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Quarta-feira, 13 de Janeiro de 2016

Bem-vindos ao apartheid de Israel, em que passageiros são expulos de um avião

Uma pequena cena do conflito israelo-palestiniano passou-se na semana passada na pista de um aeroporto grego.

Momentos antes do avião da companhia aérea Aegean Airlines levantar voo, três passageiros israelenses assumiram a segurança pelas suas próprias mãos e exigiram que dois passageiros, da minoria palestiniana de Israel, fossem retirados do avião. Ao fim de um impasse de 90 minutos, mais algumas dezenas de judeus israelenses se tinham juntado ao protesto, recusando sentar-se nos seus lugares [ver notícia aqui].

Tal como uma parábola ilustrativa da indulgência infinita da Europa em relação a Israel, os funcionários da Aegean sucumbiram à pressão e persuadiram os dois palestinianos a abandonar o avião.

A falta de objeções oficiais de Israel não será surpresa. Pouco tempo antes do incidente de Atenas, Israel excluiu um livro hebreu, Borderlife, dos currículos escolares porque ele relatava um romance entre uma judia israelense e um palestiniano.

O ministro da educação disse que receava que o livro pudesse socavar a "identidade étnica nacional" judia e encorajar a “miscigenação”.

Um colunista israelense observou: “Desencorajar a ‘assimilação’ é uma parte inseparável do Estado judeu”. Decorre uma estrita separação em áreas fulcrais, desde as residências até às escolas. Resultado disso, casamentos entre judeus israelenses e cidadãos palestinianos, um quinto da população, são realmente raros.

Não foi, portanto, difícil de detetar o paradoxo nos comentários do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, depois dos tiros disparados por Nashat Melhem que mataram três israelenses no primeiro dia deste ano.

Ataques deste género feitos por cidadãos palestinianos contra judeus israelenses são pouco comuns e  provocaram uma rápida condenação por parte dos líderes palestinianos. Independentemente disso, Netanyahu aproveitou a oportunidade para rotular de “criminosos” todos os 1,6 milhões de palestinianos.

Dando continuidade às suas famosas declarações na noite eleitoral de ano passado, quando avisou que os votantes palestinianos ameaçaram os resultados “vindo às mesas de voto aos magotes”, Netanyahu exigiu agora mais financiamento para a polícia perseguir a minoria “fora da lei”.

“Eu não aceitarei dois Estados dentro de Israel. Quem quer ser israelense tem de ser israelense para tudo” disse ele.

Mas na realidade sempre houve duas classes de israelenses, desde o início.

As buscas por Melhem terminaram na sexta-feira com a polícia a abatê-lo a tiro. Entretanto, a sua família mais próxima foi detida como cúmplice ou sujeita a longos interrogatórios.

Presumivelmente num esforço para pressionar Melhem, a polícia disse à sua mãe que iriam demolir a casa da família a não ser que ele se entregasse – só os palestinianos, não os judeus, enfrentam demolições de casas.

Ainda antes, quando a polícia suspeitou que Melhem estava escondido em Tel Aviv, os alojamentos de dezenas de estudantes palestinianos foram vasculhados por autoridades de armas em punho, embora sem mandatos de busca.

No fim de semana, Netanyahu condicionou um prometido aumento dos parcos recursos recebidos pela minoria palestiniana ao fim das “ilegalidades” nas suas comunidades, como se a falta de policiamento efetivo dessas comunidades fosse responsabilidade dos cidadãos palestinianos e não do governo.

A histeria que durou toda a semana contrastou com a forma com se lidou com outro terrível crime, este cometido por judeus israelenses.

No final de julho, um bando de colonos extremistas incendiaram uma casa palestiniana na cidade de Duma, na Cisjordânia. Três membros da família Dawabsheh, incluindo o bebé de 18 meses, morreram queimados.

