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Quarta-feira, 12 de Dezembro de 2007

A Venezuela Depois do Referendo

Lições para os bolivarianos

A derrota de Hugo Chávez no referendo, por escassa margem, foi o resultado de uma grande abstenção dos seus apoiantes. Cerca de 44% do eleitorado ficou em casa. Porquê? Primeiro, porque ou não entenderam ou não aceitaram a necessidade do referendo. As medidas relativas à semana laboral e outras reformas sociais podiam facilmente ser objecto de legislação parlamentar. As questões chave eram a retirada das restrições à repetição de mandatos do chefe do governo (como acontece na maior parte da Europa) e passos em direcção a um “estado socialista”. No que respeita a este último, simplesmente faltaram debates e discussões entre as bases populares.

Como assinalou Edgardo Lander, um crítico que simpatiza com a revolução:

“Antes de votar a favor de uma reforma constitucional que vai definir o estado, a economia e a democracia como socialistas, nós cidadãos temos o direito a participar nessas definições. O que se entende por ‘estado socialista’? O que se entende por ‘economia socialista’? O que se entende por ‘democracia socialista’? Em que sentido se diferenciam dos estados, economias e democracias que acompanharam o socialismo do século XX? Não estamos a falar aqui de entrar num debate semântico, mas sim em decisões básicas sobre o futuro do país.”

E isto foi depois ampliado por Greg Wilpert, um jornalista simpatizante, cuja página da Internet (venezuelaanalysis.com) é a melhor fonte de informação sobre o país:

“Ao acelerar o processo de reforma, Chávez ofereceu à oposição uma ocasião, praticamente sem precedentes, de o prejudicar. Ao mesmo tempo, a pressa com que o processo foi lançado abriu-o a muitas críticas de que o processo fora fundamentalmente mal feito, o que se veio a tornar um dos pontos mais sublinhados pelos críticos mais moderados da reforma.”

Outro erro foi a insistência em votar todas as propostas em bloco, numa base de pegar ou largar. É perfeitamente possível que um certo número de propostas tivessem sido aprovadas se fosse permitido votar separadamente em cada uma delas. Isto impulsionaria os bolivarianos a fazerem campanha de forma mais eficaz ao nível das bases, através de discussões e debates organizados (como fez a esquerda francesas para vencer a disputa e derrotar a Constituição da UE). É sempre um engano subestimar o eleitorado e Chávez sabe isso melhor do que muitos.

E agora o que fazer? O Presidente estará no cargo até 2013 e qualquer que seja o modo de o descrever, 'lame-duck' [pato-manco – como são chamados os presidentes dos EUA em fim de mandato] nunca servirá para o fazer. Ele é um lutador e vai estar a pensar em como fortalecer o processo. Se a derrota for bem digerida ela pode ser uma bênção disfarçada. Ela anulou, no fundo, os argumentos dos bandidos Ocidentais que vinham afirmando nos últimos oito anos que a democracia na Venezuela estava morta e que o autoritarismo tinha vencido.

Qualquer um que tenha vista o discurso de Chávez aceitando a derrota na noite passada (como eu vi em Guadalajara com amigos mexicanos), não terá dúvidas sobre o seu empenhamento num processo social feito democraticamente. Isso é claro. Uma das fraquezas do movimento na Venezuela foi a excessiva dependência numa só pessoa. É perigoso para a pessoa (uma bala pode ser o suficiente) e não é saudável para o processo bolivariano. Haverá uma grande procura de personalidades em Caracas, mas o importante agora é um debate aberto que analise as causas deste contratempo e um movimento em direcção a uma liderança colectiva para decidir o próximo candidato. Ainda falta muito mas a discussão deve começar já. Aprofundar a participação popular e encorajar a inclusão social (como pretendido pelas derrotadas alterações constitucionais) deve ser feito na mesma.

A derrota no referendo irá sem dúvida dar alento à oposição venezuelana e à direita na América Latina, mas serão tolos se imaginarem que esta vitória irá automaticamente dar-lhes a presidência. Se as lições da derrota forem compreendidas, serão os bolivarianos a vencer.

 

 
Texto de Tariq Ali publicado em Counterpunch.org a 3 de Dezembro de 2007. Traduzido por Alexandre Leite.

publicado por Alexandre Leite às 12:58
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