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Terça-feira, 26 de Agosto de 2008

Richard Labévière despedido da RFI : limpeza étnica na France Monde

A 12 de Agosto de 2008, , escritor e jornalista de reputação internacional, foi despedido da Radio France Internationale, em condições de inaudita brutalidade, que testemunham os novos métodos de gestão sob a presidência de Nicolas Sarkozy e do triunfo neo-conservador da equipa atlantista que gravita na esfera dirigente do pólo audiovisual francês difundido para o estrangeiro sob a batuta de Christine Ockrent, esposa do ministro trânsfuga dos Negócios Estrangeiros francês.


Este despedimento tinha sido antecipado por uma preparação psicológica arranjada pela SDJ (a Sociedade dos Jornalistas) que se chocava, bem antes da convocação do jornalista presumível faltoso, com as condições de realização do objecto de delito: a entrevista ao presidente Bachar al Assad, no prelúdio da sua visita a França.

A razão invocada para este súbito despedimento é efectivamente surrealista: Richard Labévière é acusado de não ter informado a direcção da rádio sobre a entrevista ao presidente sírio Bachar El Assad que ele tinha realizado em Damasco e que foi difundida a 9 de Julho pela TV5 e a 10 de Julho pela RFI, nas vésperas da visita oficial de El Assad e Paris, a convite do presidente Sarkozy.


Richard Labévière não é um vulgar Siné[1]. Ele foi redactor em chefe da RFI – posto do qual foi despedido por ter dado o seu apoio a Alain Ménargues[2], ele próprio obrigado a resignar por “anti-semitismo” a pedido do embaixador de Israel em França, Nissim Zvili. Depois foi responsável pela emissão matinal “Propose ?”, que lhe foi retirada em 2005, a pedido do mesmo embaixador. Não lhe restava mais nada do que a emissão “Géopolitique, le débat [Geopolítica, o debate]”, de 40 minutos, ao sábado. Já não a tem.


Richard Labévière

Richard Labévière


Bernard Kouchner deverá encontrar-se com Bachar El Assad na terça-feira em Damasco. Estamos curiosos de saber como ele explicará o despedimento de Labévière. Invocará ele o último livro publicado pelo jornalista em colaboração com o filósofo Bruno Jeanmart, Bernard-Henri Lévy ou la règle du Je [Bernard-Henri Lévy ou a regra do Eu] [3], um ataque contra o sátrapa mediático BHL, as iniciais pelas quais é conhecido? Ou será que vai explicar ao seu anfitrião sírio que “nós” não aguentávamos mais ouvir Labévière dizer que a capital de Israel é Tel Aviv e não Jerusalém?

E como explicará Kouchner este incrível despedimento à Madame Anne Gazeau-Secret, sua embaixadora em Haia, nos Países Baixos, e que para além disso é esposa de Richard Labévière ?

 

E quando é que os meios de comunicação franceses irão tornar pública a informação sobre o despedimento? No momento em que escrevo, quatro dias depois do despedimento, nenhum deles mencionou o assunto. A única informação publicado no mundo foi disponibilizada em árabe: Assafir e Al Manar em Beirute, Al Quds Al Arabi em Londres e um sítio na internet do Alep na Síria. Esquisito? Você disse esquisito?

Em conclusão, não posso deixar de encorajar os leitores que desejem informações em tempo real sobre os factos e as malfeitorias da França sarkoziana a começaram a aprender árabe. Para os que não seguem as minhas recomendações, aconselho-os a ler
o excelente artigo de Mohamed Balut, correspondente em Paris do jornal diário Assafir, de Beirute. Para os que ignoram esta língua, eis um curto resumo do artigo:


 

« Depois da sua entrevista a El Assad
Despedimento de um jornalista francês simpatizante da causa árabe

