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Sábado, 26 de Julho de 2008

Hipócritas

 Os que durante tanto tempo silenciaram as legítimas razões do Povo sarauí e o seu profundo grito de angústia e de dor.

 

Os que sistematicamente silenciaram as atrocidades da hierarquia civil, militar e religiosa do Makhzen marroquino contra o Povo sarauí.

 

Os que desviaram e abafaram o clamor sublevado do Povo espanhol em apoio dos seus irmãos sarauís.

 

Os que forjaram obscuras alianças com um regime corrupto, criminoso, colonial-imperialista e genocida.

 

Os que incluíram o Sara Ocidental e a sua população autóctone no “pacote” do pensamento único e neocon franco-estadounidense.

 

Os que pretenderam “encapsular o conflito do Sara” para poder entregar-se totalmente a outros assuntos mais rentáveis.

 

Os que assessoraram e financiaram a construção e armamento do maior Muro militar da nossa Era e a ingente minagem do território sarauí.

 

Os que estabeleceram acordos com o fátuo e irredentista Governo marroquino para espoliar as riquezas naturais do Sara Ocidental.

 

Os que planearam friamente, a partir de sinistros despachos e gabinetes, a ignominiosa Marcha Verde e os infames, ilegais, imorais e politicamente suicidas Acordos Tripartidos de Madrid de 1975.

 

Os que, quando lhes conveio, deram publicamente a razão ao Povo sarauí, o alentaram na sua luta contra o invasor e lhe asseguraram que “o seu Partido” estaria com eles até à vitória final; e, depois, o esqueceram e abandonaram nas garras de um regime criminoso e seus aliados “africom”.

 

Os que geriram a “exemplar” Transição espanhola para a Democracia e esqueceram a memória histórica, renunciando à anulação dos Acordos Tripartidos do tão insultado regime franquista e o reconhecimento da República Árabe Sarauí Democrática (RASD) como Estado de Direito, independente, soberano e livre de verdugos, espoliadores e criminosos.

 

Os que silenciaram o massacre genocida do Povo sarauí, metralhado na sua fuga e bombardeado com napalm, fósforo branco e bombas de fragmentação, a partir de aviões fabricados em Estados “democráticos”.

 

Os que condecoram presumíveis criminosos e vendem e oferecem armamento ao regime alauita, com soturnidade e aleivosia, violando a legalidade e a vontade silenciada da imensa maioria do Povo espanhol.

 

Os que tão rapidamente esqueceram que o movimento solidário com o Povo sarauí é “o mais nobre e o melhor” que tem a sociedade espanhola, em palavras já gastas do líder do PSOE e ex presidente do Governo de Espanha, Sr. Felipe González.

 

Os que eludem as suas responsabilidades históricas, morais, legais e políticas, não exigem o respeito e a aplicação terminante da legalidade internacional, e pretendem dar lições de “moral na Hamada”.

 

Os que, apesar de todas as suas tentativas de escamotear a realidade dos factos e a verdade histórica, reconhecem agora que a Lei e a Justiça está do lado do Povo sarauí, mas se submetem uma e outra vez perante o que eles denominam “realidade política” (consentida e fomentada), isto é, o império da força, a invasão e ocupação militar do Sara Ocidental, a instalação ilegal de centenas de milhares de colonos estrangeiros, a feroz e sistemática repressão quotidiana contra a população civil sarauí.

realpolitik

 

Os que tentaram e continuam a tentar, de qualquer forma e feitio, rotular de “terrorista” a Frente POLISÁRIO e o mais pacífico e paciente dos povos do Mundo.

 

Os que tentaram enganar e dividir –com argúcias, silêncios e mentiras- o movimento de solidariedade com o Povo sarauí.

 

Os que jamais souberam como coser um botão no deserto, o qual apenas conhecem das películas visionadas no seu cómodo cadeirão de burocratas metropolitanos, e não padeceram –ou já o esqueceram- de fome e sede de Justiça.

 

Os que generosamente colocaram os seus meios de desinformação ao serviço dos porta-vozes makhzenários (mercenários) e seus aliados imperiais, negando a voz e a palavra aos defensores da Justiça e da Legalidade internacional.

 

Os que obrigaram à demissão de James Baker e ocultaram e silenciaram as denúncias e testemunhos de autoridades na matéria, como os do ex embaixador dos EUA, Frank Ruddy, e tantos outros.

