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Terça-feira, 3 de Junho de 2008

Os Anti-Chavistas

 Quem disse que o crime não compensa? Ora leiam.

 

O Instituto Cato, sedeado em Washington, é totalmente a favor da “Liberdade Individual, Mercados Livres, e Paz”, pelo menos é o que diz na sua página na internet. Anda desde 1977 a pregar a religião do governo limitado e do mercado livre, com o apoio de muito financiamento corporativo cheio de octanas. E bem o merece pelo prémio que deu a 15 de Maio. Foi a um estudante venezuelano de direito, de 23 anos, da Universidade Católica Andres Bello. Yon Goicoechea foi o quarto vencedor do “Prémio da Liberdade Milton Friedman” no valor de 500 mil dólares. Por quê? O que mais podia ser... Por servir os interesses do capital e liderar protestos anti-Chavistas.

Yon Goicoechea na cerimónia de entrega do meio milhão de dólares.

Yon Goicoechea na cerimónia de entrega do meio milhão de dólares.

Imagem retirada de Cato.Org

 

Goicoechea é o líder do “movimento estudantil venezuelano pró-democracia” que nas palavras do Cato “evitaram que o regime de Hugo Chávez conseguisse poderes ditatoriais alargados em Dezembro de 2007.” Referem-se à acanhada derrota do referendo reformatório em Dezembro passado. Goicoechea liderou a violência de rua estudantil contra a democracia venezuelana, mas não pensem que o Cato fala nisso.

 

Focou o “papel fulcral (de Goicoechea) na organização e oposição à erosão dos direitos humanos e civis neste país que teria concentrado poderes políticos e económicos sem precedentes nas mãos do governo.” Em vez disso, ele prefere “tolerância” e “direitos humanos para obter prosperidade”. Ele tem estado activo desde que a oposição estudantil e outras emergiram contra a recusa do governo de Chávez (com ampla justificação) de renovar a licença de funcionamento da RCTV em Maio passado.

Depois, e na campanha do referendo de Dezembro passado, o Instituto Cato afirma que ele aguentou “ameaças de morte e contínuas intimidações devidas à sua liderança proeminente e verbal”. Ele foi “indispensável para organizar enormes manifestações pacíficas de protesto que capturaram a atenção do mundo.” De facto, não houve nenhumas ameaças de morte mas sim muita intimidação de extrema direita dirigida a Chavistas levada a cabo por títeres como Goicoechea.

O fundador e presidente do Cato, Edward Crane, disse “Nós esperamos que o Prémio Friedman venha ajudar este apelo não violento às liberdades básicas numa Venezuela cada vez mais militarista e anti-democrática.” O romancista de extrema direita Mario Vargas Llosa acrescentou que “a liberdade está a desaparecer” na Venezuela, e “Goicoechea é um símbolo duma reacção democrática quando ela é ameaçada.”

Goicoechea recebeu o seu prémio num jantar onde a dose custava 500 dólares no Waldorf Astoria em Nova Iorque. Estavam presentes elementos proeminentes de corporações e do governo, todos representando interesses da extrema direita. Nenhum deles explicou como funciona o bolivarianismo, a sua democracia participativa, o seu comprometimento com o povo da Venezuela, ou como retirou milhões de habitantes da pobreza desesperada. Nem se comentou o processo modelo, as impressionantes reformas sociais, as eleições profundamente democráticas, ou a imensa popularidade de Hugo Chávez. Uma sondagem do Instituto Venezuelano de Análise de Dados (IVAD) realizada entre 24 de Abril e 2 de Maio coloca-o com 68%. Compare-se com a de George Bush que tem uma popularidade das mais baixas de sempre para um presidente dos EUA.

Entrega do Prémio Milton Friedman no Waldorf Astoria

Entrega do Prémio Milton Friedman 2008 no hotel Waldorf Astoria.

Imagem retirada de Cato.org

 

Também não se discutiu como é que é financiada a oposição estudantil nem com que propósitos. Que o seu dinheiro vem de agências dos EUA como a erroneamente chamada “National Endowment for Democracy” [Contribuição Nacional para a Democracia], a USAID, o Instituto Republicano Internacional, e outras agências norte-americanas e internacionais. A CIA faz parte delas, claro.