O facto de ter falado com o presidente Bachir El Assad pode ter custado ao jornalista francês, para além da, o seu lugar na RFI e na TV5; Os meios de comunicação oficiais franceses não parecem estar ao corrente de que há uma reaproximação franco-síria, ou então tentam ignorá-la. Richard Labévière escreveu dezenas de artigos de apoiando a causa palestiniana e 2 livros no ano passado, um deles com Pierre Péan, “Bethléhem en Palestine” [4]. No seguimento desta publicação, ele encontrou no seu gabinete uma carta que dizia “Nós vamos-te tirar a pele”. A questão que se coloca depois do seu despedimento: será possível criticar Israel nos meios de comunicação franceses? É também preciso lembrar que Labévière afrontou no seu livro “La règle du je [A regra do eu]”, a filosofia judia de BHL, o qual, numa série de artigos na sua revista “Le régle du jeu [A regra do jogo]” criminaliza todas as pessoas que criticam Israel. Alain Ménargues já tinha pago o preço, Pascal Boniface, o conhecido investigador francês, foi isolado por uma violenta campanha da imprensa depois de ter publicado o seu livro com o revelador título “Est-il permis de critiquer Israël ? [É permitido criticar Israel?]”. Será uma coincidência que a mesma equipa constituída por Pierre Ganz, responsável das emissões em francês da RFI, Frank Weil-Rabaud e Nicolas Vespucci, que fizeram campanha contra Ménargues, tenha tomado a iniciativa de fazer campanha contra Labévière. E quem é que manifestou o seu apoio a Richard Labévière ? Unicamente o sindicato CFDT… »


Notas

[1] Desenhador satírico e anarquista despedido do hebdomadário Charlie-Hebdo por "anti-semitismo" pelo seu chefe neocon Philippe Val por ter escrito que Jean Sarkozy, o filho de Nicolas, se preparava para se converter ao judaísmo com vista ao casamento com a herdeira da cadeia de lojas Darty.

[2] Autor de dois livros que as autoridades de Israel e os seus amigos franceses não perdoaram: Les Secrets de la guerre du Liban : Du coup d'état de Béchir Gémayel aux massacres des camps palestiniens [Os Segredos da guerra do Líbano: Do golpe de estado de Béchir Gémayel aos massacres dos campos palestinianos] e Le Mur de Sharon [O Muro de Sharon].

[3] Jogo de palavras baseado na pronúncia semelhante da palavra francesa jeu (jogo) e je (eu) em alusão ao título da revista dirigida por Bernard Henri-Lévy, La règle du jeu, que por sua vez remete para a obra-prima do cineasta Jean Renoir.

[4] O autor enganou-se: o livro é de 1999.


 


 


 

PS : Não posso deixar de vos encorajar a seguir o meu exemplo e assinar a seguinte petição:

Abuso de poder e delitos de opinião: a imprensa francesa mais uma vez amordaçada e o seu pluralismo violentamente atacado no que toca à questão do Próximo e Médio Oriente. O audiovisual francês difundido para o estrangeiro (RFI, TV5, Monde e France24) dirigido pela esposa do Ministro francês dos Negócios Estrangeiros, Christine Okrent, e o publicitário Alain de Pouzilhac, tomam conta das opções editoriais dos três grandes meios de comunicação públicos para lhes impor um pensamento e um discurso únicos, incodicionalmente pró-Israel. O despedimento estival e precipitado de Richard Labévière, Redactor em chefe da RFI e especialista no Próximo e Médio Oriente, por ter entrevistado o presidente sírio Bachar el Assad, inscreve-se na lógica de novos atentados ao pluralismo jornalístico, à liberdade de expressão, e aos Direitos do Homem em França; o país dos princípios e da filosofia das Luzes. Não deixemos que a arbitrariedade e o diktat ideológicos se instalem na França.
Assinar a petição

 

 

Texto de Fausto Giudice, publicado no seu blogue Basta!,  a 16 de Agosto de 2008. Tradução de Alexandre Leite para a Tlaxcala.

publicado por Alexandre Leite às 12:00
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