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Segunda-feira, 14 de Novembro de 2011

Crise ecológica global: Quando 7000 milhões de pessoas não são o probelma

Segundo os modelos demográficos da ONU, a população mundial alcançou os 7.000 milhões de habitantes por estes dias. Estes modelos mostram que o ritmo de crescimento da população está a abrandar devido a uma descida significativa da taxa de natalidade, embora o crescimento continue, fundamentalmente, pela diminuição da taxa de mortalidade.

 

O crescimento da população mundial aconteceu em paralelo com o agravamento da Crise Ecológica Global, o que levou alguns a afirmar que ela se devia à “sobrepopulação”. Como veremos, esta afirmação carece de sentido e, habitualmente, é utilizada para desviar a atenção da verdadeira causa da Crise Ecológica: a organização –ou, melhor dizendo, desorganização – da produção sob o sistema capitalista.
Como podem falar de “sobrepopulação” quando todos os habitantes do planeta caberiam numa superfície semelhante à do Japão, com densidades semelhantes à da zona mais povoada do globo, Macau, com 18.534 pessoas por quilómetro quadrado?

 

As cifras deixam claro que as grandes problemáticas que conformam a Crise Ecológica não respondem de forma prioritária ao crescimento da população mundial. Por exemplo, segundo a ONU, perto de 24.000 pessoas morrem a cada dia que passa, de fome ou por causas relacionadas com a fome, quando se produzem dois quilogramas de alimentos por pessoa por dia. Isto é, as pessoas não morrem de fome por falta de alimentos, mas por falta de dinheiro para os comprar.

 

 Cartoon de Dario Castillejos, Dario La Crisis

 

Entre 1890 e 1990, a população mundial multiplicou-se por 3,5 enquanto as emissões de CO2 (que contabilizam cerca de 60% das Alterações Climáticas) o fizeram por 17 vezes e as emissões de SO2 (que produzem chuva ácida) por 13. O Pentágono é a instituição responsável pelo maior consumo de petróleo no Planeta e uma das que mais gases com efeito de estufa emite. Os Estados Unidos, com 4% da população mundial, emitem 25% dos gases com efeito de estufa. No período de 1990 a 2000, a população do estado espanhol cresceu ligeiramente, enquanto o consumo de energia primária aumentou 38% e cerca 45% o parque automóvel. Estas cifras mostram-nos que as Alterações Climáticas e outras problemáticas relacionadas com a contaminação atmosférica não respondem ao crescimento da população mundial.

 

A maior parte da população mundial consome muito pouco (tem uma pegada ecológica muito baixa) e não decide sobre a produção. E não pensemos só nos países empobrecidos. Por exemplo, no Estado espanhol, a pegada ecológica dos grandes empresários é muito maior que a dos 60% que anda à rasca para chegar ao fim do mês e que, para além disso, não toma decisões no que respeita aos processos produtivos – que é onde se geram directamente mais impactos socio-ambientais. O movimento ‘Ocupemos Wall Street’, os indignados dos Estados Unidos, estão a deixar isso bem claro quando apontam o dedo não aos 7.000 milhões de habitantes mas sim a 1% deles, grandes milionários que controlam muito mais (governos e multinacionais), consomem muito mais e destroem muito mais que todo o resto junto. Não se degrada capital natural por sermos muitas pessoas, mas porque isso traz benefícios para uns poucos e prejuízos para a maioria.

 

Um aumento repentino da densidade de habitantes pode ser a causa mais importante de degradação ambiental em momentos muito definidos em zonas muito concretas. Por exemplo, as crises dos Tigres Asiáticos nos finais dos anos noventa e a crise actual na China obrigaram centenas de milhares de trabalhadores a migrar de zonas industriais para o meio rural. Nas suas novas terras, estes migrantes cultivaram em zonas montanhosas sem conhecer as técnicas tradicionais de conservação de solos, provocando uma forte erosão, desflorestação, contaminação de rios, etc. Fenómenos semelhantes foram registados em zona de assentamento de campos de refugiados. Mas nestes casos específicos não podem levar-nos concluir que o crescimento da população mundial é a causa da Crise Ecológica Global. Para além disso, como vemos nestes exemplos, as migrações que acarretam grandes concentrações desordenadas de população têm, em última análise, uma origem socioeconómica.

 

A evolução da população não é um facto isolado do contexto socioeconómico, pelo contrário, depende estreitamente dele. Num mundo repleto de injustiças sociais e onde a mulher é oprimida, os filhos convertem-se em trabalhadores necessários para as famílias pobres e as mulheres não podem decidir sobre as suas gravidezes. Num mundo mais justo, onde não se dê prioridade aos benefícios de uns poucos e onde as mulheres deixem de estar oprimidas, a população mundial irá estabilizar e a organização democrática da produção irá levá-la pelo caminho da sustentabilidade.

 

Texto de Jesús Castillo publicado em Novembro de 2011 na En Lucha. Tradução de Alexandre Leite.

publicado por Alexandre Leite às 13:00
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