criação de uma comissão conjunta de revisão salarial, constituída por oficiais do Ministério do Trabalho e por representantes das companhias de construção.

 

Essa medida, anunciada pela agência de notícias estatal WAM no passado domingo, foi uma indicação clara de que os Emirados estão valorizar as exigências dos trabalhadores e a não considerar a situação apenas como um problema do sector privado.

 

Venu Rajamany, o Cônsul Geral da Índia no Dubai, disse que um salário mínimo definido pelo governo parecia cada vez mais provável. Ele tem estado envolvido nas negociações entre os trabalhadores grevistas, o Ministério do Trabalho e a Arabtec, a empresa de construção que está por detrás do projecto do hotel na torre Burj Dubai.

 

“A definição de um salário mínimo pode ser uma das soluções do problema”, disse Rajamany. “Quando o Ministério do Trabalho apresentar um valor, depois de consultar as empresas, esse valor será uma referência abaixo da qual nenhuma empresa poderá ir”.

 

Um salário mínimo será um passo sem precedentes nos Emirados, que depende há muito de mão-de-obra barata importada para o seu boom capitalista.

 

As chamadas feitas pela Associated Press para os responsáveis pelos recursos humanos e para os representantes da Arabtec não obtiveram resposta na segunda-feira. Um gigante da construção no Dubai, a Arabtec está também a construir duas grandes torres residenciais na zona financeira do Dubai, apartamentos em frente ao mar e vivendas no deserto.

 

Os 40 000 trabalhadores asiáticos prometeram permanecer parados nos 26 campos de trabalho espalhados por sete estados semi-autónomos dos Emirados, até que os seus salários sejam aumentados pelo menos 55 dólares (37€).

 

A companhia está actualmente a pagar salários de 109 dólares (74€) por mês aos trabalhadores não diferenciados, e os especializados recebem 163 dólares (111€).

 

“Estamos fartos destas condições. Necessitamos de um aumento imediato”, disse Mohammed Aslam, um trabalhador do Bangladesh com 28 anos.

 

As greves são ilegais nos Emirados e os sindicatos são proibidos, mas o protesto dos trabalhadores asiáticos persiste, apesar das ameaças e das detenções.

 

Na semana passada, 4000 trabalhadores asiáticos funcionários da Pauling Middle East Company LLC, uma companhia de empreitadas a trabalhar em diferentes projectos no Dubai, foram detidos quando a greve por causa dos seus salários baixos e fracas condições de trabalho desembocou em tumultos.

 

Cerca de 160 deles, suspeitos de danificarem veículos da polícia com pedras, permanecem na prisão, enfrentando acções judiciais e possível deportação.

 

A greve dos 40 000 trabalhadores asiáticos vem numa altura em que as empresas lutam para encontrarem trabalhadores para terminar os seus projectos ambiciosos, depois de 30 000 trabalhadores terem regressado à Ásia nos últimos três meses.

 

O Sub-Secretário de Estado do Trabalho, Humaid bin Deemas, foi citado pela WAM como tendo dito que “um estudo estará finalizado nos próximos dias” para assegurar os direitos dos trabalhadores e proteger os interesses das companhias.

 

Bin Deemas insistiu que “todos os trabalhadores têm de receber o salário completo sem deduções” e rejeitou “desculpas dadas por algumas companhias pela sua prática de retenção dos salários dos trabalhadores”.

 

Os trabalhadores também se queixam de atrasos nos pagamentos e que as suas companhias deduzem por vezes o pagamento de transportes, férias e dias de doença.

 

Bin Deemas afirmou que essas práticas eram ilegais e “uma forma inaceitável de exploração”. No entanto, ele não indicou se e quando os trabalhadores em greve receberão os seus aumentos. No domingo, os trabalhadores recusaram uma oferta de uma companhia de aumentar os seus salários daqui a dois meses.

 

“Nós não podemos esperar”, disse um trabalhador do campo de trabalho de Jabal Ali. Ele recusou dar a cara por temer represálias. “Nós só vamos regressar ao trabalho depois das nossas exigências serem cumpridas”.

 

Ele disse que partilha um quarto com 12 homens e uma casa de banho com 59 trabalhadores. Eles não têm nenhum seguro de saúde nem folgas pagas, e têm de se empurrarem uns aos outros para apanharem um autocarro que os traga de volta ao acampamento depois de uma jornada de trabalho de 12 horas. Há muito poucos autocarros entre os locais de construção e os acampamentos, por isso os trabalhadores esperam durante horas para chegarem a casa.


Autocarro de Trabalhadores no Dubai

Imagem retirada de http://nytimes.com/

 

Sentado em frente a um supermercado no acampamento, Bal Raj de 36 anos, um trabalhador da Arabtec que tem três crianças lá na Índia e está em greve, gastou as suas últimas moedas numa chávena de chá.

 

“A partir de agora, não sei como vou sobreviver”, disse Raj.


 

Texto publicado no jornal Herald Tribune a de Novembro de 2007. Traduzido por Alexandre Leite para a Tlaxcala.

publicado por Alexandre Leite às 13:00
link do post | comentar | favorito
|

Todos os textos aqui publicados são traduções para português de originais noutras línguas. Deve ser consultado o texto original para confirmar a correcta tradução. Todos os artigos incluem a indicação da localização do texto original.

Creative Commons License
Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons.

Crise Alimentar

A maior demonstração do falhanço histórico do modelo capitalista



Em solidariedade com a ACVC

Camponeses perseguidos na Colômbia

"Com a prosperidade dos agrocombustíveis, a terra e o trabalho do Sul estão outra vez a ser explorados para perpetuar os padrões de consumo injusto e insustentável do Norte"



Investigando o novo Imperialismo

↑ Grab this Headline Animator


.Vejam também:

Associação de Solidariedade com Euskal HerriaManifesto 74
Sara Ocidental Passa Palavra
XatooPimenta NegraO ComuneiroODiárioResistir.InfoPelo SocialismoPrimeira Linha
Menos Um CarroJornal Mudar de Vida
Blogue OndasBioterra





InI Facebook

.Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.