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Terça-feira, 22 de Janeiro de 2008

A crise no Quénia: Um caso em que o assaltante do banco aceita partilhar o dinheiro roubado

Quando apareceram as notícias de que a oposição no Quénia tinha decidido aceitar os seus lugares no parlamento, eu percebi, desde logo, que a crise estava terminada.

 

Eles avançaram para obterem uma vitória crucial para o lugar de presidente do parlamento, sem dúvida muito bom para a moral deles, mas é apenas um prémio de consolação. O voto mostrou a fluida situação parlamentar – a de um parlamento tremido.

Kenneth Marende, o novo presidente do parlamento, obteve apenas mais quatro votos do que o seu rival, o anterior presidente parlamentar Kaparo. Nem o partido do poder do contestado presidente Kibaki, nem a coligação ODM [Movimento Democrático Laranja] de Odinga podem fazer grandes alterações no futuro próximo.

 

Como é típico nos parlamentos africanos, agora vai provavelmente começar a negociata. Nos próximos meses poderemos ver debandada dos quadros da oposição para o partido no poder.

 

Agora que a oposição no Quénia não pode continuar a ser acusada de tentar paralisar a governação, tendo assumido os seus lugares, tornando-se assim parte do governo, apenas pode começar a discutir se devem ou não participar no gabinete.

É provável que eles optem por ocupar as posições vacilantes (vagas) do gabinete de Kibaki. Um pouco de egoísmo, alguma ganância e uma extrema racionalização devem bastar para produzir um ‘gabinete conjunto’.

 

A oposição vai tentar jogar com as palavras, insistindo que não fazem parte de uma coligação nem de um governo de unidade nacional, mas que estão lá ‘para bem do Quénia’. Esta será a terceira vitória de Kibaki desde 30 de Dezembro.

A segunda foi quando o ODM assumiu os seus assentos parlamentares. Se o ODM acabar por trabalhar com Kibaki por qualquer razão, está montado o palco para haver ainda mais eleições forjadas em toda a região oriental de África.

A história do Uganda fala por si mesma. As eleições têm sido roubadas desde 1980 até ao presente. Os fiascos eleitorais em Zanzibar, na Tanzânia, também receberam comentários iguais nos meios de comunicação. O Quénia demonstrou que as interferências estrangeiras não funcionam bem na nossa região, nem são bem-vindas.

Apesar de Kibaki e Odinga terem as suas diferenças, eles parecem unidos em dizer “O Quénia para os quenianos”. Esta é uma mensagem forte e difícil de ignorar. Jendayi Frazer, Tutu, Kufuor e companhia, saíram todos silenciosamente depois das suas infrutíferas ofertas para “serem úteis”.

 

Museveni e Kikwete também ficaram calados – não parecem ter muita contribuição a dar. Claro que mais tarde nos vão dizer, depois de tudo terminado, que trabalharam arduamente “nos bastidores”.

 

A um outro nível, o exemplo queniano é um dos poucos emergentes para o qual o mundo está a ser treinado para aceitar. Na essência, todos os esforços que foram feitos para resolver a crise queniana foram dizer a Odinga e ao ODM: “Se um assaltante de um banco quer partilhar o dinheiro contigo, aceita e vai para casa.”


No entanto, um dos primeiros exemplos espectaculares foi em 1991 quando a Frente Islâmica de Salvação, um partido político registado, venceu as eleições na Argélia por uma grande diferença.


A França, o antigo dono colonial, e outras potências ocidentais, encorajaram o governo no poder a subverter o resultado e a anular as eleições. O resto é agora história.


O país ainda está em guerra, 16 anos depois. O outro exemplo, um bem recente, é a Palestina. O Hamas, outro movimento sócio-político venceu as eleições num escrutínio considerado livre e justo. Ao contrário do que se passou na Argélia, a sua vitória não foi subvertida.

 

No entanto, o governo que eles formaram foi rejeitado pelas mesmas potências ocidentais – porque era islamita e por isso não tinha o direito a vencer uma eleição, e especialmente porque não era amigo de Israel.

 

Actualmente, a Palestina foi dividida em Gaza e Cisjordânia. É derramado sangue. Bem, toda a gente achou que isso estava bem para a Argélia e a Palestina. Estes islamitas não são boa gente. Mas agora o Quénia?

 

O que o mundo está lentamente a aprender é que não há princípios universais de democracia. Se leram algures, num livro de capa dura, que a democracia é o poder da maioria, e desafortunadamente acreditaram, lamento. Não basta que o vosso partido favorito vença uma eleição.

 

Ele tem de ser ‘ilibado’ pelos ‘donos’ do conceito (democracia) que vocês tinham começado a venerar. Foi talvez por terem percebido isto que quer Kibaki quer Odinga não esconderam a sua desconfiança e mesmo descrédito, pelas chamadas democracias ocidentais e pelos seus emissários.

Kibaki sabe que pode mesmo conseguir roubar a eleição, desde que prometa apoiar a guerra ao terrorismo e não atrapalhe as margens de lucro das multinacionais. Raila Odinga também sabe que os chamados doadores não acreditam na democracia que apregoam, ou que exportam com base na força das armas, como no Iraque e Afeganistão.

 

Por isso, o que quer que aconteça no Quénia, é mais provável que o país de incline para ‘uma solução queniana para um problema queniano’, do que outra coisa qualquer. No entanto alguns elementos irão beneficiar da vulnerabilidade de Kibaki, como líder comprometido.

Kibaki e Odinga no Quénia

O presidente Museveni, do Uganda, irá possivelmente investir em laços mais estreitos com Kibaki, e talvez concretizar a sua anterior proposta de avançar com uma união política da África oriental, sem a ‘relutante’ Tanzânia.


Por outro lado, enquanto os poderosos se aquecem uns aos outros, a oposição nos dois países tornou-se muito mais próxima, de várias formas, e falar de acções políticas regionais conjuntas é ganhar proeminência nos círculos políticos da oposição. É esta nova vaga de pensamento que irá provavelmente dar forma à África Oriental a que muitos aspiram.

 

 

Texto de Omar Kalinge Nnyago publicado no jornal ugandês Daily Monitor a 18 de Janeiro de 2007. Traduzido por Alexandre Leite para a Tlaxcala.
publicado por Alexandre Leite às 13:30
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