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Sábado, 11 de Outubro de 2008

12 de Outubro: nada para celebrar!

Os que estão no poder necessitam e promovem uma base ideológica para que a classe trabalhadora se sinta identificado com o seu projecto político, e conseguir assim um apoio popular para pôr em prática políticas anti-sociais e de corte de direitos, as quais servem para se perpetuarem no poder. Um pilar fundamental dessa sustentação ideológica é o espanholismo, que consiste num nacionalismo reaccionário que afirma e exalta a ideia de Espanha como nação superior, negando aos povos, tanto dentro como fora do Estado espanhol, a sua identidade cultural e a luta pela sua soberania e autodeterminação. Assim, tenta-se anular a consciência de classe dos trabalhadores e promover valores não solidários entre os povos. Por isso no dia 12 de Outubro não temos nada para celebrar.

A celebração do 12 de Outubro foi criada por ideólogos do franquismo sob o nome de “Dia da Raça” para relembrar a época da sua tão saudosa Espanha imperial. Apesar de já não vivermos na ditadura continua-se a celebrar a mesma data, se bem que foi maquilhado o nome e alterado para “Dia da Hispanidade”. Mas no essencial o que acontecia naquela época é o que continua a acontecer em 2008: vemos como continua a atitude dominadora perante o continente latino-americano; vemos como continua a exaltação do militarismo com os desfiles do Exército espanhol sob a supervisão do Rei nomeado por Franco; vemos como se sucedem as agressões ultra-direitistas com o amparo da indiferença cúmplice das autoridades; vemos como os políticos e os meios de comunicação continuam atiçando a população para que se sintam “muito espanhóis” no quadro das competições desportivas internacionais, e se esqueçam assim da sua realidade quotidiana na qual a crise económica cada vez mais impõe mais dificuldades para chegar com tranquilidade ao fim do mês. Assim aconteceu no Campeonato Europeu de Futebol ou nas Olimpíadas, e assim aconteceu também este ano na campanha institucional em Móstoles a propósito do 2 de Maio, infestando as ruas com bandeiras de Espanha, se bem que colectivos sociais tenham denunciado que essa “exaltação patriótica” escondia a galopante política de especulação urbanística nesta localidade.

Os ideólogos do espanholismo, a reacção e a burguesia pretendem fazer de Madrid, como capital do estado, o eixo da sua política reaccionária, por isso aqui se torna tão necessária a resposta dos sectores mais consciencializados da sociedade.

Apesar dos meios de propaganda nos tentarem fazer crer que celebramos o descobrimento de um novo continente, o certo é que a data de 12 de Outubro comemora o início do vergonhoso espólio dos recursos naturais da América Latina durante mais de 500 anos, assim como o extermínio e a escravização de povos indígenas inteiros. Portanto o 12 de Outubro só pode ser celebrado por aqueles que beneficiam do massacre e roubo de recursos na América Latina, que continua na actualidade através do domínio económico que ainda exercem na zona as multinacionais espanholas. O BBVA e o Banco Santander têm as maiores franquias bancárias da região; a Repsol possui a YPF, a maior petrolífera argentina; a Telefónica controla os principais grupos telefónicos do Brasil, Venezuela, Chile e Peru; ao passo que a Endesa é o operador eléctrico privado mais relevante do conjunto da América Latina. Desde Rio Grande, no México, até à Terra do Fogo, na Argentina, encontram-se empresas com ADN espanhol. Felizmente, dia a dia é fortalecida a luta popular dos distintos povos da América Latina que permitem olhar para o continente com um ar de esperança na sua contribuição para um mundo mais justo.

Para além disso, o colonialismo continua presente com a participação militar na OTAN ou apoiando os massacres imperialista no Iraque, Afeganistão ou Palestina, enquanto se atraiçoam as legítimas aspirações do povo sarauí.

