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Domingo, 10 de Dezembro de 2006

Está naquela altura outra vez – de mais um ‘plano terrorista’

“Por vezes teremos de alterar algumas das nossas liberdades, a curto prazo, para poder prevenir o seu uso errado por aqueles que se opõem aos nossos valores fundamentais e destruiriam todas as nossas liberdades do mundo moderno.” – Ministro do Interior, John Reid

É realmente espantoso que ninguém veja o paradoxo de Reid a pedir a abolição do que resta dos nossos direitos civis, para os preservar, mas também não há nenhuma lógica na “guerra ao terrorismo”, é ela própria um contradição.

Quanto à noção de Reid dos “valores fundamentais”, presumimos que eles incluem a indiscriminada destruição de sociedade e da sua população e ficar a ver enquanto os seus aliados fazem o mesmo. Não apenas ficar a ver mas exortá-los a isso, pelo amor de Deus!

E também espantoso é o pedido de Reid para destruir os nossos direitos, ao mesmo tempo que acusa aqueles que, alega ele, os destruiriam.

Será mesmo demasiado impossível, admitir que pessoas que conseguem falar com tanta hipocrisia e que têm as mãos banhadas em sangue de dezenas de milhares de inocentes, pensariam duas vezes em engendrar um plano, se pensassem que isso favorecia os seus objectivos?

Sim, eu sei, eu não tenho provas para me apoiar, para além dos recentes registos históricos (e não tão recentes) e os lapsos e contradições da máquina de propaganda do estado, à medida que nos prepara para o Der Tag[N.T.1].

O problema para nós é que a palavra conspiração tem sido tão maltratada que agora apenas se usa para tolos e maluquinhos, mas o facto é que, o próprio estado é uma conspiração de uma classe sobre a outra. Com tanta coisa em jogo, não há nada, literalmente, que eles não façam para se manterem agarrados ao poder, incluindo a fabricação de provas de forma a iniciar guerras ilegais. Não me digam que a invasão e destruição do Iraque não foi o resultado de uma conspiração internacional!

Foram fabricadas provas em grande escala, foram ditas mentiras a todo e qualquer um e as mentiras foram divulgadas por uns media corporativos e estatais cúmplices. Não é preciso haver um grupo de pessoas, algures num quarto escuro, a planear esquemas. Temos a política governamental e tem lugar nos mais altos níveis do governo. É este o papel da classe política, preservar o domínio do capital, a qualquer custo.

E sim, eu sei que é difícil aceitar o facto de que o estado vá tão longe para “ajustar” as pessoas, mas os registos mostram que isso aconteceu vezes sem conta e tenham em atenção que o estado tem efectivamente recursos ilimitados e exércitos de servos leais, pagos e treinados para obedecer a ordens. Esta é a nossa realidade, quer as pessoas estejam preparadas para a aceitar, quer não.

Aparentemente, a “guerra ao terrorismo” pode durar meio século, dizem-nos, mas independentemente de quanto tempo durar esta desonesta guerra, implicará viver sob a bota do estado. Pode não usar botas militares, mas será cada vez mais impiedoso na anulação de qualquer protesto. Com o avançar do tempo, o espaço para divergências irá diminuir, diminuir e diminuir, até não sobrar nenhum.

Li algures que há uma relação estatística directa entre “alertas de terrorismo” e acontecimentos injuriosos para o estado. Deste modo, é seguro aceitar que o estado está envolvido até ao seu pescoço sujo, nesta última tentativa de assustar toda a gente.

Tentem-se recordar de anteriores “alertas de terrorismo” que deram em nada, nem mesmo uma tentativa ou uma intenção de fazer explodir alguma coisa ou alguém.

O pior que as autoridades conseguiram inventar foram “crimes de pensamento”, isto é, uns rapazes reuniram-se a dizer umas asneiras, pelo menos de acordo com as autoridades. Mas pensem nisto, temos governos que nos mentem sobre tudo o que fazem, incluindo a razão de destruírem países inteiros e exterminar incontáveis centenas de pessoas, quer directa quer indirectamente, como Israel no Líbano, por isso, porque é que é tão inacreditável que essas mesmas pessoas criem ameaças fictícias?

O momento do ultimo alerta é absolutamente crucial, aconteceu precisamente quando os estados Ocidentais estavam sobre crescente pressão para forçar Israel a parar a sua criminosa guerra, de exterminação e a situação no Iraque vai de mal a ao desastre completo, para os ocupantes.

