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Domingo, 10 de Dezembro de 2006

Porque é que o fazemos

Deve haver milhares como nós, a “martelar” nos nossos “blogues” (raios, odeio esta palavra!). Em geral, parecemos estar unidos por um etos comum, nomeadamente a justiça e um profundo empenhamento em fazer algo que tenha um impacto positivo na forma como o mundo está. Identificamo-nos com diversos nomes, mas penso que “anti-capitalistas” cobrirá toda a gama.

Fora isso, no entanto, não vale a pena entrar em detalhes, mas parece que teremos mais coisas em que discordamos do que aquelas em que concordamos, especialmente quando começamos a analisar as causas e o que fazer acerca do comportamento vergonhoso dos nossos respectivos governos. Então o que queremos?

A história da luta contra o capitalismo, no último século, envolve muitas contradições. Mesmo os nossos sucessos são objecto de intensos desacordos sobre o que realmente conseguimos atingir.

Na multifacetada esquerda, temos por um lado aqueles que defendem a experiência do socialismo Soviético até ao fim e, por outro lado, aqueles que nem admitem que tenha sido uma experiência socialista, ou foi deformada ou desviada. Capitalismo de estado, socialismo burocrático, estatismo, autocracia Estalinista, ditadura do Partido, são algumas das descrições daquilo a que eu prefiro chamar “socialismo realmente existente” (da forma que era).

Como podemos explicar isto? Apesar de tudo, temos uma boa compreensão de como o capitalismo funciona, até ao detalhe. Literalmente, centenas de milhares de livros foram escritos sobre o assunto, no seguimento do tremendo trabalho de Marx, Engels e Lenine, que por sua vez construíram a sua compreensão sobre os que os tinham precedido. Ao todo, serão perto de 300 anos de análise!

Para além disso, temos a experiência combinada, de cerca de século, de países que tentaram construir alternativas ao capitalismo e apesar do que diz a propaganda, cada um deles desenvolveu formas muito diferentes de socialismo, determinados pelas condições específicas existentes nos respectivos países.

Mas o aspecto mais importante dessas experiências alternativas ao capitalismo é talvez o facto de nenhuma delas ter gozado de liberdade para se desenrolar sem uma virulenta oposição do capitalismo, chegando ao ponto de alguns serem invadidos. Tão virulenta era a oposição, que moldou e distorceu a próprio forma como os diversos socialismos se desenvolveram.

Por isso, penso que não é mentira dizer que a nossa experiência de socialismo foi distorcida logo desde o início. Isso levanta a questão (questão que foi colocada logo a seguir à Revolução Bolchevique de 1917) de saber se num mundo dominado pelo Capitalismo, é possível construir uma verdadeira sociedade socialista (o chamado dilema do “socialismo de um só país”)?

Não é apenas uma questão abstracta, é antes um dilema do género “o ovo ou a galinha”, pois se é verdade que num mundo dominado pelo Capitalismo, é impossível construir um “socialismo real”, a não ser que o Capitalismo (nas suas maiores expressões) seja derrubado (ou colapse), como conseguiremos construir uma alternativa se nem conseguimos dar o pontapé de saída?

Em parte, este dilema responde à questão de existirem tantas ideias conflituosas sobre o que é o socialismo “real”.

Depois há a questão do subdesenvolvimento, ele próprio um resultado directo do controlo Capitalista dos recursos necessários ao desenvolvimento nacional. Aqui há dois problemas fundamentais com que nos confrontamos. Por um lado, o capitalismo faz tudo o que está ao seu alcance para assegurar que as alternativas ao capitalismo fracassem, e falhando isso, monta campanhas de propaganda que duram décadas, para convencer as pessoas que não há alternativa viável ao Capitalismo. Por outro lado, enquanto os países subdesenvolvidos estiverem totalmente dependentes de uma economia global controlada pelo Capitalismo, enfrentam uma situação impossível. Para que o socialismo tenha sucesso, é necessário ter uma sociedade relativamente desenvolvida, não apenas economicamente mas também, aquilo que nós agora chamamos, uma sociedade civil desenvolvida. Mas como se consegue desenvolver um “socialismo real” se se tenta em condições que não estão sob o seu controlo?

Um exemplo perfeito é a Venezuela, que apesar de possuir valiosos recursos naturais, como o petróleo, é totalmente dependente das economias capitalistas avançadas e de um sistema de comércio global que não está sob o seu controlo. Enfrenta, por isso, diversos problemas relacionados:

1. Para poder utilizar a riqueza gerada pela venda do petróleo no desenvolvimento da sua economia doméstica, tem de o fazer em condições determinadas em grande medida pelos EUA, que obviamente não pretendem ver uma Venezuela livre e desenvolvida, porque seria um “mau exemplo” para o resto do mundo em desenvolvimento;

2. Enfrenta uma oposição “interna” da classe capitalista doméstica, que está na sua maior parte alinhada com o capital dos Estados Unidos.

3. Tem de se tentar lançar numa direcção independente sob as mais adversas condições domésticas, com grandes franjas da população a viver numa pobreza abjecta, ou seja, subdesenvolvimento. Compreensivelmente, esta grande massa da população, que elegeu um governo que representa globalmente os seus interesses, quer o que lhe é devido.

4. Por isso, temos o governo de Chavez no meio de fogo cruzado; por um lado tem de cumprir o que prometeu aos seus eleitores e por outro lado tem de o fazer sob condições que não controla, nomeadamente um sistema económico global controlado pelos EUA, que está a fazer tudo o que pode para assegurar que a “experiência” Chavez não tenha sucesso.

