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Terça-feira, 7 de Outubro de 2014

A China tem motivos para festejar, mas em Hong Kong não querem

A 1 de Outubro de 1949 proclamou-se a República Popular da China, que ontem cumpriu 65 anos. O balanço é muito favorável. No entanto, na zona especial de Hong Kong há protestos estudantis que repudiam o socialismo.
Napoleão recomendava andar na ponta dos pés na Ásia para não acordar a China, o gigante adormecido. As potências queriam apoderar-se do mundo com o maior sigilo, mas nessa disputa pelo domínio fizeram barulho e guerras. E no meio destas guerras e revoluções, com grandes manifestações e um campesinato pobre, mas por isso mesmo susceptível de uma aliança com os trabalhadores, o gigante acordou.
E não era das dinastias Ming nem Qing. A China despertou em forma democrática em 1911 com o médico Sun Yat Sen e o partido nacionalista Kuomintang, e a partir de 1949 com Mao Tsé-Tung e o Partido Comunista da China.
No meio houve tremendas repressões, como a de 1929 por Chiang Kai-shek, do Kuomintang que mudou a linha democrática do fundador. Os comunistas, uma gota no oceano, viraram das insurreições em Xanghai para a guerrilha nas montanhas e zonas rurais. E com essa sapiência, paciência e perseverança próprias de uma cultura de 5000 anos, das grutas de Yanan, no Norte, emergiu um exército capaz de pôr em fuga Chiang. E este conseguiu chegar, com barcos norte-americanos pelo meio, a Taiwan, em 1949, quando na porta de Tiananmen, Mao proclamava a Nova China.
Uma república de pobres, de pés descalços, ali ao lado da União Soviética, que tinha feito a revolução em 1917; ao redor havia oito democracias populares depois da derrota do nazismo. Com semelhante bloco mundial, mais a República Democrática Popular da Coreia em 1953, podia mudar-se a correlação de forças mundial frente aos Estados Unidos e seus aliados.
Esses sonhos não puderam materializar-se, mas isso não obsta a que o conseguido pelo mundo socialista tenha tido enormes méritos. Seguem-se aquilatando em países como a China, que não mudou a sua condição, ao contrário de Moscovo, que implodiu, e dos governos do leste europeu, que se vieram abaixo nos anos 90.
Mao morreu em setembro de 1976. Os líderes chineses são da quarta geração, como o presidente Xi Jinping, com ideias e programas mais de acordo com os tempos. O objetivo número um é o de sempre: dar de comer, vestir e educar 1360 millhões de habitantes. Nessa tarefa consumiu-se a energia de gerações de dirigentes, nem sempre com a mesma linha política. Mas sim, todos são orgulhosamente chineses e militantes do PCC fundado em julho de 1921 por uma dezena de congressistas que representavam 48 comunistas em todo o país. Em 2007 contava com 71 milhões de membros, que devem ser mais depois de em Novembro de 2012 se ter realizado o seu XVIII Congresso Nacional e Xi ter sido eleito como secretário-geral.


Logros significativos.

O socialismo em geral e a China em particular têm os seus detractores. As campanhas fizeram-se mais agressivas nos últimos anos, quando a sua economia seguiu a caminho de destronar a norte-americana do primeiro lugar do pódio mundial.
Sendo isto o que está em causa, são sempre bem-vindos os adereços ideológicos, como o de que o país asiático não cumpre com requisitos básicos de democracia política pela sua categoria de partido único e outras argumentações que também ressoam na América Latina e Caraíbas contra os governos de Cuba e Venezuela.
O produto interno bruto da China vem aumentando, a tal ponto que nos congressos partidários se põe como meta a quadruplicação em poucos anos. No último evento ponderou-se quadruplicar em 2020 o produto bruto de 2010; com a lógica que o fundador da República plasmado no seu artigo "O velho tonto que removeu as montanhas", prevê-se que continuarão com metas tão ambiciosas como essa.
No resto do mundo não se consegue. Nos países que duvidosamente se chamam "centrais", não se cresce a taxas chinesas mas sim, pelo contrário, entra-se de forma veloz em recessões, ajustamentos, desemprego, défice, etc.
A ONU informou em 2013 que a China tinha retirado da pobreza durante 2012 a outros 23 milhões de pessoas, sobretudo das zonas rurais. Foi o resultado de "diversos esforços governamentais que incluíram destinar mais de 48 mil milhões de dólares para programas de desenvolvimento em zonas atrasadas". A taxa de pobreza na China é agora de 10,2%, uma redução de 2,5% em comparação com o ano anterior.
O presidente Xi e o primeiro-ministro Li Keqiang prometeram em 2013 que em mais dois anos retirariam 80 milhões de pessoas da pobreza, ficando esse drama basicamente resolvido. Para o conseguirem têm um programa de 35 pontos do governo que prevê um aumento do salário mínimo de 40%, mais investimento em educação e habitação pública, e um pagamento de 5% mais de dividendos das poderosas empresas estatais.
Como não só de pão vive o homem, ou de arroz, há que mencionar outras conquistas. Um dado que impressiona em termos de ciência, de indústria e de formação de uma mão-de-obra qualificada, é que a China é o terceiro país a colocar astronautas no espaço.
Em nove anos passou da sua primeira nave espacial não tripulada até à primeira caminhada espacial, a 27 de setembro de 2008. Antes, tinha enviado o seu  primeiro astronauta ao espaço em 2003, outros dois em 2005 e a primeira caminhada espacial, onde o astronauta agitou a bandeira vermelha com as cinco estrelas. Já vai na quinta missão tripulada desde 2003. Os descendentes de camponeses analfabetos assaltam o céu com as mãos e com a nave Shenzhou, e regressam invictos ao deserto de Gobi.

