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Domingo, 1 de Fevereiro de 2009

Política em Campo: Quando Gaza e o Desporto Colidem

Em Janeiro de 2008, a estrela do futebol egípcio Mohamed Aboutreika, ao festejar um golo, levantou a sua camisola para mostrar o slogan "Simpatia por Gaza". A sua acção pretendia dar atenção ao embargo económico que Israel tinha imposto a Gaza depois da eleição do governo do Hamas.

 Gaza

Mohamed Aboutreika

 

No presente mês, alguns dias antes do cessar-fogo ter interrompido a carnificina em Gaza, a história repetiu-se quando o atacante Fredi Kanoute, do Sevilha, levantou a sua camisola para mostrar uma t-shirt que tinha escrito “Palestina” em várias línguas. Kanoute não é um jogador desconhecido. Em 2007 ele foi nomeado jogador africano do ano, apesar de ter nascido na França (a sua família é do Mali). Depois de ter sido multado em 3000 euros pelo seu gesto político, foi apoiado pelo conhecido treinador do Barcelona, José Guardiola, que disse: «A multa é absolutamente excessiva. Se eles proibissem este tipo de coisas, então os jornalistas não podiam escrever colunas de opinião. […] Qualquer guerra é absurda, e morreram muitas pessoas inocentes para estarmos a passar multas por coisas como esta.» Chegados a 2009, a ofensiva de Israel em Gaza, com cessar-fogo ou não, está a ganhar expressão no mundo do desporto. É um desenvolvimento que deveria dar que pensar aos que apoiam as acções de Israel em Gaza.

 

Kanoute, Palestina

Fredi Kanoute

 

As acções de Kanoute não chegam aos calcanhares do que se passou em Ankara, na Turquia, quando a equipa de basquetebol de Israel, Bnei Hasharon, teve de fugir do campo por causa daquilo que a Associated Press descreveu como "centenas de apoiantes da equipa turca, gritando com os punhos no ar". Antes do jogo ter começado, cânticos enfurecidos de «Assassinos de Israel!» vinham da multidão, e viam-se bandeiras palestinianas nas suas mãos. Depois, numa cena que seria familiar a George Bush, começaram a chover sapatos vindos das bancadas (os sapatos não atingiram nenhum jogador). Começou então uma escaramuça entre os 1500 polícias e os adeptos turcos, quando os adeptos avançaram em direcção ao campo. Tanto a equipa Both Hasharon como a equipa turca Turk Telecom correram para os balneários, onde permaneceram durante duas horas. A Hasharon desistiu do jogo. É revelador que Israel tenha sido enfrentado num campo de basquetebol muito ante de um qualquer tipo de Tribunal Criminal Internacional.

De acordo com os historiadores do desporto, um evento desportivo não era interrompido desta forma – com adeptos a fazerem das bancadas um local de manifestação – desde 25 de Julho de 1981, quando e equipa de râguebi sul-africana Springbok teve de cancelar o jogo na Nova Zelândia quando os adeptos invadiram o campo de jogo para protestar contra o apartheid.

 

Israel tem historicamente dito intransigentemente que as comparações entre o estado de Israel e a África do Sul são absolutamente falsas e até anti-semitas. Jimmy Carter obviamente provocou a sua ira quando publicou o seu livro, “Palestina: Paz sim, Apartheid não”.

 

Mas este paralelo, no que toca ao desporto, não deve ser considerado levianamente. Uma das ferramentas mais eficazes contra o apartheid da África do Sul foi o Comité Olímpico Não Racial da África do Sul, que tentou usar o desporto como uma forma de sublinhar e divulgar as iniquidades do governo sul-africano. O desporto podo trazer um foco político e uma chamada de atenção indesejada para uma sociedade como poucos outras forças da comunidade internacional, galvanizando, chamando a atenção, apaixonando, e como vimos na Turquia, revoltando.

 

Israel não se tem ajudado neste ponto fazendo do desporto um alvo da guerra. A 9 de Janeiro, as Forças de Defesa de Israel bombardearam o Estado Nacional Palestiniano em Gaza. O estádio era também a sede da Associação Palestiniana de Futebol. A infraestrutura foi construída em 2005 em parte com fundos da Fifa. As instalações terão agora de ser novamente reconstruídas (em 2006 também foram bombardeadas). Pretendia-se que fosse um símbolo do estado palestiniano, algo que unisse a Cisjordânia e a Faixa de Gaza como uma expressão de unidade. Agora são escombros.

 

Para além disso, talvez temendo uma repetição do que se passou em Ankara, a Federação de Futebol de Israel está a evitar que os jogos dos clubes sejam jogados em cidades palestinianas. Como me disse Jimmy Johnson, que trabalha em Jerusalém para o Comité Israelense Contra a Demolição de Casas: «Não são clubes palestinianos da Cisjordânia, de Jerusalém Leste ou de Gaza, mas de cidadãos palestinianos de Israel, por vezes chamados árabes israelenses, que são quase 20% da população, que votam nas eleições israelenses, etc.»

 

Isto teve pouco eco na imprensa dos EUA, mas num Médio Oriente louco por futebol, isto é uma mistura de desgraça com insulto. O desporto, dizem-nos repetidamente, representa um local sagradamente apolítico, um local de escape às dores de cabeça do mundo real, foi agora empurrado para o coração de um rude conflito com a política de uma forma que não se via há muito tempo. Protestos contra as acções israelenses em Gaza irão seguramente continuar em acontecimentos desportivos por esse mundo fora dos EUA. Mas as ramificações poderão facilmente ser sentidas dentro das nossas fronteiras, quando os líderes políticos vierem à Casa Branca e contarem à nova administração histórias de adeptos desportivos furiosos.

 

 

Texto de David Zirin publicado a 25 de Janeiro de 2009 na Znet. Tradução de Alexandre Leite para a InfoAlternativa.

publicado por Alexandre Leite às 12:00
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