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Quarta-feira, 17 de Setembro de 2008

Regresso ao Futuro

Caos e instabilidade: a linha política oficial de Washington

Na operação que o Ocidente levou a cabo em solo georgiano contra a Rússia – os ossetas do sul foram vítimas ou reféns dela – nós podemos assistir a um ensaio para um ataque ao Irão. Há uma grande quantidade de “novos aspectos” que estão actualmente a serem afinados no teatro das operações militares.

“…A probabilidade de uma Guerra contra o Irão está a crescer a cada dia que passa, “Como resultado, a situação na região ficará desestabilizada …provocando caos e instabilidade", passou a ser a linha política oficial de Washington. — ‘Analista russo assinala ligação entre o ataque à Geórgia e o ataque ao Irão.

Toda a conversa das grandes potências ocidentais sobre um regresso aos dias da Guerra Fria deve seguramente servir de alarme a nós todos para aquilo que é na realidade a expressão máxima de um ressurgente e, posso acrescentar, desesperado, imperialismo. A recriação do seu inimigo histórico durante grande parte do século XX, a Rússia, mas a Rússia é aqui o objecto de desejo? Não me parece, pelo menos não directamente. A Geórgia é outra peça do xadrez, a questão é, querem os russos jogar, e se querem, com as regras de quem?

A Guerra foi durante grande parte dos últimos cinco séculos a “solução” apresentada para as contrariedades do capitalismo, de facto, guerras de agressão por recursos e competidores são a norma para as grandes potências do Ocidente. Mas durante um breve período, menos de 50 anos no seguimento do final da Segunda Guerra Mundial, a existência de uma União Soviética nuclearmente armada refreou a inevitável deriva em direcção a uma grande conflagração por mercados e pela imperativa acumulação de capital, sem a qual o capitalismo se escangalha.

Por isso, com a antiga União Soviética fora do caminho, todos os sinais apontavam para um século XXI dominado pela potência imperialista preponderante, os EUA; ao fim e ao cabo, onde está a oposição?

Mas a realidade alterou os planos até da nação mais poderosa do planeta. Lembro-me (mais uma vez) de um grande artigo que apareceu no jornal Economist depois da dissolução da União Soviética em 1991, que espantosamente lamentava a morte da União Soviética, argumentando com vigor que sem um inimigo para conduzir as economias do Ocidente, as coisas podiam passar de mal a pior, e como tinham eles razão, apesar da invenção da ‘guerra ao terrorismo’ como um fraco substituto da guerra ao comunismo (apesar de um ‘inimigo’ que é essencialmente invisível ser vantajoso em relação a um que possa dar luta).

É óbvio que a provocação georgiana instigada pelos EUA, faz parte de um esquema de desestabilização mais amplo e ainda mais ameaçador, mas o assunto aqui é mais complexo do que ‘grandes esquemas de dominação do mundo’ pois eu entendo que o mundo real das economias capitalistas que estão a colapsar ditam agora os acontecimentos (o que torna a situação ainda mais perigosa para todos nós).

Em primeiro lugar, a Rússia está no caminho dos EUA em direcção a leste, e é aí que a Geórgia desempenha um papel vital, daí a necessidade da entrada da Geórgia na NATO. No entanto, tal como com muitos dos anteriores ‘aliados’ dos EUA, Saakashvili demonstrou ser muito pouco fiável (se não mesmo mentalmente desequilibrado), e como parece mais de que provável, os EUA ‘aconselharam-no’ a invadir a Ossétia, e isso mostrou ser mais um erro estratégico, ou será que os EUA pensaram que os russos iam fazer de conta e fingir de mortos?

Mikhail Saakashvili

Mikhail Saakashvili em Tbilisi. Agosto 2008. Foto: AP Photo/Irakli Gedenidze, Pool

De qualquer modo, nestas circunstâncias a carta da ‘Guerra Fria’ era tudo o que restava ao Ocidente, só que fazer “bluff” é muito bom quando se está a jogar póquer mas não quando o jogo é o xadrez.

