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Quarta-feira, 8 de Dezembro de 2010

Quem são os quinze membros do novo Conselho de Administração da Prisa?

No passado dia 27 de Novembro, a Assembleia de Accionistas da Prisa decidiu os nomes das pessoas que integrarão o Conselho de Administração da empresa. A entrada nos accionistas de investidores estado-unidenses (Liberty) reflecte-se na formação deste órgão. Para muitas pessoas, o grupo Prisa, e em especial a sua empresa de bandeira, o jornal El País, é um emblema da imprensa progressista. Para outros, trata-se de uma grande empresa global que serve os interesses de grandes accionistas sem que se vislumbre uma matiz de esquerda que possa alguma vez ter tido. Vejamos quem são as quinze pessoas que governarão o grupo de comunicação e talvez possamos tirar alguma conclusão sobre que linha ideológica se espera dos seus conteúdos e quem tem razão no momento de os situar editorialmente.

Comecemos pelas novas incorporações. Destacam-se as de Nicolas Berggruen e Martin E. Franklin, os dois principais accionistas da Liberty Acquisition Holdings Corporation, o fundo de investimentos que traz 650 milhões de euros para a Prisa e que terá a maioria absoluta do capital da empresa.

 

Nicolas Berggruen1

Nicolas Berggruen, PrisaNicolas Berggruen (Foto: Subhabrata Das)

 

Com um património a rondar os 2.000 milhões de dólares, ocupa a posição 158 na lista Forbes de 2009 dos estado-unidenses mais ricos. A imprensa qualificou-o de “sem-abrigo multimilionário”2 porque se apresenta como um executivo que não tem casa própria e vive sempre em hotéis. A realidade não é que não tenha casa, é que ele é o chefe dos hotéis. É o fundador e director da cadeia Berggruen Hotels Private Limited. Segundo a revista Business Week pertence a 24 conselhos de administração de diferentes empresas e sectores.

Berggruen é um gestor de fundos de private equity (fundos de capital privado que tomam participações temporárias no capital de empresas para obter lucro assim que amadureça o negócio ou projecto) e hedge funds (em Espanha, fundos de investimento livre, cujo objectivo é obter lucros à margem da evolução dos mercados). O seu principal braço investidor é a Berggruen Holdings, ainda que a sua actividade tenha arrancado nos anos 80 com a Alpha Investment. Possui uma fortuna de uns 2.000 milhões de euros. O financeiro nova-iorquino também tem interesses em imobiliárias e em energias renováveis. Berggruen e Franklin possuem perto de 20% da Liberty Acquisition Holdings e o resto está dividido em pequenas participações em hedge funds e empresas de investimento. Entre estas destacam-se gestoras alternativas como Millenium, First Tagle, Taurus, GLG, Glenhill ou T Rowe Price, para além de fundos como o Teachers Advisors ou o Canadian Pension Plan, o Soros Fund do milionário George Soros ou as sociedades de investimento de bancos como o Morgan Stanley, Citigroup, Deutsche Bank e Credit Suisse3.

Poucos dias depois de assinar o acordo com a Prisa, Nicolas Berggruen já toma posse das suas propriedades e publica um artigo de opinião no El País sobre a China e o Ocidente4. Mais uma prova de que os donos dos meios de comunicação têm influência nos seus conteúdos e que a autonomia informativa relativamente aos accionistas é falsa.

Em Junho de 2010, o Estado-Maior da Prisa dá instruções aos seus meios para vender a accionistas (faltavam dez dias para a assembleia geral), público e trabalhadores, a imagem de Berggruen, desautorizado como especulador pelas más-línguas. No dia 17 é entrevistado pela Cadena Ser e no domingo 20, o suplemento de economia do El País apresenta uma longa e amável entrevista5 que, com a coordenação habitual tem eco no económico Cinco Días do mesmo dia6. Por certo, a entrevistadora, Alicia González, é a esposa de Rodrigo Rato, presidente da Caja Madrid e antigo vice-presidente do governo com José María Aznar, o mundo do poder económico e mediático é muito pequeno.

 

 

Martin E. Franklin

Segundo a revista Business Week, pertence a 81 conselhos de administração de 19 indústrias diferentes. Em 2008 ganhou 3.498.438 dólares.

