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Terça-feira, 24 de Maio de 2011

A verdade sobre as 'transições civilizadas’

“E que tal dar a Kadafi uma estratégia de saída?” — Apresentadora do canal televisivo britânico Channel 4 News, a um convidado, 16 de Maio de 2011

E resume-se a isto: uma apresentadora de ‘notícias’ na televisão revela, com toda a crueza, como o Império corrompe totalmente. Está aqui uma pessoa aparentemente inteligente e com educação a desbaratar o líder de um país como se ele fosse mais um dispensável pedaço de lixo do Império. ‘Sim, porque não livrarmo-nos dele, mandá-lo embora’. É absolutamente ultrajante aceitarmos este tipo de disparates e que isso tenha eco nos grandes meios de comunicação.

 

Com que direito os meios de comunicação fazem este julgamento? Pior ainda, nós aceitamos isso como uma forma legítima de apresentar as notícias, em que a 'opinião correcta' é impecavelmente embrulhada lá pelo meio. Estão a pressupor que nós temos todo o direito a nos pronunciarmos sobre o destino de outros, ainda por cima quando as mesmíssima apresentadora das 'notícias' ajudou a diabolizar o Kadafi e a transformá-lo no outro.

 

Talvez se ela tivesse perguntado também, ‘E que tal dar à NATO uma estratégia de saída?”, eu tivesse mais simpatia por ela mas isso não alteraria o ponto fundamental de que a apresentadora está totalmente mergulhada na ideia de que nos podemos comportar como nos apetecer, que podemos cometer crimes cada vez piores em nome da prevenção de crimes! A arrogância do Império não tem limites.

 

 

 

Noutro sítio, um apalermado militar britânico apela à demolição do que resta da Líbia e ao rebentamento de Kadafi, dobrando ainda mais as 'regras' do que aquilo que já tem acontecido. Está aqui um militar a agir e a comportar-se como se fosse um político eleito e a BBC não vê nenhum problema nisso:

“O General Sir David Richards disse ao jornal Sunday Telegraph que deveriam ser lançados ataques directos contra a infra-estrutura que apoia o regime do Coronel Kadafi.” — ‘Líbia: Fox apoia o pedido de uma intensificação da campanha‘, sítio da BBC News, 15 de Maio de 2011

Fazendo eco do apelo de Liam Fox, Ministro da 'Defesa' conservador, que declara concordar com Richards em relação à necessidade da Nato 'subir a escala' do ataque à Líbia, a BBC disse tudo:

‘Dentro das regras’
A retirada do Coronel Kadafi não é um objectivo militar especificado desta acção.
Mas na entrevista ao Telegraph, o General Richards disse que estaria “dentro das regras” se ele fosse morto num ataque a um centro de comando e controlo.” (ibid)

E numa outra peça igualmente enganadora, ‘Por que é que a ONU agiu na Líbia e na Costa do Marfim – mas não na Síria’, a BBC diz as coisas como elas são, o ponto de vista do Império é:

‘Claire Bolderson observa a forma como a ONU apresentou a resolução e pergunta se é ou não provável que faça o mesmo noutros locais.
/../
Com um mês de rebelião, cidade atrás de cidade, estavam todas a ficar sob controlo do s líderes líbios e o Coronel Kadafi estava a ameaçar varrer a oposição.
Na ONU receou-se um massacre. — ‘Por que é que a ONU agiu na Líbia e na Costa do Marfim mas não na Síria‘, sítio da BBC News, 16 de Maio de 2011

Reparem que a BBC insere o pressuposto, agora feito facto, de que um massacre estava prestes a acontecer, uma pressuposto baseado em nada mais do que rumores.

O que é interessante é que, excluindo a menção à intervenção francesa na Costa do Marfim (também feita a coberto da ONU), nenhum dos outros países do Médio Oriente, para além da Síria (obviamente) são aqui explicados. Pelo contrário, podemos ler,

“Enquanto o Egipto e a Tunísia passaram por aquilo que o embaixador francês nas Nações Unidas, Gerard Araud, chamou de “transições civilizadas”, no caso da Líbia ele afirma que “nas nossas fornteiras, do outro lado da rua da Europa, poderíamos ter tido um incrível banho de sangue”".

‘Transições civilizadas’? Quais transições? E tão perto de casa? Não houve nenhumas transições em lado nenhum. Em vez disso nós lançámos um banho de sangue para distracção. O ponto fulcral é que, tal como na citação do Channel 4, estão a ser feitas muitas presunções sobre o nosso direito divino a intervir onde nos apetecer, conforme nos apetecer.

 

Kadafi, Líbia, Nato

 Cartoon de Pavel Constantin, Roménia

 

A questão que o artigo coloca, ‘Por que é que a ONU agiu na Líbia e na Costa do Marfim – mas não na Síria’, não é respondida, excepto de uma forma enviesada. É citado Carne Ross, 'director da consultora Independent Diplomat [1] e termina com a previsível conclusão,

“”Se a Líbia se tornar um lamaçal – uma prolongada guerra civil – então haverá muito mais hesitação sobre este tipo de intervenções no futuro”"

Portanto não se discute a legalidade, muito menos a moralidade de tais acções. Em vez disso, o artigo preocupa-se com o facto de se Kadafi não for removido agora, isso tornará mais difícil fazer o mesmo noutros países no futuro! Aí têm; os media a marcharem lado o lado com o Império.

 

Nota

1. ‘Independent diplomat’ [Diplomata Independente]? Vejam aqui os membros da direção entre os quais estão:

 

Avis Bohlen, antigo Secretário de Estado do Controlo de Armas; antigo embaixador dos EUA na Bulgária; antigo Chefe de Missão na embaixada dos EUA em Paris; antigo Assistente de Secretário de Estado para Assuntos Europeus e Canadianos; presidente da direcção do Conselho Internacional de Investigação & Intercâmbio (IREX) e membro da Academia Americana de Diplomacia.

 

A. Whitney Ellsworth (Presidente)

Consultor de publicações; antiga editora da revista literáriaThe New York Review of Books; antigo membro da direcção e presidente da Amnistia Internacional EUA; antigo membro e vice-presidente do Comité Executivo Internacional da AI; membro da direcção e secretário da associação de defesa dos direitos humanos Human Rights First e membro da direcção da Fundação Andrei Sakharov(EUA).

 

 

Texto de William Bowles publicado em WilliamBowles.Info a  16 de Maio de 2011. Tradução de Alexandre Leite para a Tlaxcala.

publicado por Alexandre Leite às 12:00
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Todos os textos aqui publicados são traduções para português de originais noutras línguas. Deve ser consultado o texto original para confirmar a correcta tradução. Todos os artigos incluem a indicação da localização do texto original.

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