Mas os ‘aliados’ ocidentais estão um pouco amarrados, especialmente os membros da UE que estão divididos sobre que acção tomar, se alguma, especialmente a França e a Alemanha cujos laços económicos à Rússia estão em risco. O Reino Unido, presumivelmente, tem estado a fazer soar os tambores da guerra, com a pretensão da defesa das ‘novas democracias’,

Houve uma forte presença daquilo que Miliband [Secretário de Estado Britânico dos Negócios Estrangeiros] faz melhor: pregar a democracia às novas democracias – que estão mais do que convertidas a esse princípio – enquanto pede pouco em troca pelo seu elogio, que seria estranho que eles não dessem.” — ‘David Miliband usa finalmente as palavras certas no tom certo’, The Times, 27 de Agosto de 2008.

E noutro artigo do Times, podemos ler,

David Miliband, o Secretário dos Negócios Estrangeiros, também viajou para a Ucrânia para conseguir a “mais ampla coligação contra a agressão russa”” — ‘Aumenta a tensão de Guerra Fria com Putin a falr de confrontação no Mar Negro’, The Times, 28 de Agosto de 2008.

Mas presentemente, excluindo a ida para o Guerra, o que podem realmente fazer os EUA e os seus aliados? A situação é talvez revelada pela seguinte citação,

Um antigo embaixador britânico em Tbilisi disse que a NATO pode ter de enviar tropas para a região. Donald McLaren, que foi embaixador na Geórgia de 2004 até Julho do ano passado e está agora aposentado, disse ao programa ‘Today’ da BBC Rádio 4: “Eu penso que não devemos ser muito complacentes nem ficar muito assustados numa situação como esta.”

Ele sugeriu que se formasse uma força de manutenção de paz com tropas dos EUA, da Grã-Bretanha, da França, da Alemanha e da Rússia e que fosse enviada para a Geórgia para substituir as unidades russas. Se Moscovo rejeitar essa proposta, disse ele, a NATO só tem duas hipóteses: “Desistir e render-se e dizer aos russos: ‘é o vosso quintal, ganharam’, ou então colocar homens no terreno para proteger a soberania da Geórgia e dos oleodutos leste-oeste do Cáspio e da Ásia Central” [ibid]

O problema para o Ocidente é que não tem mandato para enviar tropas, se excluirmos uma invasão ilegal há pouco que possa fazer,

Fontes diplomáticas da NATO dizem que ninguém dentro da aliança estava a falar sobre o envio de tropas. “Nós não temos nenhum mandato para actuar no Cáucaso” [ibid]


 

Um mini 11 de Setembro numa terra distante?

Também não há dúvidas de que a retórica inflamada vinda de Washington está directamente ligada às eleições presidenciais de Novembro e que melhor forma de puxar pela vitória de McCain do que invocar a 'ameaça russa', dada a quase total ignorância que o público norte-americano tem sobre o que realmente aconteceu a 7 de Agosto e após. E esta alegação é corroborada pelas declarações do primeiro-ministro Putin.

O Sr. Putin disse à CNN que cidadãos norte-americanos estavam “na área” durante o conflito com a Ossétia do Sul e “recebiam ordens directas dos seus líderes”.

Ele disse que oficiais da defesa lhe tinham dito que a provocação era para beneficiar um dos candidatos à presidência dos EUA.

/…/

Há suspeitas de que alguém nos Estados Unidos criou especialmente este conflito com o objectivo de tornar mais tensa a situação e criar uma vantagem competitiva para um dos candidatos que lutam pelo lugar de presidente dos EUA.” — ‘Putin acusa EUA de terem um papel na Geórgia’, sítio da BBC, 28 de Agosto de 2008

E as alegações de Putin não são descabidas. Alguns dias antes da Geórgia atacar a Ossétia do Sul, elementos do Partido Republicano estiveram na Geórgia.

