WTC7

.posts recentes

. Entre a espada e a parede

. Trabalho com precariedade

. Saindo da UE

. A rapina de Timor-Leste: ...

. Empresa de limpeza em Tel...

. De quem é o vírus Zika?

. Bem-vindos ao apartheid d...

. Adolescente americana ame...

. Perante o caos, o saque e...

. A canalhice final contra ...

. Atirá-los ao mar

. Pensar a violência

. O que queremos dizer quan...

. “Je Suis CIA”

. A Rússia invade a Ucrânia...


Tecnologia de FreeFind

.Arquivos


eXTReMe Tracker

.subscrever feeds

blogs SAPO
Domingo, 10 de Dezembro de 2006

Israel: chantageando o mundo

A destruição deliberada e continuada do Líbano, por pargte de Israel, pretende forçar as potências Ocidentais a ocuparem o país, na vez de Israel/EUA.

 

Passei os últimos dias sem fazer (quase) nada, excepto ler, tentando tratar os acontecimentos. Em primeiro lugar, é óbvio para qualquer pessoa que saiba alguma coisa sobre o Líbano e sobre o papel do Hezbollah na sociedade Libanesa, que a ideia de destruir o Hezbollah é ridícula, apesar de ser esse o objectivo declarado por Israel. Por isso, quais são os reais objectivos do massacre Isrealeita/Norte-Americano?

 

Para começar, Israel não está em posição de ocupar o Líbano. Nem militar nem economicamente, sendo este último aspecto mais importante. Deste modo, necessitou de criar as condições certas para que algum tipo de força de ocupação estrangeira, idealmente uma força liderada pela NATO (isto explica a oposição de Israel à ONU), seja usada.

 

“O Primeiro-Ministro [Olmert] disse que qualquer força internacional deve ser capaz de combater e ter como modelo a missão ”Liberdade Duradoura ”, do Afeganistão, e apelidou as forças das Nações Unidas presentes no sul do Líbano de ineficientes.” - jornal “Ha'aretz”, 3/8/2006.

 

Por isso, o objectivo é chantagear o mundo, ao recusar negociar um cessar-fogo, a não ser que seja usada uma “força de manutenção de paz”, efectivamente assumindo o papel de Israel/EUA. A maneira mais simples e eficaz para conseguir isto, foi destruir brutalmente o Líbano e não parar até as potências Ocidentais serem forçadas a entrar em cena. No entanto, o governo Libanês quer uma expansão da força da ONU aí existente (UNIFIL).

 

Sem dúvida que as elites governantes dos EUA e Israel viram as ruínas do Líbano como um degrau, a caminho do seu mais amplo objectivo de "derrotar" a Síria e o Irão, mas em que se baseia esta "política"? Pelo menos publicamente, os EUA e Israel apresentaram o Hezbollah como um agente a mando do Irão e da Síria. Apesar das relações do Hezbollah com a Síria e o Irão, a destruição do Líbano mostrou que, como arma de propaganda, ligar o Hezbollah ao Irão foi um falhanço total. De facto, teve um efeito completamente oposto.

 

Com forças espalhadas pelo Afeganistão e pela Ex-Jugoslávia, e com os EUA a não serem capazes de cumprir o seu papel, quer militar quer político, as chamdas negociações têm sido sobre como conseguir atingir o objectivo de Israel e EUA. Tenham em mente que há pouco mais de uma semana, tanto Israel, como os EUA, como o Reino Unido, se opunham à ideia de uma outra força ser colocada no Líbano! Como mudam as coisas!

 

Sem ser uma surpresa, os estados da UE estão, de alguma forma, relutantes em assumir o papel de obediência a Israel e EUA, ainda por cima com a situação a não correr como Israel previa. O Hezbollah provou ter uma grande tenacidade e para além disso, a ferocidade e grande escala da destruição, juntou a maior parte da sociedade Libanesa em seu apoio. Esta invasão mostrou mais uma vez as profundas divisões existentes entre as potências Ocidentais sobre tácticas e estratégia.

