
. Agudiza-se a repressão no...
. A repressão escuda-se na ...
Até há pouco tempo, a repressão no Peru eram mais leis do que acções.
A legislação do APRA, partido de Alan García, com o apoio fundamental da ultra-direitista Unidad Nacional, do partido de Fujimori que está a ser julgado por inúmeros crimes, e sem oposição parlamentar consequente, foi lançada com toda a sua força anti-popular.
A lei ordena que o exército cumpra funções policiais, assinala as acções de protesto popular como delinquência e autoriza os polícias a matar impunemente.
A legislação está feita para amedrontar o povo, que naturalmente ia protestar pela condução do governo ao serviço incondicional das grandes empresas multinacionais e totalmente contra a população peruana e contra o meio ambiente.
No entanto, a reacção do povo foi vencer o medo e lançar-se à luta, das últimas mobilizações, a mais forte foi a greve camponesa.
Os camponeses estão a ser esmagados pela subida do custo de vida agravado pela miséria que recebem pelos
seus produtos, pela ausência de crédito, pela subida dos preços dos fertilizantes, etc.
O governo, que falou muito do projecto da “Serra exportadora”, o que faz na prática (com a sua assinatura do Tratado de Livre Comércio com os Estados Unidos, que subsidiam a sua agricultura) é a política agrária do “Peru importador de produtos agrícolas”.
A greve camponesa foi confrontada com a aplicação da legislação repressiva: a polícia disparou à cabeça dos manifestantes, os cadáveres das vítimas da repressão apresentam dois ou três orifícios de bala na nuca, o que indica que os disparos vieram de trás. Contra a versão da própria polícia que apesar de reconhecer que os mortos foram atingidos por balas, o Ministro do Interior, Luís Alva, responsável político dos assassinatos, diz, sem nenhuma prova, que os manifestantes foram mortos por armas caseiras e que noutros casos os manifestantes tiraram armas à polícia para se matarem uns aos outros.
Sabemos que apesar de as suas mentiras serem flagrantes, ele não será censurado, pois a maioria do parlamento, sejam os deputados de que partidos forem, está de acordo com a necessidade de fazer tudo o que seja possível para defender as grandes empresas multinacionais contra os protestos populares.
São múltiplas as agressões dirigidas contra o povo, sendo a fundamental a defesa política, jurídica e policial das empresas mineiras multinacionais contra a população e a natureza peruanas.
Para além disso, o governo tem um projecto para tirar as terras às comunidades camponesas, com a chamada “lei da selva” que privatiza a região amazónica sem respeitar as populações que a habitam e que trará como consequência a espoliação da zona, quer privatizar a água, os portos, ataca o ensino, não cumpre promessas feitas de aumento de salários para os funcionários públicos, inicia a privatização do nosso património arqueológico, etc.
Perante os protestos pela subida do custo de vida, o governo, por intermédio de Mulder, Secretário Geral do Apra, responde que Chávez, o presidente venezuelano, tem a culpa da fome no Peru.
Criminalização dos protestos
O Ministério Público informou que denunciou e pediu a detenção de 207 pessoas pela greve camponesa e que em Huaura foram sentenciadas 33 delas.
Foram abertos processos contra muitos outros lutadores sociais, entre eles o coordenador da Assembleia Regional de Cusco e o dirigente do Sindicato da Construção Civil de Cusco, pelas paralisações e mobilizações do povo de Cusco em defesa do seu património cultural. O ex-candidato à presidência, Ollanta Humala, é acusado de fazer estas mobilizações, sem que ele tenha alguma coisa a ver com elas.
Há muitos outros que foram processados por diferentes lutas a nível nacional.
A última
Agora somos surpreendidos com a prisão de 7 presumíveis terroristas em Tumbes, na fronteira com o Equador, que “preparavam acções terroristas contra as cimeiras que se vão realizar no Peru (em Maio vão reunir-se os chefes de Estado europeus e americanos na Cimeira UE-América Latina e Caraíbas e em Novembro haverá uma reunião do Fórum de Cooperação Económica Ásia-Pacífico (APEC)) e dizem que teriam relações com as FARC da Colômbia e com o MRTA do Peru”.
Quem são estes terríveis “terroristas”?
Gente que regressava ao Peru depois de ter assistido a uma reunião pública em Quito, que culminou com uma manifestação pelas ruas da capital equatoriana, o “Segundo Congresso da Coordenadora Continental Bolivariana”, levado a cabo entre 24 e 28 de Fevereiro, com a presença de delegações de vários países do continente, entre os quais do Peru, Chile Uruguai, Brasil, Equador, Colômbia, Venezuela, México, Porto Rico e República Dominicana, bem como delegações europeias da Alemanha, Itália e País Basco.