Sublinhados são os planos de Goicoechea para o dinheiro – desafiar o bolivarianismo e trabalhar para o subverter. Com essas ideias e o apoio do Cato, ele certamente permanecerá um favorito da direita. Ele também estará atarefado e bem recompensado – por mais desestabilização contra o governo mais democrático do hemisfério. É para isso que servem os Goicoecheas – para sabotar a democracia, subverter a equidade e a justiça, derrubar governos populares, e tornar a Venezuela “mais amiga” das negociatas.

Goicoechea dirige-se agora para casa, bem instruído sobre o seu papel, mas não esperem que o Cato o explique. É apoiar o direito divino do capital, o privilégio acima da mudança social benéfica, e os direitos de alguns acima dos da maioria. É mobilizar a indignação contra o líder que trabalha para todos os venezuelanos, especialmente para aqueles que mais precisam. Que usa a riqueza do petróleo do seu país a favor do seu povo, não a favor dos interesses negociais elitistas. Por ter uma constituição que o mandata. Por acreditar que todas as pessoas contam, não apenas os privilegiados. Por se tornar a maior ameaça ao império (e ao Cato) determinado em fazê-lo parar. Por ainda não terem conseguido. Por o verem a ganhar força e estatura. Por garantir aliados de base em todo o lado. Por serem necessários muitos Goicoecheas para lhe fazerem oposição, mas não os suficientes para levarem vantagem.

A sua “defesa da não-violência” e os protestos “pacíficos” consistiram em – promovendo a guerra de classes; querendo derrubar Chávez; e seguindo os ditames da CIA – “ir para as ruas; protestar com acções de desordem violentas por todo o país; criar um clima de ingovernabilidade; provocar a revolta geral; isolar Chávez” internacionalmente; desestabilizar o governo; romper o processo constitucional; apoiar agitações populares agressivas; construir união entre a oposição; e acabar com o chavismo e o bolivarianismo para que o capital possa retomar o controlo.

No ano passado, Goicoechea respondeu empenhando-se em confrontos de rua violentos; apontando a elementos da Guarda Nacional, polícias e estudantes pró-Chávez; partindo janelas; capotando e incendiando carros; provocando outros incêndios; queimando pneus; atirando pedras e garrafas; participando num tiroteio na Universidade Central de Caracas, vendo os meios de comunicação corporativos relatarem que estudantes “pacíficos, cívicos e democráticos” foram atacados sem provocação, e obtendo apoio total dos EUA (e do Cato) para tudo isto.

Como outros da sua classe, Goicoechea goza de privilégios e pretende mantê-los. Ele também não está disponível para os partilhar e coloca assim as coisas: “Nós temos de lutar pelo nosso futuro, pelos nossos direitos,” e já sabem de quais é que ele está a falar. “Se nós não lutarmos pelas nossas liberdades, não conseguiremos participar numa Venezuela democrática no futuro.” Ele quer dizer democracia para uns poucos como nos dias antes de Chávez.

Gabriela Calderon partilha essa visão como editora do ElCato.org, a página da internet em espanhol do Cato. Ela é jovem, com boa formação, anti-Chávez, e também contra o crescimento do bolivarianismo para o seu país natal, o Equador. O Cato diz que ela é uma lutadora “da linha da frente” na “luta contra o socialismo do século XXI de Hugo Chávez, que ameaça engolir toda a América Latina”. Ele, por sua vez, chama aos populares Chávez e Rafael Correa, presidente do Equador, “a direita reaccionária”, pois nas palavras do Cato: “pretendem mais controlo estatal sobre a economia e as vidas das pessoas. Em contraste, ela – e ElCato.Org – advogam a liberdade individual.” Isso significa privatizar tudo, favorecer a propriedade em lugar das pessoas, o privilégio sobre a necessidade, financiar a dissidência, e ser bem recompensado por apoiar tudo isto.

Estes são interesses imperiais. Jovens como Goicoechea e Calderon são os seus instrumentos, e organizações como o Cato são o seu principal apoio. Financiados por empresas, dando claras ordens de marcha, eles são da religião que coloca acima de tudo os mercados de muitas octanas. Mas no espírito da “Liberdade Individual, Mercado Livres, e Paz”. Orwell aprovaria.

 

Texto de Stephen Lendman publicado na Global Research a 16 de Maio de 2008. Tradução de Alexandre Leite para Tirem As Mãos da Venezuela.

publicado por Alexandre Leite às 19:00
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