A soga exploradora que aperta o pescoço dos povos do sul leva a que tantas pessoas se vejam diariamente obrigadas a abandonar os seus respectivos locais de origem, e como se isso fosse pouco, ao chegar aos países do norte, centenas de imigrantes vêem-se encurralados pela repressão da polícia, pelos centros de detenção, pelas expulsões que se estimulam através da nova e infame “Directiva de Retorno” ou pelo racismo avivado pelos meios de comunicação e pelas leis de estrangeiros. E se ainda fosse pouco, o machismo que rodeia os valores “patrióticos” do 12 de Outubro traduzem-se em redes de cuidados onde as mulheres imigrantes vêm para o Estado espanhol para cuidar dos nossos filhos e idosos em condições totalmente precárias.

Esse imperialismo espanhol culpado de tanto genocídio também tem expressão interna e também golpeia os sectores lutadores do estado espanhol. O quadro político vigente na actualidade, surgido de um vergonhoso pacto de silêncio na chamada transição e que não supôs nenhuma ruptura com o passado franquista, continua a praticar os mesmos métodos utilizados durante séculos pelo imperialismo espanholista sob um disfarce de aparente democracia.

Um exemplo evidente é a imposição de facto de um autêntico estado de excepção em Euskal Herria. Amparada pela “cruzada anti-terrorista”, uma feroz campanha política, judicial e mediática tenta fazer parecer normal o uso continuado da tortura, as ilegalizações de organizações políticas, a celebração de mega-julgamentos sem garantias processuais, o encerramento de jornais, a proibição de manifestações, o acosso e prisão dos que propõem uma solução mediante o diálogo e a negociação... Uma política de vencedores e vencidos que esconde uma vulneração sistemática dos mais elementares direitos das pessoas.

O recrudescimento da repressão é patente também noutros lugares do Estado espanhol: petições de prisão contra activistas libertários, julgamentos e perseguição dos que queimam bandeiras espanholas e fotos nos Països Catalans; dos que fazem bonecos monárquico ou lutas sociais na Galiza; apreensão de bandeiras republicanas, ... etc. Aqui em Madrid, a raiz do assassinato de Carlos Palomino, temos observado uma alarmante escalada repressiva com proibições de manifestações, cargas policiais, detenções de activistas, pedidos de ilegalização contra colectivos antifascistas e anticapitalistas... Para além disso, a terrível mas valente greve de fome do preso anarquista Amadeu Casellas, assim como os ataques incendiários contra centros sociais em Madrid e Guadalajara, são uma prova mais de que a coacção e as ameaças formam parte do controlo social quotidiano.

Ante o 12 de Outubro militarista e não solidário, propomos a convivência entre as culturas, entre os povos, entre as pessoas. Acreditamos na auto-organização nos bairros, nos centros laborais e de estudo, para lutar pela defesa dos nossos direitos mais elementares como a educação, a saúde e o trabalho em condições dignas. Acreditamos que a autogestão económica e o apoio mútuo são formas de tomar livremente as rédeas dos nossos destinos. Reivindicamos o direito a discrepar, a protestar e a rebelarmo-nos contra as supostas verdades marteladas sistematicamente na televisão mas que muito têm a ver com os interesses dos grandes empresários e pouco com a realidade da classe trabalhadora, seja nativa ou estrangeira.

Ante a celebração de um 12 de Outubro dos de cima à direita, propomos um 12 de Outubro dos que estão abaixo à esquerda, construindo diariamente a dignidade e a mudança social.
 

12 de Outubro: Nada para celebrar! O massacre continua.

Pela autodeterminação e pela convivência entre os povos.



Convocam:
Asociación Cultural Castilla Comunera;
Colectivo de Ciudad Lineal por la III República;
Colectivo La Plataforma;
CSOA La Fábrika; CSOA La Traba; CSOA 1924;
Plataforma por la Paz, los Derechos, el Diálogo
y la Negociación; UJC-M;
Vallekas Barrio Rebelde; Yesca; 13 Rosas.
Apoia:
Coordinadora Antifascista de Madrid
 

12 de Outubro, manifestação em Madrid

 

Texto publicado em Madrid Antirracista a 24 de Setembro de 2008. Traduzido por Alexandre  Leite para a InfoAlternativa.

publicado por Alexandre Leite às 12:00
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