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Domingo, 23 de Junho de 2013

Um mundo de obesos e famélicos

Hoje, enquanto milhões de pessoas no mundo não têm nada para comer, outros comem demais e mal. A obesidade e a fome são duas faces da mesma moeda: a de um sistema alimentar que não funciona e que condena milhões de pessoas à má nutrição. Vivemos, definitivamente, num mundo de obesos e famélicos.

As cifras são claras: 870 milhões no mundo passam fome, enquanto 500 milhões têm problemas de obesidade, segundo o relatório “O Estado Mundial da Agricultura e da Alimentação - 2013”, publicado há pouco tempo pela FAO (Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura), e que este ano analisa a chaga da má nutrição. Uma problemática que não afeta apenas os países do Sul, mas que aqui no Norte nos afeta cada vez mais.

A fome severa e a obesidade não são mais que a ponta do icebergue. Como refere a FAO, dois mil milhões de pessoas padecem de deficiências de micronutrientes (ferro, vitamina A, iodo…), 26% das crianças têm, como consequência, um atraso de crescimento. Segundo a FAO 1400 milhões vivem com excesso de peso. O problema da alimentação não consiste apenas em saber se se pode comer ou não, mas também em saber o que é ingerido, em que quantidades, com que proveniência, como foi elaborado. Não se trata apenas de comer, mas sim de comer bem.

Os que têm menos recursos económicos são os que terão mais dificuldade em aceder a uma boa alimentação saudável, quer seja por não lhes ser permitido, quer seja por não a valorizarem. Nos Estados Unidos, por exemplo, a obesidade afeta principalmente a população afroamericana (36% do total) e a latina (29%), segundo o Centro de Controlo e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos. A posição de classe determina, em boa medida, o que comem.

A crise económica ainda piorou esta situação: cada vez mais pessoas são impelidas a comprar produtos baratos e menos nutritivos, segundo se conclui no relatório “Geração XXL” (2012), da companhia de investigação IPSOS.  É afirmado que na Grã-Bretanha, por exemplo, a crise fez com que as vendas de carne de cordeiro, verduras e fruta fresca tenham diminuído consideravelmente, enquanto o consumo de produtos enlatados, tais como bolachas e pizas, aumentou nos últimos cinco anos. Uma tendência generalizada noutros países da União Europeia.

Milhões de pessoas padecem atualmente das consequências deste modelo de alimentação fast food, que acaba por nos adoecer. As doenças vinculadas ao que comemos não pararam de aumentar nos últimos tempos: diabetes, alergias, colesterol, hiperatividade infantil, etc. E isto traz consequências económicas diretas: segundo a FAO, a estimativa global do custo económico do excesso de peso e da obesidade foram, em 2010, aproximadamente 1,4 mil milhões de dólares [cerca de mil milhões de euros].

Mas quem é que ganha com este modelo? A indústria agroalimentar e a grande distribuição, os supermercados, são eles os principais beneficiários. Alimentos quilométricos (que vêm do outro lado do mundo), cultivados com doses altas de pesticidas e fitossanitários, em condições laborais precárias, prescindindo dos camponeses, com pouco valor nutritivo… são alguns elementos que os caracterizam. Em definitivo, um sistema que coloca à frente das necessidades alimentares das pessoas, os interesses particulares do agronegócio.

Fome
Cartoon de Emad Hajjaj, Jordânia

Como afirma Raj Patel na sua obra Obesos e Famélicos (Los libros del lince, 2008): “A fome e o excesso de peso globais são sintomas do mesmo problema. (…) Os obesos e os famélicos estão vinculados entre si pelas cadeias de produção que levam os alimentos desde o campo até à nossa mesa”.  E acrescento: para comer bem, para que todos possam comer bem, há que romper o monopólio destas multinacionais na produção, distribuição e consumo de alimentos. Para que acima do afã do lucro, prevaleçam os direitos das pessoas.

 

Texto de Esther Vivas publicado em Junho de 2013 na revista eletrónica Ets el que menges [Somos o que comemos]. Tradução de Alexandre Leite.

publicado por Alexandre Leite às 19:00
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1 comentário:
De Alexandre Leite a 25 de Junho de 2013 às 23:42
As famílias portuguesas com menos rendimentos e menores graus de escolaridade tendem a ter maiores prevalências de obesidade e de diabetes, alertou hoje o diretor do Programa Nacional para a Promoção da Alimentação Saudável.

http://www.dn.pt/inicio/portugal/interior.aspx?content_id=3289561&success=1

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