 

Aqueles altos funcionários colocados à frente da MINURSO com a explícita missão de impedir o nascimento de um Estado genuíno, livre e independente ao Sul da fronteira de Marrocos, e que cumpriram tal missão “com muito gosto”.

 

Aqueles a quem jamais importou a vida de uma criança sarauí, nem de mulheres, idosos, nem nada de nada, salvo os seus interesses, o seu bem-estar, a sua segurança e os seus benefícios, e que agora clamam, hipocritamente, pelo padecimento de crianças sarauís no Hamada, o mais duro e inóspito dos desertos.

 

Os que, carecendo já de “argumentos” autênticos e credíveis, utilizam agora as crianças sarauís como “novo argumento” para tentar vergar o Povo sarauí e fazê-lo renunciar os seus legítimos e inalienáveis direitos, reconhecidos desde 1960 pela ONU, pela OUA/UA e pela Comunidade Internacional, sem sequer mencionar os culpados, responsáveis e causadores da tragédia ocasionada, sofrida exclusivamente pelo Povo agredido e massacrado, tragédia a qual gostam de disfarçar com o eufemismo de status quo.

 

Os que não trouxeram nem uma única escola ou instituto de ensino, nem sequer um mísero professor de língua espanhola (ou de qualquer outra coisa) para preservar o idioma de Cervantes nos atormentados acampamentos dos refugiados sarauí, único Povo árabe que mantém o espanhol como língua oficial do Estado.

 

Os que agora se esfarrapam –assim nos querem fazer crer- perante o enorme sofrimento desse Povo tão generoso, hospitaleiro e agradecido, e cuja paciência e ânsias de paz foram demonstradas até aos limites da extenuação.

 

Os que jamais trouxeram um euro para alimentar o depauperado Povo sarauí (a utilização da fome como arma militar e política), nem colaram nenhum auto-colante, nem repartiram um manifesto de denúncia desse status quo ou de apoio à Causa Sarauí, e tão generosamente emprestam a sua voz aos desejos do Makhzen.

 

Os que mantiveram, e fizeram manter, um bendito silêncio perante os desmandos e a permanente violação dos Direitos Humanos, por parte das autoridades marroquinas, nos Territórios Ocupados do Sara Ocidental.

Mapa Sara Ocidental

 

Os que negam o visto a dirigentes sarauís com a finalidade de os impedir de assistir à Conferência Internacional de Juristas pelo Sara, em Las Palmas de Gran Canaria, para não desagradar ao regime alauita ou simplesmente “cumprindo ordens” superiores.

 

Os que amontoam na gaveta da Redacção, ou atiram directamente para o lixo, as incontáveis cartas e escritos dos leitores ou cidadãos indignados com a situação, o silêncio ou a tergiversação das questões que realmente importam para a opinião pública, e não têm a coragem de procurar a verdade e proclamá-la, tal qual ela é, aos quatro ventos.

 

Os que, para evitar problemas, optaram por submeter-se ao diktat do Makhzen, do Governo ultra e neocon do Império e dos seus elitistas e refinados aliados franceses.

 

Os que aproveitaram, ou aceitaram sem resmungar, toda a bateria de artimanhas do invasor-genocida-ocupante ilegal para impedir a descolonização da última colónia em África, utilizar o Povo sarauí como moeda de troca e fazer bons negócios à sua custa e nas suas costas.

 

Os que aparentam agora sentir pena pela situação dos mais pequenos desse Povo expulso da sua terra, e estão há trinta e três anos sem mexer os seus lábios para denunciar as atrocidades dos responsáveis marroquinos.

 

Os que pretendem enganar a opinião pública dizendo ou insinuando que a Frente POLISÁRIO é a responsável desta calamitosa situação, quando é precisamente a Frente que está há mais de três décadas a proteger o seu Povo, denunciando a situação perante a comunidade internacional, construindo um Estado no exílio, uma sociedade livre e democrática, e procurando incansavelmente uma solução legítima, digna e duradoura de acordo com os princípios mais elementares da legalidade internacional.

 

Os que enganam o Povo marroquino e desviam a sua atenção dos seus verdadeiros interesses e da causa e origem dos seus autênticos problemas, enaltecendo-o e fazendo-o acreditar que o Sara lhes pertence, contrariamente ao dito por todas as resoluções e ditames das instâncias internacionais.

