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Segunda-feira, 5 de Janeiro de 2009

Sem sítio para fugir, nem onde se esconder

Menina ferida em Gaza

Menina ferida é transportada para o hospital depois do ataque de Israel a Gaza Fotografia: Majed Hamdan/AP

 

Foi escrita muita coisa sobre o ataque de Israel à Faixa de Gaza e por pessoas com um maior entendimento da realidade do que eu. Apesar disso, eu sinto-me impelido a escrever não apenas sobre a nossa indiferença colectiva perante a chacina indiscriminada levada a cabo em nome do 'povo eleito' mas também sobre a ‘cobertura’ mediática que foi totalmente escandalosa e especialmente a da BBC.

Eis uma parte do último 'relato' da BBC sobre o massacre desenfreado na prisão que é a Faixa de Gaza,

Os raides aéreos israelitas golpearam a Faixa de Gaza pelo terceiro dia, atingindo pontos-chave ligados ao grupo militante Hamas.
O Ministério do Interior de Gaza e a Universidade Islâmica foram os últimos alvos.
“O Hamas diz que morreram 312 palestinianos desde sábado, dos quais a ONU diz que 57 eram civis. Em Israel, uma segunda pessoa foi morta por um rocket militante.
O Ministro da Defesa, Ehud Barak, disse que Israel não estava a combater contra as pessoas de Gaza mas estava "numa guerra até ao fim" com o Hamas, que tem dominado Gaza desde 2007.”‘Israel atinge gabinetes-chave do Hamas’, Sítio da BBC, 29 de Dezembro de 2008.

Vale a pena deslindar estas perfídias 'notícias', começando pela frase de abertura. Como a BBC muito bem sabe, a Faixa de Gaza é a área mais densamente povoada do planeta, por isso, só “atingir pontos-chave ligados ao Hamas’ é de todo impossível, mas como o Hamas é o governo democraticamente eleito da (do que resta da) Palestina, todo e qualquer edifício público é em si mesmo um “ponto-chave’, como demonstra a destruição da Universidade Islâmica.

Mas reparem que a BBC também se refere ao governo democraticamente eleito como um que “tem dominado Gaza desde 2007”.

Mais à frente podemos ler no artigo,

Analistas disseram que este sábado foi o dia mais mortífero em Gaza desde a ocupação do território por parte de Israel em 1967, apesar de não haver uma confirmação independente do número de mortos.”

Como é que a BBC encaixa isto com o dito no início da peça é um mistério “O Hamas diz que morreram 312 palestinianos desde sábado, dos quais a ONU diz que 57 eram civis.”

Não confiando sequer numa palavra destas aldrabices da BBC, fui procurar a fonte e na realidade o que o relatório da ONU diz é,

Pelo menos 57 dos 313 palestinianos mortos pela ofensiva israelita conta a Faixa de Gaza eram civis, disse na segunda-feira a Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados (UNRWA). O porta-voz Christopher Gunness disse que essa cifra era uma contagem conservadora e com probabilidade de aumentar. Baseia-se em informações reunidas em visitas a hospitais e centros médicos na Faixa de Gaza, disse ele.” — ‘The Earth Times’. [ênfase minha. Ed]

Assim sendo, a BBC sente-se compelida não apenas reduzir os números mas a fazer concluir que a maioria não eram civis, mesmo que admita que não tem nenhuma confirmação independente, só que o estrago já está feito.

Isto é do “Jewish Voice for Peace [Voz Judia para a Paz]” que eu recebi hoje (29 de Dezembro de 2008),

Os aviões F-16 fornecidos pelos EUA e os helicópteros Apache dispararam mísseis e largaram cerca de 100 toneladas de bombas em dezenas de locais na Faixa de Gaza ocupada por Israel. Mas de 300 pessoas morreram e pelos menos 1400 ficaram feridas. Muitos, se não a maioria, são civis. Alimentos e medicamentos já estão a faltar em Gaza e todas as instalações médicas ficaram completamente entupidas por este ataque. O acesso a Gaza foi cortado por Israel.” — ’Tragédia de Partir o Coração’, 29 de Dezembro de 2008

O artigo da BBC prossegue,

Desde 1967, o exército de Israel ocupou a Faixa de Gaza e colonos judeus construíram comunidades dentro desse território. Israel retirou em 2005 mas manteve um controlo apertado sobre o acesso a Gaza e o seu espaço aéreo.”

Reparem na expressão “controlo apertado sobre o acesso”, só que a realidade é a de um completo encerramento da Faixa de Gaza, incluindo um bloqueio a todos os bens essenciais como conmbustível, alimentação, medicação, e a negação de tratamento médico de palestinianos fora da Faixa de Gaza.

E a BBC compõe ainda melhor as suas mentiras sobre a realidade no terreno quando (mais uma vez) descreve os colonatos ilegais apenas como “comunidades”, quando sabe muito bem que toda e qualquer “comunidade” (não colonato) está em contravenção das resoluções da ONU. Não admira que um público alimentado com uma dieta de jornalismo 'objectivo' como o que é servido pela BBC considere equivalentes os F-16 e as bombas ‘rebenta abrigos’ e os mísseis de fabrico caseiro (não guiados) que até agora conseguiram matar um israelita.