Em quatro semanas, num padrão já habitual quando há violência dos colonos, a investigação não avançou. Depois, em setembro, o ministro da defesa, Moshe Yaalon, revelou que os culpados tinham sido identificados mas a polícia não os podia deter para evitar expor os seus informadores.

Só com os apelos internacionais e com os legisladores árabes a ameaçar recorrer ao tribunal supremo, é que as rodas do cumprimento lei começaram a rolar.

O procurador geral aprovou  pela primeira vez o uso de tortura – uma técnica de interrogatório comum para os palestinianos em Israel e nos territórios ocupados – para os judeus suspeitos.

Comentadores israelenses proeminentes  e ministros têm agonizado com os abusos sofridos por esses judeus detidos.

Bezalel Smotrich, um deputado, rejeitou publicamente tratar os assassinos dos Dawabshehs como terroristas. Quando pediram a Netanyahu que repudiasse os comentários de Smotrich, ele manteve-se em silêncio.

NeTaNYAHU falsa paz

 Cartoon de Riber Hansson, Sydsvenskan

Obviamente que ninguém sugeriu deter os pais dos judeus suspeitos – num dos casos, o rabino do colonato – ou demolir as suas casas. Não fizeram buscas nos seminários dos colonatos nem os seus estudantes foram interrogados com as armas apontadas.

Os orçamentos dos colonatos têm vindo a subir, com os colonos a receberam muito mais dinheiro do governo do que os israelenses que vivem dentro das fronteiras reconhecidas de Israel. O seu longo registo de violência e de "ilegalidades" não alterou os financiamentos estatais.

Alguns juristas alertam agora que os tribunais irão provavelmente libertar os principais suspeitos das mortes de Duma porque as suas confissões foram forçadas.

Entretanto, as comunidades de colonos de onde eram os suspeitos não se mostram arrependidas. Um vídeo recente, filmado num casamento, mostra os convidados a celebrarem as mortes dos Dawabshehs, incluindo um dos convivas que repetidamente esfaqueia uma fotografia do bebé.

Apesar de tanto os colonos como os cidadãos palestinianos padecerem de policiamento inadequado, isso acontece por razões muito diferentes.

Privar os cidadãos palestinianos do cumprimento da lei – excepto quando é para reprimir protestos – deixou as suas comunidades enfraquecidas e oprimidas pelo crime e pelas armas. Durante anos Netanyahu ignorou os pedidos dos líderes palestinianos para que fosse aumentado o controlo das armas – até agora, quando uma dessas armas foi apontada a judeus.

Os colonos vêm sendo policiados de forma branda, sendo que a sua violência era dirigida a palestinianos, quer nos terrirórios ocupados, quer em Israel. Mais de uma década de violência dos colonos – rotulada de "ataques do preço a pagar" [price-tag] – passou praticamente sem averiguações.

A verdade é que a maioria dos judeus israelenses há muito que apoia dois Israeis: um para eles e outro para a minoria palestiniana, com mais guetos e cada vez mais pobres.

Os habitantes de um Israel permanecem hostis e abusadores. Os outros, que recusam aceitar os privilégios judeus como a ordem natural das coisas – tal como a turba que insistiu que os seus concidadãos não tinham direito a partilhar um avião.

 

Texto de Jonathan Cook publicado no jornal eletrónico The Palestine Chronicle a 11 de janeiro de 2016. Tradução de Alexandre Leite.

publicado por Alexandre Leite às 16:00
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Domingo, 10 de Janeiro de 2016

Adolescente americana ameçada pela direção da escola por ser ativista pró-palestiniana

Bethany Koval, uma ativista adolescente de 16 anos, impressionantemente desafogada e consciente, de Fair Lawn, Nova Jérsia, a estudar na Escola Secundária de Fair Lawn viu ontem serem-lhe apontados os dedos por causa do seu ativismo político. Aquilo que começou por um comentário sobre um bombardeamento de uma praia de Gaza: “Eu falei sobre o número de mortos e chamei terrorista ao governo de Israel", acabou por resultar numa convocatória para ir ao gabinete do diretor da escola, onde foi intimidada, ameaçada com ações legais, e coagida a assinar uma declaração.

rGAOw42Y_400x400.jpgComo Koval foi divulgando ao longo do dia a sua experiência no Twitter, ativistas nas redes sociais rapidamente se organizaram e iniciaram um marcador (hashtag),  #IStandwithBenny [EuApoioBenny]. As notícias do assédio de que foi alvo espalharam-se como fogo a nível nacional e internacional. Já se tornou viral.

