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Sexta-feira, 8 de Dezembro de 2006

Estados de negação – estados de terror

Para aqueles de vós que ainda lêem/ouvem/vêem as notícias dos meios de comunicação de massa, pode haver perdão por pensarem que os acontecimentos do último par de décadas são provas da extraordinária superioridade/sucesso da “civilização Ocidental” na batalha contra as hordas de selvagens a baterem às portas do Paraíso.

Tenho de confessar que ter atravessado crises de depressão extrema me fez deixar de ouvir ou ler as múltiplas e variadas “bocas” do estado e dos grandes negócios, jurando nunca mais me sujeitar à voragem interminável de porcaria que sai dos orifícios daqueles encarregados de amaciar os nossos medos sobre o estado do planeta, guiado como está pela máxima que diz, o que os olhos não vêem o coração não sente.

Claro que, de forma a suavizar os medos escondidos, e olhando para o estado das coisas, suspeito que o poder instalado tem, por um lado, de engrenar o quociente do medo (desde a “Al Qaeda” até à gripe das aves) e ao mesmo tempo tentar assegurar-nos de que eles têm tudo sob controlo. Não é proeza fácil, já que implica fazer a quadratura do círculo, convencer-nos que o dia é a noite e que preto é o branco.

Viver num estado tão extremo de esquizofrenia, entre o conforto e o caos, é sem dúvida responsável em grande parte pela loucura que nos atinge. Apesar do aparente bem estar que ameaça cobrir-nos, alguém que espreite, nem que seja só um pouco, por baixo do lençol da “normalidade” que aqueles que nos governam colocaram sobre nós, vê claramente que não há apenas uma crise de legitimidade mas que as elites dominantes sabem que não têm absolutamente nada para oferecer que resolva os problemas com que estamos confrontados. Daí as suas tentativas desesperadas para nos persuadirem que há uma conspiração global que ameaça o “nosso modo de vida”.

E para aqueles de vós que têm idade suficiente para se lembrarem do terror nuclear a que os nossos líderes nos sujeitaram durante meio século, vale a pena lembrar que eles estão agora a fazer o mesmo jogo que fizeram na altura. Não vos parece que apesar de o “inimigo” ter mudado, pouco mais mudou?

Durante décadas fomos levados a pensar que ir a votos de vez em quando seria um sinal seguro de que temos governos que nos representam, mas claro, como muitos de nós nem se dão ao trabalho de votar e aqueles que o fazem, fazem-no como um acto reflexo, temos o que poderíamos chamar, um retorno negativo.

Divorciados do processo político, vazios de uma voz de oposição genuína e ainda menos de uma genuína alternativa, apenas se fortalece o controlo estatal como demonstram as leis cada vez mais repressivas.

Por um lado é argumentado que permitimos que as coisas chegassem a este ponto porque a grande maioria acredita genuinamente que estamos sob ataque das “forças das trevas”, tornando assim esta repressão draconiana num “mal necessário” para protegermos o “nosso modo de vida”.

O paradoxo não se perde em mim, mesmo que isso aconteça naqueles que aceitam tal argumento – o síndroma de nos matarem para nos salvarem – mas por outro lado, pode ser argumentado que nos deixamos ir nesta mentira porque esta foi a única explicação que nos foi apresentada.

Muitos de nós consideram que a explicação – de que temos uma classe dominante criminosa e absolutamente cruel – é demasiado escandalosa para a aceitar. Como será possível que pessoas alegadamente civilizadas e educadas possam fazer tais actos impensáveis? Parece impossível! Nós somos, aliás, os defensores da civilização, orgulhamo-nos da nossa cultura, a nossa educação e compaixão.

Mas a história mostra-nos precisamente isso, milhões de pessoas literalmente exterminadas, culturas inteiras varridas do mapa, tudo para preservar o “modo de vida Ocidental”. Um modo de vida que não é apenas imoral e injusto mas é agora obviamente insustentável, tanto faz o número de lâmpadas que desligue.

E eu argumento que é precisamente a insustentabilidade do “nosso modo de vida” que deu azo à actual situação e é simplesmente inconcebível que aqueles que nos governam alterem as suas políticas voluntariamente. Há muita coisa em jogo independentemente de estarem a transformar o planeta numa merda.

Por isso, a parada tem de ir subindo continuamente se se pretende manter a população no seu lugar, o que explica a série infinita de “ameaças” a que está continuamente sujeito o “nosso modo de vida”, em que cada “ameaça” é construída sobre a anterior.

Reparem, por exemplo, que anteriormente à invasão do Iraque, disseram-nos que assim que o tirano Hussein fosse removido, seria restaurada a paz e a segurança (tal como nos disseram que assim que desaparecesse a “Ameaça Vermelha”, poderíamos dormir descansados), no entanto a ocupação levou ao aparecimento de ameaças ainda maiores, agora é o Irão e sem dúvida a seguir será a Coreia do Norte, depois a China, depois…?

Há, no entanto, uma grande ironia na actual situação pois as elites dominantes criaram uma situação paradoxal onde conseguiram livrar-se da população ao estrangularem o processo político mas agora não têm meios para conseguirem uma legitimação das suas políticas. Por isso, a vontade de criar as estruturas necessárias para o “Der Tag”, isto é, quando se torna necessário governar pela força bruta ou em termos mais rudes “que se f*** a população e faz mas é o que te mandam!”

A nossa “democracia” mostra o que realmente é, uma farsa, um farrapo, boa como máquina automática de venda mas daquelas com o papel da publicidade já meio gasto, do uso. Em princípio, vamos andar nisto durante mais algumas “eleições” mas eventualmente todo o castelo de cartas ruirá, provavelmente não por fazermos alguma coisa por isso, mas porque o resto do mundo o fará por nós. E sem dúvida não o farão para salvar a nossa pele mas para salvar a deles. Na realidade, os Estados Unidos e o Reino Unido têm de invadir ainda muitos países até conseguirem serem mais gananciosos do que já são. Já não estamos em 1870 (ou por aí) quando bastava um par de barquinhos de guerra, uns soldados e umas toneladas de ópio.

 

Traduzido por Alexandre Leite, a partir de um texto de William Bowles publicado a 11 de Abril de 2006 em http://www.williambowles.info/ini/2006/0406/ini-0409.html

publicado por Alexandre Leite às 22:29
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