 

"Mas os Franceses, que são neste momento os principais candidatos a liderar uma força internacional, estão a deixar claro que a comunidade internacional não vai terminar o trabalho de Israel, e apenas irá policiar um cessar-fogo quando este tiver sido acordado pelo governo Libanês, que inclui o Hezbollah. Por outras palavras, não irá tentar desarmar o Hezbollah a não ser que o Hezbollah tenha concordado em ser desarmado. E a única receita para que isso aconteça, com a actual situação no terreno, será um acordo entre os Libaneses para, de alguma forma, incorporarem o as forças de combate do Hezbollah no Exército Libanês - que provavelmente não é o que os EUA e muito menos Israel, tinham em mente. [ênfase minha - W.B.]" - "Quem está a ganhar a Paz no Líbano?", Time Magazine, 2/8/2006.

 

Sendo assim, o plano não tem conseguido, até agora, o seu objectivo, nomeadamente, a Balcanização do Líbano. Está evidente que o plano falhou pelo facto de, nos bastidores, as conversações já envolvem a Síria e o Irão, ambos opositores à ideia de uma força de ocupação da NATO. Até que ponto foi o falhanço, pode ser avaliado pelas declarações de Telavive, cujos primeiros comentários entusiasmados sobre a completa destruição do Hezbollah, foram agora substituídos pela aceitação relutante de que, destruir o Hezbollah é apenas um desejo. Para além disso, lê-se que, em vez de uma vitória militar, a guerra terá de ser "vencida" puramente no campo de batalha da propaganda.

 

"Israel está a tentar enquadrar a sua narrativa em volta de um objectivo menor, que é diminuir bastante a capacidade de luta do Hezbollah...Mas a questão e o desafio é enquadrar a narrativa da vitória à volta de objectivos mais ambiciosos." - Gidi Grinstein, um antigo negociador e director do Reut Institute, citado por Steven Erlanger em "A Batalha de Longo Prazo: Definindo 'Victória' antes do Mundo", jornal "New York Times", 3/8/2006.

 

Penso que podemos dizer seguramente que a invasão e destruição do Líbano, como parte de uma estratégia Norte-Americana de transformação do Médio Oriente, está a ser um falhanço. Não só falhou na tentativa de despoletar algum tipo de rejeição Libanesa ao Hezbollah, como também abriu a possibilidade de uma resistência regional mais ampla, aos planos dos EUA. Ainda mais importante, revelou a vulnerabilidade dos estados subservientes dos EUA, que temem agora que as políticas aventureiras dos EUA/Israel coloquem em perigo o seu próprio poder.

 

E, quanto mais tempo durar a destruição, maior será a raiva da população Árabe, que percebe claramente que Israel não é mais do que uma força imperialista a mando dos EUA. Para além disso, a mentira de Israel ser uma “vítima” foi desmantelada, derrota que Israel infligiu por sobre si próprio. Não admira que os mestres da imprensa estejam a tentar encontrar uma forma de transformar uma derrota numa vitória.

 

Ao excederem-se a si próprios, os EUA, através do seu comandado Israel, conseguiram acima de tudo, forçar aqueles que se encontram na esquerda do governo Trabalhista, a tomarem posição e a serem contados (apesar de ainda faltar saber quantos vão ser). A ofensiva de Relações Públicas, que Blair efectuou a uma distância bem segura destas paragens, é testemunho dos danos que a invasão do Líbano tem feito, não apenas ao governo de Blair mas também à “guerra ao terrorismo”.

 

 

 
 

Texto de William Bowles, publicado a 3/8/2006, em http://williambowles.info/ini/2006/0806/ini-0442.html, e traduzido por Alexandre Leite.

publicado por Alexandre Leite às 18:46
link do post | comentar | favorito
|

Todos os textos aqui publicados são traduções para português de originais noutras línguas. Deve ser consultado o texto original para confirmar a correcta tradução. Todos os artigos incluem a indicação da localização do texto original.

Creative Commons License
Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons.

Crise Alimentar

A maior demonstração do falhanço histórico do modelo capitalista



Em solidariedade com a ACVC

Camponeses perseguidos na Colômbia

"Com a prosperidade dos agrocombustíveis, a terra e o trabalho do Sul estão outra vez a ser explorados para perpetuar os padrões de consumo injusto e insustentável do Norte"



Investigando o novo Imperialismo

↑ Grab this Headline Animator


.Vejam também:

Associação de Solidariedade com Euskal HerriaManifesto 74
Sara Ocidental Passa Palavra
XatooPimenta NegraO ComuneiroODiárioResistir.InfoPelo SocialismoPrimeira Linha
Menos Um CarroJornal Mudar de Vida
Blogue OndasBioterra





InI Facebook

.Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.