Os planos que nunca chegaram a ser

Houve um plano com o veneno “rícino”, só que não havia rícino nenhum. Esqueçam o plano, mas foi esta a história espalhada pelos grandes meios de comunicação. Vejam as seguintes notícias sobre a verdadeira história do “plano do rícino”

‘O Caso de Kamel Bourgass – O som de uma mão a bater palmas ou uma conspiração’, www.williambowles.info/ini/ini-0327.html e,

‘Rícino: O plano que nunca chegou a ser, por Severin Carrell e Raymond Whitacker’, www.williambowles.info/spysrus/ricin_plot.html e,

‘Falso Terror – Anel de Rícino que nunca existiu’ por Duncan Campbell’, www.williambowles.info/spysrus/ricin_plot2.html

Depois, houve um “ataque com gás” no metro de Londres, outra história que não deu em nada.

Houve ainda um anúncio do exército, em Heathrow, de um informação sobre “terroristas” que estavam prestes a derrubar um avião com um míssil terra-ar. Como com todos os outros “alertas terroristas”, era só conversa.

A resposta do estado foi e é, “bem, nós conseguimos prevenir o ataque”, mas peçam-lhes provas e vão ter a resposta do costume, “desculpe, não podemos mostrar, é segredo de estado”.

Parece haver uma correlação directa entre a escala dos desastres do Império e a natureza do “alerta terrorista”, com cada desastre acompanhado por um alerta ainda maior.

Até agora, foram detidas 24 pessoas (e uma libertada, sem acusação) e 19 acusadas, com base em diversas legislações “anti-terrorismo”.

Como de costume, há alguns aspectos perturbantes desta última histeria, que contradizem as medidas draconianas que o governo tomou.

Em primeiro lugar, de acordo com o governo, este foi o plano mais perigoso desde o 11 de Setembro, com10 voos transatlânticos, alegadamente destinados a ser destruídos, e Blair informou Bush neste fim-de-semana que passou, no entanto o “alerta crítico” só foi anunciado DEPOIS das detenções e não impediu Blair de voar no SEU voo transatlântico para as Caraíbas, de férias.

E, de acordo com as autoridades Paquistanesas a 12/8/2006, um Britânico que foi detido nesta semana, “pôs a boca no trombone” sobre o alegado plano, precipitando o alerta. No entanto, a polícia britânica afirma ter o “grupo” sob vigilância há alguns meses.

Outro relato fala sobre um agente que estava infiltrado no grupo. Qual era o papel dessa pessoa? Era um agente provocador?

E se era uma tão grande ameaça à vida e à integridade física, porque é que as autoridades esperaram cinco dias até fazerem detenções?

Tal como nos anteriores “alertas terroristas”, todo o tipo de histórias são passados à imprensa, a conta gotas, especialmente pensados para semear a confusão e o medo. Tentar perceber os acontecimentos é difícil, mesmo com os famosos poderes (embora ficcionais) do Sherlock Holmes, mas é esse o objectivo dessa desinformação.

Se aparecerem falhas na história, como já apareceram, sem um explicação definitiva, é fácil para o estado, negar que tem alguma coisa a ver com a pletora de migalhas libertadas para a imprensa.

Na semana passada, o Min. do Interior, Reid, fez um discurso em Londres, no qual anunciou que enfrentamos “provavelmente o maior período continuado de ameaça severa, desde o fim da segunda guerra mundial” e acusou os oponentes da legislação anti-democrática governamental de estarem a minar a “guerra ao terrorismo”. O momento é conveniente, sem dúvida, levando alguns a suspeitar que Reid sabia muito bem dos acontecimentos que se passaram nesta semana.

E como de costume, as informações governamentais sobre os alegados terroristas, são tão vagas e dúbias que qualquer um que queira tentar perceber exactamente o que é que eles queriam fazer, não consegue.

Devo explicar que fazer explodir pessoas no metro e em aviões, não é a minha ideia de como fazer mudar as coisas, no máximo é um engano e no mínimo é patológica e aberta a manipulações, como temos visto vezes sem conta, por agentes do estado.

É interessante verificar que as últimas investigações revelam que a grande maioria dos “bombistas suicidas” não o fazem por razões de ordem religiosa. Pelo menos metade deles identifica-se como “de esquerda” (o que quer que isso significa hoje em dia).

“O facto principal é que, esmagadoramente, os ataques terroristas suicidas não são motivados pela religião mas mais por um objectivo estratégico claro: forçar as modernas democracias e retirarem forças militares de territórios que os terroristas vêem como a sua terra. Do Líbano ao Sri Lanka, à Tchetchénia, a Caxemira, à Cisjordânia, todos as grandes campanhas de terrorismo suicida – mais de 95% dos incidentes – tiveram como objectivo central, forçar a retirada de um estado democrático.” – Professor Robert Pape, autor de Morrendo para Vencer: A Lógica do Terrorismo Suicida.

