WTC7

.posts recentes

. Le Pen, Macron e o Fascis...

. Entre a espada e a parede

. Trabalho com precariedade

. Saindo da UE

. A rapina de Timor-Leste: ...

. Empresa de limpeza em Tel...

. De quem é o vírus Zika?

. Bem-vindos ao apartheid d...

. Adolescente americana ame...

. Perante o caos, o saque e...

. A canalhice final contra ...

. Atirá-los ao mar

. Pensar a violência

. O que queremos dizer quan...

. “Je Suis CIA”


Tecnologia de FreeFind

.Arquivos

.subscrever feeds

blogs SAPO
Quarta-feira, 16 de Junho de 2010

Palestina e Israel: Perguntas e respostas sobre um conflito baseado no imperialismo

Depois dos ataques de Israel contra Gaza as perguntas sobre o conflito entre Israel e Palestina voltam a surgir. O sítio “En Lucha” tenta responder a algumas das perguntas-chave para entender o papel desempenhado pelo imperialismo na criação das guerras entre árabes e israelenses e compreender melhor a situação actual.

Quais são as raízes do conflito entre Israel e os palestinianos?

As origens do conflito remontam à fundação de Israel em 1948. Este estado construiu-se sobre a expulsão de palestinianos depois de uma campanha de limpeza étnica levada a cabo por esquadrões sionistas. A isto seguiram-se 60 anos de opressão continuada do povo palestiniano por parte de Israel. O sionismo —a busca de uma “lugar” judeu na Palestina— apareceu como um movimento na Europa nos finais do século XIX como resposta ao crescente anti-semitismo. No principio só uma pequena minoria de judeus apoiou este movimento. Os sionistas afirmavam que a Palestina era “uma terra sem povo para um povo sem terra”. Mas nessa terra vivia um povo. O movimento sionista começou lentamente. No final da I Guerra Mundial havia apenas 56.000 colonos judeus a viverem na Palestina, em contraste com o milhão de árabes.

Os líderes sionistas procuraram o apoio dos poderes imperiais para que os ajudassem a tomar mais terras. No princípio isso significou colaborar com a Grã-Bretanha, já que a Palestina se converteu numa das suas colónias depois da I Guerra Mundial. Após a II Guerra Mundial procuraram o apoio dos EUA. Em 1947, a ONU desenhou um plano para partir a Palestina que entregou aos colonos sionistas 55% do país —apesar de representar apenas um terço da população e possuir 6% da terra. Mas nem isso foi suficiente. Em Março de 1948 milícias sionistas lançaram uma campanha de terror para se apropriarem do máximo de terras possível. Assassinaram centenas de árabes e levaram a cabo uma limpeza étnica de umas 750.000 pessoas.

Os palestinianos deslocaram-se para Gaza, Cisjordânia e outros países afundados na pobreza e na opressão. Entretanto, Israel ficava com quase 80% da Palestina histórica. Hoje a “lei de retorno” de Israel permite a qualquer descendente de judeus imigrar para Israel, mas nega aos palestinianos o direito de voltar à sua terra. Israel conquistou o resto da Palestina histórica em 1967. Desde então saqueou Gaza e a Cisjordânia brutalmente e reprimiu qualquer tipo de resistência ou organização palestiniana.

Por que Israel está implicado em tantas guerras?

Israel esteve em guerra desde a sua fundação. É um estado altamente militarizado, com o armamento mais sofisticado proporcionado pelo ocidente, incluindo armas nucleares. Tem um dos exércitos mais modernos do mundo apesar de ter uma escassa população de 7,3 milhões de pessoas. Este estado construiu-se sobre o poder militar por duas razões: manter os palestinianos oprimidos e actuar como o “cão de guarda” dos interesses ocidentais na região. Usou o seu poder para humilhar os movimentos árabes que ameaçaram o domínio imperial no Médio Oriente.

