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Domingo, 10 de Dezembro de 2006

Os mortos não contam histórias

As bombas de Londres foram uma tramóia?

Mohammed Hanif, 31, e Abdul Mateen, 22, de Deeplish em Rochdale foram apanhados em Glasgow com 10kg de droga, avaliada em 1 milhão de libras britânicas [cerca de 1 milhão e meio de euros] em valor de mercado. Hanif alegou que Mateen o tinha levado a Glasgow para buscar 500 libras [perto de 700 euros] que um outro asiático lhe estava a dever, por causa de um carro.

Os detectives da polícia de narcotráfico de Strathclyde, seguindo uma denúncia, prenderam a parelha e encontraram a droga na mala do carro.

news.scotsman.com/topics.cfm?tid=1162&id=1453462004

 

Sou desconfiado em relação a teorias da conspiração, especialmente quando envolvem esquemas muito retorcidos. Guio-me pela lógica de Occam[1], no entanto, desde os acontecimentos de 7 de Julho, algo me estava a incomodar sobre a natureza dos últimos ataques terroristas, e não apenas o momento escolhido mas também os métodos. Chamem-lhe uma intuição se quiserem, mas à medida que era disponibilizada mais informação acentuaram-se as minhas suspeitas de que nem tudo seria como parecia. E como os quatro jovens estão (convenientemente) mortos, nunca ouviremos o que têm a dizer sobre esta história.

Considerem os seguintes factos:

Os quatro conheciam-se entre eles, tinham viajado juntos nesse dia, dois a partir de Leeds, um amigo de Leeds que se tinha mudado para Luton e um rapaz Jamaicano que tinha chegado recentemente a Aylesbury.

Os quatro homens apanharam o comboio de Thamesmead de Luton para King Cross, Londres, com mochilas às costas. Parecia, disse um polícia que viu as filmagens da segurança do edifício da estação de King Cross, que iam passear, de férias, rindo e brincando.

Separaram-se, três para morrerem daí a 20 minutos, o quarto, um rapaz de 18 anos, uma hora mais tarde, na parte de trás do segundo andar de um autocarro.

Apesar de um deles ter um belíssimo Mercedes vermelho, eles alugaram um carro que deixaram em Luton, antes de seguirem para Londres, de comboio. Este é um método usual dos correios da droga, já que a tecnologia de leitura das matrículas, usada pela polícia, torna os correios de droga muito vulneráveis a serem identificados.

Pelo menos dois, tinham registo criminal por pequenos crimes, assaltos em lojas e fraude, e dois dos homens de Leeds tinham feito algumas viagens ao Paquistão, uma conhecida fonte de heroína (a maioria da heroína consumida na Europa e nos Estados Unidos vem do Afeganistão, e muita dela é traficada através do Paquistão). O bairro de Leeds, de onde três dos jovens eram oriundos, é conhecido como um local de venda de droga.

Se assumirmos que pensavam que transportavam sacos de droga, talvez até o tenham feito antes, uma ou duas vezes, “sem fazer perguntas”, apenas entregar a encomenda e receber a massa.

São-lhes dadas instruções, talvez para se encontrarem com alguém no metro ou no autocarro, e para entregarem as mochilas. Talvez tivessem de procurar um sinal pré combinado ou algo que identificasse o receptor. “Deixa a encomenda e recebes as tuas mil libras [+- 1500 euros] quando voltares.” Dinheiro fácil. Quatro jovens trabalhadores, para quem o chamamento de dinheiro fácil e rápido é difícil de resistir, as mulas perfeitas.

Assumam portanto, que eles julgavam transportar droga, talvez levantando a encomenda em Luton e transportando-a para Londres. Para reduzir a possibilidade de intercepção, é muito comum fazer a entrega da droga em separado.

As bombas estão programadas para rebentar às oito, na hora de ponta, e convenientemente os que as transportam são mortos. Sem testemunhas, sem forma de seguir pistas até chegar a quem os tramou. A polícia está a dizer quem os organizou já saiu provavelmente do país.

A história oficial é de que não foram usadas bombas-relógio, mas uma primeira nota da polícia alegava que de facto teriam sido usados temporizadores (ver “Temporizadores Usados nas Bombas, Diz a Policia ; Encontrados Paralelos com Madrid”). Se eles eram realmente bombistas suicidas, somos levados a pensar que independentemente de onde quer que estivessem, deveriam detonar as bombas precisamente às 8:50 da manhã.