 

Martin E. Franklin (Foto: Suzy Allman/The New York Times)

 

 

 

Emmanuel Román

Co-director da empresa financeira de "fundos de alto risco" GLG Partners. Em 2009, segundo a Forbes7, ganhou um salário de 260.770 dólares procedente desta empresa. De 2000 a Abril de 2005, Román foi co-director do Serviço Mundial de valores internacionais Goldman Sachs International Limited. A 16 de Abril de 2010 a Comissão de Mercado de Valores dos Estados Unidos (U.S. Securities and Exchange Commission-SEC) acusou a Goldman Sachs de fraude pelas hipotecas subprime.

 

 

Harry Sloan

Harry Sloan, Prisa

Harry Sloan (Foto: NYT)

Presidente da Metro-Goldwyn-Mayer. O Los Angeles Times qualificou-o de maior animador da indústria do entretenimento do Partido Republicano. No ambiente predominantemente progressista de Hollywood, Sloan representa a voz republicana. Na campanha presidencial de 2008 recolheu para McCain 3,5 milhões de dólares em Hollywood numa gala na Century City8.

 

Ernesto Zedillo

Zedillo, Prisa

Ernesto Zedillo (Foto: El Universal - México)

Foi presidente do México, pelo PRI, desde 1994 a 2000. A sua presidência foi marcada por uma das crises financeiras do século com repercussões internacionais, que se denominou “efeito tequilha”. O preço do dólar aumentou no México cerca de 114% entre Dezembro de 1994 e Março de 1995. Durante o seu mandato aconteceu o levantamento do Exército Zapatista de Libertação Nacional e o assassinato do candidato presidencial Luis Donaldo Colosio.

Também durante a sua presidência se privatizou a companhia Ferromex (anteriormente chamada Ferrocarriles Nacionales de México). Quando Zedillo deixou o seu cargo tomou posse no conselho executivo de algumas empresas norte-americanas entre as que se destacam a Procter and Gamble, a Alcoa e a Union Pacific, esta última concessionária da Ferromex, a empresa que ele próprio privatizou.

 

Alain Minc

Publicitário francês. Foi Inspector-geral de Finanças e demitiu-se para entrar como director financeiro do grupo industrial francês Saint-Gobain.

Alan Minc, Prisa

Posteriormente foi o homem forte do empresário Carlo de Benedetti como director-geral da Cerus Compagnies Européennes Réunies.9

 

Em 1991, fundou a sua própria empresa de consultoria, a AM Conseil. Foi presidente do conselho de vigilância do jornal Le Monde, cargo do qual se demitiu por causa da sua relação de amizade com Sarkozy.

É membro dos conselhos de administração da Criteria Caixa Corp, a holding cotizada da La Caixa. O cargo foi-lhe oferecido pessoalmente por Isidro Fainé, presidente da Caixa, que o conhece há muitos anos. Também está vinculado ao multi-milionário mexicano Carlos Slim.

Minc assessora até quinze grandes grupos empresariais franceses e internacionais.

 

 

Juan Arena

Juan Arena, Prisa

Juan Arena (Foto: InfoEmpleo.com)

Foi presidente do Bankinter durante cinco anos, até 2007. Actualmente é presidente da Fundación Sociedad y Empresa Responsable (Seres).

 

 

Os membros do Conselho que renovam o cargo são os seguintes:

 

Ignacio Polanco e Manuel Polanco

Polanco, Prisa

 

 

Ambos filhos do fundador da Prisa, Jesús Polanco. Toda a sua trajectória foi desenvolvida na empresa do pai. Ignacio é o presidente do grupo. [Na fotografia, Manuel está à esquerda e Ignacio à direita. Foto: Gorka Lejarcegi/El País]

 

 

Juan Luis Cebrián10

Presidente da Comissão Executiva do Conselho e conselheiro delegado.

Filho de Vicente Cebrián, alto cargo da imprensa do regime franquista e director do jornal Arriba, órgão de comunicação da Falange Espanhola. A morte de Franco retirou-lhe a chefia dos serviços informativos da RTVE. Desde esse cargo passou a ser o primeiro director do jornal El País, cargo que ocupou até Novembro de 1988, quando passou a ser conselheiro delegado do Grupo Prisa.

