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Quarta-feira, 18 de Novembro de 2009

Não esqueçamos?

Há algo de irónico – se não mesmo de profundamente obsceno – no facto de no Reino Unido a papoila ser usada como símbolo de recordação de todos os que morreram nas suas incontáveis guerras imperiais, um símbolo que está a ser usado para lançar à última 'aventura', o Afeganistão, terra da papoila do ópio.

 

Lest we Forget  -  Não esqueçamos

"Não esqueçamos"

 

O uso da flor da papoila como símbolo dessa recordação vem do facto da papoila crescer em abundância no matadouro chamado Flandres, durante a Segunda Guerra Mundial, devido aparentemente ao facto das bombas de artilharia exporem ao sol as sementes mais enterradas.

Não esqueçamos’ aparentemente lê-se agora ‘Esquecemo-nos’ com os ‘nossos rapazes’ a arriscarem-se pelo Império contra um inimigo que eles nunca conseguirão derrotar. Mas o que é doentio nesta guerra imperial em particular é que ela não é para ganhar. Em parte trata-se de fazer uma guerra pelas mentes do público britânico, daí o ostentar da papoila, desta vez em nome da ‘Guerra ao Terrorismo’, que é empurrada pela nossa garganta abaixo de cada vez que ligamos a televisão e onde qualquer apresentador ostenta o crachá da papoila. E claro, também se trata de estar lá, em mais uma base avançada para lançar ataques militares a mais ‘inimigos’, bases pensadas principalmente para ataques militares contra a China e a Rússia. E francamente, nem é uma guerra do Reino Unido, é completamente fabricada nos EUA, para verem quanto se afundou o Império Britânico, atirador (ineficaz) do Império.

 

De acordo…com um relatório oficial da ONU, a produção de ópio no Afeganistão cresceu dramaticamente desde a queda dos talibãs em 2001. Os dados da UNODC revelam mais cultivo de papoila em cada uma das últimas quatro temporadas de cultivo (2004-2007), do que em qualquer outro ano durante o domínio talibã. São agora usados mais terrenos para a produção de ópio no Afeganistão do que para a produção de coca na América Latina. Em 2007, 93% dos opiáceos no mercado mundial tinham origem no Afeganistão. Isso não é por acaso.” — ‘America’s Phoney War in Afghanistan’ Por F. William Engdahl

 

As técnicas de propaganda usadas actualmente, que ligam os Desembarques do Dia D (comemorando o seu 60º aniversário) à actual matança no Afeganistão, não são novas. Foram desenvolvidas durante a última metade do século XIX e usadas com grande efeito sobre os britânicos, nomeadamente a ideologia do racismo utilizada para unir o povo britânico em nome do Império. A excelente trilogia de Eric Hobsbawm sobre o Império Britânico, ‘The Age of Capital’, ‘The Age of Empire’ e ‘Age of Revolution’ entra em algum detalhe no que toca aos espectáculos públicos que, por exemplo, nos venderam a Família Real (que não estava no topo da lista de popularidade no século XIX) como se fosse a nossa, e que costumavam enaltecer um fervor patriótico.

 

É impossível negar que a ideia de superioridade, e domínio, sobre um mundo de peles escuras em sítios remotos era genuinamente popular, e beneficiava portanto a política de imperialismo... No final do século [XIX] as ‘exposições coloniais’, até esse momento virtualmente desconhecidas, multiplicaram-se… Sem dúvida que isto foi publicidade planeada… [e] teve sucesso porque tocou um nervo sensível do público.

/.../

Nas suas grandes Exposições Internacionais a civilização burguesa sempre glorificou os triunfos triplos da ciência, tecnologia e manufacturas. Na era dos impérios também glorificava as suas colónias.

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O sentimento de superioridade que unia portanto os brancos ocidentais ricos, da classe média e pobres funcionava assim, também porque todos eles gozavam os privilégios do dominador, especialmente quando estavam nas colónias. Em Dacar ou Mombaça o mais modesto servente era um mestre, e aceite com um “senhor” pelas pessoas que nem reparariam nele em Paris ou Londres; o trabalhador branco era um comandante dos negros.” — Eric Hobsbawm, ‘The Age of Empire’, pág. 70-71

 

E aparentemente nada mudou no século subsequente. Conduzida pela BBC e pela imprensa corporativa, foi montada uma campanha sofisticada de propaganda, exaltando as virtudes dos ‘nossos rapazes’ que lutam para levar a democracia a esses ingratos afegãos.