 

Os que querem fazer-nos crer que a Frente POLISÁRIO –movimento de libertação nacional- deve ocupar-se também, ainda, de “democratizar” o dificilmente qualificável regime político marroquino, contrariando assim –como historicamente têm vindo a fazer a CIA & Co.- o princípio internacionalmente reconhecido de não ingerência nos assuntos internos de outros países e procurando não mencionar –os que assim sonham- como “trata” o regime alauita aqueles que ousam pedir justiça e liberdade para o seu Povo, quer seja o sarauí ou o marroquino. Esta responsabilidade, que incumbiria, se fosse o caso, a instâncias internacionais e às grandes potências, é deixada de gorjeta à Frente POLISÁRIO!

 

Os que evitam apresentar uma solução similar à aplicada para a descolonização de Timor Oriental, a outrora colónia portuguesa invadida pela Indonésia e hoje uma nação livre, independente e soberana graças à tão dolorosa luta do Povo timorense e à correcção dos erros anteriores da metrópole, Portugal. Incoerente, absolutamente incoerente, é que os dirigentes portugueses evitem hoje tratar do mesmo modo o Sara Ocidental; mas “compreensível”, tendo em conta a fotografia dos Açores.

 

Os que aplicam o capítulo VII da Carta das Nações Unidas ao caso do Kuwait ou ao dos barcos piratas no Índico e se negam a aplicar essas mesmas disposições legais internacionais aos piratas do Makhzen, exigindo e obrigando o Governo de Marrocos a retirar-se da colónia invadida e ocupada ilegal e ilegitimamente, a sangue e fogo, e a consentir de imediato a celebração do referendo de autodeterminação mandatado pela ONU (“MINURSO”), com todas as opções abertas e todas as garantias legais e democráticas.

 

Os que impõem a independência do Kosovo, à margem da legalidade internacional, e negam sequer a possibilidade dessa opção a um Povo que tem todos os avais legais da comunidade internacional.

 

Os cavernícolas, ignorantes e reaccionários da Espanha profunda que, ainda hoje, em pleno século XXI, se atrevem a culpar o próprio Povo sarauí da sua trágica situação “por ter querido ficar independente dos espanhóis”, ignorando a história de tantos processos de descolonização (um milhão de mortos no caso da Argélia) e a típica “reacção reaccionária” (contra a História) das metrópoles; e acreditando, ainda hoje, que os povos colonizados devem a vida à metrópole.

 

Os que, em vez de fazerem um bom uso dos instrumentos legais de que se dotou a Humanidade (como o Capítulo VII da Carta da ONU) para a resolução pacífica e efectiva de “conflitos” como o do Sara Ocidental (tão óbvio que os juristas o qualificam de “res ipsa loquitur”, a coisa fala por ela própria), pretendem fazer-nos engolir a farsa de sentar a uma mesa de “negociação” duas partes absolutamente desiguais: uma, a todas as luzes culpada (res ipsa loquitur), prepotente, armada até aos dentes e com a ocupação já consumada e financiada; e a outra, absolutamente inerme e desprotegida, com as únicas armas da força da razão, a legalidade internacional, a experiência histórica de todas as descolonizações e o imenso apoio da sociedade civil e do movimento internacional de solidariedade com a Causa do Povo Sarauí.

 

A todos eles, este insignificante cidadão do Mundo, exclusivamente no seu próprio nome e sob sua exclusiva responsabilidade, os acusa por acção ou por omissão, e lhes chama simplesmente hipócritas.

 

 

Texto de Luis Portillo Pasqual del Riquelme (doutorado em Ciências Económicas, funcionário do Estado e ex professor de Estructura Económica Internacional na Universidade Autónoma de Madrid) publicado em Julho de 2008 na Tlaxcala. Tradução de Alexandre Leite para a Tlaxcala.

publicado por Alexandre Leite às 12:00
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Domingo, 14 de Outubro de 2007

A repressão escuda-se na desinformação

Autoridades e meios de comunicação insistem na mentira do "protesto armado"


A desinformação orquestrada pelo totalitarismo de Álvaro Uribe, desenhada e executada pelos meios de comunicação curvados, afirma haver uma infiltração da guerrilha na mobilização agrária e popular, com as vítimas a serem mostradas como assassinos e os protestos pacíficos de pessoas indefesas é mostrado à opinião pública como confrontação armada. A repressão e o terrorismo de Estado tentam agora justificar a crueldade e a brutalidade da segurança democrática.