 

Participou em diversas reuniões do Grupo Bilderberg. O Grupo Bilderberg, ou Clube Bilderberg, é uma conferência anual que reúne as pessoas mais poderosas do planeta. Entre os seus participantes contam-se os máximos dirigentes de instituições como o FMI e o Banco Mundial, a Reserva Federal e o Banco Central europeu, a CIA e o FBI; primeiros-ministros europeus e líderes da oposição; e presidentes das cem maiores empresas mundiais, como Coca-Cola, British Petroleum, JP Morgan, American Express e Microsoft. O conteúdo das suas conversações é secreto, pelo que são numerosas as especulações em torno dos seus planos e intenções. Houve quem lhes chamasse “os donos do mundo”.

O seu apoio a Jesús Polanco foi absoluto, e o seu papel nas manobras para conseguir que este obtivesse o controlo da Prisa, fundamental. Um dos accionistas que perdeu aquela batalha, Darío Valcárcel, definiu-o como “um néscio convertido em capataz de Jesús Polanco”11. Durante o Governo de Felipe González, Cebrián era considerado o homem do PSOE na Prisa. Ou o homem da Prisa no PSOE, dependendo do ponto de vista. O director da Interviú de então, Pablo Sebastián, conta que durante 1986, nas vésperas do referendo da OTAN convocado por Felipe González, pregunto a Cebrián: “”No tema da OTAN, vais-te colocar de joelhos perante o governo?” Juan Luis Cebrián respondeu-lhe: “Não há nada a fazer. Tu terias de dar o cu e eu uma perna”12.

Até aos últimos movimentos accionistas Cebrián possuia 0,566% das acções do grupo, sendo o membro do Conselho que tem mais acções a título individual13. Uma parte indirecta das suas acções pertence às empresas Jurate Inversiones e Sicav Sapri Inversiones 2000.

 

Matías Cortés

 

Matías Cortés, Prisa

É sócio do escritório de advocacia Cortés Abogados. Conselheiro da Prisa desde 1977, membro da sua Comissão Executiva e presidente do seu Comité de Auditoria.

 

É também membro do Conselho de Administração da construtora Sacyr Vallehermoso, S.A.

O grupo Prisa gastou, desde 2007, 22 milhões de euros em honorários para o escritório de Matías Cortés e seus irmãos Luís e António14. O facto foi conhecido devido a que a Prisa teve que dar numerosa informação às autoridades bolsistas dos Estados Unidos para que pudessem ser incluídas no folheto prévio ao acordo de capitalização com o fundo de investimento Liberty.

 

Diego Hidalgo

 

Diego Hidalgo, Prisa

Conselheiro da Prisa desde o ano 1982, membro da Comissão Executiva e vogal do Comité de Governo Corporativo, Nomeações e Retribuições. Também pertence ao Conselho de Administração do El País.

 

Durante os últimos anos do franquismo foi Chefe de Divisão do Banco Mundial de 1968 a 1977. Foi membro, nalguns casos fundador, de numerosos think-tank. Foi fundador do European Council on Foreign Relations, cujo principal patrocinador é o multi-milionário George Soros. Também é fundador, presidente e doador principal da Fundação para as Relações Internacionais e o Diálogo Exterior e membro fundador e membro do Comité Executivo do Club de Madrid e do Club de Roma.

 

Gregório Marañón

É conselheiro da Prisa desde 1983, membro da sua Comissão Executiva e presidente do seu Comité de Governo Corporativo, Nomeações e Retribuições. Para além disso, é vogal do Conselho de Administração da Sogecable.

Gregório Marañón, Prisa

 

Marquês de Marañón, foi director-geral do Banco Urquijo (1975/1982), presidente do Banif (1982/1984), conselheiro da Argentaria e conselheiro do BBVA.

Actualmente é presidente da Logista, Roche Farma e Universal Music Spain. Também é membro dos Conselhos de Administração da Viscofan (vogal da Comissão de Auditoria) e da Altadis, assim como presidente do Conselho Assessor da Spencer Stuart, e vogal dos Conselhos Assessores da Vodafone, Apax e Aguirre&Newman.

Também é membro do Conselho Económico do Arcebispado de Toledo e do Conselho Social da Cidade de Toledo.

 

Agnès Noguera

Conselheira da Prisa desde o ano 2006, membro da sua Comissão Executiva e vogal do seu Comité de Auditoria. Também é membro do Conselho de Administração do jornal El País.