O Director acabou de me chamar. Estou prestes a ser confrontada por ser anti-Israel. Rezem por mim.

— benny (@bendykoval) 6 de janeiro de 2016

 

“Eu tenho o direito de falar”, começa assim a declaração coagida de Koval, fotografada e enviada para o mundo pelo Twitter. “O Sr. Guaginino intimidou-me para que escrevesse a declaração sem nenhum advogado presente”, referindo-se ao sub-diretor da Escola Secundária de Fair Lawn, Frank Guadagnino.

Ela é inteligente e desafiadora. “Eu expressei as minas opiniões políticas na internet sobre o governo de Israel, e irei continuar a fazer isso. Eu não serei silenciada pelo medo. Não me submeterei à intimidação."

Onze dias antes, a 27 de dezembro, Bethany Koval iniciava no sua conta do Twitter uma sequência extensa de publicações explicando em termos simples e claros por que razão Israel é um Estado de apartheid. Ela começou de forma suave, assim:

 

Israel é um Estado de apartheid. Eis porquê, de forma simples: vindo de um judeu israelense. [THREAD]

 — benny (@bendykoval) December 27, 2015

 

Sem desleixo, as publicações iniciais de Bethany citavam responsavelmente o dicionário Oxford:

 

“Apartheid” pode ser definido como uma segregação com base na raça. Alguns dizem que esse termos não se aplica a Israel porque há livre direito de voto. Mas “segregação” pode ser definido como “a separação forçada entre diferentes grupos raciais num país, comunidade ou estabelecimento”.

 

Depois ela divulgou uma ligação do jornal Times of Israel sobre os apelos de um antigo diretor da Shin Bet [Agência de Segurança de Israel] a favor de uma segregação rodoviária na Cisjordânia, divulgou artigos do jornal israelense Haaretz, bem como o vídeo horrendo e infame de uma dança num casamento de colonos onde celebravam esfaqueando uma fotografia de Ali Dawabshe, o bebé palestiniano de 18 meses queimado vivo a 31 de Julho. Toda a sequência de publicações está disponível aqui e a revista na internet Muftah republicou grande parte num artigo com o título "Como Uma Adolescente de Nova Jérsia Foi Trucidada Pela Sua Escola Por ser Pró-Palestiniana".

 

Eis a declaração completa que ela foi forçada a escrever depois de claramente ter dito “Eu não quero fazer uma declaração" e reforçando que “acredito que tenho direito a um advogado“.

 

Foi-me negado o direito a um advogado. Fui forçada a escrever uma declaração, mas eu pedi-lhes que a revogassem.

 — benny (@bendykoval) 6 de janeiro de 2016

 

Bethany Koval

Aqui ele intimidou-me a fazer uma declaração sem eu ter apoio legal.

 — benny (@bendykoval) 6 de janeiro de 2016

 

Durante as férias escolares, no dia 22 de dezembro, Koval envolveu-se numa conversa sobre Palestina/Israel e sobre a viabilidade de uma solução de dois Estados e a discussão chegou ao tema do Hamas. Koval disse que não achava que o Hamas era extremista; “O Hamas é pintado dessa forma. A retórica odiosa contra o Hamas foi o que permitiu o bombardeamento de Gaza”. Uma outra estudante da sua escola sentiu-se ofendida pelas suas publicações no Twitter e começou a debatê-las com amigos. Pareceu a Koval que talvez pudesse meter-se em sarilhos e que as suas opiniões fossem interpretadas como "discurso de ódio".

