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Sexta-feira, 8 de Dezembro de 2006

Enterrar-se profundamente e depois mentir sobre isso

Enquanto caminhava pela bela cidade de Guimarães, reparei naquilo que me pareceu ser a sede local do Partido Comunista Português, encaixada no coração da parte antiga da cidade, por onde passam todos os turistas.

Será que enquanto vão dando uso às suas máquinas fotográficas digitais, este símbolo lhes diz alguma coisa? Será mesmo que esta imagem, de uma época aparentemente distante, tem lugar nos seus álbuns fotográficos? Desconfio que não. Muitos nem saberão aquilo que representa ou que em 25 de Abril de 1974 a “Revolução dos Cravos” varreu a odiada ditadura salazarista, um acontecimento que iniciou a sua marcha a milhares de quilómetros, nas colónias portuguesas de Angola e Moçambique com os movimentos de libertação a combaterem os militares Portugueses.

Guimarães já foi um centro da indústria têxtil Portuguesa mas, como muitas outras áreas industriais da Europa, viu a produção ser deslocada para fábricas na Ásia ou na América Latina. Assim, com o generoso dinheiro da UE, o local foi transformado em mais um sítio do “património”. O bairro onde encontrei este símbolo de um presumido tempo passado, cheio com os seus habitantes, está repleto de turistas que frequentam as muitas lojas caras de moda que se podem encontrar nas ruas apertadas, vielas e atraentes praças.

Por razões óbvias, que não me parece necessário estar agora a explicar, o “poder instalado” considera que o socialismo está morto, a não ser para locais como a Venezuela. Por isso temos de nos perguntar, se realmente morreu, porque é que a imprensa capitalista tem feito um trabalho tão incisivo e mal-dizente da Venezuela de Chavez? Será que não está morto mas apenas a dormir?

Se o socialismo morreu, porquê o medo e o desdém? O que é que está a por o cabelo dos capitalistas em pé? Pois, apesar da retórica de Chavez, a Venezuela está muito distante de ser um estado socialista, qualquer que seja o seu “tipo” de socialismo. A Revolução Bolivariana ainda tem um grande percurso a fazer e o caminho é tortuoso e com muitos e perigosos obstáculos.

A campanha de ódio e mal dizer contra Chavez, que está actualmente a ser levada a cabo pelos meios de comunicação Ocidental é, talvez de forma irónica, um regresso aos dias da Guerra Fria, com todos aqueles “clichés” sobre a ditadura e um Chavez “desmiolado”. Será que o projecto da Venezuela dá sinais de vida e até morde alguns? Se sim, quem é que anda a morder, exactamente? De certeza que não é a massa da população do Reino Unido e EUA.

Os paralelos com 1974/75 estão presentes em mim, mesmo que não o estejam nos turistas, pois a campanha centrada no Chavez revela que apesar de tudo o que aconteceu nas últimas décadas, para a maioria do planeta, as coisas ainda ficaram piores do que estavam.

E, tal como os acontecimentos na longínqua Angola e em Moçambique precipitaram uma revolução (ou algo do género) em Portugal, também os acontecimentos na longínqua Venezuela parecem estar a ter reflexos no Reino Unido e EUA e pelas mesmas razões.

 

A “Revolução Bolivariana” é perigosa pelo exemplo que dá ao resto dos pobres do planeta e a campanha de propaganda mostra que o Ocidente tem medo que a sua própria população pudesse, se deixada à sua vontade, simpatizar com o povo e as aspirações da Venezuela.

OK, o pano de fundo parece ser, pelo menos à primeira vista, o petróleo de que o Ocidente tanto necessita, mas não há nada que os impeça de o comprar a um preço consideravelmente mais baixo que os actuais 70 dólares por barril (Chavez considera que 50 dólares é um preço razoável).

Não, o verdadeiro problema não é o petróleo mas sim o povo da Venezuela, Bolívia e Peru que estão a dizer “Basta! Nós queremos comandar o nosso próprio destino e não ser dirigidos por caciques de Washington DC e Londres”.

Tal como Salazar se enterrou em Angola e Moçambique e depois mentiu com quantos dentes tinha e no final acabou por pagar pelas suas mentiras, também os governantes dos EUA e Reino Unido estão mortos de medo que acontecimentos na Venezuela tenham repercussões semelhantes nos seus países. Daí a necessidade em mentir sobre Chavez, tal como Salazar mentiu sobre Amílcar Cabral aos portugueses.

A verdadeira luta não se alterou nada, por isso talvez seja mesmo ajustado o encontrar a Foice e o Martelo na antiga e pitoresca Guimarães.

Traduzido por Alexandre Leite, a partir de um texto de William Bowles publicado a 24 de Maio de 2006 em http://williambowles.info/ini/2006/0506/ini-0416.html

publicado por Alexandre Leite às 22:40
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