E claro, nem uma menção no artigo da BBC quanto ao uso das chamadas Bombas Rebenta Abrigos recentemente fornecidas a Israel pelos EUA.

O anúncio do Pentágono, feito na sexta-feira, dizia que os EUA irão fornecer a Israel 1000 Unidades de Bombas Guiadas-39 (GBU-39) – uma arma especialmente desenvolvida para penetrar instalações fortificadas localizadas em solo profundo.
O carregamento no valor de 77 milhões de dólares [perto de 55 milhões de euros], que inclui lançadores e acessórios, irá permitir à Força Aérea Israelita atingir muitos mais abrigos do que os que consegue actualmente. Apesar de cada bomba pesar 113 quilogramas, a sua capacidade de penetração equivale às de uma bomba de 1 tonelada, de acordo com a literatura profissional.” — ‘EUA vendem bombas a Israel para alvos fortificados’, Jornal Ha’aretz, 14 de Setembro de 2008

Nem consigo imaginar o efeito que estas terríveis armas terão em comunidades densamente povoadas onde as habitações são construídas umas em cima das outras, mas a BBC promulga a mentira dos alvos de ‘precisão’ sabendo muito bem que uma bomba largada a 10 mil pés de altitude, independentemente de onde caia, irá matar indiscriminadamente.

O direito a resistir

Os palestinianos são um povo sob ocupação que tem o direito à autodeterminação segundo a Carta das Nações Unidas.
O uso da força como parte da resistência à ocupação no caso palestiniano deriva assim da legitimidade internacional de recorrer à luta armada de forma a obter o direito à autodeterminação.” http://www.informationclearinghouse.info/article21559.htm

Noutro artigo, ‘Israelitas tentam golpe final’, desta vez é de Jeremy Bowen, que a BBC gosta de descrever como o editor para o Médio Oriente, e podemos ler o que até parece ser uma nota de imprensa do governo israelita,

Pretende, de acordo com um responsável, "neutralizar os homens da milícia do Hamas" para que eles deixem de poder disparar contra Israel.
No último dia, ficou mais clara a forma como Israel acredita conseguir isso.
Os ataques aéreos tentaram matar o maior número possível de combatentes do Hamas e destruir as infraestruturas do poder e do governo que o Hamas tem tentado construir desde que tomou conta de Gaza.
A primeira onda de ataques correu muito bem do ponto de vista israelita.”

Mas é claro que não correu bem do ponto de vista do milhar e tal de mortos e feridos, que não são mencionados na peça de propaganda de Bowen feita em nome de Israel.

O artigo de Bowen lisonjeador de Israel continua,

Um membro dos serviços secretos de Israel disse esta manhã que muitos palestinianos em Gaza estão fartos do Hamas”, e sem dúvida revelou isso a um agradecido Bowen.
Israel parece acreditar que pode trabalhar as divisões que já existem entra os palestinianos até que seja possível desligar o Hamas do seu apoio principal, e forçá-los a aceitar os seus termos.
Mas Israel pode não conseguir o que quer. É improvável que o Hamas se renda. Tem uma ideologia de resistência e de martírio.”

Ideologia de resistência e martírio”? Então resistir a um ocupante é agora uma ideologia, de acordo com Bowen, e claro que ele consegue resvalar para a palavra emotiva “martírio”. Questiono-me se Bowen descreveria os que sacrificaram as suas vidas lutando contra o Fascismo durante a Segunda Grande Guerra como mártires ideológicos? Julgo que não.

Mas penso que já perceberam a ideia, o artigo de Bowen tresanda bastante. Os palestinianos são mártires fanáticos, que lutam porque são conduzidos ideologicamente, ao passo que os israelitas são 'como nós', civilizados e a 'defenderem as suas casas' contra animais irracionais, que querem atirá-los ao mar.

É directamente por causa de 'jornalismo' como o de Bowen que não compreendemos a situação dos nossos irmãos e irmãs palestinianos, onde segundo Bowen a resistência ao massacre israelita não vem de um povo orgulhoso a defender o que resta da sua terra natal mas de fanáticos religiosos. De facto, o texto de Bowen menciona apenas muçulmanos e fanáticos, onde quer que estejam. Por isso, no Egipto teríamos a Irmandade Muçulmana e no Líbano esses outros 'fanáticos' do Hezbollah que se opõem a Israel.

O artigo de Bowen conclui,

Os Estados Unidos já estão a dar a sua habitual cobertura diplomática a Israel na ONU,” Bowen aqui não surpreende, de facto ele não se dá ao trabalho de qualificar esta declaração.
/…/
Israel já matou civis, bem como crianças. A pressão internacional para que pare os ataques irá aumentar com o número de mortes.”

Sem dúvida que o Sr. Bowen tem números que nos pode fornecer mas obviamente ainda não chegamos aí, pelo menos no que concerne à BBC. Não vos mete nojo este tipo de 'reportagem', quando as acções bárbaras de um estado agora inevitavelmente fascista, são reduzidas a números?

 

 

Texto de William Bowles publicado a 29 de Dezembro de 2008 em Creative-I.info. Tradução de Alexandre Leite.

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publicado por Alexandre Leite às 19:00
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