Israel uniu-se à Grã-Bretanha e à França na guerra contra o Egipto em 1956. Israel também entrou em guerra com o Egipto, Síria e Jordânia em 1967. Em 1973 voltou a fazê-lo novamente contra a Síria e o Egipto. Invadiu o Líbano três vezes: em 1978, 1982 e 2006. Por outro lado, também levou a cabo numerosas incursões no Egipto, Síria e Líbano. Bombardeou a central nuclear do Iraque em 1981. O seu exército ocupou parte do sul do Líbano desde 1978 até 2000, quando a resistência do Hezbolá obrigou à sua retirada. O actual ataque sobre Gaza não será a última guerra de Israel. A natureza imperial e colonial deste estado conduzirá inevitavelmente a mais conflitos, mais bombas e mais mortes.

Israel, sionismoCartoon de Dario Castillejos, Dario La Crisis.

Por que o Ocidente apoia Israel?

Nos finais do século XIX a Grã-Bretaña ocupou o Egipto e passou a controlar o Canal do Suez. Este enclave entre o Mar Vermelho e o Mar Mediterrâneo era fulcral para o poder militar e económico do Império Britânico. A Grã-Bretanha temia que os crescentes movimentos nacionalistas de resistência no mundo árabe pudessem ameaçar o seu controlo sobre o canal. Mas a I Guerra Mundial proporcionou-lhe uma oportunidade para se apoderar da fronteira norte do Egipto e do Canal do Suez.

Enquanto as tropas britânicas marchavam sobre Jerusalém em 1917, o Ministro dos Negócios Estrangeiros britânico, Arthur Balfour, fez um acordo com o movimento sionista para converter a Palestina numa colónia do império. Como declarou o governador britânico de Jerusalém, o novo estado sionista seria como “um pequeno Ulster judeu leal num mar de potencial hostilidade árabe”. Esta relação entre Israel e o imperialismo ocidental ficou resumida num famoso artigo publicado pelo jornal israelense “Haaretz” em 1951: “Israel converter-se-á no cão de guarda. Não há nenhum perigo de que Israel assuma nenhum tipo de política relativamente aos estados árabes explicitamente contra os desejos dos EUA e da Grã-Bretanha. Mas talvez, se os poderes ocidentais de vez em quando preferirem fechar os olhos, Israel possa confiar em que pode atacar um ou mais estados vizinhos, que mostrem a sua descortesia com o Ocidente para lá dos limites permitidos”. Quando os EUA substituíram a Grã-Bretanha como poder dominante no Médio Oriente, Israel mudou devidamente a sua lealdade.

Israel foi posto à prova outra vez quando acabou com os exércitos do Egipto, Síria e Jordânia na Guerra dos Seis Dias. Esta vitória convenceu os EUA de que Israel era capaz de solucionar os seus problemas no Médio Oriente enquanto estava a lutar para manter o controlo sobre o Vietname. Os interesses dos EUA e Israel mantiveram-se inter-relacionados desde então. Cada acção de Israel teve em conta os interesses estado-unidenses. E esta relação tem sido cada vez mais importante desde a revolução no Irão em 1979 e desde o actual desastre dos EUA no Iraque. Enquanto a ira aumenta nas ruas das capitais árabes, os EUA necessitam de Israel mais do que nunca para que seja o seu “cão de guarda” no Médio Oriente.

 

Israel, cão, HamasCartoon de Monte Wolverton, Cagle Cartoons

Não existe uma história de ódio entre árabes e judeus?

Muita gente afirma que árabes e judeus não podem viver juntos já que existe uma longa tradição de inimizade entre os dois povos. Mas esta ideia não se sustem se observarmos a história.

