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Quarta-feira, 11 de Agosto de 2010

Eritreia, um socialismo desconhecido em África

Numa entrevista, Mohamed Hassan, especialista em geopolítica e um dos melhores especialistas do mundo árabe e muçulmano, descobre uma realidade ignorada inclusivamente em meios alternativos.

 

Apresentamos algumas das suas afirmações. (Ver Entrevista a Mohamed Hassan “Todo lo que usted no debería saber sobre Eritrea (3/3)”, Grégoire Lalieu & Michel Collon, Michelcollon.info http://www.rebelion.org/noticia.php?id=109759)

 

 

 

A Eritreia fica no Corno de África, região de guerras, fome, pobreza e neocolonialismo. O seu governo fez uma revolução que faz lembrar Cuba e também sofre o ataque dos Estados Unidos e seus aliados.

O seu projecto político para a região é pôr termo pacífico aos múltiplos conflitos entre países vizinhos sem interferências de fora e desenvolverem-se juntos aproveitando as suas riquezas naturais.

 

A Eritreia teve de lutar sozinha conta a Etiópia que, com o apoio da Europa, Israel, da URSS, dos Estados Unidos, tentou anexá-la e destruir o seu sistema político.

É um país com traços particulares herdados do colonialismo italiano que instalou indústrias, desenvolveu a agricultura e permitiu a formação de uma classe operária, sindicatos, jornais, organizações nacionalistas.

 

Mapa Eritreia

 

Na década de 1970 formou-se a Frente de Libertação do Povo Eritreu (FLPE) de inspiração marxista que no meio da luta contra os ocupantes etíopes iniciou uma verdadeira revolução, emancipação da mulher, organização de conselhos democráticos nas cidades, reforma agrária, educação, conseguindo mobilizar o povo e vencer forças materialmente muito superiores.

 

Em 1982 conseguiu derrotar, apesar de sofrer grandes perdas, uma junta militar etíope apoiada pela URSS que contava com 1000 tanques, 1500 transportes blindados, 90 aviões de caça e helicópteros de combate e uns 150 mil homens.

 

Em 1993 assumiu o poder a FLPE que estabeleceu um modelo de desenvolvimento de cinco pilares:

 

- A segurança alimentar, fundamentada na agricultura pluvial e a economia de plantações, a reforma agrária que entregou a cada agricultor o seu próprio terreno, um sistema mecanizado e estações de tractores do estado para os camponeses, que têm tempo para aprender a ler e meios para se formarem noutros ofícios.

 

- O acesso a água potável, que evita doenças e mortes endémicas em África.

 

- A saúde, gratuita, com uma rede competente de clínicas disseminadas por todo o país e ligadas a hospitais.

 

- A educação, uma prioridade do Estado que quer desenvolver os seus recursos humanos para ter pessoal competente próprio para explorar as suas matérias primas.

 

- Os expatriados, o último pilar, são os eritreus que enviam dinheiro aos seus familiares a partir do estrangeiro e que pagam uma percentagem ao governo, o que constitui uma fonte considerável de receita.

 

A política da FLPE tornou-se forte respeitando a igualdade para as etnias e confissões, o oposto ao que é comum em África, onde etnias e religiões se matam entre si. No país há cristãos e muçulmanos e pelo menos nove etnias diferentes. A conduta dos dirigentes eritreus tem sido a de animar cada etnia a valorizar as suas tradições e a comparti-las.

O presidente Isaias Afwerki, cujo nível de vida é modesto, governa sem eleições desde 1993. Não há oposição política e existe um só partido. A democracia de múltiplos partidos no continente não funciona, cria divisões e permite que as potências neocoloniais a cada quatro ou cinco anos façam triunfar os seus candidatos financiado-os.

A democracia de partidos onde o poder é detido pelos ricos, que não são eleitos, é um modelo e o sistema de partido único é outro modelo. Segundo as suas especificidades, cada país deve resolver qual lhe convém.

 

“A Eritreia é uma democracia popular na qual as pessoas têm acesso à saúde, não arriscam a vida ao beber um copo de água, têm trabalho, comida, electricidade… Prefiro viver num país assim do que numa chamada democracia como o Congo ou a Etiópia. E se apesar de tudo se se considerar a Eritreia uma ditadura, prefiro viver numa ditadura assim…”, diz Hassan.

 

Relativamente à religião, a Eritreia reconhece Igreja ortodoxa, católica, evangélica luterana e o Islão. Para praticar outra religião, como protecção das que servem interesses políticos estrangeiros, deve se feito um expediente onde se declare a sua forma de financiamento externo. É o caso principalmente da religião protestante e da corrente pentecostal, relacionada com a extrema direita estado-unidense, que promove o êxito material exacerbando o individualismo. Os seus missionários dispõem de muito dinheiro para converter pobres, de certo modo comprando-os.

A Eritreia proibiu os meios privados de informação porque em África é necessário um capital muito grande para criar um e é impossível competir com os ocidentais que portanto são hegemónicos. Foram presos jornalistas por estarem ao serviço das potências imperialistas e manipularem a opinião pública para desestabilizar o governo. Como em Cuba e Venezuela o pagamento é feito por serviços secretos estrangeiros.

 

Os sistemas políticos em Havana e Asmara são muito parecidos. Também Isaias Afwerki e Fidel Castro. Ambos lutaram pela libertação dos seus países antes de os presidir, lançaram a revolução social a favor do povo e tanto a Eritreia como Cuba são bastiões contra o imperialismo, o que lhes acarreta a ira dos Estados Unidos.

O Corno de África é uma região estratégica para Washington, que tenta instalar aí uma base militar para controlar o Médio Oriente e o acesso africano ao oceano Índico. O império já conquistou a Etiópia e o Djibuti. O seu objectivo agora é a Eritreia e conseguiu que o Conselho de Segurança das Nações Unidas a condenasse acusando-a falsamente de armar grupos rebeldes somalis.

 

África nunca se libertou do colonialismo. O Ocidente, através da Organização Mundial do Comércio, impõe umas regras que permitem às suas multinacionais saquear as riquezas africanas.

 

Asmara, Eritreia
Asmara, capital da Eritreia. (Foto de Geir).

 

A vontade da Eritreia é libertar-se das potências estrangeiras. A economia do país baseia-se essencialmente numa agricultura em pleno desenvolvimento, a rede de infra-estruturas está relativamente desenvolvida, dispõe de importantes recursos em ouro, cobre, gás e petróleo ainda por explorar. Deseja dispor dessas riquezas à sua maneira. Elabora um modelo de desenvolvimento próprio que está disponível para inspirar outros governos de uma África que possui enormes riquezas.

Não necessitamos do Ocidente para nos desenvolvermos, é o lema eritreu.

 

 

Texto de Rómulo Pardo Silva publicado em KaosEnLaRed.Net a 1 de Agosto de 2010. Tradução de Alexandre Leite.

publicado por Alexandre Leite às 12:00
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