Agnés Noguera, Prisa

 

Desde 2005 é conselheira delegada da Libertas 7, S.A. (empresa do sector de investimentos e de promoção imobiliária) da qual era conselheira desde 1988. Representa a Libertas 7, S.A. no Conselho de Administração do Banco de Valência e na Companhia Levantina de Edificação e Obras Públicas.

Forma parte dos Conselhos de Administração da Bodegas Riojanas e Adolfo Domínguez (em ambas como representante da Luxury Liberty).

 

Borja Pérez Arauna

 

Borja Pérez Arauna, Prisa

Conselheiro da Prisa desde 2000 e vogal do seu Comité de Auditoria. Foi nomeado director de Investimentos da Timón em 1995 e actualmente é vice-presidente da Timón, a sociedade fundada por Jesús Polanco nos anos setenta. Presidente da Qualitas Equity Partners e conselheiro da Qualitas Venture Capital. Ambas gestoras de fundos de investimento.

 

 

 

 

 

 

 

 

Parabéns aos nomeados. Ser da direcção da Prisa é um posto bem remunerado. Em 2009, os cinco conselheiros executivos da Prisa, Ignacio e Manuel Polanco, Juan Luís Cebrián, Alfonso López Casas e Emiliano Martínez cobraram 11,6 milhões de euros, nada menos que 23% do lucro da sociedade15.

Uma vez conhecidos todos eles, a pergunta é se alguém pode continuar a acreditar que a Prisa, e o jornal El País, podem ser difusores de algum tipo de mensagem progressista.

 

 

NOTAS

1. Informação procedente do livro “Traficantes de información. La historia oculta de los grupos de comunicación españoles”, Serrano, Pascual. Foca, Novembro de 2010.

2. “El nuevo socio de los Polanco es un 'homeless' multimillonario enamorado del arte”. El Confidencial, 26-2-2010 http://www.elconfidencial.com/comunicacion/nicolas-berggruen-socio-polanco-casa.html

3. “¿Quién es Liberty, el nuevo accionista de Prisa?”, Invertia, 9-3-2010 http://www.invertia.com/noticias/noticia.asp?idnoticia=2304265

4. El País, 4-4-2010 http://www.elpais.com/articulo/opinion/lineas/falla/democracia/elpepiopi/20100404elpepiopi_4/Tes

5. El País, 20-6-2010 http://www.elpais.com/articulo/economia/importante/tener/medios/calidad/elpepieco/20100620elpepieco_6/Tes/

6. Cinco Días, 20-6-2010 http://www.cincodias.com/articulo/empresas/importante-tener-medios-calidad/20100620cdscdsemp_3/cdsemp/

7. Ver http://people.forbes.com/profile/emmanuel-roman/37116

8. Los Angeles Times, 3-10-2008 http://articles.latimes.com/2008/oct/03/entertainment/et-cause3

9. Expansión, 1-9-2009 http://www.expansion.com/2009/09/01/economia-politica/1251839228.html

10. Informação procedente do livro “Traficantes de información. La historia oculta de los grupos de comunicación españoles”, Serrano, Pascual. Foca, Novembro de 2010.

11. Cacho, Jesús, El negocio de la libertad, Madrid, Foca, 1999.

12. Relato de Pablo Sebastián aos jornalistas José Díaz Herrera e Isabel Durán, recolhido no seu livro Los secretos del poder, Madrid, Temas de Hoy, 1994.

13. Prnoticias 6-3-2009 http://www.prnoticias.com/index.php/prseguridadvial/121-prisa-/10028897-cebrian-se-deja-20-millones-en-la-caida-bursatil-de-prisa

14. Segundo informou o portal de informação financeira e empresarial Capital Madrid a 4 de Outubro. Ver http://www.capitalmadrid.info/2010/10/4/0000017816/matias_cortes_cosecha_un_gran_beneficio_con_la_crisis_de_prisa.html

15.  El Confidencial, 5-5-2010 http://www.elconfidencial.com/comunicacion/cebrian-polanco-consejeros-beneficio-prisa.html

 

 

Texto de Pascual Serrando publicado em PascualSerrano.Net a 29 de Novembro de 2010. Tradução de Alexandre Leite para a Tlaxcala.

publicado por Alexandre Leite às 12:00
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