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Quinta-feira, 24 de Outubro de 2013

Europa, o velho ventre imundo

O velho ventre imundo da extrema direita pode continuar a parir monstros, advertia Bertolt Brecht. Aí estão, para o provar, os neonazis italianos que homenageiam o nazi Priebke, que assassinou 335 italianos nas Grutas Ardeatinas em Roma, os neonazis gregos da Aurora Dourada, o crescimento da extrema direita nos países nórdicos e na França, com a  Frente Nacional de Jean-Marie e Marine Le Pen, e inclusivamente o Tea Party estadunidense. A xenofobia, o racismo, o anti-semitismo, o chauvinismo, a demagogia, o liberalismo extremo, a recusa da solidariedade social, da justiça social, do socialismo, caracterizam estes movimentos que dizem combater o grande capital embora o sirvam e, como Hitler quando apelidava de “socialista” o seu nacionalismo e adoptava uma bandeira vermelha, ou Mussolini com a sua República Social, tentam agitar tradicionais bandeiras da esquerda para conseguir popularidade e praticar uma política reaccionária.

São movimentos com base nas classes médias baixas conservadoras esmagadas e condenadas pela política do grande capital financeiro mas que -estimulados pelos grandes meios de comunicação- desviam o seu ódio contra o movimento operário, os sectores mais pobres da população, como os imigrantes, os Outros (muçulmanos, judeus, ciganos) e os “políticos” e não contra os seus verdugos. Estes movimentos reaparecem e prosperam nos momentos de crise económica e de necessidade de redefinições políticas: os anos 20 depois da Primeira Guerra, em Itália, pouco depois na Alemanha em crise, na França, Espanha e Inglaterra, Hungria, Roménia, Polónia nos 30, novamente em Itália com o Uomo Qualunque de Guglielmo Giannini em 1944-1946, logo a seguir à guerra e quando era preciso definir se o país seria monárquico ou republicano, de novo na França com Pierre Poujade em 1953.

Este último, pequeno comerciante (tinha uma livraria/papelaria) formado entre os fascistas franceses de Jacques Doriot e ex-militante do regime racista e fascista de Vichy, colaboracionista com os alemães até terem ocupado toda a França, chegou a fazer comícios com 200 mil pessoas e a obter 11.6 por cento dos votos e 52 deputados, um dos quais foi Jean-Marie Le Pen, ex-combatente em África contra a independência das colónias francesas. Poujade sonhava um capitalismo de pequenos e médios comerciantes e industriais, sem estrangeiros nem sindicatos nem grandes capitalistas e financeiros (para ele todos judeus e maçons), com um Estado de “Ordem”. Ao contrário da Frente Nacional de Le Pen, que tem hoje o apoio de mais operários que todos os partidos “de esquerda” juntos, o seu movimento semifascista de massas, antecessor da Frente Nacional lepenista, acabou por se dissolver entalado por um lado pela forte resistência dos trabalhadores e da intelectualidade esquerdista e, por outro lado, pelo veloz crescimento do capitalismo francês nesses anos, que lhe retirou a base das massas.

Marine Le Pen e a sua FN acabam de derrotar a aliança de todos os outros partidos de centro-direita e de centro-esquerda, nas eleições locais em Brignoles no departamento de Var, uma zona conservadora do sul de França. A abstenção chegou a 60 por cento demonstrando que a maioria não apoiava ninguém nem acreditava em ninguém. Dos votos expressos, a FN conseguiu 53 por cento dos votos (ou seja uns 20 por cento do eleitorado potencial). Parte da centro-direita evoluiu para o neofascismo, disfarçado para a ocasião de direita nacionalista “responsável”.


Frente Nacional, UMP, fascismoCartoon de Chappatte, Suiça


Como se fabrica o caldo de cultura destes movimentos? Graças ao centro e à pseudo-esquerda. Nos anos 20, por exemplo, os conservadores italianos optaram pelo fascismo para enfrentar os operários. Os sindicatos socialistas reformistas submeteram-se ao governo de Mussolini. É sabido, os comunistas dirigidos por Estaline-Togliatti acreditaram que era possível uma frente com os “irmãos de camisa preta” contra o grande capital e, uns anos depois, Estaline fez o pacto Molotov-Ribbentropp que reforçou Hitler e Mussolini. Igualmente o partido comunista alemão tinha feito acordos com os nazis contra a social-democracia que governava Berlim, por considerá-la o inimigo principal  e legitimou assim Hitler. No início os comunistas franceses apoiaram Poujade acreditando poder manipulá-o. Para além disso, no plano ideológico, o nacionalismo e o chauvinismo dos grandes partidos comunistas italiano e francês (o primeiro com as suas reivindicações territoriais contra a Jugoslávia em Trieste e Ístria, o segundo com a sua greve contra “o aço alemão” em apoio da siderurgia francesa e com a expulsão de trabalhadores de cor nalgumas localidades parisienses que controlava), uniram-se ao racismo dos socialistas franceses na defesa a qualquer custo do colonialismo na Indochina e na Argélia “francesa”. Não é de estranhar que ex-votantes e membros do partido comunista francês apoiem hoje a Frente Nacional nem que o chauvinismo deste aumente quando o ministro do Interior de Hollande, o “socialista” Valls, declara que os roms ou ciganos devem ser expulsos porque têm características genéticas inassimiláveis. Se os socialistas fazem a política da direita na Grécia, em França, na Escandinávia e o grande capital necessita eliminar totalmente a resistência operária e, sobretudo, afastar o medo de ruptura social como consequência da suas políticas de ajuste, como se pode esperar que o centro-direita não deslize para a extrema-direita, como se pode esperar que ela não cresça abrindo caminho a governos “duros”? O antídoto contra a direita é, antes de mais nada, uma campanha de educação e uma política anticapitalista, um governo dos trabalhadores de todo o tipo, pluralista, democrático, internacionalista. Se é para enterrar a velha República capitalista, tem de ser para dar origem a uma República social e solidária de todos os trabalhadores nativos ou imigrados.


Texto de Guillermo Almeyra publicado no jornal mexicano La Jornada  em Outubro de 2013. Tradução de Alexandre Leite.

publicado por Alexandre Leite às 19:00
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