As raízes das hostilidades actuais são muito modernas e emergem do movimento colonial sionista que ocupou a Palestina. Mas antes de isso tudo, cada capital árabe tinha uma comunidade judia a viver junto dos seus vizinhos muçulmanos e cristãos. Os judeus formaram parte importante da vida de Jerusalém, do Cairo, Damasco, Beirute, Rabat, Bagdade ou outras cidades árabes desde o princípio da história documentada. Existem centenas de nomes judeus no monumento comemorativo em memória dos iraquianos que morreram a lutar contra o colonialismo britânico nos anos 20 do século XX. Foram uma parte importante dos movimentos árabes nacionalistas e de esquerda que cresceram nos anos 20 e 30 na luta contra o imperialismo.

Tudo isso mudou depois do estabelecimento de Israel. Os árabes-judeus foram forçados a irem embora de suas casas pelos ditadores e reis árabes impostos pelas potências ocidentais. Este processo foi fomentado por Israel. Estes árabes-judeus foram considerados como cidadãos de segunda classe dentro de Israel. Nunca foram bem-vindos pelas altas instâncias da sociedade israelense. Muitos agarraram-se à sua cultura árabe e ao sonho de voltar a casa algum dia. Como em muitas outras regiões do mundo, as divisões, discórdias e ódios entre os povos do Médio Oriente são o legado amargo do imperialismo ocidental.

Não é a “solução dos dois estados” o melhor que podemos esperar?

Muita gente defende a “solução dos dois estados” para p conflito —partir a Palestina histórica em dois estados, um para os israelenses e outro para os palestinianos. E aparentemente esta pareceria ser a solução mais realista. Mas como seriam estes dois estados?

Muitos planos apontam para dois pequenos estados palestinianos em Gaza e partes da Cisjordânia, separados um do outro por Israel. Os palestinianos ficariam encurralados nestas duas minúsculas porções de terra, enquanto a maior parte da Palestina histórica se manteria sob controlo israelense. Em nenhum momento os milhões de refugiados palestinianos teriam a possibilidade de retornar às suas aldeias. A questão do “direito ao retorno” é central para qualquer solução justa e duradoura para o conflito.

Os que defendem a solução com bases em dois estados não podem encerrar a questão de como reconciliar terra e povo. Em contraste, a solução com base num só estado —um estado multiétnico que abarcasse toda a Palestina histórica— pode fazer frente a este problema aparentemente intratável. A maioria das aldeias palestinianas estão vazias —muitas são simples montanhas de ruínas. Estas podiam ser reconstruídas facilmente e devolvidas aos seus habitantes originários. Os que quisessem voltar às cidades poderiam ser facilmente alojados. Israel abriu as suas fronteiras a milhões de imigrantes sem nenhum problema. Não se poderia fazer o mesmo com os palestinianos?

A principal barreira à solução de um só estado não é por questões práticas mas por causa da natureza do sionismo. Este é um movimento que busca criar um estado só para judeus —e a solução de um só estado é totalmente incompatível com esta ideologia racista.

Não foi dada aos palestinianos a possibilidade de terem o seu próprio estado no “processo de paz”?

Os políticos e os meios de comunicação ocidentais gostam de proclamar que o processo de paz apoiado pelos EUA é a única forma de conseguir justiça para os palestinianos e a paz no Médio Oriente.

Os acordos de Oslo, assinados em 1993, supostamente dariam autonomia aos palestinianos em 17% da Cisjordânia e em 60% de Gaza. Isto deveria significar finalmente a criação de um verdadeiro Estado palestiniano.

O levantamento palestiniano de 1987, conhecido como a Primeira Intifada, pressionou Israel para chegar a um acordo. Mas Israel ainda via a Palestina como algo exclusivamente seu e queria manter o controlo sobre o máximo território possível. Israel permitiu que Yasser Arafat, líder da Organização de Libertação da Palestina, se convertesse no líder de uma nova Autoridade Palestiniana. Arafat fez grandes concessões a Israel, o que lhe permitiu mais tarde vigiar a sua própria gente em seu nome. Israel manteve o controlo das estradas, recursos naturais e grandes áreas de terra que tinha tomado em 1967. O total de colonos israelenses nos territórios ocupados duplicou entre a assinatura do processo de paz e o ano 2000. As áreas palestinianas eram parecidas com os “bantustões” —os supostos estados negros autónomos dentro da África do Sul do apartheid, que na realidade estavam controlados pelo regime racista.