 

Demonstra-se a toda a hora como isto está tão profundamente embrenhado na sociedade britânica, através das infindáveis referências a obscuras e distantes guerras imperiais, e obviamente com a ênfase no exemplo não tão distante, a Segunda Guerra Mundial (é praticamente a única “história” que ensinam aos miúdos hoje em dia na escola). Uma guerra, a propósito, que se o Reino Unido e a França tivessem assinado o tratado proposto de mútua protecção franco-anglo-soviético poderia ter sido evitada.[1]

Claro que o Reino Unido já não tem um império, é pouco mais do que um atirador contratado, e um bem fraquinho.

 

Durante cerca de trinta anos o capitalismo britânico tem vivido do petróleo do Mar do Norte e do seu papel fulcral do circuito financeiro global, sustentando-se essencialmente nos juros ganhos sobre investimentos e empréstimos, mas não produzindo nada de valor real. E tendo conseguido instalar um governo ‘atado’ para fazer o que lhe manda o dono e para liberalizar a economia, exibe agora todas as características da época à qual constantemente retorna, a época do Império mas sem um poder militar para o suportar.

 

Da boa vida dos seus mal amanhados lucros (agora todos nas mãos de vários fundos de acções e bancos, etc), o capitalismo britânico passou agora a estar de rastos. Ah como esses generais devem ter saudades dos dias em que as forças armadas da sua majestade imperial faziam o que lhes apetecia, onde queriam, quando queriam e tinham os meios para o fazer. Agora pouco mais são que uma força expedicionária. (Na Segunda Guerra Anglo-Afegã (1878-80), a Grã-Bretanha enviou 40,000 militares. Ah, e eles ‘ganharam’ essa.)

 

O papel desempenhado pela ideologia do racismo na venda de uma ocupação ilegal do Afeganistão não podia ser mais claro, explorando sentimentos de medo e insegurança e de reconquista de uma liderança mundial há muito perdida.

 

As indignações de vários líderes militares sobre a falta de apoio aos ‘nossos rapazes’ é obviamente uma táctica de inspiração estatal, dado que a maioria da nossa população não apoia a presença militar no Afeganistão (56%).

Foi assim que a BBC noticiou a alegada queixa sobre o número de tropas, mas estranhamente com o título “A maioria ainda é contra a guerra afegã’’:

 

Acredita-se que o General Sir David Richards, novo líder do Exército, queira 1,000 tropas extra, de acordo com Michael Codner, director de Ciências Militares no Instituto Royal United Services.

/../

O Sr Codner diz que a Grã-Bretanha precisa de manter a sua influência com os EUA com uma contribuição consistente e fiável de forças militares.

Há um custo financeiro e humano nesta estratégia que a nação tem de pagar ou então aceitar que perdeu o seu presumível estatuto e influência, e pode relaxar e ser um país europeu normal que não leve a sério o poder forte,” escreveu ele num artigo enviado à BBC.”” ‘Most ‘remain against Afghan war’, BBC News, 7 de Outubro de 2009

 

Reparem que, a não ser que o Reino Unido queira perder o seu “presumível estatuto e influência”, o melhor é continuar a sacrificar vidas britânicas. Claro que não há nenhuma menção aos milhares de vidas afegãs sacrificadas para manter o nosso ‘presumível estatuto e influência’.

 

'Poder forte’? Um eufemismo para assassinatos. E é pouco surpreendente que termos tão suaves saiam das bocas destes ‘donos do universo’, tão habituados que estão a se encarregarem de tentar justificar as suas guerras imperiais. E como se liga tão bem à propaganda estatal de “tornar a Grã-Bretanha mais segura”, o último sibilo de Gordon Brown para justificar a matança de afegãos.

 

Papoila Gordon Brown

Gordon Brown ostentando a papoila.

 

E parece claro que nem o ataque propagandístico irá trazer resultados com a oposição à guerra a subir de 53% quando os invadimos em 2001 para os actuais 56%. A BBC parece algo perplexa com esses números, dizendo-nos que,

 

O aumento da oposição à guerra é ligeiro, apesar do crescente número de soldados britânicos mortos nos últimos 12 meses.’

 

Não se lembrarão os propagandistas da BBC que talvez, só talvez, uma guerra infindável e sangrenta simplesmente seja inaceitável para mais de metade da população?

Nota

1. Ver Yuriy RUBTSOV: ‘The Moscow talks in 1939: a missed chance’

Ver também: Obama: Manufacturing A Savior A Case Study In Social Engineering - Fabricating Myths, Mantras, Consent and Dissent, for Imperial Mobilization By Zahir Ebrahim

 

 

Texto de William Bowles publicado a 27 de Outubro de 2009 em Creative-I. Tradução de Alexandre Leite para a Tlaxcala.

publicado por Alexandre Leite às 12:00
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