Como resolver este dilema? Esta pergunta é a que dá acesso ao grande prémio e já nos confronta há quase um século.

Nós, no mundo desenvolvido, temos a obrigação de defender a “revolução” Bolivariana, por muito imperfeita que seja, mas até que ponto? Podemos encontrar-nos a fazer a mesma figura daqueles que argumentam que o Chavez não foi “tão longe quanto devia” e chegando ao ponto de o acusar de ter “vendido” a “revolução”. Também há os que defendem incondicionalmente a “revolução” Bolivariana.

Podia ser argumentado que haverá um “estrada do meio” entre as duas posições, mas isso era simplificar de mais o problema. É preciso ter em conta que “nós” estamos numa posição de relativo conforto a julgar uma situação sobre a qual não temos controlo directo (alguns dirão, ainda bem!).

Por isso, em vez de tentar julgar o Chavez e a “revolução” Bolivariana, era preferível que nos focássemos naquilo que temos possibilidade de influenciar, nomeadamente as políticas dos nossos respectivos governos.

Para além disso, penso que podemos ser mais específicos sobre que caminho tomaremos, para além do “slogan” “Larguem a Venezuela”. Isto pode ser como um tiro no escuro mas baseia-se na nossa concepção do tipo de pré-condições que são necessárias para avançar em direcção a uma sociedade socialista.

Penso que já deve ser claro que vivemos num mundo interligado. O modo como vivemos no mundo desenvolvido, determina, em grande parte, como a população da Venezuela vive. Os nossos padrões de consumo, por exemplo, determinam a relação que a Venezuela tem connosco e como os Venezuelanos ganham a vida, quer seja produzindo petróleo ou mangas (e as mangas da Venezuela são bem saborosas!).

Assim, a campanha pelo “comércio justo”, por exemplo, é uma parte da solução, mas só por si não é a resposta, pois, no fundo, transportar mangas da Venezuela para o Reino Unido de avião, faz parte do problema da alteração climática global. Tal como o nosso escandaloso consumo de petróleo. No entanto, com a actual relação que temos com a Venezuela, se cortarmos o consumo de petróleo e mangas, isto tem um efeito directo na população Venezuelana.

Parece claro que a raiz do problema reside no facto de nós sermos ricos porque o povo Venezuelano é pobre. Para nós, o custo das mangas é apenas uma fracção do que custa aos Venezuelanos comprarem-nas. Para além disso, muito provavelmente, importa produtos que poderia produzir localmente, não fosse o caso de terem sido forçados a criar uma economia orientada para a exportação.

Pelos seus próprios meios, a economia Venezuelana consegue satisfazer as necessidades da sua população, por isso, se queremos contribuir positivamente para o futuro do povo da Venezuela, incumbe-nos alterar a nossa relação económica com a Venezuela. E o que dá para a Venezuela também se aplica a outros países com relações semelhantes com o mundo desenvolvido.

Parece-me claro que sem uma mudança radical na nossa própria economia, não é possível, à Venezuela, desenvolver uma alternativa ao capitalismo, que seja viável, importante e duradoura.

Os dois mundos estão portanto entrelaçados de uma forma complexa e de longo alcance. Isto explica porque é que os media e o estado têm tanto ódio ao que Chavez está a tentar fazer. Que outra razão faria com que os acontecimentos na Venezuela produzissem tanto veneno aqui no Reino Unido e nos Estados Unidos? O que é que a Venezuela nos pode fazer, aqui no Reino Unido, para além de ameaçar os lucros da Shell, BP e Exxon? Que ameaça é que a Venezuela representa para o RU e EUA?

Isto também explica a razão da invasão do Iraque e Afeganistão, tal como as ameaças ao Irão, e no fundo explica os 500 anos de história da relação entre o Ocidente e os países pobres.

Sendo assim, nos tempos mais próximos, a questão não será sobre um “plano” de desenvolvimento do socialismo de per si, mas sim a nossa relação com os pobres do planeta. No final, teremos de nos confrontar com a questão de uma alternativa ao capitalismo, mas a julgar pela resposta aos “Live 8” e etc, existe uma enorme quantidade de boas intenções. Mas como diz o ditado, “de boas intenções está o inferno cheio”.

Que o “Live 8”, ou o que quer que seja, evita as bicudas questões implícitas na nossa relação com os pobres do planeta, é sem dúvida pertinente. Até onde estarão dispostos a ir, aqueles que ofereceram dinheiro? Estarão preparados para apoiar a Venezuela se lhes for explicado que o dinheiro não é a resposta, mas sim reorganizar a nossa relação com as pessoas da Venezuela?

Mas nós também estamos atados na mesma relação global capitalista, embora na ponta dos que recebem grandes somas de dinheiro. No entanto, é claro que esta não é uma situação sustentável, como demonstram os acontecimentos dos últimos anos.

Haverá uma mudança do tipo negativo, por exemplo por uma catástrofe ambiental? Situação na qual será uma questão de sobrevivência básica. Ou será por um colapso do próprio Capitalismo? Neste caso, o resultado mais provável será uma barbárie da pior espécie, muito para além do Fascismo.

De qualquer modo, parece-me que como socialista, não tenho muito por onde escolher, a não ser continuar a expor a natureza do sistema em que vivemos e explorar situações.


Traduzido por Alexandre Leite, a partir de um texto de William Bowles publicado a 11 de Junho de 2006 em http://williambowles.info/ini/2006/0606/ini-0424.html

publicado por Alexandre Leite às 18:19
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