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Quarta-feira, 7 de Julho de 2010

Momentos históricos em que o desporto se tornou reivindicação

Lutadores de boxe que se negaram a participar em guerras, medalhados olímpicos que levantaram o punho contra o racismo, futebolistas que recusaram cumprimentar ditadores … Estes são alguns dos momentos em que o desporto tomou partido.


>> 1967: O estado-unidense Muhammad Ali, considerado o melhor pugilista da história, foi despojado do seu título mundial dos pesos pesados e da sua licença de pugilista depois de se negar a participar como soldado na Guerra do Vietname, conflito que até ao seu final, em 1975, deixou um saldo de entre 3,8 a 5,7 milhões de mortos. Quatro anos depois da sanção, Ali pode voltar aos quadriláteros.

 

>> 1968: Tempos convulsos nos Estados Unidos, onde o apartheid contra a população negra vinha provocando manifestações de repúdio nas ruas. A 4 de Abril seria assassinado um dos seus maiores detractores, Martin Luther King.
Na entrega de medalhas da prova dos 200 metros dos Jogos Olímpicos de verão realizados no México, os estado-unidenses Tommie Smith e John Carlos (primeiro e terceiro classificados), surpreenderam o mundo ao fazer a saudação do Poder Negro: punho ao alto com uma luva negra, homenageando os Panteras Negras, um partido político anti-racista que nos anos 60 e 70 defendeu a igualdade de direitos nos Estados Unidos da segregação.

 

Ambos foram expulsos dos Jogos Olímpicos. De volta aos Estados Unidos, receberam ameaças de morte e ambos seguiram caminhos políticos distintos (diz-se que Tommie nunca teve vínculos com os Panteras Negras). Mesmo tendo continuado as suas carreiras desportivas, foram condenados ao ostracismo.
O mesmo aconteceu ao australiano Peter Norman, que compartiu o pódio com Smith e Carlos. Norman simpatizou com a reivindicação anti-racista e por isso não lhe foi permitido participar nos seguintes jogos olímpicos, apesar de ter conseguido a marca classificatória.

 

 

>> 1973: Apenas dois meses depois do golpe de estado executado por Pinochet, a selecção de futebol chilena deveria enfrentar a União Soviética em busca de um lugar para o Mundial que se disputaria no ano seguinte na Alemanha Federal. A selecção soviética negou-se a jogar a partida que tinha de disputar em Santiago do Chile, depois de serem conhecidas as sistemáticas torturas que se realizavam no Estádio Nacional.
A Federação Internacional de Futebol (FIFA) autorizou a partida. A URSS não se apresentou e o Chile jogou a partida sozinho: 11 homens contra ninguém e com apenas público.

 

 

>> 1976: 25 países africanos recusaram participar nos Jogos Olímpicos de Montreal, protestando pela participação da Nova Zelândia no evento. A sua selecção de râguebi tinha realizado uma série de jogos na África do Sul, país excluído dos jogos olímpicos desde 1964 por causa do apartheid infligido contra a população negra maioritária.

 

>> 1978: Mais ditadura e futebol. Os integrantes da selecção holandesa, finalista e segunda classificada no Mundial que se disputou na Argentina, recusaram cumprimentar as autoridades argentinas presentes. A vitória local foi utilizada pela ditadura militar (1976-83) para lavar a sua imagem, apesar das sistemáticas torturas e desaparecimentos de activistas e defensores dos direitos humanos.

 

>> 1996: O jogador de basquetebol da NBA, Mahmoud Abdul-Rauf, recusou assistir à cerimónia que antecede as partidas, na qual se canta o hino e se homenageia a bandeira dos Estados Unidos, por considerá-los símbolos de “opressão, tirania e imperialismo”. A sanção não se fez esperar: foi suspenso o seu salário e  proibido de jogar enquanto não se mudasse a sua posição. Finalmente chegou-se a um acordo: Abdul-Rauf levantava-se durante o hino, mas para rezar. A polémica não terminou e ele acabou por vir jogar na Europa.

 

>> 2009: Depois de marcar um golo, o jogador maliano do Sevilha, Frederic Kanouté, mostrou uma camisa de apoio ao povo palestiniano, que nessa altura tinha sido bombardeado pelo exército israelense na operação Chumbo Fundido, na qual 1300 pessoas foram assassinadas. O jogador foi sancionado com 3000 euros de multa. O regulamento proíbe os jogadores de mostrar qualquer tipo de reivindicação política durante o jogo, embora a camisa apenas tivesse escrito a palvra “Palestina” em várias línguas. Posteriormente declarou: “Senti que era algo que tinha que fazer. Todo o mundo tem de se sentir responsável quando há uma injustiça tão grande em qualquer parte do mundo”.

 

 

>> 2010: No passado dia 5 de Maio, num jogo de disputa pelo campeonato nacional de basquetebol da NBA, os jogadores dos Phoenix Suns mudaram o inglês para o castelhano e acrescentaram nas suas camisas a palavra “Los” [significando “os” em português] junto a Suns para protestar contra a lei Arizona recentemente aprovada no estado norte-americano e solidarizarem-se com a imigração hispânica. Essa lei é repudiada por uma ampla maioria dos movimentos sociais por considerarem que restringe as liberdades das pessoas imigradas

Los Suns

Foto: Christian Petersen/Getty Image

 

Texto publicado no CanalSolidário.Org a 14 de Junho de 2010. Tradução de Alexandre Leite.

publicado por Alexandre Leite às 13:00
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