Motins e sedições.
Periodicamente produzem-se na China problemas políticos que não chegam aos calcanhares de outros que se suscitam noutras partes do mundo, caso do genocídio de Israel contra os palestinianos. Por razões óbvias, os acontecimentos de Pequim são deformados, ampliados e explorados politicamente, por entre acusações de ser uma ditadura.
Em junho de 1989 deu-se o golpe de Tiananmen, com um movimento estudantil que carregava uma réplica da Estátua da Liberdade. Foi ocupada a praça com vontade de derrubar o sistema socialista, ao abrigo de lemas democráticos.
O líder do PCC, Deng Xiaoping, que estava distante das políticas mais radicais da Revolução Cultural, definiu o sucedido: "eles tinham por objetivo derrubar o Partido Comunista, derrubar o sistema socialista e subverter a República Popular para estabelecer uma república burguesa".
O Exército Popular de Libertação, através do estado de sítio, recuperou Tiananmen após dias de confrontos com mortos e feridos de ambos os lados. Em sentido contrário à propaganda norte-americana, na conferência de imprensa de 6 de junho desse ano, Yuan Mu, porta-voz do Conselho de Estado, declarou que "houve mais de 5000 soldados e oficiais do EPL feridos; mais de 2000 civis feridos; a cifra de mortos segundo a estatística inicial chega a cerca de 300 entre militares e civis".
Toda a morte é lamentável, mas os críticos da China acrescentavam àquele valor pelo menos outro zero, e mentiam dizendo que todos os caídos eram estudantes.
Em novembro de 1989, quando a contra-revolução conseguiu derrubar o Muro de Berlim e a Alemanha capitalista se anexou à República Democrática Alemã, pode-se compreender melhor a sedição de Tiananmen. Queriam anular a República Popular da China, a que Mao tinha fundado nesse lugar quarenta anos antes, e fracassaram.
Algo parecido, por agora de menor escala, está sucedendo com os estudantes de Hong Kong. Estão em pé de guerra contra as autoridades dessa zona administrativa especial da República Popular, à qual regressou após muitos esforços, no dia 1 de julho de 1997, depois de ter sido uma pérola no colar de sua majestade britânica e praça financeira capitalista mundial.
A China, com a força e habilidade proverbiais, acordou com Londres a devolução dessa sua parte, admitindo que por 50 anos haveria aí um governo não socialista. "Um país, dois sistemas" foi a política preconizada por Deng Xiaoping. Pequim cumpriu a sua palavra, mas logicamente, em matéria de zonas cinzentas do acordo, procura o melhor para si. Em concreto, para as eleições da autoridade executiva de Hong Kong, que serão em 2017, quer limitar a três os candidatos, pré selecionados de uma lista, e que depois possa ser votada pelos cidadão de Hong Kong.
Para os críticos do socialismo e apologistas do capitalismo, aquela é uma pretensão "ditatorial" e comunista. Não pretendendo defender cegamente o critério de Xi Jinping, ele está dentro das possibilidades de um governo central para que uma zona importante não caia em mãos dos seus inimigos.

 Cartoon de Marian Kamensky


O que se passa é que para o grosso desse movimento estudantil, como para os seus colegas de 1989 em Tiananmen, e como para os ingénuos e não tanto como isso que nesse ano agiram em Berlim, o melhor é o capitalismo, seja prussiano, renano, fordista, produtivo, parasitário, nórdico, neoliberal, abutre. Qualquer um lhes cai bem, por isso os EUA os apoiam.
A eles custa-lhes que a China tenha soprado ontem 65 velas de socialismo. Aos Brics, Celac e boa parte do mundo agradou-lhes esse aniversário porque sabem que é um limite aos ajustes e guerras do império.

 

Texto de Emilio Marin publicado a 2 de Outubro de 2014 no jornal argentino La Arena. Tradução de Alexandre Leite.

publicado por Alexandre Leite às 19:00
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