Nota-se claramente que é uma ordem de Bush acatada fielmente por Alan García, pois um dos pedidos da reunião é o reconhecimento das FARC colombianas como força beligerante, para facilitar as conversações com vista à pacificação da Colômbia, o que não quer dizer necessariamente uma identificação nem um contacto com as FARC.
Que saibamos, em mais nenhum outro país se prenderam pessoas presentes na dita reunião com a acusação de “perigosos terroristas”.
Solicitamos à opinião pública nacional e internacional que esteja atenta a este aumento da repressão no Peru e que se manifeste de todas as formas possíveis contra ela e em solidariedade com as justas exigências do nosso povo, vítima da submissão do regime às empresas multinacionais. 4 de Março de 2008.
Autoridades e meios de comunicação insistem na mentira do "protesto armado"
A desinformação orquestrada pelo totalitarismo de Álvaro Uribe, desenhada e executada pelos meios de comunicação curvados, afirma haver uma infiltração da guerrilha na mobilização agrária e popular, com as vítimas a serem mostradas como assassinos e os protestos pacíficos de pessoas indefesas é mostrado à opinião pública como confrontação armada. A repressão e o terrorismo de Estado tentam agora justificar a crueldade e a brutalidade da segurança democrática.
As forças armadas de repressão contra o povo, sob as ordens de Álvaro Uribe, utilizando armas convencionais e não convencionais: espingardas, pistolas, bombas de gás compostas por limalhas de ferro e vidro, bombas explosivas compostas por limalha de alumínio, atrevem-se a destruir as mãos e as pernas dos camponeses mestiços, indígenas e afro-descendentes; praticam tácticas de guerra contra os indefesos, usam franco-atiradores e metralhadas indiscriminadas; tudo isto com a cobertura de conselhos de segurança e dos governos regionais, passando pela omissão dos organismos de controlo que se fazem de surdos perante a crueldade justificada pelos meios de comunicação, tergiversando a informação.
O povo colombiano exige a renúncia do presidente Uribe por ilegítimo e ilegal, sem que nenhum meio de comunicação expresse as verdadeiras razões do protesto. Os agentes da desinformação não têm a coragem dos camponeses mestiços, indígenas e afro-descendentes, para questionar o regime e aguentar a investida da repressão.
O bloqueio da entrada do porto de Buenaventura, as acções de protesto pacíficas na cidade de Santiago de Cali, as concentrações populares no quilómetro 7 da marginal, nas redondezas de Cali, a mobilização do norte de Cauca, os protestos em Papayán, os refugiados da região de Putumayo que se dirigiram para a fronteira com o Ecuador, as manifestações em San Juan de Pasto e na Guayacana sobre a ligação Pasto-Tumaco, entre outras acções de protesto heróico no sudoeste colombiano, e que se desenvolvem dentro da mobilização nacional agrária e popular convocada pela Coordenação Nacional Agrária e Popular da Colômbia; são actos pacíficos mas firmes dos camponeses, indígenas, afro-descendetes, estudantes, "viviendistas" [lutam pelo direito à habitação], professores, operários, e em geral de colombianos dignos.
Manifestação em Bogotá a 10 de Outubro. Foto: Vanessa Silva
Por acaso as FARC-EP não combatem diariamente pela via armada as forças do regime em todo o território nacional? Por acaso as FARC-EP renunciaram às armas? Há, por acaso, feridos de armas de fogo nas fileiras das forças repressoras, em resultado dos confrontos?
Para nenhuma pessoa com uma inteligência mediana é concebível que as FARC-EP decidam defender-se com pedras e garrotes de uma investida armada das forças especiais do exército e da polícia que têm vindo a declarar os funcionários do Estado e os meios de comunicação ventríloquos dos mesmos. Os meios de comunicação e os funcionários do estado que se encarregaram de propiciar o cenário para deixar as comunidades em situação de risco, ao apontá-los como guerrilheiros, são responsáveis por qualquer situação que possa acontecer com as vidas dos manifestantes.
A isto soma-se a tímida resposta dos representantes da comunidade internacional e máximos supervisores da responsabilidade dos Estados relativamente ao Direito Internacional e aos Direitos Humanos, e os organismos institucionais de promoção e prevenção dos Direitos Humanos, supostos guardiães dos Direitos Fundamentais dos Colombianos.
As comunidades camponesas e populares mobilizadas nacionalmente, e que superam as 80000 pessoas, dão um exemplo de dignidade ao mundo, reafirmam a grandeza e a firmeza de um povo que não se deixa escravizar na infâmia.
Pela renúncia de Álvaro Uribe Vélez
Pela defesa do território e da soberania nacional.
Pelo direito de autodeterminação dos povos.
Contra as políticas estatais de aniquilamento da economia camponesa e indígena.
Pelo acordo humanitário.
Por um governo democrático de ampla participação popular.
Contra o Tratado de Livre Comércio e as multinacionais
Processo de Unidade Popular do Sudoeste Colombiano
Comissão de Comunicações do PUPSOC
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