Por isso, quando Bush lhes chama “Islamo-Fascistas”, percebeu tudo errado, mas no fundo é esse o objectivo de levantar o assunto dos Muçulmanos, porque evita lidar com as causas subjacentes e ao mesmo tempo esconde as questões essenciais.

Como assinala Pape (e ele não é de esquerda), a esmagadora maioria dos chamados bombistas suicidas são motivados por razões políticas e não religiosas. Deste modo, a infinita torrente de propaganda que tenta deitar a culpa em fanáticos religiosos, apenas ajuda a diabolizar aqueles que estão sentados em cima de recursos que o Ocidente necessita tão desesperadamente, bem como secções da nossa sociedade que são, em virtude da sua pele escura, e presumimos Muçulmanos, um bode expiatório mesmo à mão.

Historicamente, este tipo de campanhas de propaganda explora o racismo e xenofobia latentes, que são endémicos no imperialismo. De facto, pode-se argumentar que o racismo e o imperialismo permanecem inseparáveis, como tem sido durante séculos, para justificação ideológica dos crimes dos exploradores.

Quando pessoas e mesmo comissões de inquérito, falam de “racismo institucional”, o que realmente querem dizer é que todo o aparelho de estado é cúmplice na promoção de uma visão do mundo que considera a “civilização” Ocidental e os seus chamados valores, superiores de forma inata, simplesmente em virtude da “raça”. E, como revela a admissão ocasional, por um servo do estado, sem destruir o aparelho de estado, é impossível remover.

Estas formas de ver o mundo estão integradas em cada aspecto da sociedade, desde a educação ao sistema de justiça criminal. Até o nosso sistema público de saúde não escapa ao insidioso veneno da ideologia do racismo. As instituições psiquiátricas, tal como as prisões, estão a rebentar com um número desproporcionado de pessoas pobres e negras.

Num tal ambiente, é de admirar que os “alertas terroristas” sejam tão eficazes quando se focam nessas secções da nossa sociedade, já alienadas e oprimidas?

Notas

Quer acredite ou não, que o actual “alerta” é a sério, as evidências do envolvimento dos governos do Reino Unido e dos Estados Unidos em esquemas e provocações, são enormes.

‘Última Ameaça Terrorista – Mais Presciência Governamental’, Por Joel Skousen, World Affairs Brief’, 12/8/2006 http://rense.com/general73/latest.htm

‘O Plano Terrorista Britânico: Nível Dois da Surpresa de Outubro’ Hassan El-Najjar, 11/8/2006
tinyurl.com/lgwwu

O Segundo 11 de Setembro “do Pentágono”
“Outro ataque [11 de Setembro] poderia criar uma justificação e uma oportunidade para retaliar contra alguns alvos conhecidos”, por Michel Chossudovsky, 10/82006
www.globalresearch.ca/index.php?context=
viewArticle&code=CHO20060810&articleId=2942

Sete Patetas num Armazém
www.infowars.com/articles/terror/
seven_morons_in_a_warehouse.htm

Sears Tower: Governo dos EUA Cria Outra Célula da Al-Qaeda
prisonplanet.com/articles/june2006/230606searstower.htm

Canário Cozido Regurgita Plano Terrorista Reciclado
prisonplanet.com/articles/june2006/220606cookedterror.htm

‘Plano Terrorista” Canadiano Começa a Clarificar-se
prisonplanet.com/articles/june2006/060606terrorplot.htm

Raide Terrorista Inflacionado Prova Ser Um Tigre de Papel
prisonplanet.com/articles/june2006/050606terrorraid.htm

Terroristas de Toledo e Cerco Governamental
prisonplanet.com/articles/februa
ry2006/240206toledoterrorists.htm

Vinte e Três Especialistas da “Inteligência” Dizem Que o Plano Terrorista de LA era Falso
prisonplanet.com/articles/february2006/100206plotasham.htm

Bush Joga Carta Terrorista Com Um Falso Plano Terrorista em LA
prisonplanet.com/articles/february2006/100206terrorcard.htm

“Plano” do Metro de Nova Iorque: Mais Um Falso Alerta Terrorista
www.prisonplanet.com/articles/
october2005/101005faketerror.htm

VER TAMBÉM: ARQUIVO DE FALSOS ALERTAS DE TERRORISMO
www.prisonplanet.com/archive_war_on_terror.html#alerts

 

 

 

[N.T.1]. – “O Grande Dia”, em alemão.

 

 

Texto escrito originalmente por William Bowles e traduzido por Alexandre Leite. O original foi publicado em http://williambowles.info/ini/2006/0806/ini-0445.html a 12 de Agosto de 2006.

publicado por Alexandre Leite às 18:54
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