 

Ela explicou na sua declaração às autoridades: “Uma menina…disse aos seus amigos que eu não tinha direito a falar sobre isto, e não mencionou a minha etnia judaica”. Infelizmente não é a primeira vez que se desdenha origem étnica judaica de quem expõe as atrocidades de Israel. Koval escreveu que retaliou fazendo uma publicação no Twitter sobre isso, uma “mensagem geral”. A partir disso, houve estudantes que fizeram queixa dela e a acusaram de acossamento escolar (bullying), algo que é punível com uma suspensão e/ou expulsão, no Estado de Nova Jérsia.

 

“Sou acusada de bullying, penso que por eu desejar uma Palestina Livre. A liberdade de expressão é acorrentada e espancada nesta escola.”

 

Um proeminente professor universitário, Steven Salaita, publicou no TwitterOs sionistas andam agora atrás de adolescentes. Não me surpreende.” Notícias da sua situação foram traduzidas para árabe e espalharam-se rapidamente nas redes sociais da internet:

Koval árabe

 Ativistas de todo o mundo inundaram a escola e as autoridades locais comunicando o seu desagrado, tendo entretanto Koval feito um pedido para que parassem essas comunicações com a escola.

Apesar do apoio vindo de todo o mundo, Benny fez uma publicação no Twitter dizendo que os seus pais não apoiavam os seus pontos de vista.

 

Ambos os meus pais discordam de mim.

— benny (@bendykoval) 6 de janeiro de 2016

 

Depois de ter lido uma publicação alarmante dizendo que os seus pais estavam "REALMENTE furiosos" e preocupada com a sua situação em casa, eu falei com Bethany Koval. Ela está agora a ser acompanhada pelo advogado de Nova Iorque, Stanley Cohen, e evidentemente Cohen acalmou os nervos da sua mãe, “Ele falou com ela e ela acalmou-se mesmo”.

 

É difícil de lidar com o facto de ter uma filha foco de tanta atenção com uma controvérsia tão quente, mas a mãe está a conseguir de alguma forma adaptar-se à situação.

Eu perguntei a Bethany se ela estava preparada para a celebridade.

 “Não, nem por isso. Eu não quero ser a face do movimento, eu quero que os palestinianos sejam a face do movimento. Não é correto quando pessoas privilegiadas ficam com os créditos do que outras pessoas, não privilegiadas, andam a dizer há muito tempo.”

 

Foste contactada por grandes meios de comunicação?

 “Pelo jornal The New York Times

 

Sentes que estás a aumentar a consciência à tua volta, na escola?

 “Será estranho regressar. Eu vejo a divisão entre grupos de amigos. Alguns alunos da minha escola contactaram-me e disseram que estão atentos, que me apoiam. Eu não estava à espera, não tinha previsto isso.”

 

Entretanto, na internet ela está rapidamente a tornar-se num modelo de liberdade de expressão para os jovens ativistas pró-palestinianos. Inteligente, com moral, politicamente perspicaz, consciente e também com classe:

 

Quando os sionistas esperam que eu seja a favor do genocídio palestiniano porque sou uma judia israelense pic.twitter.com/ixgCfE3Rua

 — benny (@bendykoval) 6 de janeiro de 2016

 

Entretanto Koval publicou no Twitter: "E disse uma vez que o 'Hamas não é extremista', mas eu queria dizer que 'o Hamas não é o único extremista'. Era isso que eu queria dizer. Não sou apologista do Hamas. Apenas considero escandaloso que se deitem as culpas todas para cima do Hamas. As IDF [Forças de Defesa de Israel] não são totalmente inocentes.

 

Texto de Annie Robbins publicado em mondoweiss.net a de 7 de Janeiro de 2016.

publicado por Alexandre Leite às 00:15
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