As forças armadas de repressão contra o povo, sob as ordens de Álvaro Uribe, utilizando armas convencionais e não convencionais: espingardas, pistolas, bombas de gás compostas por limalhas de ferro e vidro, bombas explosivas compostas por limalha de alumínio, atrevem-se a destruir as mãos e as pernas dos camponeses mestiços, indígenas e afro-descendentes; praticam tácticas de guerra contra os indefesos, usam franco-atiradores e metralhadas indiscriminadas; tudo isto com a cobertura de conselhos de segurança e dos governos regionais, passando pela omissão dos organismos de controlo que se fazem de surdos perante a crueldade justificada pelos meios de comunicação, tergiversando a informação.

Repressão na Colômbia

O povo colombiano exige a renúncia do presidente Uribe por ilegítimo e ilegal, sem que nenhum meio de comunicação expresse as verdadeiras razões do protesto. Os agentes da desinformação não têm a coragem dos camponeses mestiços, indígenas e afro-descendentes, para questionar o regime e aguentar a investida da repressão.

O bloqueio da entrada do porto de Buenaventura, as acções de protesto pacíficas na cidade de Santiago de Cali, as concentrações populares no quilómetro 7 da marginal, nas redondezas de Cali, a mobilização do norte de Cauca, os protestos em Papayán, os refugiados da região de Putumayo que se dirigiram para a fronteira com o Ecuador, as manifestações em San Juan de Pasto e na Guayacana sobre a ligação Pasto-Tumaco, entre outras acções de protesto heróico no sudoeste colombiano, e que se desenvolvem dentro da mobilização nacional agrária e popular convocada pela Coordenação Nacional Agrária e Popular da Colômbia; são actos pacíficos mas firmes dos camponeses, indígenas, afro-descendetes, estudantes, "viviendistas" [lutam pelo direito à habitação], professores, operários, e em geral de colombianos dignos.


Manifestação em Bogotá a 10 de Outubro. Foto: Vanessa Silva

Manifestação em Bogotá a 10 de Outubro. Foto: Vanessa Silva

Por acaso as FARC-EP não combatem diariamente pela via armada as forças do regime em todo o território nacional? Por acaso as FARC-EP renunciaram às armas? Há, por acaso, feridos de armas de fogo nas fileiras das forças repressoras, em resultado dos confrontos?

Para nenhuma pessoa com uma inteligência mediana é concebível que as FARC-EP decidam defender-se com pedras e garrotes de uma investida armada das forças especiais do exército e da polícia que têm vindo a declarar os funcionários do Estado e os meios de comunicação ventríloquos dos mesmos. Os meios de comunicação e os funcionários do estado que se encarregaram de propiciar o cenário para deixar as comunidades em situação de risco, ao apontá-los como guerrilheiros, são responsáveis por qualquer situação que possa acontecer com as vidas dos manifestantes.

A isto soma-se a tímida resposta dos representantes da comunidade internacional e máximos supervisores da responsabilidade dos Estados relativamente ao Direito Internacional e aos Direitos Humanos, e os organismos institucionais de promoção e prevenção dos Direitos Humanos, supostos guardiães dos Direitos Fundamentais dos Colombianos.

Mobilização Agrária e Popular

As comunidades camponesas e populares mobilizadas nacionalmente, e que superam as 80000 pessoas, dão um exemplo de dignidade ao mundo, reafirmam a grandeza e a firmeza de um povo que não se deixa escravizar na infâmia.

Pela renúncia de Álvaro Uribe Vélez

Pela defesa do território e da soberania nacional.

Pelo direito de autodeterminação dos povos.

Contra as políticas estatais de aniquilamento da economia camponesa e indígena.

Pelo acordo humanitário.

Por um governo democrático de ampla participação popular.

Contra o Tratado de Livre Comércio e as multinacionais

Processo de Unidade Popular do Sudoeste Colombiano

Comissão de Comunicações do PUPSOC

 

 

Texto publicado pela Agência Prensa Rural a 11 de Outubro de 2007 e traduzido por Alexandre Leite.
publicado por Alexandre Leite às 20:00
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