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Domingo, 16 de Maio de 2010

Roubo organizado contra a Grécia

O “plano de salvamento” adoptado pela União Europeia (UE) e pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) pretende colocar durante três anos a Grécia ao abrigo da especulação dos mercados financeiros e impedir a sua “falência”. Mas o jugo “euro-FMI” impede os debates e medidas democráticas que há que impor na Grécia e em toda a Europa: abertura dos livros de contas (dos estados, dos bancos, das empresas) e balanço do fracasso da UE neoliberal como atesta o recurso ao FMI.

 

Georges Panpandreu aceitou um plano de austeridade sem precedentes : em contrapartida por uma ajuda de 100 mil milhões de euros em três anos, o estado compromete-se a realizar 30 mil milhões de euros de economias. Nos lucros e mercados financeiros nem se toca, enquanto os serviços públicos e os assalariados devem pagar os estragos!

Grécia e o défice

A Grécia e o défice, cartoon de Petar Pismestrovic, Kleine Zeitung, Áustria

 


Do lado da despesa: trata-se de lançar uma nova ofensiva contra os serviços públicos de educação e de saúde diminuindo um pouco os gastos militares muito acima da média da UE- mas estamos seguros de que a França, segundo fornecedor de armamento à Grécia, verá os seus pedidos protegidos. Está prevista una contra-reforma das reformas, pior que a que nos ameaça em França. Os salários dos funcionários serão baixados e depois congelados; e no sector privado, os despedimentos são facilitados, ao mesmo tempo que se introduz um salário mínimo para os jovens e os desempregados de longa duração que encontrem um emprego – o que multiplicará os “assalariados pobres”….

 

Do lado das receitas: as privatizações dos transportes e da energia agravam uma Europa anti-social e desastrosa para o meio ambiente. No plano fiscal, nem se tocam nos benefícios ou nas exonerações de que desfruta a Igreja ortodoxa; mas o imposto mais injusto -o IVA- será aumentado.

 

O recurso ao FMI e a financiamentos bilaterais pelos estados membros tenta salvaguardar a arquitectura neoliberal da UE: ausência de fiscalidade europeia (o orçamento europeu tem o tecto de 1% do PIB), prioridade ao financiamento privado com livre circulação de capitais e “critérios de Maastricht”[*]. Estes, reafirmados hoje, foram estabelecidos em 1992 para que Alemanha aceitasse renunciar ao Marco alemão. O conjunto construiu uma UE cada vez mais assimétrica. Os países designados depreciativamente como os “PIGS” (porcos em inglês), Portugal, Irlanda/Itália, Grécia e Espanha (Spain) são uma “periferia” da zona euro, como existe no Leste. Aos excedentes comerciais e à débil inflação de uma Alemanha que pratica as deslocalizações para o Leste e à austeridade salarial, correspondem uma maior inflação, défices e endividamentos superiores noutros lados.

 

As agências de notação “avaliam” estes desequilíbrios. As mesmas agências que elevavam aos céus em 2007 o que depois de viu serem “títulos podres” na crise do subprime, permitem-se hoje infligir “más notas” das quais se amparam os mercados especulativos: Grécia, Portugal e Espanha são as mais frágeis –mas a Itália tem uma dívida superior à da Grécia e o défice do Reino Unido supera os 10%. Dominique Strauss-Khan e o Eliseu resmungam contra estas agências que agravam a especulação sobre o euro. Mas os “especuladores” são especialmente os próprios bancos. Os da França e da Alemanha têm 80% da dívida grega. O banco central europeu não tem direito a emprestar aos estados, mas emprestou aos bancos montantes alucinantes a juros baixos em plena crise financeira. Este dinheiro serve-lhes hoje para emprestarem, com juros superiores, aos estados… que acabam de decidir emprestar por sua vez à Grécia com, já agora, lucro.

 

O FMI e os governos da UE querem que a Grécia sirva “de lição” europeia. Mas essa Europa deve ser rechaçada por mobilizações que imponham verdadeiras solidariedades, e “critérios de convergência” que tenham por objectivo a subida dos níveis de vida e a protecção do meio ambiente. A moeda e o financiamento sob controlo público devem estar ao serviço da coesão social.

 

O “plano de salvamento” da Grécia não ataca os lucros e os ganhos financeiros sobre a dívida. Há que rechaçá-lo porque é tão injusto como os planos do FMI noutros lados –e ineficaz: a austeridade significará recessão, causa primeira de défice público- sem fazer com que cesse a especulação.

 

Os islandeses negaram-se a pagar por uma falência que não é a sua, num referendo no passado mês de Março. Há que negar o pagamento por dívidas sem auditorias, transparência e debate sobre essas dívidas.

 

 

Notas:

 

[*] O défice público abaixo de 3% do PIB e a dívida pública abaixo de 60% referem-se ao orçamento do estado, das colectividades locais e da segurança social: a fiscalidade e as reformas estão pois no coração do que está em jogo. Mas a UE proibiu também aos bancos centrais da zona euro o financiamento dos estados.

Grécia

Cartoon de Michael Kountouris, Grécia.


Texto de Catherine Samary e Hugo Harari-Kermadec (Grupo de Trabajo Economia do NPA) publicado em Viento Sur a 6 de Maio de 2010. Tradução de Alexandre Leite para a Informação Alternativa.

publicado por Alexandre Leite às 13:00
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