 

A Hora-Limite

Para que a história oficial seja credível, pedem-nos que acreditemos no seguinte cenário:

Parecem posar (convenientemente) para as câmaras de vídeo de segurança na estação de Kings Cross às 8:30 da manhã, a apenas 20 minutos de três das explosões (8:50) e depois seguem para três diferentes localizações e fazem detonar as bombas com diferenças de alguns segundos entre eles (a bomba do autocarro parece não corresponder à mesma precisão das outras detonações). E lembrem-se que os telemóveis não funcionam na rede subterrânea do metro.

Agora, assumindo que seguiu cada um o seu caminho e todos apanharam logo diferentes composições até ao momento em que as bombas foram detonadas, será que planearam fazê-lo em 20 minutos (ou menos)? O tempo médio gasto entre cada estação, no metro de Londres, é de 4 minutos (algumas menos, especialmente as do centro da cidade).

De Kings Cross a Aldgate são cinco estações; Kings Cross-Farringdon, Barbican, Moorgate, Liverpool Street e Aldgate, na Linha Circular. A bomba rebentou entre Liverpool Street e Aldgate. Teriam os bombistas tempo suficiente para chegar à a estação, a partir da estação principal, esperar por uma composição e ir para o local em menos de vinte minutos (isto assumindo que depois de terem sido filmados pelas câmaras de segurança, apanharam o metro imediatamente).

Russell Square fica apenas a uma paragem, na Linha Piccadilly. O bombista tinha de descer dois lanços de escadas (é uma das linhas que ficam a maior profundidade, em Londres) e esperar por uma composição.

Edgeware Road fica a quarto paragens, King Cross-Euston Square, Great Portland Street, Baker Street e Edgeware Road, também na Linha Circular mas no sentido oposto.

 

A bomba no autocarro

A polícia alegou que o quarto bombista pretendia apanhar o metro da Linha Norte mas por alguma razão trocou pelo autocarro (a Linha Norte também passa por Kings Cross), mas trocou porquê? Os autocarros são bastante irregulares e como há uma diferença de perto de uma hora entre o momento em que rebentou a bomba do autocarro e as outras, e a polícia diz que não foram usados temporizadores, como se explica esta diferença? Poderia ter acontecido algo de errado com o relógio? Provavelmente nunca saberemos. Mas parece estranho a bomba ter rebentado no andar de cima do autocarro e não no andar de baixo, onde teria provocado maiores danos. A principal força da explosão parece ter sido para cima e o tecto é de alumínio leve, feito apenas para proteger das intempéries. Uma fotografia do autocarro, tirada uns segundos após a explosão, mostra algumas pessoas, em pé, no andar de cima do autocarro, à espera de descerem. Se o homem, o jovem Jamaicano que transportava a bomba, era um participante voluntário, com certeza se teria posicionado onde faria mais estragos, na parte de baixo, não lá em cima! E para além disso, na parte de trás?

Fontes policiais disseram à BBC que não tinham recuperado nenhum aparelho de medição de tempo, nos locais das explosões, possivelmente indicando que a detonação foi manual.

news.bbc.co.uk/1/hi/uk/4676861.stm

 

Sem temporizador, quais são as probabilidades das três bombas estarem dentro de uma carruagem e detonarem exactamente ao mesmo tempo? Como teriam sido capazes de se sincronizarem de forma tão precisa e saberem que estavam todos em posição?

Depois, temos a facilidade com que a polícia os identificou. Inicialmente, foi assumido que eles eram vítimas das bombas, mas depois passaram a culpados (news.bbc.co.uk/2/hi/uk_news/4678837.stm). Como?

 

O que levou a polícia e apontar os quarto jovens das imagens da segurança? O facto de todos terem mochilas ou de todos serem Asiáticos e Afro-Caribenhos? Qualquer pessoa que conheça Londres saberá que montes de pessoas têm daquelas mochilas e que até são incómodas nos autocarros e nos comboios, pois fazem com que uma pessoa ocupe o dobro do espaço normal.

A reportagem da BBC “Longe de terminada, a investigação sobre a bomba” é lapidar ao dizer que

É quase inconcebível que os quatro indivíduos tivessem actuado por si próprios.

Um grupo de desconhecidos, principalmente jovens, poderia ter a intenção de “fazer alguma coisa”, mas ter a capacidade de transformar essa vontade em acções implicaria uma mais ampla habilidade.
news.bbc.co.uk/1/hi/uk/4678807.stm

Embora eu concorde que eles tenham sido usados, não há nada no seu passado que sugira alguma ligação aos chamados extremistas, mesquitas, perigosos Imãs ou o que quer que fosse. Mas dizem-nos que

A melhor prova para isto vem dos explosivos utilizados – explosivos plásticos de alta qualidade que se calcula não tenham sido feitos em casa.

