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investigandoonovoimperialismo

Israel e Estados Unidos assassinam a paz

08.12.20

Israel e a Arábia Saudita estão a fazer tudo o que podem para evitar que Biden regresse ao acordo nuclear -- e a equipa de Biden não tem nada a dizer.

Os Estados Unidos e Israel mostraram mais uma vez serem a principal organização criminosa mundial. O assassinato do cientista iraniano Mohsen Fakhrazideh é só a última ação levada a cabo por estas duas nações que se comportam como  bandidos internacionais. Não ficam satisfeitos com a privação de alimentos e medicamentos aos iranianos, através das pesadas sanções, mas não dão hipóteses a que a paz se instale na região.

Enquanto assistíamos às diatribes de Donald Trump, dizendo que permanecerá no cargo, criando ansiedade sobre um possível golpe, as ameaças da sua política externa foram praticamente ignoradas. Nas últimas semanas essa falta de atenção provou ser muito perigosa, tendo a sua administração envidado esforços para atar as mãos do próximo presidente, Joe Biden, em relação ao Irão.

Israel e a Arábia Saudita esforçam-se por evitar que a administração Biden torne a aderir ao Plano de Ação Conjunta Global (PACG), mais conhecido por Acordo Nuclear com o Irão. Ainda não é claro se Biden tem intenção em prosseguir este compromisso da era Obama mas Israel e a Arábia Saudita não estão para aí virados e estão a ter muita ajuda da parte de Trump.

O Secretário de Estado Mike Pompeo reuniu-se com o príncipe saudita Mohammed bin Sultan e com o Primeiro-Ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, na Arábia Saudita. O encontro foi confirmado pouco depois à imprensa, por fontes próximas de Netanyahu. Também houve notícias convenientemente plantadas sobre a intenção de Trump atacar o Irão antes de abandonar o cargo. 

A morte de Fakhrazideh foi também um esforço para aniquilar o envolvimentos dos Estado Unidos no PACG procurando levar o Irão a responder. Israel mete veneno, “Seria uma pena se os EUA tivessem de atacar o Irão.” O esquema não é novo. Querem que os Estados Unidos façam o seu trabalho sujo e haver agora uma nova administração torna-se a oportunidade perfeita para cumprir o seu modus operandi ou mesmo para ficar de fora e deixar a máfia fazer como quiser.

Não houve nenhuma resposta oficial dos EUA ao assassinato. Uma posta de Trump no twitter parece ser suficiente para confessar o crime e para alertar o público para o risco de uma guerra real envolvendo o Irão ou o seu aliado, a Rússia, que poderia também envolver a Arábia Saudita ou Israel. Nem Joe Biden nem a sua equipa disseram nada. Os supostos progressistas no Congresso dos EUA estão em silêncio. O senador Democrata Chris Murphy  não foi carne nem peixe, dizendo que os Estados Unidos não ficaram mais seguros com esta morte. Nada disse sobre a violação do Direito Internacional e sobre os perigos de guerra originados por esta ação. 

Trump e Pompeo não são os únicos vilões nesta história. Eles sabem que o Congresso agirá como uma claque de apoio ou permanecerá em silêncio. Mesmo aqueles que normalmente se vangloriam das suas credenciais progressistas, não arriscarão ir contra a liderança do partido, contra os meios de comunicação corporativos e contra o lóbi pró Israel nos EUA. 

Netanyahu Trump cartoon

Cartoon de Joep Bertrams, Países Baixos

O jornal New York Times chegou-se à frente no apoio à narrativa oficial fazendo referências ao "programa de armas nucleares" do Irão.  A Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA) confirmou há muito que o Irão nunca teve capacidade para fabricar armas nucleares. Obviamente que depois de Trump ter abandonado o PACG, os iranianos tinham todo o direito a fazê-lo.

Claro que  Fakrazideh não era o único cientista no seu país mas o seu assassinato não pretendia terminar com a capacidade tecnológica iraniana. O objetivo era mostrar ao mundo que Israel pode fazer o que quiser com impunidade e que o  Irão, o país vitimado, será aquele que terá de ser diplomático perante a provocação.

Israel utiliza muitas vezes as transições presidenciais nos EUA para conseguir as suas pretensões. Em dezembro de 2008 Israel iniciou um ataque assassino em Gaza, um mês depois de Barack Obama ser eleito. O ataque só terminou no dia 18 de janeiro, dois dias antes da tomada de posse de Obama. Depois de terem morrido 1400 pessoas, o presidente eleito fez o que os seus antecessores fizeram em relação a Israel. Quando questionado sobre o massacre que estava a acontecer ele foi capaz de dizer “Nós só temos um presidente de cada vez.”

Israel Estados Unidos Sangue Cartoon

Cartoon de Behrooz Firoozi

Ainda faltam sete semanas para a tomada de posse no dia 20 de janeiro de 2021 e isso é tempo suficiente para as perversidades de Trump e Netanyahu. Cientistas iranianos, povo palestiniano ou outro qualquer que seja visto como um obstáculo às intenções de Israel estão sob ameaça. Se Israel está disposto a matar centenas de habitantes de Gaza para marcar posição a um novo presidente, eles estão disponíveis para fazer o que quer que seja. 

Texto de Margaret Kimberley publicado na Black Agenda Report a 2 de dezembro de 2020. Tradução de Alexandre Leite.


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