E o que se passou foi que uma equipa do gabinete vice-presidencial, oficiais de segurança dos EUA, entre outros, estiveram na Geórgia alguns dias antes da guerra ter começado.” — ‘Porque é que o homem de Cheney esteve na Geórgia antes da guerra’ Por James Gerstenzang.

E dado que as forces armadas georgianas foram armadas pelos EUA e por Israel, tirar tais conclusões não é surpreendente.

Mas obviamente que uma provocação aos russos para que eles agissem militarmente não era inesperada, até mesmo o resultado desejado, já que forneceu aos EUA e seus capangas uma arma perfeita de propaganda, promovida de forma específica desde o início da guerra culpando a agressão russa, e não a georgiana. A Geórgia tem sido apresentada como o ‘David’ sendo convenientemente ignorado o facto de ser um estado directamente (e abertamente) filial dos EUA/Israel.

Como eu disse já algures, desde o momento em que a Geórgia lançou o seu blitzkreig sobre a capital, os estados e os meios de comunicação ocidentais relativizaram e ignoraram o ataque georgiano e focaram a 'agressão' russa, ideia que mantiveram até hoje.

Há também o documento do cessar-fogo elaborado pelo francês Sarkozy, que quando os americanos o leram objectaram veementemente alguns dos pontos contidos, especialmente o assunto da retirada das tropas russas.

O porta-voz do representante do Departamento de Estado dos EUA, Robert Wood, disse que os russos ‘indubitavelmente falharam nas suas obrigações do acordo de cessar-fogo.’

Uma preocupação imediata expressa por todas as partes envolvidas nas zonas-tampão fora das duas províncias separatistas georgianas, a Ossétia do Sul e a Abecásia. A Rússia insiste que tem o direito a criar essas zonas perante o acordo de cessar-fogo, mas Wood afirmou, ‘O estabelecimento de postos de controlo e zonas-tampão não fazem definitivamente parte do acordo.’

Wood está obviamente errado. O ponto 5 do acordo de cessar-fogo assinado diz:

As forças russas devem regressar às posições que ocupavam antes do início das hostilidades. Na falta de um mecanismo internacional de monitorização da paz, os soldados russos de manutenção da paz tomarão medidas adicionais de segurança.” — Ver também ‘A Misteriosa ‘Carta Sarkozy’’ para uma análise completa dos acontecimentos que levaram ao cessar-fogo e ao que se seguiu à sua assinatura e implementação a 17 de Agosto.

O diabo, que preocupava os EUA, reside na frase "Os soldados russos de manutenção da paz tomarão medidas adicionais de segurança", o que pode significar o que se quiserem que signifique e nestas circunstâncias, com os EUA a prometerem rearmar a Geórgia, os russos seriam tolos se não tomassem as "medidas adicionais de segurança" que acharem necessárias. E de qualquer modo, que direito têm os EUA ou a UE de ditar como devem os russos responder a um ataque, sem provocação prévia, aos seus próprios cidadãos?
Wood, a propósito, é um dos oficiais do Departamento de Estado que esteve na Geórgia alguns dias apenas antes da Geórgia invadir.
Mas foi talvez o Ponto Seis do Acordo de Cessar-Fogo que o Ocidente mais tentou destruir:

 

Lançamento de discussão internacional sobre acordos de segurança e estabilidade para a Abecásia e Ossétia do Sul.'

 

Em vez disso, o Ocidente, liderado pelos EUA e Reino Unido inflamaram a situação enviando uma armada para o Mar Negro, prometendo rearmar a Geórgia, rompendo todo o diálogo significativo com a Rússia, e re-inventando a Guerra Fria. E ao fazer isso, empurrou a Rússia para um canto recusando legitimar os seus direitos.


Texto de William Bowles publicado a 28 de Agosto de 2008 em Creative-I. Tradução de Alexandre Leite para a Tlaxcala.

publicado por Alexandre Leite às 19:00
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