O “processo de paz” não fez nada para melhorar as vidas dos palestinianos. A ira perante esta situação explodiu com a Segunda Intifada em Setembro do ano 2000. Israel retirou os seus colonos e soldados da faixa de Gaza em 2005, mas manteve o seu domínio sobre o espaço aéreo, o mar e as fronteiras. Para além disso tentou acabar com a resistência atacando o Hamás, que ganhou as eleições à Autoridade Palestiniana em 2006.

 

Israel, GazaCartoon de Dario Castillejos, El Imparcial de México

 

Qual é o papel das massas árabes?

Em qualquer questão no Médio Oriente deve-se ter em conta o imperialismo. Foi o imperialismo que criou o Estado de Israel e é o imperialismo que o sustenta actualmente. As prioridades do imperialismo talvez tenham passado do Canal do Suez para os campos de petróleo, mas os grandes poderes globais ainda consideram o Médio Oriente “o grande prémio material da história da humanidade”, como declarou em 1945 o Departamento de Estado estado-unidense.

O imperialismo necessita de Israel e dos seus “porta-aviões imbatíveis”, já que os regimes árabes estão sob o perigo constante serem derrubados por revoltas populares. Esta fúria ente a gente normal e corrente no mundo árabe entende-se também pela forma como as receitas do petróleo foram desbaratadas por uma pequena elite apoiada pelo Ocidente. Tudo isso resulta da fala de terras, trabalhos e de viverem na pobreza e a passar fome.

Nas recentes manifestações que se organizaram no Egipto, os manifestantes gritaram palavras de ordem contra Israel como contra o regime egípcio de Hosni Mubarak. Gritos similares podem ser ouvidos em qualquer capital árabe. A maior parte dos regimes árabes também dependem do imperialismo para sobreviver. Temem que a ira popular relativamente à situação na Palestina possa provocar uma onda de revoltas como as que afligiram muitos dos regimes corruptos nos anos 50 e 60.

Os protestos de massas de hoje no Egipto são um resultado da fúria contra o imperialismo e o regime egípcio. As greves contra as privatizações e por um salário mínimo alimentam a irritação pela situação na Palestina. Esta ira está por sua vez a alimentar as possibilidades de mais greves e manifestações. É por tudo isto que os dirigentes árabes temem e repudiam organizações da resistência como o Hamás na Palestina ou o Hezbolá no Líbano. Qualquer resistência é um desafio a Israel, às potências ocidentais e aos regimes árabes.

 

 

Texto publicado pelo "En Lucha" a 6 de Junho de 2010. Tradução de Alexandre Leite.

publicado por Alexandre Leite às 12:00
link do post | comentar | favorito
|

Todos os textos aqui publicados são traduções para português de originais noutras línguas. Deve ser consultado o texto original para confirmar a correcta tradução. Todos os artigos incluem a indicação da localização do texto original.

Creative Commons License
Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons.

Crise Alimentar

A maior demonstração do falhanço histórico do modelo capitalista



Em solidariedade com a ACVC

Camponeses perseguidos na Colômbia

"Com a prosperidade dos agrocombustíveis, a terra e o trabalho do Sul estão outra vez a ser explorados para perpetuar os padrões de consumo injusto e insustentável do Norte"



Investigando o novo Imperialismo

↑ Grab this Headline Animator


.Vejam também:

Associação de Solidariedade com Euskal HerriaManifesto 74
Sara Ocidental Passa Palavra
XatooPimenta NegraO ComuneiroODiárioResistir.InfoPelo SocialismoPrimeira Linha
Menos Um CarroJornal Mudar de Vida
Blogue OndasBioterra





InI Facebook

.Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.