Este tipo de explosivos é de difícil obtenção no Reino Unido mas mais fácil no estrangeiro, em locais como a Europa de Leste e os Balcãs.

Outra fonte serão obviamente os serviços de segurança e/ou militares de inúmeros países, incluindo o RU.

O mais espantoso de tudo isto é o facto, admitido pelas autoridades, de que os alegados bombistas não estavam no “radar” da polícia. Alguns relatórios sugeriram que seriam “camuflados” mas eu penso, será que os autores leram muitos livros do John le Carré?

As autoridades agiram com a presunção de que os quatro jovens eram realmente bombistas suicidas, não marionetas, e claro que sem os quatros presentes para contarem a sua versão da história, é muito fácil fazer os factos encaixarem na teoria, servindo o grande objectivo ideológico do estado em apresentá-los como “fanáticos”.

A cadeia de acontecimentos parece assim apontar para o facto de a localização das explosões ter sido, em grande parte, puro acaso, determinado apenas pelas instruções dadas aos quatro sobre quando e onde deviam ir, inconscientes de que esta seria a sua última viagem.

 

Foi uma tramóia da Mossad?

Se for verdadeiro o cenário de serem correios de droga, há ainda a questão de, quem os tramou? Um aspecto desconcertante dos acontecimentos que antecederam as explosões é a história, divulgada pela AP de que Binyamin Netanyahu foi avisado para não sair do hotel (ele estava no Great Western Hotel, adjacente à estação de Liverpool Street) na manhã dos rebentamentos, tendo a história sido divulgada mais ao fim do dia

Notícia: Israel Foi Avisado Antes Do Primeiro Rebentamento

Arutz Sheva | 7 de Julho de 2005

(IsraelNN.com) Army Radio citando fontes credíveis não confirmadas noticiou há pouco tempo que a Scotland Yard teve avisos dos ataques, pouco tempo antes de terem ocorrido.

A Embaixada de Israel em Londres foi notificada a tempo, resultando daí a permanência do Ministro das Finanças, Binyamin Netanyahu, no seu quarto do hotel, em vez de se deslocar ao hotel adjacente ao local da primeira explosão, estação de Liverpool Street, onde iria participar numa conferência económica.

Neste momento, os serviços de metro e autocarros foram suspensos, na sequência dos ataques. Nenhuma organização terrorista reivindicou responsabilidades até agora.

Fontes oficiais de Israelitas indicam que o aviso da Scotland Yard não significa de forma alguma que Israel fosse um alvo nesta série de aparentes ataques terroristas.

A Mossad tem uma história bem documentada do uso de bombas para eliminar opositores ou como provocação, e fazer com que pareça terem sido outros a fazê-lo. O último caso foi o assassinato de Hariri, em Beirute, no Líbano, que uma investigação da ONU revelou ter sido um assassinato bem planeado com a bomba escondida na estrada com muita antecedência (ver ‘Como foi colocada a bomba’). Muitas vezes usam habitantes locais para efectuar as operações.

Claro que nada disto pode ser provado, são apenas conjecturas mas que fazem sentido nestas circunstâncias, com o passado dos quatro jovens e as suas movimentações, o momento das explosões, e muito importante, é uma explicação para que as explicações da polícia tenham dado tantas reviravoltas. Inicialmente disseram-nos que as bombas foram detonadas por temporizadores e que não havia bombistas suicidas envolvidos. A mudança de história faz sentido se presumirmos que os quatro jovens não sabiam que transportavam bombas. A polícia pegou nas provas e usou-as para encaixarem num cenário pré-determinado.

Claro que o governo está a usar este acontecimento para conseguir fazer passar medidas ainda mais repressivas e foi rápido a culpar a Al Qaeda e a “rede internacional terrorista” pelos mortíferos ataques.

 [1] - "As entidades não devem ser multiplicadas além do necessário, a natureza é por si económica e não se multiplica em vão". Ver http://pt.wikipedia.org/wiki/Guilherme_de_Ockham

 

 

 

 

Traduzido por Alexandre Leite, a partir de um texto de William Bowles publicado a 15 de Julho de 2005 em http://williambowles.info/ini/ini-0348.html

publicado por Alexandre Leite às 18:28
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